Porque surgem as complicações?
Segundo o Manual MSD, a maioria das complicações da diabetes resulta de problemas nos vasos sanguíneos. Níveis de glicose altos durante muito tempo estreitam os vasos pequenos e grandes e reduzem o fluxo de sangue para várias partes do corpo:
- substâncias derivadas da glicose acumulam-se nas paredes dos vasos pequenos, que engrossam e sangram;
- o mau controlo da glicose aumenta as gorduras no sangue, o que leva à aterosclerose e diminui o fluxo nos vasos maiores.
Com o tempo, este estreitamento pode danificar os olhos, os rins, os nervos, a pele, o coração, o cérebro e as pernas. As pessoas com diabetes também têm mais infeções, e na diabetes tipo 2 pode haver lesão do fígado.
Complicações nos olhos
Os vasos pequenos da retina podem ser lesionados e formar vasos novos e frágeis que tendem a sangrar. A visão diminui e pode chegar à cegueira (retinopatia diabética). Segundo o Manual MSD:
- a cirurgia a laser pode selar os vasos que sangram e evitar lesões permanentes da retina;
- por vezes usam-se outras cirurgias ou medicamentos injetados no olho;
- por isso, as pessoas com diabetes devem fazer um exame aos olhos todos os anos.
O NHS aconselha falar com o médico ou a enfermeira da diabetes se a visão piorar.
Complicações nos rins
Os vasos pequenos dos rins engrossam, a proteína passa para a urina e o sangue deixa de ser bem filtrado. Pode surgir doença renal crónica, que pode exigir diálise ou transplante. Segundo o Manual MSD:
- o médico analisa a urina à procura de proteína (albumina), um sinal precoce de lesão dos rins;
- quando surgem os primeiros sinais, costumam dar-se medicamentos que atrasam a lesão dos rins, por grupos.
Veja o guia doença renal crónica.
Complicações nos nervos
Os nervos são lesionados porque a glicose não é usada normalmente e porque recebem pouco sangue. Segundo o Manual MSD:
- se um único nervo falhar, um braço ou uma perna pode enfraquecer de repente;
- nas mãos, pernas e pés (polineuropatia diabética), surgem formigueiro, ardor, perda de sensibilidade, dor e fraqueza;
- nos nervos que controlam os órgãos internos, podem surgir oscilações da tensão, tensão baixa ao levantar, dificuldade em engolir, náuseas, diarreia e disfunção erétil.
O NHS refere que dor, formigueiro ou dormência no corpo, problemas nas relações sexuais, prisão de ventre ou diarreia podem ser sinais de lesão dos nervos. Veja o guia neuropatia periférica.
Pé diabético: feridas e infeções
Segundo o Manual MSD, as alterações nos pés são frequentes e difíceis de tratar:
- a neuropatia reduz a sensibilidade, e uma ferida pode furar a pele antes de se sentir dor;
- a forma de apoiar o peso muda e formam-se calosidades, que com a pele seca aumentam o risco de feridas;
- a má circulação faz com que as úlceras surjam mais facilmente e sarem pior;
- uma úlcera infeta com facilidade e, sem dor que avise, a infeção pode agravar-se até à gangrena.
Pode ser necessário amputar um pé ou parte da perna. O NHS aconselha falar com o médico ou a enfermeira da diabetes se tiver bolhas ou pele gretada nos pés.
Coração, cérebro e circulação
A aterosclerose dos vasos grandes do coração, do cérebro e das pernas causa ataques cardíacos, AVC e doença arterial periférica, com dor nas pernas ao andar. Segundo o Manual MSD:
- a aterosclerose tende a surgir mais cedo nas pessoas com diabetes;
- pode surgir insuficiência cardíaca, sobretudo depois de um ataque cardíaco;
- a má circulação dificulta a cicatrização e pode levar a gangrena dos pés e das mãos e a disfunção erétil.
