O que é a apneia do sono
A apneia do sono é uma doença grave em que a respiração para repetidamente por tempo suficiente para interromper o sono. Segundo o Manual MSD, isso muitas vezes diminui temporariamente o oxigênio e aumenta o dióxido de carbono no sangue, e aumenta o risco de certos distúrbios médicos e de morte prematura.
Existem dois tipos, e algumas pessoas têm uma combinação dos dois:
- Apneia obstrutiva do sono: o tipo mais comum, causado pelo fechamento repetido da garganta ou das vias aéreas superiores durante o sono. Afeta a saúde e o bem-estar de cerca de 8% a 16% dos adultos.
- Apneia central do sono: rara em comparação, causada por um problema no controle da respiração no tronco cerebral.
Os médicos diagnosticam a apneia obstrutiva quando há 5 ou mais interrupções da respiração por hora de sono, cada uma com mais de 10 segundos.
Apneia do sono: sintomas
Geralmente, os sintomas durante o sono são notados primeiro por quem dorme na mesma cama ou na mesma casa. A respiração pode ficar lenta e superficial ou parar subitamente, às vezes por até 1 minuto. Segundo o Manual MSD, os sintomas incluem:
- ronco alto, com episódios de falta de ar ou asfixia, pausas na respiração e despertares súbitos com engasgo,
- sonolência durante o dia, fadiga e irritabilidade,
- dores de cabeça pela manhã, lentidão de pensamento e dificuldade de concentração,
- dor de garganta ou boca seca ao acordar,
- dificuldade em permanecer dormindo.
Na apneia obstrutiva, o sintoma mais comum é o ronco, mas a maioria das pessoas que ronca não tem apneia do sono. Sobre o ronco, veja o nosso guia sobre o ronco. Pela manhã, as pessoas com frequência não sabem que o sono foi interrompido várias vezes.
Riscos da apneia do sono
Em quem vive sozinho, a sonolência diurna pode ser o sintoma mais visível. Segundo o Manual MSD, a pessoa pode adormecer enquanto vê televisão, numa reunião ou, com sonolência extrema, até parada num sinal vermelho ao dirigir. A memória pode ser prejudicada, o desejo sexual pode diminuir e as relações sofrem.
Na apneia obstrutiva, aumenta o risco de:
- acidente vascular cerebral (AVC),
- ataque cardíaco,
- fibrilação atrial, um ritmo cardíaco irregular,
- hipertensão arterial.
Em homens de meia-idade com mais de cerca de 30 episódios por hora, o risco de morte prematura aumenta.
Causas e fatores de risco
Segundo o Manual MSD, muitos fatores aumentam a probabilidade de apneia obstrutiva do sono:
- obesidade, possivelmente em combinação com o envelhecimento, embora nem todas as pessoas com apneia tenham excesso de peso,
- uso excessivo de álcool e uso de sedativos,
- garganta estreita ou pescoço grosso, características que tendem a ocorrer em algumas famílias,
- hipotireoidismo, refluxo gastroesofágico à noite ou acromegalia,
- às vezes, um AVC.
A apneia central pode dever-se a um AVC, a uma infecção cerebral ou a um defeito congênito do cérebro, aos opioides usados para alívio da dor e a diversos outros medicamentos, a altitudes elevadas ou à insuficiência cardíaca. Ao contrário da obstrutiva, não está associada à obesidade.
Apneia do sono em crianças
Em crianças, segundo o Manual MSD, a apneia obstrutiva pode ser causada por amígdalas ou adenoides aumentadas, alguns quadros dentários (como uma sobremordida grave), obesidade e algumas deficiências congênitas (como um maxilar inferior anormalmente pequeno). As alergias sazonais que causam congestão nasal significativa podem piorá-la.
A maioria das crianças afetadas ronca. Outros sintomas podem ser sono agitado, sudorese noturna, fazer xixi na cama, respiração pela boca, dor de cabeça matinal, problemas de concentração e, na apneia grave, problemas de aprendizagem e de comportamento. A sonolência diurna excessiva é menos comum do que nos adultos. Em crianças, o tratamento mais comum é a cirurgia para remover as amígdalas e as adenoides.
Como se faz o diagnóstico
A suspeita baseia-se nos sintomas, e os médicos podem usar questionários. Segundo o Manual MSD, o diagnóstico é geralmente confirmado monitorizando a respiração durante o sono:
- Em casa: o primeiro passo costuma ser um aparelho portátil usado à noite, que mede a respiração, a frequência cardíaca, o fluxo de ar pelo nariz e o oxigênio.
- Polissonografia: um exame mais completo, numa noite num laboratório do sono, com eletroencefalograma, oximetria, medição do fluxo de ar e dos movimentos respiratórios. Ajuda a distinguir a apneia obstrutiva da central.
Os exames determinam o índice de apneia-hipopneia (IAH), o número médio de pausas e reduções da respiração por hora de sono: quanto mais eventos, mais grave é a apneia. Na nossa consulta de otorrinolaringologia em Bilbao avaliamos o nariz e a garganta de quem ronca ou tem suspeita de apneia (as consultas são em espanhol).

