O que é a retinopatia diabética?
A retinopatia diabética é uma doença dos olhos causada pela diabetes. A retina é a estrutura transparente e sensível à luz que fica na parte de trás do olho. Os níveis altos de açúcar (glicose) no sangue, repetidos ao longo do tempo, enfraquecem as paredes dos pequenos vasos sanguíneos, incluindo os da retina, que ficam mais fáceis de lesionar e deixam escapar sangue e líquido para a própria retina.
O Manual MSD refere que a diabetes está entre as principais causas de cegueira nos países desenvolvidos, sobretudo em adultos em idade de trabalhar. Ao fim de alguns anos, surgem alterações na retina em quase todas as pessoas com diabetes, quer usem insulina quer não.
O que aumenta o risco
Segundo o Manual MSD, a extensão da retinopatia e da perda de visão depende sobretudo de três fatores:
- o controlo dos níveis de açúcar no sangue;
- o controlo da tensão arterial;
- o tempo desde que a pessoa tem diabetes.
Quem tem diabetes e também tensão alta tem um risco muito maior, porque as duas doenças lesionam a retina. O NHS acrescenta o colesterol alto, e as duas fontes referem que a gravidez pode piorar a retinopatia. Na diabetes tipo 1, a retinopatia surge geralmente 5 anos depois do início; como a diabetes tipo 2 pode passar anos sem diagnóstico, a retinopatia pode já existir quando a diabetes é descoberta.
Retinopatia diabética: sintomas
A retinopatia diabética geralmente não dá sintomas no início. Nas fases mais avançadas, o NHS refere:
- vista a piorar;
- visão turva;
- pontos e linhas a flutuar no campo de visão (moscas volantes);
- mais dificuldade em ver no escuro ou com pouca luz.
O Manual MSD acrescenta clarões de luz e, na forma mais grave, uma perda de visão súbita, grave e sem dor. Os sintomas podem afetar um ou os dois olhos e piorar aos poucos, até à perda de visão.
Tipos e fases da retinopatia diabética
O Manual MSD descreve dois tipos de alterações, que surgem por esta ordem:
- Retinopatia não proliferativa: os pequenos vasos deixam sair líquido ou sangue e as zonas afetadas da retina incham. No início, os efeitos na visão podem ser mínimos; podem surgir pontos cegos que a pessoa não nota. Se o líquido se acumular perto da mácula, a zona central da retina, a visão central fica turva (edema macular), o que pode causar uma perda de visão importante.
- Retinopatia proliferativa: a lesão da retina faz crescer novos vasos anormais, que podem sangrar ou deixar cicatrizes. É mais grave e pode causar cegueira por uma hemorragia extensa no interior do olho ou por descolamento da retina. Os novos vasos também podem causar um tipo de glaucoma doloroso (glaucoma neovascular).
O NHS explica que a retinopatia diabética evolui em 3 fases, geralmente aos poucos, ao longo de vários anos, e que o tratamento pode impedir a passagem à fase seguinte:
- Retinopatia de fundo: há alguns sinais de lesão nos vasos do olho, mas a visão não é afetada.
- Retinopatia pré-proliferativa: há mais sinais de lesão e risco de a visão ser afetada no futuro; ainda não é preciso tratamento, mas o rastreio passa a ser mais frequente.
- Retinopatia proliferativa: há alterações mais graves que podem afetar a visão ou causar perda de visão; é preciso tratamento por um especialista.
Existe também a maculopatia diabética, que no início não dá sintomas. Num número muito pequeno de pessoas avança e afeta a visão central: a pessoa consegue ver à volta, mas não consegue ler com clareza.
Quando procurar ajuda?
O NHS aconselha quem tem diabetes a falar com o médico, a equipa da diabetes ou um oculista se tiver problemas nos olhos ou na visão, como:
- vista a piorar com o tempo;
- moscas volantes;
- dificuldade em ver com pouca luz.
Estes sintomas nem sempre significam retinopatia, mas devem ser avaliados. É preciso uma consulta urgente se a vista piorar de repente ou ficar turva. Sobre outros problemas da vista, veja a secção de otorrino.
Rastreio e diagnóstico
Como a doença não dá sintomas no início, o rastreio é essencial. No Reino Unido, o NHS convida as pessoas com diabetes a partir dos 12 anos para um rastreio a cada 1 ou 2 anos, com fotografias do fundo do olho. O Manual MSD recomenda um exame anual com a pupila dilatada por gotas.