Infeções, fígado, gengivas e outras complicações
- Infeções: com a glicose alta, os glóbulos brancos combatem pior as infeções, que são mais graves e demoram mais a sarar; são frequentes na pele, na boca e nas vias urinárias, como a candidíase. Às vezes, uma infeção é o primeiro sinal de diabetes.
- Fígado: na diabetes tipo 2 é comum a gordura no fígado, que pode evoluir para cirrose; perder peso, controlar a glicose e tratar o colesterol podem ajudar.
- Gengivas: a doença das gengivas é comum; as visitas regulares ao dentista são importantes.
- Tecido conjuntivo: síndrome do túnel do carpo e contratura de Dupuytren.
Sobre o túnel do carpo, veja o guia síndrome do túnel do carpo.
Exames de rotina e prevenção
Na diabetes tipo 2, as complicações são vigiadas desde o diagnóstico e pelo menos uma vez por ano; na tipo 1, a partir de cinco anos depois do diagnóstico. Segundo o Manual MSD, os exames incluem:
- exame dos pés, para testar a sensibilidade e procurar sinais de má circulação;
- exame dos olhos por um oftalmologista;
- análises ao sangue (exames de sangue) e à urina para os rins, o colesterol e, na tipo 2, o fígado;
- medição da tensão arterial e, por vezes, eletrocardiograma.
Segundo as fontes, ajudam a prevenir ou adiar as complicações: controlar bem a glicose, tratar a tensão alta e o colesterol, cuidar dos pés, comer de forma equilibrada, fazer exercício, não fumar, ir a todas as consultas e fazer as vacinas recomendadas. Veja o guia plano alimentar para a diabetes tipo 2. Ao controlar a glicose de forma rigorosa, alguns medicamentos podem causar hipoglicemia, com fome, coração acelerado, tremores, suores e dificuldade em pensar: é uma emergência que se trata com açúcar.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Âmbito. O Manual MSD descreve as complicações da diabetes tipo 1 e tipo 2. O NHS centra-se na diabetes tipo 2.
- Complicações agudas. O NHS alerta para o estado hiperosmolar e a cetoacidose, que podem pôr a vida em risco. O Manual MSD destaca a hipoglicemia causada pelo tratamento.
- Detalhe. O Manual MSD explica os mecanismos e os exames de rotina. O NHS dá sinais práticos para falar com o médico.
Pontos-chave sobre as complicações da diabetes
- A glicose alta durante anos danifica os vasos sanguíneos e os nervos.
- Os olhos, os rins, os nervos, os pés e o coração são os mais afetados.
- As pessoas com diabetes têm mais infeções, que saram pior.
- Fazer os exames de rotina permite tratar as complicações cedo.
- Controlar a glicose, a tensão e o colesterol previne ou adia as complicações.
- Muita sede, urinar muito, confusão ou falta de ar exigem urgências.
Perguntas frequentes sobre as complicações da diabetes
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Quais são as complicações da diabetes?
Sobretudo nos olhos, nos rins, nos nervos, nos pés, no coração e no cérebro, além de mais infeções e, na tipo 2, gordura no fígado.
Quando surgem as complicações?
Algumas começam meses depois do início da diabetes, mas a maioria surge ao fim de alguns anos e piora devagar.
Porque é que as feridas nos pés são perigosas?
Porque a perda de sensibilidade impede de as sentir, a má circulação atrasa a cicatrização e infetam com facilidade.
Com que frequência devo fazer exames?
Na diabetes tipo 2, desde o diagnóstico e pelo menos uma vez por ano; na tipo 1, a partir de cinco anos depois do diagnóstico.
As complicações podem ser evitadas?
Controlar bem a glicose, a tensão e o colesterol, não fumar e cuidar dos pés reduz a probabilidade de as ter ou de piorarem.
Quando é uma emergência?
Se urinar muito, tiver muita sede, náuseas, confusão, muita sonolência ou falta de ar, ou sinais de hipoglicemia grave.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Complicações de longo prazo do diabetes mellitus
- NHS · Complications of type 2 diabetes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
