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Anisocoria (pupilas desiguais): causas e urgência

A anisocoria é a diferença de tamanho entre as pupilas, o centro preto dos olhos. É muito comum e, na maioria das vezes, é apenas uma variação normal, presente em cerca de uma em cada cinco pessoas. Outras vezes deve-se a colírios ou medicamentos que entraram no olho, a doenças dos olhos ou, mais raramente, a problemas do sistema nervoso, como um AVC ou uma hemorragia no cérebro. Uma mudança recente, sobretudo com pálpebra caída, visão dupla ou dor de cabeça, exige avaliação imediata. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Otorrino
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757
Uma paciente conversa com um oftalmologista numa consulta.
O tamanho das pupilas é avaliado junto com outros sintomas. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que é a anisocoria?

A pupila é o centro preto do olho. Aumenta (dilata) com pouca luz e diminui (contrai) com luz forte. Em geral, as duas pupilas têm o mesmo tamanho e reagem à luz da mesma forma. Quando têm tamanhos diferentes, fala-se de anisocoria.

Se a diferença for grande, pode notar-se ao espelho, mas é mais comum ser descoberta num exame médico. Por si só, as pupilas desiguais não costumam dar sintomas, embora possa haver dificuldade em focar objetos próximos. Muitas vezes é a doença por trás, com dor ou vermelhidão no olho, perda de visão, pálpebra caída, visão dupla ou dor de cabeça, que leva a pessoa ao médico.

Anisocoria fisiológica: quando é normal

A causa mais comum de pupilas desiguais é a anisocoria fisiológica: as pupilas são naturalmente de tamanhos diferentes, sem doença. Segundo as duas fontes:

  • afeta cerca de 1 em cada 5 pessoas e é considerada uma variação normal;
  • a diferença é geralmente inferior a 0,5 mm e pode chegar a 1 mm;
  • as duas pupilas reagem normalmente à luz e ao escuro, e não há sintomas;
  • nos bebés que nascem com pupilas diferentes, sobretudo se outros familiares as têm, pode ser genético e não ser motivo de preocupação.

A MedlinePlus acrescenta que, por razões desconhecidas, as pupilas podem ficar diferentes durante algum tempo; se não houver outros sintomas e voltarem ao normal, não há motivo de preocupação.

Colírios, medicamentos e outras substâncias

Os colírios são uma causa comum e inofensiva de mudança do tamanho da pupila. Também podem alterá-la outras substâncias que entram no olho, segundo as fontes:

  • colírios usados para tratar doenças dos olhos, como o glaucoma;
  • medicamentos em inalador para a asma ou a DPOC;
  • o medicamento dos adesivos para o enjoo do movimento, se chegar acidentalmente ao olho;
  • produtos antipulgas para animais, alguns inseticidas e algumas plantas, como o estramónio.

Nestes casos, o único sintoma pode ser visão turva recente, sobretudo ao focar objetos próximos.

Um oftalmologista mostra um frasco de colírio a uma paciente adulta.
Alguns colírios e outros medicamentos podem alterar o tamanho das pupilas. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Doenças dos olhos que causam pupilas desiguais

Algumas doenças e lesões dos olhos também alteram as pupilas:

  • defeitos congénitos da íris, presentes toda a vida;
  • lesões ou cirurgias anteriores do olho, incluindo a cirurgia às cataratas;
  • inflamação da íris (irite) e alguns tipos de glaucoma, que costumam causar dor intensa no olho;
  • a pupila tónica de Adie, uma pupila grande que reage mal à luz, sem outros sintomas.

O Manual MSD explica que tanto a pupila maior como a menor podem ser a anormal. Se é a maior, a diferença nota-se mais com luz forte; se é a menor, nota-se mais no escuro.

Quando a causa está no cérebro ou nos nervos

Menos vezes, as pupilas desiguais devem-se a doenças que afetam os nervos que controlam a pupila, os olhos e as pálpebras. Estas pessoas têm quase sempre pálpebra caída, visão dupla ou olhos desalinhados. Entre as causas estão:

  • o AVC e a hemorragia no cérebro, espontânea ou por pancada na cabeça;
  • o aumento da pressão dentro do crânio, um aneurisma no cérebro, tumores ou abcessos cerebrais;
  • infeções das membranas do cérebro (meningite ou encefalite);
  • a enxaqueca e as convulsões;
  • a paralisia do terceiro nervo craniano, por exemplo pela diabetes;
  • a síndrome de Horner: pupila pequena, pálpebra caída e menos suor no mesmo lado da cara, por tumores ou lesões no pescoço ou na parte de cima do peito.

Sobre a enxaqueca, veja o guia enxaqueca.

