O que é a síndrome nefrótica?
Os rins filtram o sangue através dos glomérulos, pequenos novelos de vasos com poros minúsculos. Na síndrome nefrótica, os glomérulos deixam passar demasiada proteína para a urina (proteinúria).
Por isso, o sangue fica com pouca albumina, uma proteína importante, e com mais gorduras (lípidos). O líquido sai dos vasos para os tecidos e causa inchaço (edema), e os rins compensam retendo mais sódio. Há também maior tendência para formar coágulos e mais facilidade em apanhar infeções, porque se perdem na urina os anticorpos que combatem as infeções.
Quem pode ter síndrome nefrótica?
A síndrome nefrótica pode surgir em qualquer idade, de forma gradual ou repentina. O Manual MSD refere que nas crianças é mais frequente entre os 18 meses e os 4 anos; o NHS diz que costuma ser diagnosticada pela primeira vez entre 1 e 6 anos e que é mais comum em pessoas de origem asiática, sem se saber porquê.
Nos adultos mais velhos, afeta por igual os dois sexos. Uma pequena parte das crianças tem uma forma herdada (congénita), que costuma ter pior evolução.
Causas da síndrome nefrótica
Pode ser primária, com origem nos próprios rins, ou secundária a outras doenças. Na maioria das crianças, a causa é a doença de lesões mínimas: os rins parecem normais ao microscópio comum, e a sua causa é desconhecida.
As causas secundárias são mais comuns nos adultos. As fontes referem:
- diabetes e lúpus;
- infeções virais, como as hepatites B e C e o VIH (HIV);
- inflamação ou cicatrizes no interior do rim (glomerulonefrite, glomerulosclerose);
- alguns cancros, como linfomas ou leucemia, e a obesidade;
- certos medicamentos, sobretudo os anti-inflamatórios não esteroides, e drogas ilícitas;
- alergias, por exemplo a picadas de insetos ou a pólen; e formas hereditárias.
Síndrome nefrótica: sintomas
Os primeiros sintomas costumam ser:
- inchaço das pálpebras e, depois, das pernas e do resto do corpo;
- urina espumosa e, por vezes, menos urina do que o habitual;
- perda de apetite e mal-estar geral;
- dor abdominal.
O líquido muda de sítio com a gravidade: de noite acumula-se nas pálpebras, de dia nos tornozelos. A barriga pode inchar com líquido (ascite) e pode haver falta de ar por líquido à volta dos pulmões. O inchaço pode esconder a perda de músculo. Nas crianças, a tensão arterial (pressão arterial) costuma ser baixa e pode descer ao pôr-se de pé; nos adultos pode ser baixa, normal ou alta.
Complicações possíveis
- Infeções: são mais frequentes, incluindo a infeção da membrana que reveste a barriga (peritonite).
- Coágulos: o sangue coagula com mais facilidade, sobretudo na veia principal do rim.
- Problemas nos rins: a urina pode diminuir e, por vezes, surgir insuficiência renal.
- Falta de nutrientes: perdem-se na urina; nas crianças o crescimento pode atrasar, e pode haver perda de cálcio dos ossos, falta de vitamina D, cabelo e unhas frágeis e queda de cabelo.
A tensão arterial alta, com complicações no coração e no cérebro, é mais provável em quem tem diabetes ou lúpus. Sobre a doença dos rins de longa duração, veja o guia doença renal crónica.
Como se diagnostica?
O diagnóstico baseia-se nos sintomas, no exame físico e em análises. O NHS explica que uma tira-teste mergulhada na urina muda de cor quando há muita proteína, e que uma análise ao sangue com albumina baixa confirma o diagnóstico.
- a urina de 24 horas, ou uma única amostra que compara a proteína com a creatinina, mede a perda de proteína;
- as análises ao sangue (exames de sangue) mostram albumina baixa e gorduras altas, muitas vezes 10 vezes acima do normal;
- outras análises procuram a causa, como infeções antigas ou anticorpos de doenças autoimunes;
- pode fazer-se ecografia (ultrassom) ou TAC (tomografia computadorizada) dos rins e uma biópsia renal, útil para saber a causa e a extensão da lesão.
