Ir para o conteúdo

Ferro e minerais MediBilbao Salud

Hiperparatiroidismo: sintomas, causas e tratamento

O hiperparatiroidismo acontece quando as glândulas paratiroides, no pescoço, produzem demasiada hormona paratiroideia (PTH). Isso altera a quantidade de cálcio no corpo e pode afetar o sangue, os ossos e os rins. Muitas pessoas não têm sintomas e só o descobrem numa análise feita por outro motivo. A causa mais comum é um pequeno tumor benigno, que se retira com cirurgia. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é o hiperparatiroidismo?

As glândulas paratiroides ficam no pescoço, perto da tiroide; a localização exata e até o número de glândulas variam bastante. Produzem a hormona paratiroideia (PTH), que regula o cálcio no sangue e nos tecidos através dos ossos, dos rins e do intestino. O cálcio ajuda, por exemplo, a manter os ossos e os dentes saudáveis.

No hiperparatiroidismo, as paratiroides estão hiperativas e a PTH sobe. Isso faz geralmente subir o cálcio no sangue (hipercalcemia). Não deve confundir-se com o hipoparatiroidismo, em que há falta de PTH e de cálcio.

Causas e tipos de hiperparatiroidismo

A causa mais frequente é um adenoma da paratiroide, um tumor não canceroso, geralmente isolado e numa só glândula. Por vezes faz parte de doenças hereditárias em que há tumores em várias glândulas hormonais.

O hiperparatiroidismo também pode dever-se a uma hiperplasia, um aumento de todas as glândulas paratiroides. As células parecem normais ao microscópio e não é um cancro (câncer), mas é preciso tratamento para reduzir a atividade das glândulas. O cancro da paratiroide é muito raro.

  • Primário: deve-se a um problema das próprias paratiroides. Cerca de 85% dos casos são um adenoma numa só glândula, cerca de 15% uma hiperplasia de todas, e menos de 1% um cancro. É mais frequente com a idade e em mulheres depois da menopausa, e por vezes surge 30 ou mais anos depois de radioterapia no pescoço.
  • Secundário: deve-se a outra doença que baixa o cálcio no sangue, ou, segundo o NHS, a falta de vitamina D ou excesso de fosfato. As paratiroides produzem mais PTH para compensar. É mais comum na doença renal crónica avançada.
  • Terciário: a PTH é produzida sem relação com o cálcio no sangue; surge geralmente em quem teve hiperparatiroidismo secundário durante muito tempo ou doença renal crónica durante vários anos.

Hiperparatiroidismo: sintomas

Muitas pessoas não têm sintomas, ou têm sintomas muito ligeiros e vagos. Quando surgem, devem-se sobretudo ao cálcio alto e podem ter um grande impacto no dia a dia:

  • cansaço e fraqueza muscular;
  • dores, sobretudo nas articulações, mãos, braços, pés e pernas;
  • náuseas, vómitos, falta de apetite e dor de barriga;
  • prisão de ventre; veja o guia intestino preso;
  • sede constante e urinar mais do que o habitual;
  • falta de concentração, perda de memória, confusão, humor em baixo e depressão.

Sobre o cansaço, veja o guia fadiga.

Complicações possíveis

Sem tratamento, o hiperparatiroidismo pode causar:

  • Pedras nos rins: o cálcio alto no sangue faz subir o cálcio na urina, o que favorece os cálculos renais.
  • Osteoporose: o excesso de PTH estimula as células que reabsorvem o osso; com o tempo, os ossos perdem cálcio, ficam mais fracos e partem-se com mais facilidade.
  • Tensão arterial (pressão arterial) alta, que aumenta o risco de doença do coração e AVC, segundo o NHS.
  • Fraqueza e perda de massa muscular com o cálcio alto durante muito tempo.

Quando procurar o médico

O NHS explica que o hiperparatiroidismo geralmente precisa de tratamento, por isso aconselha consultar o médico de família se tiver sintomas ou pensar que pode ter a doença. O tratamento pode impedir que piore e prevenir complicações.

Como os sintomas são muitas vezes vagos, vale a pena falar ao médico de cansaço persistente, sede, necessidade de urinar mais, dores ou alterações de humor sem explicação. Quem tem doença renal crónica é vigiado regularmente; veja o guia doença renal crónica.

Como se diagnostica?

