O que é a síndrome metabólica?
A síndrome metabólica, também chamada síndrome X ou síndrome de resistência à insulina, é o nome dado a um grupo de fatores de risco que surgem juntos. O Manual MSD descreve-a assim:
- circunferência abdominal grande, por excesso de gordura na barriga;
- tensão arterial alta;
- resistência à insulina ou diabetes;
- níveis alterados de colesterol e outras gorduras no sangue (dislipidemia).
Juntos, estes fatores aumentam a probabilidade de ter doença das artérias coronárias, AVC e diabetes tipo 2. A MedlinePlus nota que muitas pessoas com síndrome metabólica ouviam antes que tinham pré-diabetes, tensão alta inicial ou gorduras do sangue ligeiramente altas, e que qualquer destes três pode ser o primeiro sinal.
Um problema muito comum
A síndrome metabólica é um problema sério e frequente. Nos Estados Unidos, a MedlinePlus calcula que afete cerca de 1 em cada 3 pessoas, e o Manual MSD refere que mais de 40% das pessoas com mais de 60 anos podem tê-la.
O risco aumenta com a idade e é maior em certas origens étnicas. Até crianças e adolescentes podem ter síndrome metabólica, embora não se saiba quantos.
Gordura abdominal e resistência à insulina
Os médicos não sabem se há uma única causa, mas muitos dos riscos estão ligados à obesidade. Os dois fatores mais importantes são:
- Gordura na barriga (obesidade central): o corpo em forma de «maçã», com gordura acumulada no abdómen, tem mais risco do que o corpo em forma de «pera», com gordura nas ancas. A maioria dos homens e as mulheres depois da menopausa tendem a acumular gordura na barriga.
- Resistência à insulina: a insulina é a hormona do pâncreas que controla o açúcar no sangue. Quando as células a usam pior, o açúcar sobe, o pâncreas produz mais insulina e isso pode aumentar a gordura do corpo.
Sobre o excesso de peso, veja o guia obesidade.
Outros fatores de risco
- envelhecer;
- genes que tornam a síndrome mais provável;
- alterações das hormonas sexuais e das hormonas do stress;
- falta de exercício;
- fumar: a síndrome é mais frequente em fumadores, e o tabaco sobe os triglicerídeos e baixa o colesterol HDL;
- stress crónico, que pode favorecer a acumulação de gordura na barriga, a resistência à insulina e a descida do colesterol HDL.
As pessoas com síndrome metabólica têm muitas vezes também maior tendência para formar coágulos, sinais de inflamação no sangue e pequenas quantidades de uma proteína, a albumina, na urina.
Riscos para a saúde
A acumulação de gordura na barriga aumenta o risco de vários problemas. O Manual MSD refere:
- doença das artérias coronárias e tensão arterial alta;
- diabetes tipo 2;
- gorduras do sangue alteradas, incluindo o colesterol;
- fígado gordo (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica) e gota;
- síndrome do ovário poliquístico, doença renal crónica e disfunção erétil;
- apneia obstrutiva do sono.
A MedlinePlus acrescenta que, a longo prazo, há mais risco de doença do coração, diabetes tipo 2, AVC, doença renal e má circulação nas pernas. Sobre a apneia, veja o guia apneia do sono.
Critérios de diagnóstico
A síndrome metabólica tem várias definições. Segundo a MedlinePlus, diagnostica-se geralmente quando há três ou mais destes sinais:
- tensão arterial de 130/85 mm Hg ou mais, ou tratamento para a tensão alta;
- glicose em jejum de 100 a 125 mg/dL (5,6 a 7 mmol/L), ou diabetes tipo 2 em tratamento;
- cintura de 102 cm ou mais nos homens e de 89 cm ou mais nas mulheres (89 cm e 76 cm em pessoas de origem asiática);
- colesterol HDL abaixo de 40 mg/dL nos homens e de 50 mg/dL nas mulheres, ou tratamento para o HDL baixo;
- triglicerídeos em jejum acima de 150 mg/dL (1,69 mmol/L), ou tratamento para os baixar.
