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Síndrome metabólica: critérios, riscos e prevenção

A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco que surgem juntos: excesso de gordura na barriga, tensão arterial (pressão arterial) alta, açúcar no sangue alto ou resistência à insulina e gorduras do sangue alteradas. Juntos aumentam a probabilidade de doença das artérias do coração, AVC e diabetes tipo 2. Por si só não dá sintomas, por isso descobre-se com medições simples. O tratamento começa pela atividade física e pela alimentação. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a síndrome metabólica?

A síndrome metabólica, também chamada síndrome X ou síndrome de resistência à insulina, é o nome dado a um grupo de fatores de risco que surgem juntos. O Manual MSD descreve-a assim:

  • circunferência abdominal grande, por excesso de gordura na barriga;
  • tensão arterial alta;
  • resistência à insulina ou diabetes;
  • níveis alterados de colesterol e outras gorduras no sangue (dislipidemia).

Juntos, estes fatores aumentam a probabilidade de ter doença das artérias coronárias, AVC e diabetes tipo 2. A MedlinePlus nota que muitas pessoas com síndrome metabólica ouviam antes que tinham pré-diabetes, tensão alta inicial ou gorduras do sangue ligeiramente altas, e que qualquer destes três pode ser o primeiro sinal.

Um problema muito comum

A síndrome metabólica é um problema sério e frequente. Nos Estados Unidos, a MedlinePlus calcula que afete cerca de 1 em cada 3 pessoas, e o Manual MSD refere que mais de 40% das pessoas com mais de 60 anos podem tê-la.

O risco aumenta com a idade e é maior em certas origens étnicas. Até crianças e adolescentes podem ter síndrome metabólica, embora não se saiba quantos.

Gordura abdominal e resistência à insulina

Os médicos não sabem se há uma única causa, mas muitos dos riscos estão ligados à obesidade. Os dois fatores mais importantes são:

  • Gordura na barriga (obesidade central): o corpo em forma de «maçã», com gordura acumulada no abdómen, tem mais risco do que o corpo em forma de «pera», com gordura nas ancas. A maioria dos homens e as mulheres depois da menopausa tendem a acumular gordura na barriga.
  • Resistência à insulina: a insulina é a hormona do pâncreas que controla o açúcar no sangue. Quando as células a usam pior, o açúcar sobe, o pâncreas produz mais insulina e isso pode aumentar a gordura do corpo.

Sobre o excesso de peso, veja o guia obesidade.

Outros fatores de risco

  • envelhecer;
  • genes que tornam a síndrome mais provável;
  • alterações das hormonas sexuais e das hormonas do stress;
  • falta de exercício;
  • fumar: a síndrome é mais frequente em fumadores, e o tabaco sobe os triglicerídeos e baixa o colesterol HDL;
  • stress crónico, que pode favorecer a acumulação de gordura na barriga, a resistência à insulina e a descida do colesterol HDL.

As pessoas com síndrome metabólica têm muitas vezes também maior tendência para formar coágulos, sinais de inflamação no sangue e pequenas quantidades de uma proteína, a albumina, na urina.

Riscos para a saúde

A acumulação de gordura na barriga aumenta o risco de vários problemas. O Manual MSD refere:

  • doença das artérias coronárias e tensão arterial alta;
  • diabetes tipo 2;
  • gorduras do sangue alteradas, incluindo o colesterol;
  • fígado gordo (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica) e gota;
  • síndrome do ovário poliquístico, doença renal crónica e disfunção erétil;
  • apneia obstrutiva do sono.

A MedlinePlus acrescenta que, a longo prazo, há mais risco de doença do coração, diabetes tipo 2, AVC, doença renal e má circulação nas pernas. Sobre a apneia, veja o guia apneia do sono.

Critérios de diagnóstico

A síndrome metabólica tem várias definições. Segundo a MedlinePlus, diagnostica-se geralmente quando há três ou mais destes sinais:

  • tensão arterial de 130/85 mm Hg ou mais, ou tratamento para a tensão alta;
  • glicose em jejum de 100 a 125 mg/dL (5,6 a 7 mmol/L), ou diabetes tipo 2 em tratamento;
  • cintura de 102 cm ou mais nos homens e de 89 cm ou mais nas mulheres (89 cm e 76 cm em pessoas de origem asiática);
  • colesterol HDL abaixo de 40 mg/dL nos homens e de 50 mg/dL nas mulheres, ou tratamento para o HDL baixo;
  • triglicerídeos em jejum acima de 150 mg/dL (1,69 mmol/L), ou tratamento para os baixar.

