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Fibrilhação auricular e flutter: sintomas e riscos

A fibrilhação auricular (também chamada fibrilação atrial) e o flutter auricular são alterações do ritmo do coração em que as aurículas, as cavidades de cima, recebem impulsos elétricos muito rápidos. O coração pode bater de forma irregular e acelerada e bombear menos bem. Algumas pessoas não têm sintomas; outras sentem palpitações, cansaço, falta de ar ou tonturas. O maior risco é a formação de coágulos que podem causar um AVC. Não tem cura, mas há medicamentos e procedimentos que controlam o ritmo e reduzem o risco. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757
Homem mais velho conversa com uma médica numa consulta luminosa.
Os sintomas da fibrilhação auricular podem variar de pessoa para pessoa. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que é a fibrilhação auricular?

Normalmente, cada batimento começa num único ponto, o nódulo sinusal. Segundo o Manual MSD:

  • Na fibrilhação auricular, os impulsos elétricos surgem de muitos pontos das aurículas e são caóticos: as paredes das aurículas tremem em vez de se contraírem. Só alguns impulsos chegam aos ventrículos, que batem de forma irregular, muitas vezes a 140 a 160 batimentos por minuto sem tratamento.
  • No flutter auricular, a atividade elétrica é organizada, mas muito rápida, de 250 a 350 vezes por minuto; os ventrículos batem muitas vezes a cerca de 150 por minuto.

A fibrilhação auricular é muito mais comum do que o flutter, e muitas pessoas com flutter têm também episódios de fibrilhação. Ambos são mais comuns em pessoas mais velhas e com doenças do coração, e podem ser intermitentes ou constantes.

Fibrilhação auricular: sintomas

Por vezes não há sintomas, e a fibrilhação é descoberta num exame de rotina. Quando há, segundo o NHS, podem ser:

  • batimento irregular, com o pulso desigual;
  • sensação súbita de coração a bater com força, acelerado, a tremer ou a falhar batidas (palpitações), de segundos a minutos;
  • coração a mais de 100 batimentos por minuto;
  • cansaço intenso e mais dificuldade em fazer exercício;
  • dor ou aperto no peito;
  • falta de ar, tonturas ou sensação de desmaio.

O Manual MSD explica que os sintomas dependem sobretudo da velocidade dos ventrículos: abaixo de 120 batimentos por minuto, geralmente não há sintomas. Os sintomas podem ir e vir sozinhos (paroxística), parar com tratamento (persistente) ou estar sempre presentes (permanente).

Causas e fatores de risco

Pode surgir sem outra doença do coração, mas muitas vezes deve-se a:

  • tensão arterial (pressão arterial) alta;
  • doença das artérias coronárias, ataque cardíaco ou insuficiência cardíaca;
  • doenças das válvulas, sobretudo a mitral;
  • consumo excessivo de álcool;
  • tiroide hiperativa (hipertiroidismo);
  • diabetes, doença renal crónica e apneia do sono, segundo o NHS;
  • defeitos congénitos do coração.

O NHS refere que é mais provável a partir dos 55 anos, no sexo masculino, com excesso de peso ou obesidade, em quem fuma, em quem pratica desportos de resistência e com alguns medicamentos, por grupos, como alguns para a tiroide ou para a asma.

Coágulos, AVC e insuficiência cardíaca

As principais complicações são:

  • Coágulos e AVC: o sangue que fica nas aurículas pode formar coágulos; pedaços podem soltar-se, sobretudo logo depois de o ritmo voltar ao normal, e bloquear uma artéria do cérebro. Raramente, o AVC é o primeiro sinal.
  • Coração menos eficaz: com batimentos muito rápidos, os ventrículos não têm tempo de se encher, a tensão pode baixar e pode surgir insuficiência cardíaca, sobretudo em pessoas mais velhas ou com doença do coração.

Segundo o Manual MSD, quando as aurículas não ajudam a bombear, o coração bombeia cerca de 10% menos sangue no máximo, o que geralmente só causa problemas em quem tem doença do coração.

Quando procurar ajuda?

O NHS aconselha consultar o médico de família se achar que tem sintomas, se tiver palpitações que se repetem ou pioram, ou se o tratamento não estiver a ajudar.

Ligue para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se tiver o coração acelerado ou irregular e:

  • dor no peito, falta de ar ou suores;
  • náuseas ou vómitos;
  • desmaio, tonturas ou quedas;
  • dor de cabeça forte;
  • fraqueza ou dormência num lado da cara ou do corpo;
  • visão turva ou perda de visão, confusão ou dificuldade em falar.

Não vá a conduzir para as urgências.

Como se diagnostica?

