O que é a fibrilhação auricular?
Normalmente, cada batimento começa num único ponto, o nódulo sinusal. Segundo o Manual MSD:
- Na fibrilhação auricular, os impulsos elétricos surgem de muitos pontos das aurículas e são caóticos: as paredes das aurículas tremem em vez de se contraírem. Só alguns impulsos chegam aos ventrículos, que batem de forma irregular, muitas vezes a 140 a 160 batimentos por minuto sem tratamento.
- No flutter auricular, a atividade elétrica é organizada, mas muito rápida, de 250 a 350 vezes por minuto; os ventrículos batem muitas vezes a cerca de 150 por minuto.
A fibrilhação auricular é muito mais comum do que o flutter, e muitas pessoas com flutter têm também episódios de fibrilhação. Ambos são mais comuns em pessoas mais velhas e com doenças do coração, e podem ser intermitentes ou constantes.
Fibrilhação auricular: sintomas
Por vezes não há sintomas, e a fibrilhação é descoberta num exame de rotina. Quando há, segundo o NHS, podem ser:
- batimento irregular, com o pulso desigual;
- sensação súbita de coração a bater com força, acelerado, a tremer ou a falhar batidas (palpitações), de segundos a minutos;
- coração a mais de 100 batimentos por minuto;
- cansaço intenso e mais dificuldade em fazer exercício;
- dor ou aperto no peito;
- falta de ar, tonturas ou sensação de desmaio.
O Manual MSD explica que os sintomas dependem sobretudo da velocidade dos ventrículos: abaixo de 120 batimentos por minuto, geralmente não há sintomas. Os sintomas podem ir e vir sozinhos (paroxística), parar com tratamento (persistente) ou estar sempre presentes (permanente).
Causas e fatores de risco
Pode surgir sem outra doença do coração, mas muitas vezes deve-se a:
- tensão arterial (pressão arterial) alta;
- doença das artérias coronárias, ataque cardíaco ou insuficiência cardíaca;
- doenças das válvulas, sobretudo a mitral;
- consumo excessivo de álcool;
- tiroide hiperativa (hipertiroidismo);
- diabetes, doença renal crónica e apneia do sono, segundo o NHS;
- defeitos congénitos do coração.
O NHS refere que é mais provável a partir dos 55 anos, no sexo masculino, com excesso de peso ou obesidade, em quem fuma, em quem pratica desportos de resistência e com alguns medicamentos, por grupos, como alguns para a tiroide ou para a asma.
Coágulos, AVC e insuficiência cardíaca
As principais complicações são:
- Coágulos e AVC: o sangue que fica nas aurículas pode formar coágulos; pedaços podem soltar-se, sobretudo logo depois de o ritmo voltar ao normal, e bloquear uma artéria do cérebro. Raramente, o AVC é o primeiro sinal.
- Coração menos eficaz: com batimentos muito rápidos, os ventrículos não têm tempo de se encher, a tensão pode baixar e pode surgir insuficiência cardíaca, sobretudo em pessoas mais velhas ou com doença do coração.
Segundo o Manual MSD, quando as aurículas não ajudam a bombear, o coração bombeia cerca de 10% menos sangue no máximo, o que geralmente só causa problemas em quem tem doença do coração.
Quando procurar ajuda?
O NHS aconselha consultar o médico de família se achar que tem sintomas, se tiver palpitações que se repetem ou pioram, ou se o tratamento não estiver a ajudar.
Ligue para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se tiver o coração acelerado ou irregular e:
- dor no peito, falta de ar ou suores;
- náuseas ou vómitos;
- desmaio, tonturas ou quedas;
- dor de cabeça forte;
- fraqueza ou dormência num lado da cara ou do corpo;
- visão turva ou perda de visão, confusão ou dificuldade em falar.
Não vá a conduzir para as urgências.
Como se diagnostica?
