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Cardiomiopatia dilatada: sintomas e tratamento

A cardiomiopatia dilatada é uma doença do músculo do coração em que os ventrículos, as câmaras de baixo, aumentam de tamanho e enfraquecem, deixando de bombear sangue suficiente para o corpo. Isso leva a insuficiência cardíaca. É a forma mais comum de cardiomiopatia. Pode ter muitas causas, como infeções virais, doenças genéticas ou o álcool, mas muitas vezes não se encontra nenhuma. O tratamento faz-se sobretudo com medicamentos e, por vezes, dispositivos. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a cardiomiopatia dilatada?

Cardiomiopatia é o desgaste progressivo da estrutura e da função das paredes musculares do coração. Há três tipos principais: dilatada, hipertrófica e restritiva. Na cardiomiopatia dilatada, o músculo cardíaco enfraquece e os ventrículos dilatam, mas não conseguem bombear sangue suficiente para as necessidades do corpo.

O Manual MSD reserva o termo para doenças que afetam diretamente o músculo do coração, embora outras doenças, como a das artérias coronárias ou das válvulas, também possam acabar por dilatar os ventrículos. Quando não se encontra nenhuma causa, chama-se cardiomiopatia dilatada idiopática.

Quem tem cardiomiopatia dilatada?

Pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em adultos com menos de cerca de 50 anos; cerca de 10% das pessoas que a desenvolvem têm mais de 65 anos. É mais frequente nos homens do que nas mulheres.

Nos Estados Unidos, surge em cerca de sete pessoas em cada 100 000 por ano e é mais frequente em pessoas de ascendência africana. Fatores genéticos influenciam 20% a 35% dos casos, por isso os familiares também podem ser estudados.

Causas da cardiomiopatia dilatada

O Manual MSD aponta como causas mais comuns as infeções virais, que inflamam o músculo do coração (miocardite), e as doenças genéticas. A MedlinePlus destaca a doença das artérias coronárias e a tensão arterial (pressão arterial) alta mal controlada. Outras causas são:

  • diabetes ou doenças da tiroide de longa data e mal controladas;
  • obesidade grave;
  • consumo elevado e prolongado de álcool, cocaína ou outras drogas;
  • alguns medicamentos tóxicos para o coração, como certos tratamentos do cancro (câncer);
  • frequência cardíaca muito rápida durante muito tempo;
  • doenças autoimunes, válvulas cardíacas estreitas ou com fugas e infeções do músculo cardíaco;
  • exposição a metais pesados, como chumbo, arsénio, cobalto ou mercúrio.

Causas raras incluem a gravidez (no último mês ou nos meses a seguir ao parto), a sobrecarga de ferro, a sarcoidose e o stress extremo, que pode causar a chamada síndrome do coração partido.

Cardiomiopatia dilatada: sintomas

Os sintomas são os da insuficiência cardíaca. Surgem geralmente devagar, mas às vezes começam de repente e são graves. Os primeiros costumam ser falta de ar ao fazer esforço e cansaço fácil. Podem surgir também:

  • dor ou pressão no peito, sobretudo com o exercício;
  • tosse;
  • fraqueza e sensação de desmaio;
  • pulsação irregular ou rápida;
  • perda de apetite;
  • falta de ar ao deitar ou depois de dormir algum tempo;
  • inchaço dos pés e dos tornozelos.

Quando a causa é uma infeção, os primeiros sintomas podem ser febre súbita ou sintomas parecidos com os da gripe. Sobre o cansaço, veja o guia fadiga.

Complicações possíveis

  • Insuficiência cardíaca: há retenção de líquido nas pernas e no abdómen, os pulmões enchem-se de líquido e, nos casos graves, a tensão arterial pode baixar.
  • Problemas das válvulas: com o coração dilatado, as válvulas mitral e tricúspide não fecham bem e o sangue reflui, o que se ouve como um sopro.
  • Arritmias: o músculo lesionado e esticado pode causar ritmos anormais, com palpitações, falta de ar ou morte súbita.
  • Coágulos: o sangue pode acumular-se no coração dilatado e formar coágulos que viajam até outros órgãos; se bloquearem o sangue ao cérebro, pode haver um AVC.

Quando procurar ajuda?

A MedlinePlus aconselha contactar o médico perante sintomas de cardiomiopatia, como falta de ar, cansaço ou inchaço dos pés e tornozelos.

É preciso ajuda de emergência imediata (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se tiver:

  • dor no peito;
  • palpitações;
  • desmaio.

