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Estenose aórtica: sintomas, causas e tratamento

A estenose aórtica é o estreitamento da abertura da válvula aórtica, que dificulta a saída do sangue do coração para a aorta, a grande artéria do corpo. Nos mais velhos, deve-se sobretudo à acumulação de cálcio na válvula; nos mais novos, muitas vezes a um defeito de nascença. Pode não dar sintomas durante anos. Quando surgem, o melhor tratamento é substituir a válvula. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757
Um cardiologista conversa com uma mulher adulta numa sala de consulta.
Uma consulta permite discutir a estenose aórtica e os exames necessários. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que é a estenose aórtica?

A válvula aórtica fica entre o ventrículo esquerdo do coração e a aorta. Abre-se quando o ventrículo se contrai para bombear o sangue para o corpo. Na estenose aórtica, as abas da válvula ficam espessas e rígidas e a válvula não abre completamente.

Para empurrar o sangue pela abertura estreita, o ventrículo esquerdo trabalha mais e a sua parede engrossa. Esse músculo mais espesso precisa de mais sangue, que nem sempre chega, sobretudo durante o esforço. Com o tempo, o músculo pode enfraquecer e causar insuficiência cardíaca, e o sangue pode acumular-se nos pulmões. Por vezes a válvula também não fecha bem e o sangue volta para trás (regurgitação aórtica).

Causas da estenose aórtica

  • Calcificação com a idade. Na Europa Ocidental e na América do Norte, é sobretudo uma doença de adultos mais velhos, por cicatrizes e acumulação de cálcio na válvula. Torna-se evidente depois dos 60 anos, mas geralmente só dá sintomas aos 70 ou 80.
  • Defeito de nascença. Antes dos 70 anos, a causa mais comum é uma válvula com 2 abas em vez de 3 (válvula bicúspide) ou com forma anormal. A válvula não cresce como o coração e, ao longo dos anos, fica rígida e estreita pelo cálcio.
  • Febre reumática na infância, que pode surgir depois de uma infeção de garganta por estreptococo ou de escarlatina; os problemas da válvula aparecem 5 a 10 anos depois ou mais. É a causa mais comum onde os antibióticos não são muito usados.
  • Radioterapia ao peito, que raramente acelera a acumulação de cálcio, segundo a MedlinePlus.

A MedlinePlus refere que a estenose aórtica afeta cerca de 2% das pessoas com mais de 65 anos e é mais frequente nos homens.

Esclerose aórtica: o passo anterior

Por vezes acumula-se cálcio na válvula e ela engrossa, mas o sangue continua a passar bem. Chama-se esclerose aórtica e afeta mais de 1 em cada 4 pessoas com mais de 65 anos. Não dá sintomas, mas pode causar um sopro ligeiro e progredir para estenose.

A esclerose aórtica aumenta o risco de ataque cardíaco, AVC ou morte. Por isso é importante controlar os fatores de risco: tabaco, tensão arterial (pressão arterial) alta, colesterol e triglicéridos alterados e diabetes. Veja os guias sobre o colesterol e deixar de fumar.

Estenose aórtica: sintomas

A maioria das pessoas só tem sintomas quando a doença já está avançada; muitas vezes o diagnóstico surge porque o médico ouviu um sopro. Os sintomas aparecem sobretudo com o esforço:

  • aperto ou dor no peito (angina), que pode irradiar para o braço, o pescoço ou o maxilar e passa com alguns minutos de repouso;
  • falta de ar ao fazer exercício;
  • cansaço fácil (fadiga) e fraqueza;
  • tonturas ou desmaio durante o esforço, por descida brusca da tensão; na estenose grave, o desmaio surge muitas vezes sem aviso;
  • sentir o coração a bater (palpitações) e tosse, por vezes com sangue, segundo a MedlinePlus.

Quem nasceu com o defeito pode só ter sintomas na idade adulta.

Estenose aórtica em bebés e crianças

A MedlinePlus refere que, nos bebés e nas crianças, os sinais podem ser:

  • cansar-se facilmente com o esforço, nos casos ligeiros;
  • não ganhar peso e comer mal;
  • problemas respiratórios graves nos primeiros dias ou semanas de vida, nos casos graves.

As crianças com estenose ligeira ou moderada podem piorar com a idade e têm risco de uma infeção do coração (endocardite bacteriana). Algumas precisam de reparação ou substituição da válvula; com estenose ligeira, muitas podem fazer a maioria das atividades.

Como se diagnostica a estenose aórtica?

O médico ouve quase sempre um sopro característico com o estetoscópio e pode sentir uma vibração no peito ou um pulso fraco no pescoço. A tensão arterial pode estar baixa.