- o médico examina a retina com um oftalmoscópio;
- a angiografia com fluoresceína, com um corante, mostra onde há derrame, as zonas com pouco fluxo de sangue e os vasos novos anormais;
- tiram-se fotografias a cores da retina;
- a tomografia de coerência ótica, um exame de imagem, ajuda a avaliar o edema macular e a resposta ao tratamento.
Tratamento da retinopatia diabética
A perda de visão causada pela retinopatia não se cura; o objetivo do tratamento é impedir que a visão piore. A base é controlar o açúcar no sangue e a tensão arterial. Nas fases iniciais não é preciso outro tratamento, apenas vigilância nos exames. Na forma proliferativa ou com edema macular, um especialista pode propor:
- Laser (fotocoagulação): um feixe de laser dirigido à retina reduz o crescimento dos vasos anormais e os derrames; pode ser preciso repetir. Raramente melhora a visão, mas quase sempre impede que piore.
- Injeções no olho de medicamentos antifator de crescimento endotelial vascular (anti-VEGF), que reduzem a lesão dos vasos.
- Implantes de corticosteroide no olho, que libertam o medicamento aos poucos e reduzem o inchaço.
- Cirurgia (vitrectomia) para retirar sangue ou cicatrizes do interior do olho; a visão melhora muitas vezes depois.
O especialista explica os riscos e benefícios de cada opção.
Como reduzir o risco
- controlar o açúcar no sangue o melhor possível; o NHS sugere frequentar um curso sobre diabetes;
- manter a tensão arterial em valores normais; veja o guia dieta para a hipertensão;
- baixar o colesterol alto com mudanças no estilo de vida; veja o guia colesterol;
- não fumar; veja o guia deixar de fumar;
- ir a todos os exames de rastreio aos olhos;
- na gravidez com diabetes, fazer exames aos olhos com mais frequência.
Se a retinopatia afetar a visão, viver com ela pode ser difícil no dia a dia e emocionalmente. O NHS refere que o apoio da equipa da diabetes e de grupos de pessoas com diabetes ou perda de visão pode ajudar.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Classificação. O Manual MSD divide a doença em não proliferativa e proliferativa. O NHS fala de três fases (de fundo, pré-proliferativa e proliferativa) e da maculopatia.
- Frequência dos exames. O Manual MSD aconselha um exame anual com a pupila dilatada. O NHS descreve um rastreio com fotografias a cada 1 ou 2 anos a partir dos 12 anos.
- Resultado do tratamento. O Manual MSD diz que a visão melhora muitas vezes após a vitrectomia e com o tratamento do edema macular. O NHS sublinha que a perda de visão já causada não tem cura.
Pontos-chave sobre a retinopatia diabética
- A retinopatia diabética é uma lesão da retina causada pelo açúcar alto no sangue.
- No início não dá sintomas; é descoberta nos exames de rastreio.
- O risco aumenta com o tempo de diabetes, o mau controlo do açúcar, a tensão alta e o colesterol alto.
- Na forma proliferativa crescem vasos anormais que podem sangrar e causar cegueira.
- Laser, injeções no olho, implantes e cirurgia ajudam a impedir que a visão piore.
- Controlar o açúcar e a tensão e ir a todos os exames aos olhos é a melhor prevenção.
Perguntas frequentes sobre a retinopatia diabética
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a retinopatia diabética?
É uma lesão dos vasos sanguíneos da retina, no fundo do olho, causada pelos níveis altos de açúcar no sangue na diabetes.
A retinopatia diabética dá sintomas?
Geralmente não no início. Mais tarde pode causar visão turva, moscas volantes, dificuldade em ver com pouca luz e perda de visão.
De quanto em quanto tempo devo examinar os olhos?
O Manual MSD aconselha um exame por ano com a pupila dilatada; o NHS faz rastreio a cada 1 ou 2 anos. Na gravidez com diabetes, a cada 3 meses.
A retinopatia diabética tem cura?
A visão já perdida não se recupera por completo, mas o tratamento pode impedir que piore e, em alguns casos, melhorá-la.
Como se trata a retinopatia diabética?
Controlando o açúcar e a tensão e, nas fases avançadas, com laser, injeções de medicamentos no olho, implantes de corticosteroide ou cirurgia.
Como posso prevenir a retinopatia diabética?
Controlando o açúcar no sangue, a tensão arterial e o colesterol, não fumando e indo a todos os exames de rastreio aos olhos.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
