O que é a cardiomiopatia dilatada?
Cardiomiopatia é o desgaste progressivo da estrutura e da função das paredes musculares do coração. Há três tipos principais: dilatada, hipertrófica e restritiva. Na cardiomiopatia dilatada, o músculo cardíaco enfraquece e os ventrículos dilatam, mas não conseguem bombear sangue suficiente para as necessidades do corpo.
O Manual MSD reserva o termo para doenças que afetam diretamente o músculo do coração, embora outras doenças, como a das artérias coronárias ou das válvulas, também possam acabar por dilatar os ventrículos. Quando não se encontra nenhuma causa, chama-se cardiomiopatia dilatada idiopática.
Quem tem cardiomiopatia dilatada?
Pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em adultos com menos de cerca de 50 anos; cerca de 10% das pessoas que a desenvolvem têm mais de 65 anos. É mais frequente nos homens do que nas mulheres.
Nos Estados Unidos, surge em cerca de sete pessoas em cada 100 000 por ano e é mais frequente em pessoas de ascendência africana. Fatores genéticos influenciam 20% a 35% dos casos, por isso os familiares também podem ser estudados.
Causas da cardiomiopatia dilatada
O Manual MSD aponta como causas mais comuns as infeções virais, que inflamam o músculo do coração (miocardite), e as doenças genéticas. A MedlinePlus destaca a doença das artérias coronárias e a tensão arterial (pressão arterial) alta mal controlada. Outras causas são:
- diabetes ou doenças da tiroide de longa data e mal controladas;
- obesidade grave;
- consumo elevado e prolongado de álcool, cocaína ou outras drogas;
- alguns medicamentos tóxicos para o coração, como certos tratamentos do cancro (câncer);
- frequência cardíaca muito rápida durante muito tempo;
- doenças autoimunes, válvulas cardíacas estreitas ou com fugas e infeções do músculo cardíaco;
- exposição a metais pesados, como chumbo, arsénio, cobalto ou mercúrio.
Causas raras incluem a gravidez (no último mês ou nos meses a seguir ao parto), a sobrecarga de ferro, a sarcoidose e o stress extremo, que pode causar a chamada síndrome do coração partido.
Cardiomiopatia dilatada: sintomas
Os sintomas são os da insuficiência cardíaca. Surgem geralmente devagar, mas às vezes começam de repente e são graves. Os primeiros costumam ser falta de ar ao fazer esforço e cansaço fácil. Podem surgir também:
- dor ou pressão no peito, sobretudo com o exercício;
- tosse;
- fraqueza e sensação de desmaio;
- pulsação irregular ou rápida;
- perda de apetite;
- falta de ar ao deitar ou depois de dormir algum tempo;
- inchaço dos pés e dos tornozelos.
Quando a causa é uma infeção, os primeiros sintomas podem ser febre súbita ou sintomas parecidos com os da gripe. Sobre o cansaço, veja o guia fadiga.
Complicações possíveis
- Insuficiência cardíaca: há retenção de líquido nas pernas e no abdómen, os pulmões enchem-se de líquido e, nos casos graves, a tensão arterial pode baixar.
- Problemas das válvulas: com o coração dilatado, as válvulas mitral e tricúspide não fecham bem e o sangue reflui, o que se ouve como um sopro.
- Arritmias: o músculo lesionado e esticado pode causar ritmos anormais, com palpitações, falta de ar ou morte súbita.
- Coágulos: o sangue pode acumular-se no coração dilatado e formar coágulos que viajam até outros órgãos; se bloquearem o sangue ao cérebro, pode haver um AVC.
Quando procurar ajuda?
A MedlinePlus aconselha contactar o médico perante sintomas de cardiomiopatia, como falta de ar, cansaço ou inchaço dos pés e tornozelos.
É preciso ajuda de emergência imediata (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se tiver:
- dor no peito;
- palpitações;
- desmaio.
Como se diagnostica?
O diagnóstico baseia-se nos sintomas, no exame físico e em exames. No exame, o médico pode encontrar um coração aumentado, ruídos nos pulmões por acumulação de líquido, sopros, fígado aumentado ou veias do pescoço salientes. Os exames incluem:
- Ecocardiograma: uma ecografia (ultrassom) do coração que mostra o tamanho e a força de bombeamento; é o exame mais útil.