Sinais de alerta

Segundo o Manual MSD, são motivo de preocupação nas pessoas com pupilas desiguais:

  • pálpebra caída (ptose);
  • visão dupla;
  • perda de visão;
  • dor de cabeça ou dor no pescoço;
  • dor no olho;
  • pancada recente na cabeça ou no olho.

A MedlinePlus acrescenta a visão turva, a sensibilidade à luz, a febre, as náuseas ou vómitos e a rigidez do pescoço. Avisa ainda que qualquer mudança recente do tamanho das pupilas pode ser sinal de uma doença muito grave.

Quando procurar o médico?

  • Imediatamente: se houver sinais de alerta ou se as pupilas ficarem desiguais depois de uma lesão no olho ou na cabeça. Ligue para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) ou vá às urgências (pronto-socorro).
  • Em breve: se houver mudanças das pupilas persistentes, sem explicação ou súbitas, ou outros sintomas sem sinais de alerta.
  • Sem pressa: segundo o Manual MSD, quem apenas reparou que tem as pupilas desiguais e se sente bem pode esperar uma ou duas semanas para ir ao médico.

Uma diferença superior a 1 mm que surge mais tarde na vida e não desaparece pode ser sinal de doença dos olhos, do cérebro, dos vasos sanguíneos ou dos nervos, segundo a MedlinePlus.

Como se avalia?

O médico pergunta quando reparou nas pupilas desiguais, se a visão fica turva com luz ou no escuro, se há outros sintomas, se houve pancadas, se usou colírios e se já teve doenças ou cirurgias dos olhos. Depois:

  • examina as pupilas com luz e no escuro e os movimentos dos olhos;
  • observa o olho com uma lâmpada de fenda;
  • pode usar colírios para ver como as pupilas reagem.

Em geral não são precisos exames se não houver outros sintomas. Com síndrome de Horner ou paralisia do terceiro nervo, faz-se ressonância magnética ou TC. Conforme a suspeita, podem pedir-se análises, punção lombar, eletroencefalograma ou medição da pressão do olho. O tratamento das pupilas desiguais em si não é necessário, mas pode ser preciso tratar a doença por trás.

Um oftalmologista examina os olhos de uma paciente com uma lâmpada de fenda.
A avaliação inclui perguntas sobre os sintomas e um exame ocular. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Quando consultar. O Manual MSD diz que quem só notou as pupilas desiguais e se sente bem pode esperar uma ou duas semanas. A MedlinePlus aconselha ir ao médico perante mudanças súbitas.
  • Causas. A MedlinePlus inclui a meningite, as convulsões e o aumento da pressão no crânio. O Manual MSD detalha a pupila de Adie e as substâncias que dilatam a pupila.
  • Sinais de alerta. A MedlinePlus inclui a febre, os vómitos e a rigidez do pescoço. O Manual MSD destaca a pálpebra caída e a visão dupla.

Pontos-chave sobre a anisocoria

  • Anisocoria é a diferença de tamanho entre as pupilas.
  • Na maioria das vezes é uma variação normal, presente em 1 em cada 5 pessoas.
  • Colírios e medicamentos que entram no olho são uma causa comum e inofensiva.
  • Pálpebra caída, visão dupla ou dor de cabeça podem indicar uma doença séria.
  • Pupilas desiguais depois de uma pancada na cabeça exigem urgência.
  • O tratamento depende da causa; a anisocoria normal não precisa de tratamento.

Perguntas frequentes sobre a anisocoria

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Ter pupilas de tamanhos diferentes é normal?

Muitas vezes sim. Cerca de 1 em cada 5 pessoas tem pupilas ligeiramente diferentes sem qualquer doença.

O que pode causar pupilas desiguais?

Uma variação normal, colírios ou medicamentos que entraram no olho, doenças ou lesões dos olhos e, mais raramente, doenças do cérebro ou dos nervos.

Quando é uma urgência?

Depois de uma pancada na cabeça ou no olho, ou com pálpebra caída, visão dupla, perda de visão, dor de cabeça, febre, rigidez do pescoço ou vómitos.

A anisocoria pode ser sinal de AVC?

Pode. O AVC e a hemorragia no cérebro estão entre as causas, geralmente com outros sintomas como pálpebra caída ou visão dupla.

O que é a síndrome de Horner?

É a combinação de uma pupila pequena, uma pálpebra caída e menos suor no mesmo lado da cara, por lesão de nervos que ligam o olho ao cérebro.

A anisocoria tem tratamento?

As pupilas desiguais em si não precisam de tratamento; trata-se a doença que as causa, quando existe.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Pupilas desiguais
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Anisocoria

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.