Tratamento: hábitos e CPAP
O tratamento dirige-se aos fatores de risco e à própria apneia. Segundo o Manual MSD:
- perder peso, parar de fumar e não usar álcool em excesso pode ajudar; infecções e alergias nasais devem ser tratadas,
- quem ronca intensamente ou se engasga muitas vezes durante o sono não deve consumir álcool nem tomar soníferos, anti-histamínicos, sedativos ou outros medicamentos que causem sonolência,
- dormir de lado ou elevar a cabeceira da cama pode ajudar a reduzir o ronco,
- a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), com uma máscara facial ou nasal ligada a um aparelho que mantém a garganta aberta, é o principal tratamento da apneia obstrutiva.
Muitas pessoas acham difícil tolerar a CPAP e param de usá-la ou a usam só às vezes. Se os profissionais as ajudarem a encontrar um dispositivo bem ajustado e as encorajarem, é mais provável que tenham sucesso a longo prazo; nas primeiras 2 semanas é necessário um acompanhamento cuidadoso.

Aparelhos orais, cirurgia e prognóstico
- Aparelhos orais removíveis, feitos por dentistas, puxam a mandíbula para a frente e podem ajudar na apneia leve a moderada.
- Estimulação das vias aéreas superiores: um dispositivo implantado ativa o nervo da língua e pode ajudar algumas pessoas com apneia moderada a grave que não toleram a CPAP.
- Cirurgia de cabeça ou pescoço é útil se houver amígdalas aumentadas ou outra obstrução evidente. A traqueostomia é o tratamento mais eficaz, mas é feita apenas como último recurso, nos casos mais graves que não responderam a outros tratamentos.
- Dispositivos e sprays contra o ronco vendidos ao público podem ajudar no ronco simples, mas não demonstraram aliviar a apneia obstrutiva.
Segundo o Manual MSD, se a pessoa seguir o tratamento receitado, o prognóstico geralmente é excelente: o tempo de vida não é afetado, as complicações mais graves podem ser evitadas e a pressão arterial costuma baixar alguns pontos.
Onde as fontes divergem
Uma revisão Cochrane (Giles e colaboradores, 2006; 36 ensaios, 1.718 pessoas) concluiu que a CPAP reduz a sonolência e melhora a qualidade de vida na apneia obstrutiva moderada e grave, e baixa a pressão arterial a curto prazo. Há duas diferenças de ênfase com o Manual MSD:
- CPAP ou aparelho oral: o Manual MSD reserva os aparelhos orais para a apneia leve a moderada. Na revisão, a CPAP reduziu mais as pausas respiratórias do que os aparelhos orais e as pessoas abandonaram menos a CPAP, mas quem respondia aos dois preferia claramente o aparelho oral.
- A longo prazo: o Manual MSD diz que, com tratamento, o prognóstico é excelente e o tempo de vida não é afetado. A revisão só tinha dados de curto prazo e pede dados de longo prazo para saber se os benefícios se mantêm.
Pontos-chave sobre a apneia do sono
- Na apneia do sono, a respiração para repetidamente durante o sono.
- Os sintomas típicos são ronco alto com pausas e engasgos e sonolência durante o dia.
- A obesidade, o álcool e os sedativos aumentam o risco de apneia obstrutiva.
- O diagnóstico confirma-se com um aparelho portátil em casa ou com polissonografia.
- A CPAP é o principal tratamento; aparelhos orais e cirurgia são opções em casos selecionados.
- Com tratamento, o prognóstico geralmente é excelente.
Perguntas frequentes sobre apneia do sono
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Apneia do sono tem cura?
As fontes não falam de cura. Segundo o Manual MSD, com o tratamento receitado o prognóstico geralmente é excelente, e a perda de peso e a cirurgia bariátrica revertem os sintomas em muitas pessoas com obesidade grave.
Todo ronco é apneia do sono?
Não. Apenas algumas pessoas que roncam têm apneia obstrutiva do sono, mas a maioria das pessoas com apneia obstrutiva ronca.
Como sei se tenho apneia do sono?
A suspeita baseia-se nos sintomas, mas o diagnóstico confirma-se com um teste do sono, em casa com um aparelho portátil ou com polissonografia num laboratório do sono.
O que é a CPAP?
É um aparelho que fornece ar com uma pressão levemente maior através de uma máscara facial ou nasal, o que mantém a garganta aberta durante o sono. É o principal tratamento da apneia obstrutiva.
Emagrecer ajuda na apneia do sono?
Sim. Segundo o Manual MSD, perder peso pode ajudar, e os medicamentos e a cirurgia para perda de peso reduzem a apneia em muitas pessoas com obesidade grave.
O álcool piora a apneia do sono?
Sim. O uso excessivo de álcool e de sedativos piora a apneia obstrutiva, e quem a tem deve evitá-los, especialmente antes de dormir.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Apneia do sono
- Giles TL, et al. Continuous positive airways pressure for obstructive sleep apnoea in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2006
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