- Ressonância magnética do coração: usada sobretudo para confirmar o diagnóstico e, por vezes, a causa.
- Eletrocardiograma, radiografia do tórax e provas de esforço.
- Análises ao sangue (exames de sangue) para procurar a causa: tiroide, ferro, doenças autoimunes e infeções.
- Cateterismo cardíaco e, raramente, biópsia do músculo cardíaco, se o diagnóstico continuar incerto.
Tratamento da cardiomiopatia dilatada
Se possível, trata-se a doença que causou a cardiomiopatia. Para reduzir o esforço do coração, aconselha-se evitar o stress, limitar o sal e repousar, sobretudo nas fases agudas ou graves. Os tratamentos são, por grupos:
- Medicamentos para a insuficiência cardíaca, que melhoram o bombeamento, prolongam a vida e reduzem os sintomas;
- Diuréticos, que retiram o excesso de líquido e reduzem o inchaço, mas não prolongam a vida;
- Antiarrítmicos, para os ritmos anormais, e medicamentos que previnem coágulos, quando os ventrículos estão muito dilatados;
- Dispositivos: um pacemaker especial (ressincronização) que coordena as contrações e um cardioversor-desfibrilhador implantável em quem tem risco de arritmias graves;
- Transplante cardíaco ou dispositivo de assistência ventricular, na doença avançada.
A cardiomiopatia dilatada é a causa mais comum de transplante de coração. O prognóstico varia muito e piora quanto mais dilatado e fraco estiver o coração, mas melhorou com os desfibrilhadores implantáveis e a ressincronização. Tomar os medicamentos, comer com pouco sal e ir às consultas de seguimento influenciam o prognóstico.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Causas mais comuns. O Manual MSD destaca as infeções virais e as doenças genéticas. A MedlinePlus destaca a doença das artérias coronárias e a tensão arterial alta mal controlada.
- Cuidados em casa. A MedlinePlus aconselha vigiar o peso, a pulsação e a tensão e limitar os líquidos. O Manual MSD fala de evitar o stress, limitar o sal e repousar.
- Prognóstico. O Manual MSD diz que 40% a 50% das mortes são súbitas e que o prognóstico melhorou com os dispositivos. A MedlinePlus sublinha que a insuficiência cardíaca crónica piora com o tempo.
Pontos-chave sobre a cardiomiopatia dilatada
- Na cardiomiopatia dilatada, o coração aumenta de tamanho e bombeia mal.
- Leva a insuficiência cardíaca, com falta de ar, cansaço e inchaço.
- As causas incluem infeções virais, genética, álcool, diabetes e doença coronária; muitas vezes é desconhecida.
- O ecocardiograma é o exame mais útil para o diagnóstico.
- Trata-se com medicamentos para a insuficiência cardíaca e, por vezes, dispositivos.
- Dor no peito, palpitações ou desmaio exigem ajuda de emergência.
Perguntas frequentes sobre a cardiomiopatia dilatada
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a cardiomiopatia dilatada?
É uma doença do músculo do coração em que os ventrículos aumentam e enfraquecem e não bombeiam sangue suficiente, levando a insuficiência cardíaca.
O que causa a cardiomiopatia dilatada?
Infeções virais, doenças genéticas, doença das artérias coronárias, tensão alta, álcool, drogas e outras causas; muitas vezes não se encontra causa.
Quais são os primeiros sintomas?
Geralmente falta de ar ao fazer esforço e cansaço fácil.
A cardiomiopatia dilatada é hereditária?
Em parte. Fatores genéticos influenciam 20% a 35% dos casos, por isso os familiares podem ser estudados.
Como se trata?
Com medicamentos para a insuficiência cardíaca, diuréticos, menos sal e, por vezes, pacemaker, desfibrilhador implantável ou transplante.
Quando devo ir às urgências?
Com dor no peito, palpitações ou desmaio.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Cardiomiopatia dilatada
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Dilated cardiomyopathy
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