Nos adultos mais velhos, a síndrome é por vezes confundida no início com insuficiência cardíaca, porque as duas causam inchaço.
Tratamento da síndrome nefrótica
Sempre que possível, trata-se a causa: curar uma infeção ou um cancro (câncer), ou suspender um medicamento ou uma droga responsável, pode fazer desaparecer a síndrome. Os medicamentos usados são, por grupos:
- medicamentos dos grupos inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos recetores da angiotensina II (BRA), que reduzem a proteína na urina e as gorduras no sangue;
- diuréticos, que fazem urinar mais e reduzem o inchaço e a tensão arterial;
- anticoagulantes, se houver coágulos, e estatinas, se as gorduras no sangue estiverem altas;
- corticosteroides, o tratamento principal nas crianças segundo o NHS, e outros medicamentos que travam o sistema imunitário;
- um antibiótico durante as recaídas, para reduzir o risco de infeção, e perfusões de albumina em casos graves, segundo o NHS.
Nas crianças, os corticosteroides podem afetar o crescimento e o desenvolvimento sexual. Raramente perde-se tanta proteína que é preciso retirar os rins, com diálise até um transplante.
Alimentação, vacinas e vigilância
A alimentação deve ter quantidades normais de proteína e potássio e ser pobre em gorduras saturadas, colesterol e sódio. Se houver líquido na barriga, pode ser preciso comer pouco e várias vezes ao dia, porque o estômago tem menos espaço. Veja também a secção de nutrição e o guia dieta para hipertensão, com dicas para reduzir o sal.
As fontes recomendam a vacina pneumocócica, além das vacinas habituais. O NHS avisa que as vacinas vivas não devem ser dadas enquanto a criança toma medicação para controlar os sintomas.
Em casa, o NHS aconselha testar todos os dias a primeira urina da manhã com uma tira e registar o resultado num diário. Três dias seguidos com 3+ ou mais de proteína indicam uma recaída: segue-se o plano combinado ou contacta-se o médico.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Público. O NHS fala da síndrome nefrótica nas crianças. O Manual MSD trata de todas as idades e de mais causas em adultos.
- Tratamento principal. O NHS apresenta os corticosteroides como tratamento principal nas crianças. O Manual MSD dá como pilar os IECA ou BRA e reserva os corticosteroides para quando não há causa reversível.
- Evolução. O NHS diz que a maioria das crianças responde bem e que as recaídas tendem a parar no fim da adolescência. O Manual MSD diz que o prognóstico varia com a causa, a idade e o tipo e grau de lesão.
Pontos-chave sobre a síndrome nefrótica
- Na síndrome nefrótica, os rins perdem muita proteína na urina.
- Causa inchaço, sobretudo à volta dos olhos e nas pernas, e urina espumosa.
- Nas crianças, a causa mais comum é a doença de lesões mínimas; nos adultos há mais causas secundárias.
- Aumenta o risco de infeções e de coágulos.
- Diagnostica-se com análises à urina e ao sangue, por vezes com biópsia.
- O tratamento depende da causa e inclui medicamentos, menos sal e vacinas.
Perguntas frequentes sobre a síndrome nefrótica
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a síndrome nefrótica?
É uma doença dos rins em que se perde muita proteína na urina, o que causa inchaço e outros problemas.
Quais são os primeiros sinais?
Inchaço à volta dos olhos e depois nas pernas, urina espumosa, perda de apetite e mal-estar.
A síndrome nefrótica tem cura?
Depende da causa. Pode desaparecer se a causa for tratável; a maioria das crianças responde bem ao tratamento.
Porque há mais infeções na síndrome nefrótica?
Porque se perdem na urina anticorpos que ajudam a combater as infeções.
Que alimentação se recomenda?
Pouco sal, gorduras saturadas e colesterol, com quantidades normais de proteína e potássio.
Como se confirma o diagnóstico?
Com uma tira-teste ou análise de urina que mostra muita proteína e uma análise ao sangue com albumina baixa.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
