Ir para o conteúdo

Coração MediBilbao Salud

Aneurisma da aorta abdominal: sintomas e tratamento

Um aneurisma da aorta abdominal é uma dilatação da parede da aorta, a maior artéria do corpo, na parte que passa pela barriga. A maioria não causa problemas e muitos são descobertos por acaso, mas podem ser graves porque podem romper, o que causa uma hemorragia interna com risco de vida. É mais comum em homens mais velhos e em quem fuma. Os pequenos vigiam-se; os grandes reparam-se com cirurgia. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é um aneurisma da aorta abdominal?

A aorta é a maior artéria do corpo. Recebe do coração o sangue rico em oxigénio e, através das suas ramificações, distribui-o pelo corpo. A aorta abdominal é a parte que passa pela cavidade abdominal.

Um aneurisma é uma dilatação, como um inchaço, de uma zona enfraquecida da parede da artéria. Os aneurismas da aorta abdominal crescem geralmente devagar e, por vezes, rompem. O NHS refere que a maioria não causa problemas, mas que podem ser graves por causa desse risco de rotura.

Porque surge um aneurisma da aorta?

O aneurisma surge quando a parede da aorta fica enfraquecida. Muitas vezes, isso deve-se à aterosclerose, a acumulação de gordura e outras substâncias nas paredes das artérias. Nem sempre é claro o que o causa.

Mais raramente, a parede enfraquece por uma infeção da aorta, que pode ser uma complicação de uma infeção de uma válvula do coração (endocardite) ou de uma infeção generalizada (sépsis), ou por uma inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite).

Quem tem mais risco

Os aneurismas da aorta abdominal podem surgir em qualquer idade, mas são mais comuns em homens mais velhos. O risco é maior em quem:

  • é homem e tem 65 anos ou mais;
  • fuma ou fumou, sobretudo os homens;
  • tem tensão arterial (pressão arterial) alta, em particular se também fuma;
  • tem colesterol alto; veja o guia colesterol;
  • tem um familiar próximo que teve um aneurisma da aorta abdominal;
  • tem doença das artérias coronárias ou periféricas (aterosclerose), doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) ou uma doença como a síndrome de Marfan.

Aneurisma da aorta abdominal: sintomas

Muitas vezes não há sintomas. Geralmente só se descobre o aneurisma num exame de rastreio (rastreamento) ou em exames feitos por outro motivo. Se o aneurisma crescer, pode notar-se:

  • uma sensação de pulsação na barriga;
  • dor na barriga, geralmente profunda e penetrante;
  • dor nas costas ou nos lados, por compressão da coluna ou de estruturas próximas.

Se o aneurisma começar a deixar sair sangue, a dor pode ser intensa e muitas vezes extrema. O NHS aconselha consultar o médico se tiver dor na barriga ou nas costas que não passa ou que volta, ou se sentir um caroço na barriga; são sintomas com muitas causas possíveis, mas é melhor verificá-los.

Rotura do aneurisma: uma emergência

Quando um aneurisma rompe, os primeiros sintomas são geralmente dor extrema na parte baixa da barriga e nas costas e sensibilidade sobre o aneurisma. Se a hemorragia interna for grave, a pessoa pode entrar rapidamente em choque. O NHS indica como sinais de rotura:

  • dor súbita e intensa na barriga ou nas costas;
  • dificuldade em respirar ou paragem da respiração;
  • pele pálida ou acinzentada, mais fácil de ver nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés em peles escuras;
  • perda de consciência.

É uma emergência com risco de vida que tem de ser tratada no hospital o mais depressa possível: ligue para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112). O Manual MSD avisa que a rotura é muitas vezes fatal e, sem tratamento, é sempre fatal. Os aneurismas pequenos raramente rompem.

Diagnóstico e rastreio

Muitas vezes não há dor até o aneurisma ser grande ou estar perto de romper. O médico pode sentir uma massa a pulsar no centro da barriga e ouvir com o estetoscópio um sopro causado pela turbulência do sangue, embora em pessoas com obesidade mesmo aneurismas grandes possam passar despercebidos.

  • Ecografia (ultrassom) abdominal: é o exame principal; mostra com precisão o tamanho do aneurisma e repete-se ao longo do tempo para ver se está a crescer e a que ritmo.
  • Tomografia computorizada (ou computadorizada) (TC), sobretudo com contraste, que mede o tamanho e a forma com mais precisão, mas usa radiação.
  • Ressonância magnética, também precisa, mas por vezes menos disponível.

O NHS classifica o tamanho em pequeno (até 4,4 cm), médio (4,5 a 5,4 cm) e grande (5,5 cm ou mais).

