O que são as válvulas do coração?
O coração tem quatro cavidades: duas aurículas em cima e dois ventrículos em baixo. As válvulas regulam o fluxo de sangue entre elas e funcionam como portas de um só sentido. Cada ventrículo tem uma válvula de entrada e uma de saída:
- no lado direito, a válvula tricúspide (entrada) e a válvula pulmonar (saída, para a artéria pulmonar);
- no lado esquerdo, a válvula mitral (entrada) e a válvula aórtica (saída, para a aorta).
As válvulas mitral e tricúspide estão presas por cordas fibrosas resistentes a pequenos músculos da parede dos ventrículos. Uma valvulopatia é um problema em qualquer destas válvulas.
Estenose e regurgitação
As válvulas podem funcionar mal de duas formas:
- Estenose: a válvula não abre completamente e bloqueia parte do fluxo de sangue.
- Regurgitação: a válvula não fecha bem e deixa o sangue voltar para trás; chama-se também insuficiência ou incompetência. O NHS refere ainda o prolapso, quando a válvula não fecha completamente.
Uma válvula pode ter os dois problemas. Ambos podem afetar muito a capacidade de o coração bombear. As valvulopatias podem atingir qualquer válvula, mas são mais comuns nas válvulas aórtica e mitral, do lado esquerdo do coração. Algumas fugas pequenas das válvulas pulmonar e tricúspide existem na maioria das pessoas e são consideradas normais.
Porque surgem?
Segundo o NHS, as valvulopatias podem ser causadas por:
- doença cardíaca congénita, presente desde o nascimento;
- alterações do coração com a idade, sobretudo em quem fuma ou tem tensão alta ou colesterol alto;
- doenças que afetam o coração, como a febre reumática, as cardiomiopatias ou a endocardite;
- lesões causadas por um ataque cardíaco.
O Manual MSD explica que, com o envelhecimento, as válvulas mitral e aórtica ficam mais espessas e a aorta mais rígida, o que aumenta a tensão e o esforço sobre a válvula aórtica. Estas alterações podem causar sintomas em adultos mais velhos com doença cardíaca.
Valvulopatias: sintomas
A maioria das válvulas com defeito não é gravemente anormal e não afeta a pessoa. Quando há sintomas, podem ser:
- falta de ar;
- cansaço ou fraqueza;
- tonturas ou desmaio;
- palpitações, quando se sente o coração bater irregular ou mais depressa;
- tornozelos e pés inchados;
- dor ou desconforto no peito.
Muitas pessoas não têm sintomas. Por vezes a valvulopatia é descoberta por acaso, quando o médico ouve um som anormal (sopro) ao auscultar o peito.
Quando procurar ajuda?
O NHS aconselha consultar o médico de família se:
- tiver falta de ar com frequência;
- se sentir cansaço, fraqueza ou tonturas nas atividades normais;
- tiver palpitações que voltam, duram mais de alguns minutos ou estão a piorar;
- tiver tornozelos ou pés inchados, ou dor no peito que vai e vem.
Estes sintomas têm muitas causas possíveis. É preciso ajuda urgente (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se tiver muita dificuldade em respirar, dor no peito súbita que se espalha para os braços, costas, pescoço ou maxilar ou dura mais de 15 minutos, ou dor no peito com falta de ar ou palpitações. Não vá a conduzir: peça boleia a alguém ou chame uma ambulância.
Como se diagnostica?
O médico ausculta o coração; as válvulas com defeito causam muitas vezes sopros e outros sons anormais. Os exames incluem:
- Ecocardiograma, uma ecografia (ultrassom) do coração que identifica as válvulas com defeito e deteta mesmo fugas pequenas que não se ouvem;
- Radiografia do tórax;
- Eletrocardiograma;
- por vezes, uma prova de esforço para vigiar certas valvulopatias.
Como algumas válvulas pioram com o tempo, os médicos fazem muitas vezes exames periódicos. Alguns sopros e fugas pequenas são considerados normais.