O Manual MSD usa um critério um pouco diferente: cintura de 102 cm ou mais nos homens ou 88 cm ou mais nas mulheres, com dois ou mais dos outros problemas. Sobre as gorduras do sangue, veja o guia triglicerídeos altos.

Como se faz o diagnóstico?

Como a síndrome metabólica não dá sintomas, o diagnóstico faz-se com medições simples:

  • medição da circunferência abdominal, que deve ser feita a todas as pessoas;
  • medição da tensão arterial;
  • análises ao sangue (exames de sangue) em jejum para medir a glicose, o colesterol e os triglicerídeos.

O médico pergunta também pelo estado geral de saúde e pelos sintomas. O tipo de cintura que aumenta o risco varia com a origem étnica e o sexo. Se a cintura for grande, o Manual MSD indica que se meçam a tensão e as análises em jejum, que costumam estar alteradas.

Tratamento e prevenção

O objetivo é reduzir o risco de doença do coração, AVC e diabetes. O tratamento começa pelo estilo de vida:

  • Perder peso: a MedlinePlus aponta como meta perder 7% a 10% do peso atual, o que geralmente exige comer 500 a 1000 calorias a menos por dia; não há uma dieta única melhor.
  • Atividade física: 150 minutos por semana de exercício moderado, como caminhar, e exercícios de força 2 dias por semana; fale com o médico antes de começar.
  • Alimentação saudável para o coração e menos sal, para baixar o colesterol e a tensão.
  • Deixar de fumar e controlar o stress, com respiração profunda, meditação, apoio psicológico ou psicoterapia.

Cada componente trata-se também com medicamentos, se necessário, por grupos: medicamentos que aumentam a sensibilidade à insulina, anti-hipertensivos e medicamentos para baixar as gorduras do sangue. Nas pessoas com obesidade podem usar-se medicamentos antiobesidade e, se necessário, cirurgia metabólica e bariátrica. Veja o guia plano alimentar para diabetes tipo 2 e a secção de nutrição.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Critérios. A MedlinePlus pede três ou mais de cinco sinais, com cintura de 89 cm nas mulheres. O Manual MSD exige a cintura grande, com 88 cm nas mulheres, mais dois outros problemas.
  • Perda de peso. A MedlinePlus dá metas concretas de peso, calorias e exercício. O Manual MSD fala de atividade física, dieta saudável para o coração, técnicas comportamentais e cirurgia.
  • Stress. O Manual MSD liga o stress crónico à síndrome e sugere formas de o reduzir. A MedlinePlus refere apenas as hormonas do stress entre os fatores de risco.

Pontos-chave sobre a síndrome metabólica

  • A síndrome metabólica junta gordura na barriga, tensão alta, glicose alta e gorduras do sangue alteradas.
  • Aumenta o risco de doença do coração, AVC e diabetes tipo 2.
  • É muito comum e aumenta com a idade.
  • Não dá sintomas: descobre-se medindo a cintura, a tensão e as análises em jejum.
  • O tratamento começa por perder peso, mexer-se mais e comer de forma saudável.
  • Deixar de fumar e tratar cada fator de risco reduz as complicações.

Perguntas frequentes sobre a síndrome metabólica

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a síndrome metabólica?

É um conjunto de fatores de risco que surgem juntos: gordura na barriga, tensão alta, glicose alta ou resistência à insulina e gorduras do sangue alteradas.

A síndrome metabólica dá sintomas?

Não. Por si só não dá sintomas e descobre-se com medições e análises.

Que medida de cintura é preocupante?

Em geral, 102 cm ou mais nos homens e cerca de 88 a 89 cm ou mais nas mulheres, com valores mais baixos em pessoas de origem asiática.

Quantos critérios são precisos para o diagnóstico?

Segundo a MedlinePlus, três ou mais dos cinco sinais: tensão, glicose, cintura, colesterol HDL e triglicerídeos.

Quanto peso devo perder?

A MedlinePlus aponta como meta perder 7% a 10% do peso atual.

O que ajuda a reduzir o risco?

Segundo as fontes, atividade física, alimentação saudável para o coração, perder peso se houver excesso, não fumar e controlar o stress.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Síndrome metabólica
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Metabolic syndrome

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.