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Hiperaldosteronismo: sintomas, causas e tratamento

O hiperaldosteronismo é a produção excessiva de aldosterona, uma hormona das glândulas suprarrenais que faz os rins reter sódio e eliminar potássio. O resultado é tensão arterial (pressão arterial) alta e, muitas vezes, potássio baixo no sangue. Pode dever-se a um tumor benigno de uma glândula suprarrenal (síndrome de Conn) ou ser uma resposta a outras doenças. Afeta sobretudo pessoas entre os 30 e os 50 anos. Trata-se com cirurgia ou com medicamentos que bloqueiam a aldosterona. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
5 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é o hiperaldosteronismo?

A aldosterona é uma hormona produzida pelas glândulas suprarrenais, que ficam por cima dos rins. Dá sinal aos rins para reter mais sódio e eliminar mais potássio. A sua produção é regulada sobretudo pelo sistema renina-angiotensina: a renina, uma enzima dos rins, ativa a angiotensina, que estimula as suprarrenais a produzir aldosterona.

No hiperaldosteronismo, as suprarrenais libertam aldosterona a mais para o sangue. Isso faz o corpo reter líquidos, sobe a tensão arterial e baixa o potássio, o que pode causar fraqueza e, raramente, períodos de paralisia. Também se chama síndrome de Conn ou excesso de mineralocorticoides.

Primário e secundário

  • Hiperaldosteronismo primário: o problema está nas próprias glândulas suprarrenais. Na maioria dos casos deve-se a um tumor benigno (adenoma) de uma glândula; é a síndrome de Conn. Por vezes, as duas glândulas estão hiperativas.
  • Hiperaldosteronismo secundário: o problema está noutra parte do corpo e leva as suprarrenais a produzir aldosterona a mais. Pode estar ligado aos genes, à alimentação ou a doenças do coração, do fígado, dos rins ou à tensão alta, por exemplo o estreitamento de uma artéria que leva sangue a um rim.

A doença afeta sobretudo pessoas entre os 30 e os 50 anos.

O alcaçuz pode imitar a doença

O Manual MSD refere que comer grandes quantidades de alcaçuz pode provocar todos os sintomas do hiperaldosteronismo. O alcaçuz verdadeiro contém uma substância, a glicirrizina, que atua como se houvesse aldosterona a mais.

Muitos doces vendidos com sabor a «alcaçuz», porém, têm aromatizantes artificiais e pouco ou nenhum alcaçuz verdadeiro.

Hiperaldosteronismo: sintomas

Os sinais comuns aos dois tipos são:

  • tensão arterial alta;
  • potássio baixo no sangue;
  • cansaço constante;
  • dor de cabeça;
  • fraqueza muscular;
  • dormência ou formigueiro.

O potássio baixo muitas vezes não dá sintomas, mas pode causar fraqueza, formigueiro, espasmos musculares e períodos de paralisia temporária. Algumas pessoas têm muita sede e urinam com frequência.

Complicações possíveis

O hiperaldosteronismo primário pode causar tensão arterial muito alta, que pode lesar muitos órgãos, incluindo:

  • os olhos;
  • os rins;
  • o coração;
  • o cérebro.

Por isso é importante diagnosticá-lo e tratá-lo cedo. A MedlinePlus aconselha contactar o médico perante sintomas de hiperaldosteronismo.

Como se diagnostica?

O médico suspeita de hiperaldosteronismo em pessoas com tensão alta e potássio baixo, embora por vezes o potássio esteja normal. Faz um exame físico e pede análises:

  • sódio e potássio no sangue; o sódio pode estar ligeiramente alto;
  • aldosterona e renina no sangue, e aldosterona na urina;
  • eletrocardiograma e, por vezes, ecografia (ultrassom) dos rins.

Na síndrome de Conn, a renina está muito baixa, porque é travada pela aldosterona alta; no hiperaldosteronismo secundário, a renina está alta. Por vezes as análises repetem-se depois de uma dieta com muito sal ou de soro pela veia, e pode ser preciso parar alguns medicamentos antes dos testes, segundo indicação do médico.