Os sintomas sugerem o diagnóstico, que se confirma com:

  • Eletrocardiograma (ECG): mostra o ritmo irregular da fibrilhação ou o padrão em dentes de serra do flutter.
  • Ecocardiograma: uma ecografia (ultrassom) do coração que avalia as válvulas e procura coágulos nas aurículas.
  • Análises ao sangue (exames de sangue): sobretudo para verificar a tiroide.
  • Radiografia do tórax, segundo o NHS.

O médico de família encaminha geralmente para um cardiologista.

Médica conversa com um homem adulto durante uma consulta.
A avaliação pode incluir a história clínica e exames indicados pelo médico. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Tratamento: ritmo e frequência

O tratamento procura controlar a velocidade dos ventrículos, restabelecer o ritmo normal e tratar a doença que causa a arritmia. Segundo as fontes:

  • Abrandar o coração: medicamentos, por grupos, como os betabloqueantes ou os bloqueadores dos canais de cálcio.
  • Cardioversão elétrica: um choque elétrico sincronizado que repõe o ritmo normal, eficaz em 70% a 90% das pessoas; também há medicamentos antiarrítmicos, menos eficazes.
  • Ablação: destruir uma pequena zona de tecido com calor, frio ou energia elétrica através de um cateter; no flutter resulta em cerca de 90% das pessoas.
  • Pacemaker ou desfibrilhador implantável, em alguns casos.

Tratar a tiroide, corrigir uma válvula ou parar um medicamento causador pode melhorar os sintomas. Mesmo com sucesso, o risco de a arritmia voltar é elevado.

Prevenir coágulos e cuidar do coração

A maioria das pessoas precisa de anticoagulantes, por grupos, para prevenir coágulos e AVC. A decisão depende da doença do coração e de fatores de risco para AVC, como:

  • ter 65 anos ou mais, tensão alta ou diabetes;
  • insuficiência cardíaca ou uma válvula mecânica;
  • um AVC ou acidente isquémico transitório anterior;
  • doença dos vasos sanguíneos ou ser do sexo feminino.

O NHS aconselha evitar fatores desencadeantes como a cafeína, a comida picante, o stress, a desidratação e a falta de sono; manter um peso saudável, uma alimentação equilibrada e pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana; não fumar, não beber álcool em excesso e evitar exercício demasiado intenso.

Duas pessoas caminham juntas por um parque arborizado.
A prevenção considera o risco de coágulos e a saúde do coração. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Sexo. O NHS diz que a fibrilhação é mais provável no sexo masculino. O Manual MSD inclui o sexo feminino entre os fatores de risco de AVC na fibrilhação.
  • Flutter. O Manual MSD descreve o flutter auricular em detalhe. O NHS fala apenas da fibrilhação auricular.
  • Estilo de vida. O NHS dá conselhos práticos sobre desencadeantes e exercício. O Manual MSD centra-se nos medicamentos, na cardioversão e na ablação.

Pontos-chave sobre a fibrilhação auricular

  • Na fibrilhação e no flutter auricular, o coração bate depressa e, muitas vezes, de forma irregular.
  • Pode causar palpitações, cansaço, falta de ar e tonturas, ou não dar sintomas.
  • Tensão alta, doenças do coração, álcool e tiroide hiperativa são causas comuns.
  • O maior risco é o AVC por coágulos; os anticoagulantes reduzem-no.
  • O ECG confirma o diagnóstico.
  • Medicamentos, cardioversão e ablação controlam o ritmo e a frequência.

Perguntas frequentes sobre a fibrilhação auricular

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Qual a diferença entre fibrilhação e flutter auricular?

Na fibrilhação, a atividade elétrica das aurículas é caótica; no flutter, é organizada mas muito rápida. A fibrilhação é muito mais comum.

A fibrilhação auricular é perigosa?

Pode ser, sobretudo porque aumenta o risco de coágulos e AVC; com tratamento, a maioria das pessoas continua a fazer a vida normal.

Quais são os sintomas?

Pulso irregular, palpitações, cansaço, dificuldade em fazer exercício, dor no peito, falta de ar e tonturas; por vezes não há sintomas.

Porque é preciso tomar anticoagulantes?

Porque o sangue pode formar coágulos nas aurículas que, se chegarem ao cérebro, causam um AVC.

A fibrilhação auricular tem cura?

Atualmente não, segundo o NHS, mas o tratamento controla os sintomas e reduz o risco de complicações; a ablação resulta em cerca de 90% dos casos de flutter.

Posso fazer exercício?

Sim, a maioria das pessoas pode, mas deve evitar exercício intenso e não treinar durante os sintomas; em caso de dúvida, fale com o médico.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Fibrilação atrial e flutter atrial
  2. NHS · Atrial fibrillation

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.