  • Ecocardiograma: usa ultrassons para ver o coração e é o melhor exame para avaliar a gravidade, a forma da válvula e o funcionamento do ventrículo esquerdo; também serve para vigiar a doença.
  • Prova de esforço: considerada em quem não tem sintomas; angina, falta de ar, desmaio ou certas alterações elétricas durante a prova indicam risco e podem levar a tratamento.
  • Cateterismo cardíaco: para ver se há também doença das artérias coronárias, que pode ser tratada na mesma cirurgia.
  • Eletrocardiograma e ressonância magnética do coração, segundo a MedlinePlus.
Um cardiologista conversa com uma paciente durante a consulta.
O ecocardiograma ajuda a avaliar a gravidade e o funcionamento do coração. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Tratamento: substituição da válvula

Sem sintomas, pode bastar a vigilância regular. O médico dá recomendações sobre exercício: na estenose grave, pode ser preciso evitar exercício intenso ou desporto de competição, mesmo sem sintomas.

Quando surgem sintomas, como falta de ar ao esforço, angina ou desmaio, ou se o ventrículo começa a falhar, a válvula é substituída. É o melhor tratamento para quase todas as pessoas, e os resultados são excelentes. Pode ser feita:

  • por cirurgia de coração aberto, a forma tradicional;
  • por cateter introduzido na artéria da virilha, a implantação de válvula aórtica por via percutânea (TAVI); o Manual MSD diz que é preferível à cirurgia a partir dos 80 anos e uma opção razoável para muitas pessoas a partir dos 65;
  • em crianças e jovens adultos com válvula defeituosa de nascença, por valvuloplastia com balão, que alarga a abertura; a MedlinePlus nota que o estreitamento volta muitas vezes.

Antes da cirurgia, a insuficiência cardíaca e as arritmias tratam-se com medicamentos, como diuréticos e betabloqueadores. A tensão arterial deve ser baixada com cuidado, e os nitratos usados na angina podem, raramente, baixá-la perigosamente. Quem tem uma válvula artificial pode precisar de antibióticos antes de certos procedimentos e de anticoagulantes durante 3 a 6 meses ou para sempre, conforme o tipo de válvula.

Evolução e complicações

A estenose aórtica avança mais depressa quanto mais grave é, mas o ritmo varia. Por isso são precisas avaliações regulares, sobretudo em adultos mais velhos sedentários, que podem ter o fluxo muito reduzido sem sintomas.

Quando aparecem sintomas, a substituição da válvula deve ser feita sem demora para os aliviar e melhorar a sobrevida. Na estenose grave pode ocorrer morte súbita, e por isso os médicos aconselham limitar o esforço físico. A MedlinePlus refere outras complicações possíveis: fibrilhação (fibrilação) e flutter auricular, coágulos que vão para o cérebro (AVC) ou outros órgãos, desmaios, insuficiência cardíaca e tensão alta nas artérias dos pulmões.

Duas mulheres adultas caminham juntas por um caminho plano num jardim.
A estenose aórtica pode evoluir a ritmos diferentes e exige avaliações regulares. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Sintomas. O Manual MSD descreve sobretudo angina, falta de ar e desmaio ao esforço. A MedlinePlus acrescenta palpitações, tosse por vezes com sangue e os sinais em bebés e crianças.
  • Antibióticos antes de procedimentos. O Manual MSD diz que quem tem válvula artificial deve tomá-los antes de alguns procedimentos. A MedlinePlus nota que hoje se usam muito menos antes de tratamentos dentários e que se deve confirmar com o médico.
  • Valvuloplastia. O Manual MSD reserva-a para crianças e jovens adultos com defeito de nascença. A MedlinePlus apresenta-a como alternativa ou passo prévio à cirurgia, com estreitamento frequente depois.

Pontos-chave sobre a estenose aórtica

  • A estenose aórtica é o estreitamento da válvula entre o coração e a aorta.
  • Nos mais velhos, deve-se sobretudo ao cálcio; antes dos 70 anos, muitas vezes a uma válvula bicúspide de nascença.
  • Os sintomas típicos são dor no peito, falta de ar e desmaio ao fazer esforço.
  • O ecocardiograma confirma o diagnóstico e mede a gravidade.
  • Sem sintomas faz-se vigilância regular; com sintomas, substitui-se a válvula por cirurgia ou por cateter.
  • Os resultados da substituição da válvula são geralmente excelentes.

Perguntas frequentes sobre a estenose aórtica

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que causa a estenose aórtica?

Sobretudo a acumulação de cálcio na válvula com a idade, uma válvula com duas abas de nascença ou, mais raramente, a febre reumática.

Quais são os primeiros sintomas?

Dor ou aperto no peito, falta de ar, cansaço e tonturas ou desmaio ao fazer esforço; muitas vezes só aparecem quando a doença está avançada.

A estenose aórtica é grave?

Pode ser. Sem tratamento, a estenose grave com sintomas pode causar insuficiência cardíaca e morte súbita; a substituição da válvula tem resultados excelentes.

Quem tem estenose aórtica pode fazer exercício?

Depende da gravidade. O médico dá as recomendações; na estenose grave, desaconselha-se o desporto de competição e o esforço intenso.

O que é a TAVI?

É a substituição da válvula aórtica através de um cateter introduzido pela artéria da virilha, sem abrir o peito.

Que exame diagnostica a estenose aórtica?

O ecocardiograma, depois de o médico ouvir um sopro característico com o estetoscópio.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Estenose aórtica
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Aortic stenosis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.