Tratamento das valvulopatias
Uma valvulopatia ligeira e sem sintomas pode não precisar de tratamento, apenas de consultas regulares. Com sintomas ou doença grave, podem usar-se medicamentos, por grupos: para baixar a tensão e proteger o coração, diuréticos para o excesso de líquido, medicamentos que abrandam o coração e anticoagulantes para reduzir o risco de coágulos.
O Manual MSD sublinha que, em geral, nem as mudanças de estilo de vida nem os medicamentos conseguem atrasar a deterioração de uma válvula anormal. Quando a válvula piora, pode ser preciso:
- Reparar a válvula, por cirurgia ou, por vezes, por cateterismo; numa estenose, pode alargar-se a abertura com um balão (valvuloplastia).
- Substituir a válvula por uma válvula mecânica ou biológica, feita de tecido animal ou humano; para algumas pessoas, pode fazer-se por cateterismo, sem abrir o esterno.
Válvulas mecânicas e biológicas
- Válvula mecânica: dura muitos anos, mas obriga a tomar anticoagulantes para o resto da vida, o que aumenta o risco de hemorragias.
- Válvula biológica: geralmente desgasta-se e precisa de ser substituída em 10 a 12 anos, mas só exige anticoagulantes durante 3 a 6 meses.
- Escolha: depende da idade, da atividade, do funcionamento do coração e da válvula afetada; a possibilidade de tomar anticoagulantes pesa muito.
Na cirurgia clássica, com anestesia geral e uma máquina coração-pulmão, a operação dura duas a cinco horas e a recuperação total pode levar seis a oito semanas. As válvulas anormais e as próteses podem infetar (endocardite); quem tem uma prótese pode precisar de antibióticos antes de alguns tratamentos dentários ou médicos. Segundo o NHS, a gravidez pode agravar os sintomas e exige aconselhamento de um cardiologista, e o Manual MSD refere que alguns anticoagulantes não são adequados na gravidez.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Medicamentos. O NHS lista medicamentos para os sintomas da doença grave. O Manual MSD sublinha que os medicamentos não atrasam a deterioração da válvula.
- Complicações. O NHS refere a insuficiência cardíaca, a fibrilhação (fibrilação) auricular, o AVC e a endocardite. O Manual MSD detalha os riscos das próteses, como as hemorragias e as infeções.
- Próteses. O Manual MSD explica a escolha entre válvulas mecânicas e biológicas e a duração de cada uma. O NHS diz apenas que a válvula pode ser artificial ou de tecido humano ou animal.
Pontos-chave sobre as valvulopatias
- Nas valvulopatias, uma válvula do coração não abre bem (estenose) ou não fecha bem (regurgitação).
- São mais comuns nas válvulas aórtica e mitral.
- Muitas são ligeiras e não dão sintomas; outras causam falta de ar, cansaço ou inchaço.
- O ecocardiograma é o exame principal.
- As graves podem exigir reparação ou substituição da válvula.
- Dor no peito súbita ou dificuldade grave em respirar exigem ajuda urgente.
Perguntas frequentes sobre as valvulopatias
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é uma valvulopatia?
É uma doença em que uma ou mais válvulas do coração não abrem ou não fecham como deviam.
Qual a diferença entre estenose e regurgitação?
Na estenose, a válvula não abre completamente e bloqueia o sangue; na regurgitação, não fecha bem e deixa o sangue voltar para trás.
Um sopro no coração é sempre uma doença?
Não. Alguns sopros e pequenas fugas das válvulas são considerados normais.
Todas as valvulopatias precisam de tratamento?
Não. As ligeiras e sem sintomas são geralmente apenas vigiadas com consultas e ecocardiogramas.
Qual a diferença entre válvula mecânica e biológica?
A mecânica dura muitos anos mas exige anticoagulantes para sempre; a biológica desgasta-se em 10 a 12 anos mas só exige anticoagulantes alguns meses.
Quando devo ir às urgências?
Com muita dificuldade em respirar, dor no peito súbita que se espalha ou dura mais de 15 minutos, ou dor no peito com falta de ar ou palpitações.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Considerações gerais sobre valvulopatias
- NHS · Heart valve disease
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