Como se diagnostica?

O diagnóstico baseia-se nos sintomas, no exame físico e em exames. No exame, o médico pode encontrar um coração aumentado, ruídos nos pulmões por acumulação de líquido, sopros, fígado aumentado ou veias do pescoço salientes. Os exames incluem:

  • Ecocardiograma: uma ecografia (ultrassom) do coração que mostra o tamanho e a força de bombeamento; é o exame mais útil.
  • Ressonância magnética do coração: usada sobretudo para confirmar o diagnóstico e, por vezes, a causa.
  • Eletrocardiograma, radiografia do tórax e provas de esforço.
  • Análises ao sangue (exames de sangue) para procurar a causa: tiroide, ferro, doenças autoimunes e infeções.
  • Cateterismo cardíaco e, raramente, biópsia do músculo cardíaco, se o diagnóstico continuar incerto.

Tratamento da cardiomiopatia dilatada

Se possível, trata-se a doença que causou a cardiomiopatia. Para reduzir o esforço do coração, aconselha-se evitar o stress, limitar o sal e repousar, sobretudo nas fases agudas ou graves. Os tratamentos são, por grupos:

  • Medicamentos para a insuficiência cardíaca, que melhoram o bombeamento, prolongam a vida e reduzem os sintomas;
  • Diuréticos, que retiram o excesso de líquido e reduzem o inchaço, mas não prolongam a vida;
  • Antiarrítmicos, para os ritmos anormais, e medicamentos que previnem coágulos, quando os ventrículos estão muito dilatados;
  • Dispositivos: um pacemaker especial (ressincronização) que coordena as contrações e um cardioversor-desfibrilhador implantável em quem tem risco de arritmias graves;
  • Transplante cardíaco ou dispositivo de assistência ventricular, na doença avançada.

A cardiomiopatia dilatada é a causa mais comum de transplante de coração. O prognóstico varia muito e piora quanto mais dilatado e fraco estiver o coração, mas melhorou com os desfibrilhadores implantáveis e a ressincronização. Tomar os medicamentos, comer com pouco sal e ir às consultas de seguimento influenciam o prognóstico.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Causas mais comuns. O Manual MSD destaca as infeções virais e as doenças genéticas. A MedlinePlus destaca a doença das artérias coronárias e a tensão arterial alta mal controlada.
  • Cuidados em casa. A MedlinePlus aconselha vigiar o peso, a pulsação e a tensão e limitar os líquidos. O Manual MSD fala de evitar o stress, limitar o sal e repousar.
  • Prognóstico. O Manual MSD diz que 40% a 50% das mortes são súbitas e que o prognóstico melhorou com os dispositivos. A MedlinePlus sublinha que a insuficiência cardíaca crónica piora com o tempo.

Pontos-chave sobre a cardiomiopatia dilatada

  • Na cardiomiopatia dilatada, o coração aumenta de tamanho e bombeia mal.
  • Leva a insuficiência cardíaca, com falta de ar, cansaço e inchaço.
  • As causas incluem infeções virais, genética, álcool, diabetes e doença coronária; muitas vezes é desconhecida.
  • O ecocardiograma é o exame mais útil para o diagnóstico.
  • Trata-se com medicamentos para a insuficiência cardíaca e, por vezes, dispositivos.
  • Dor no peito, palpitações ou desmaio exigem ajuda de emergência.

Perguntas frequentes sobre a cardiomiopatia dilatada

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a cardiomiopatia dilatada?

É uma doença do músculo do coração em que os ventrículos aumentam e enfraquecem e não bombeiam sangue suficiente, levando a insuficiência cardíaca.

O que causa a cardiomiopatia dilatada?

Infeções virais, doenças genéticas, doença das artérias coronárias, tensão alta, álcool, drogas e outras causas; muitas vezes não se encontra causa.

Quais são os primeiros sintomas?

Geralmente falta de ar ao fazer esforço e cansaço fácil.

A cardiomiopatia dilatada é hereditária?

Em parte. Fatores genéticos influenciam 20% a 35% dos casos, por isso os familiares podem ser estudados.

Como se trata?

Com medicamentos para a insuficiência cardíaca, diuréticos, menos sal e, por vezes, pacemaker, desfibrilhador implantável ou transplante.

Quando devo ir às urgências?

Com dor no peito, palpitações ou desmaio.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Cardiomiopatia dilatada
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Dilated cardiomyopathy

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.