Como muitos aneurismas não dão sintomas, há programas de rastreio com uma ecografia simples da barriga: um pequeno aparelho é colocado sobre a barriga e as imagens do interior aparecem num ecrã. Geralmente, o resultado é dado no fim do exame.

No Reino Unido, o NHS oferece este rastreio a todos os homens quando fazem 65 anos, por serem o grupo com mais risco. O Manual MSD refere que o rastreio, mesmo sem sintomas, é por vezes recomendado a certas pessoas com mais de 65 anos, como os homens que fumaram e os que têm história familiar de aneurisma.

Tratamento: vigilância e cirurgia

O tratamento depende do tamanho do aneurisma e dos sintomas. Os aneurismas com menos de 5 cm raramente rompem: podem bastar medicamentos para baixar a tensão arterial e o colesterol, deixar de fumar e uma alimentação saudável, com exames de imagem a cada 3 a 6 meses no início para ver se crescem.

Quando o aneurisma passa de 5 a 5,5 cm, cresce depressa ou causa dor, recomenda-se geralmente a reparação, que consiste em substituir a zona dilatada por um tubo sintético (enxerto):

  • Cirurgia aberta: com anestesia geral, através de um corte na barriga; os resultados podem ser mais duradouros e usa-se mais em pessoas mais novas e saudáveis.
  • Endoprótese: menos invasiva e hoje mais usada; com anestesia regional, um tubo é levado por uma artéria da virilha até ao aneurisma e aberto lá dentro, formando um canal estável para o sangue. Usa-se sobretudo em pessoas mais velhas ou com pior saúde.

Na rotura é preciso cirurgia ou endoprótese de emergência. O Manual MSD refere um risco de morte de cerca de 50% na reparação urgente, que pode ser menor (20 a 30%) com endoprótese.

Como reduzir o risco

O NHS explica que mudanças saudáveis no estilo de vida ajudam a reduzir o risco de ter um aneurisma ou a impedir que cresça:

  • não fumar; veja o guia deixar de fumar;
  • comer de forma saudável; veja o guia dieta para a hipertensão;
  • fazer exercício regularmente;
  • tentar perder peso se tiver excesso de peso; veja o guia obesidade;
  • reduzir o álcool;
  • controlar a tensão arterial e o colesterol, com medicamentos se o médico os receitar.

Quem tem um aneurisma pequeno costuma precisar de exames regulares para ver se cresce, porque muitas vezes aumenta com o tempo.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Tamanho para operar. O NHS fala de cirurgia a partir de 5,5 cm. O Manual MSD fala de mais de 5 a 5,5 cm e de valores menores na síndrome de Marfan.
  • Rastreio. O NHS oferece rastreio a todos os homens aos 65 anos. O Manual MSD diz que é por vezes recomendado a certas pessoas com mais de 65, como homens que fumaram ou com história familiar.
  • Tipos de reparação. O Manual MSD descreve a cirurgia aberta e a endoprótese e os riscos na rotura. O NHS fala de cirurgia em geral e dos seus riscos.

Pontos-chave sobre o aneurisma da aorta abdominal

  • É uma dilatação da aorta na barriga, causada pelo enfraquecimento da parede da artéria.
  • É mais comum em homens com mais de 65 anos, em quem fuma e em quem tem tensão alta.
  • Muitas vezes não dá sintomas e descobre-se por acaso ou no rastreio com ecografia.
  • Os aneurismas pequenos vigiam-se; os grandes ou que crescem depressa reparam-se com cirurgia.
  • A rotura causa dor súbita e intensa na barriga ou nas costas e é uma emergência.
  • Deixar de fumar e controlar a tensão e o colesterol ajudam a reduzir o risco.

Perguntas frequentes sobre o aneurisma da aorta abdominal

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é um aneurisma da aorta abdominal?

É uma dilatação de uma zona enfraquecida da parede da aorta, a maior artéria do corpo, na parte que passa pela barriga.

O aneurisma da aorta abdominal dá sintomas?

Muitas vezes não. Se crescer, pode causar dor na barriga ou nas costas e uma sensação de pulsação na barriga.

Quem tem mais risco?

Homens com 65 anos ou mais, pessoas que fumam ou fumaram, com tensão ou colesterol altos ou com um familiar próximo afetado.

Como se diagnostica?

Sobretudo com uma ecografia da barriga; a TC e a ressonância magnética dão mais detalhe.

Quando é preciso operar?

Geralmente quando o aneurisma tem cerca de 5 a 5,5 cm ou mais, cresce depressa ou causa dor.

Quais são os sinais de rotura?

Dor súbita e intensa na barriga ou nas costas, pele pálida, dificuldade em respirar ou desmaio. É uma emergência: ligue para o 112 (Portugal) ou o 192 (Brasil).

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Aneurismas da aorta abdominal
  2. NHS · Abdominal aortic aneurysm

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.