Encontrar a glândula responsável

Quando há aldosterona a mais e a renina está muito baixa, o médico procura um adenoma nas suprarrenais com TC ou ressonância magnética. Mais recentemente, usam-se também exames de medicina nuclear para localizar a origem da hormona e distinguir um adenoma do envolvimento das duas glândulas.

Por vezes é preciso colher sangue das veias de cada glândula com um cateter, para saber qual produz aldosterona a mais. A MedlinePlus explica que este teste é importante porque muitas pessoas têm pequenos tumores benignos nas suprarrenais que não produzem hormonas, e confiar só na TC pode levar a retirar a glândula errada.

Tratamento: cirurgia ou medicamentos

  • Cirurgia: se houver um tumor numa glândula, geralmente pode ser retirado. O potássio volta quase sempre ao normal e a tensão normaliza em cerca de 50% a 70% dos casos; mesmo quando continua alta, muitas vezes podem reduzir-se os medicamentos.
  • Medicamentos: por grupos, medicamentos que bloqueiam a ação da aldosterona e diuréticos, além dos medicamentos para a tensão. Usam-se quando não há tumor e as duas glândulas estão hiperativas, ou quando não se opera.
  • Menos sal: limitar o sal, com os medicamentos, pode controlar os sintomas sem cirurgia; no hiperaldosteronismo secundário, geralmente não se opera.

O uso prolongado de alguns destes medicamentos pode causar, nos homens, problemas de ereção e aumento do tecido mamário. O prognóstico do hiperaldosteronismo primário é bom com diagnóstico e tratamento precoces; o do secundário depende da causa. Sobre a alimentação com pouco sal, veja o guia dieta para hipertensão.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Sintomas. A MedlinePlus inclui o cansaço, a dor de cabeça e a dormência. O Manual MSD descreve os efeitos do potássio baixo, como espasmos e paralisia temporária, e a sede.
  • Sal. A MedlinePlus aconselha limitar o sal como parte do tratamento. O Manual MSD centra-se na cirurgia e nos medicamentos.
  • Alcaçuz. O Manual MSD avisa que o alcaçuz verdadeiro pode imitar a doença. A MedlinePlus refere apenas a alimentação entre as causas do tipo secundário.

Pontos-chave sobre o hiperaldosteronismo

  • O hiperaldosteronismo é o excesso da hormona aldosterona.
  • Causa tensão arterial alta e, muitas vezes, potássio baixo.
  • O tipo primário deve-se geralmente a um tumor benigno de uma glândula suprarrenal.
  • Diagnostica-se com análises de potássio, aldosterona e renina e exames de imagem.
  • O tumor pode ser retirado; noutros casos usam-se medicamentos que bloqueiam a aldosterona.
  • Limitar o sal ajuda a controlar os sintomas.

Perguntas frequentes sobre o hiperaldosteronismo

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é o hiperaldosteronismo?

É a produção excessiva de aldosterona pelas glândulas suprarrenais, que sobe a tensão arterial e baixa o potássio.

O que é a síndrome de Conn?

É o hiperaldosteronismo primário causado por um tumor benigno de uma glândula suprarrenal.

Quais são os sintomas?

Tensão alta, potássio baixo, cansaço, dor de cabeça, fraqueza muscular e formigueiro; muitas vezes há poucos sintomas.

O alcaçuz pode causar hiperaldosteronismo?

O alcaçuz verdadeiro em grandes quantidades pode provocar os mesmos sintomas, porque contém glicirrizina.

O hiperaldosteronismo tem cura?

Quando há um tumor, a cirurgia pode controlar a doença; noutros casos, os medicamentos e menos sal controlam os sintomas.

Que análises se fazem?

Sódio, potássio, aldosterona e renina no sangue e aldosterona na urina, seguidas de exames de imagem das suprarrenais.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Hiperaldosteronismo
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Primary and secondary hyperaldosteronism

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.