Muitas vezes, o problema só é suspeitado quando uma análise ao sangue feita por outro motivo mostra cálcio alto. Depois:

  • mede-se a PTH no sangue, geralmente mais de uma vez; ter a PTH alta, ou mesmo no limite alto do normal, com o cálcio alto não é normal e confirma o diagnóstico;
  • fazem-se também análises à urina;
  • podem pedir-se exames de imagem do pescoço, como ecografia (ultrassom), ressonância magnética ou TC, para localizar a glândula alterada;
  • segundo o NHS, podem fazer-se radiografias e uma densitometria óssea para avaliar os ossos e planear o tratamento.

Normalmente, quando o cálcio está baixo as paratiroides produzem mais PTH, e quando está alto produzem menos; por isso a combinação das duas análises é tão útil.

Tratamento com cirurgia

A cirurgia para retirar as glândulas alteradas (paratiroidectomia) é indicada para quem tem sintomas, cálcio a subir ou complicações nos ossos ou nos rins. Muitos especialistas recomendam-na também quando:

  • as análises de sangue (exames de sangue) e urina atingem certos valores;
  • a densidade óssea na anca ou na coluna está baixa;
  • a pessoa já teve pedras nos rins;
  • a pessoa tem menos de 50 anos.

Na cirurgia retira-se a glândula com o adenoma e mede-se a PTH antes e depois; se descer cerca de 50% ou mais dez minutos depois, considera-se um êxito. Na hiperplasia retiram-se todas as glândulas e reimplanta-se um pequeno fragmento, no pescoço ou no antebraço, para evitar falta de PTH. Depois da cirurgia vigia-se o cálcio para que não desça demasiado.

Sem cirurgia: cálcio, vitamina D e medicamentos

Quando o aumento do cálcio é ligeiro e não há sintomas nem complicações, ou quando a pessoa não pode ou não quer ser operada, pode tratar-se o cálcio alto de outras formas:

  • manter-se ativo, porque a inatividade pode piorar o cálcio alto;
  • beber bastantes líquidos, para reduzir o risco de pedras nos rins;
  • evitar medicamentos que sobem o cálcio, como os diuréticos tiazídicos, se o médico o indicar;
  • medicamentos receitados pelo especialista que baixam a PTH e o cálcio, nos casos mais graves;
  • no hiperparatiroidismo secundário por falta de cálcio ou de vitamina D, suplementos e medicamentos receitados.

Na doença renal, limita-se o fosfato na alimentação e usam-se medicamentos que prendem o fosfato, tomados com as refeições, além de suplementos de vitamina D, com vigilância apertada do cálcio e do fosfato. Veja o guia vitamina D e a secção de nutrição.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Alimentação. O Manual MSD diz que os médicos podem recomendar uma dieta pobre em cálcio. O NHS avisa para não mudar a dieta para baixar o cálcio sem indicação do especialista.
  • Complicações. O NHS refere a tensão alta e o risco de doença do coração e AVC. O Manual MSD refere a fraqueza e a perda de massa muscular.
  • Detalhe. O Manual MSD descreve três tipos e os critérios para operar. O NHS fala de dois tipos e de forma mais geral do tratamento.

Pontos-chave sobre o hiperparatiroidismo

  • No hiperparatiroidismo, as paratiroides produzem demasiada PTH e o cálcio no sangue sobe.
  • A causa mais comum é um adenoma, um tumor benigno numa só glândula.
  • Muitas vezes não dá sintomas e descobre-se numa análise de rotina.
  • Pode causar pedras nos rins, osteoporose e tensão alta.
  • Diagnostica-se com análises ao cálcio e à PTH no sangue.
  • O tratamento é muitas vezes a cirurgia; a dieta só deve mudar com indicação do especialista.

Perguntas frequentes sobre o hiperparatiroidismo

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é o hiperparatiroidismo?

É o excesso de hormona paratiroideia (PTH), produzida pelas paratiroides no pescoço, que faz geralmente subir o cálcio no sangue.

Qual é a causa mais comum?

Um adenoma da paratiroide, um tumor não canceroso que afeta geralmente uma só glândula.

Quais são os sintomas?

Muitas vezes nenhum. Quando surgem: cansaço, fraqueza, dores, sede, urinar muito, prisão de ventre, náuseas e humor em baixo.

Como se diagnostica?

Com análises ao sangue que mostram cálcio alto e PTH alta ou no limite alto, além de análises à urina e, por vezes, exames de imagem.

Como se trata o hiperparatiroidismo?

Muitas vezes com cirurgia para retirar a glândula alterada; noutros casos com vigilância, medidas para baixar o cálcio e medicamentos.

Devo comer menos cálcio?

Só se o especialista o indicar. O NHS avisa que mudar a dieta por conta própria pode piorar os sintomas.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Hiperparatireoidismo
  2. NHS · Hyperparathyroidism

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.