O Manual MSD usa um critério um pouco diferente: cintura de 102 cm ou mais nos homens ou 88 cm ou mais nas mulheres, com dois ou mais dos outros problemas. Sobre as gorduras do sangue, veja o guia triglicerídeos altos.
Como se faz o diagnóstico?
Como a síndrome metabólica não dá sintomas, o diagnóstico faz-se com medições simples:
- medição da circunferência abdominal, que deve ser feita a todas as pessoas;
- medição da tensão arterial;
- análises ao sangue (exames de sangue) em jejum para medir a glicose, o colesterol e os triglicerídeos.
O médico pergunta também pelo estado geral de saúde e pelos sintomas. O tipo de cintura que aumenta o risco varia com a origem étnica e o sexo. Se a cintura for grande, o Manual MSD indica que se meçam a tensão e as análises em jejum, que costumam estar alteradas.
Tratamento e prevenção
O objetivo é reduzir o risco de doença do coração, AVC e diabetes. O tratamento começa pelo estilo de vida:
- Perder peso: a MedlinePlus aponta como meta perder 7% a 10% do peso atual, o que geralmente exige comer 500 a 1000 calorias a menos por dia; não há uma dieta única melhor.
- Atividade física: 150 minutos por semana de exercício moderado, como caminhar, e exercícios de força 2 dias por semana; fale com o médico antes de começar.
- Alimentação saudável para o coração e menos sal, para baixar o colesterol e a tensão.
- Deixar de fumar e controlar o stress, com respiração profunda, meditação, apoio psicológico ou psicoterapia.
Cada componente trata-se também com medicamentos, se necessário, por grupos: medicamentos que aumentam a sensibilidade à insulina, anti-hipertensivos e medicamentos para baixar as gorduras do sangue. Nas pessoas com obesidade podem usar-se medicamentos antiobesidade e, se necessário, cirurgia metabólica e bariátrica. Veja o guia plano alimentar para diabetes tipo 2 e a secção de nutrição.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Critérios. A MedlinePlus pede três ou mais de cinco sinais, com cintura de 89 cm nas mulheres. O Manual MSD exige a cintura grande, com 88 cm nas mulheres, mais dois outros problemas.
- Perda de peso. A MedlinePlus dá metas concretas de peso, calorias e exercício. O Manual MSD fala de atividade física, dieta saudável para o coração, técnicas comportamentais e cirurgia.
- Stress. O Manual MSD liga o stress crónico à síndrome e sugere formas de o reduzir. A MedlinePlus refere apenas as hormonas do stress entre os fatores de risco.
Pontos-chave sobre a síndrome metabólica
- A síndrome metabólica junta gordura na barriga, tensão alta, glicose alta e gorduras do sangue alteradas.
- Aumenta o risco de doença do coração, AVC e diabetes tipo 2.
- É muito comum e aumenta com a idade.
- Não dá sintomas: descobre-se medindo a cintura, a tensão e as análises em jejum.
- O tratamento começa por perder peso, mexer-se mais e comer de forma saudável.
- Deixar de fumar e tratar cada fator de risco reduz as complicações.
Perguntas frequentes sobre a síndrome metabólica
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a síndrome metabólica?
É um conjunto de fatores de risco que surgem juntos: gordura na barriga, tensão alta, glicose alta ou resistência à insulina e gorduras do sangue alteradas.
A síndrome metabólica dá sintomas?
Não. Por si só não dá sintomas e descobre-se com medições e análises.
Que medida de cintura é preocupante?
Em geral, 102 cm ou mais nos homens e cerca de 88 a 89 cm ou mais nas mulheres, com valores mais baixos em pessoas de origem asiática.
Quantos critérios são precisos para o diagnóstico?
Segundo a MedlinePlus, três ou mais dos cinco sinais: tensão, glicose, cintura, colesterol HDL e triglicerídeos.
Quanto peso devo perder?
A MedlinePlus aponta como meta perder 7% a 10% do peso atual.
O que ajuda a reduzir o risco?
Segundo as fontes, atividade física, alimentação saudável para o coração, perder peso se houver excesso, não fumar e controlar o stress.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Síndrome metabólica
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Metabolic syndrome
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