Os sintomas sugerem o diagnóstico, que se confirma com:
- Eletrocardiograma (ECG): mostra o ritmo irregular da fibrilhação ou o padrão em dentes de serra do flutter.
- Ecocardiograma: uma ecografia (ultrassom) do coração que avalia as válvulas e procura coágulos nas aurículas.
- Análises ao sangue (exames de sangue): sobretudo para verificar a tiroide.
- Radiografia do tórax, segundo o NHS.
O médico de família encaminha geralmente para um cardiologista.

Tratamento: ritmo e frequência
O tratamento procura controlar a velocidade dos ventrículos, restabelecer o ritmo normal e tratar a doença que causa a arritmia. Segundo as fontes:
- Abrandar o coração: medicamentos, por grupos, como os betabloqueantes ou os bloqueadores dos canais de cálcio.
- Cardioversão elétrica: um choque elétrico sincronizado que repõe o ritmo normal, eficaz em 70% a 90% das pessoas; também há medicamentos antiarrítmicos, menos eficazes.
- Ablação: destruir uma pequena zona de tecido com calor, frio ou energia elétrica através de um cateter; no flutter resulta em cerca de 90% das pessoas.
- Pacemaker ou desfibrilhador implantável, em alguns casos.
Tratar a tiroide, corrigir uma válvula ou parar um medicamento causador pode melhorar os sintomas. Mesmo com sucesso, o risco de a arritmia voltar é elevado.
Prevenir coágulos e cuidar do coração
A maioria das pessoas precisa de anticoagulantes, por grupos, para prevenir coágulos e AVC. A decisão depende da doença do coração e de fatores de risco para AVC, como:
- ter 65 anos ou mais, tensão alta ou diabetes;
- insuficiência cardíaca ou uma válvula mecânica;
- um AVC ou acidente isquémico transitório anterior;
- doença dos vasos sanguíneos ou ser do sexo feminino.
O NHS aconselha evitar fatores desencadeantes como a cafeína, a comida picante, o stress, a desidratação e a falta de sono; manter um peso saudável, uma alimentação equilibrada e pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana; não fumar, não beber álcool em excesso e evitar exercício demasiado intenso.

Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Sexo. O NHS diz que a fibrilhação é mais provável no sexo masculino. O Manual MSD inclui o sexo feminino entre os fatores de risco de AVC na fibrilhação.
- Flutter. O Manual MSD descreve o flutter auricular em detalhe. O NHS fala apenas da fibrilhação auricular.
- Estilo de vida. O NHS dá conselhos práticos sobre desencadeantes e exercício. O Manual MSD centra-se nos medicamentos, na cardioversão e na ablação.
Pontos-chave sobre a fibrilhação auricular
- Na fibrilhação e no flutter auricular, o coração bate depressa e, muitas vezes, de forma irregular.
- Pode causar palpitações, cansaço, falta de ar e tonturas, ou não dar sintomas.
- Tensão alta, doenças do coração, álcool e tiroide hiperativa são causas comuns.
- O maior risco é o AVC por coágulos; os anticoagulantes reduzem-no.
- O ECG confirma o diagnóstico.
- Medicamentos, cardioversão e ablação controlam o ritmo e a frequência.
Perguntas frequentes sobre a fibrilhação auricular
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Qual a diferença entre fibrilhação e flutter auricular?
Na fibrilhação, a atividade elétrica das aurículas é caótica; no flutter, é organizada mas muito rápida. A fibrilhação é muito mais comum.
A fibrilhação auricular é perigosa?
Pode ser, sobretudo porque aumenta o risco de coágulos e AVC; com tratamento, a maioria das pessoas continua a fazer a vida normal.
Quais são os sintomas?
Pulso irregular, palpitações, cansaço, dificuldade em fazer exercício, dor no peito, falta de ar e tonturas; por vezes não há sintomas.
Porque é preciso tomar anticoagulantes?
Porque o sangue pode formar coágulos nas aurículas que, se chegarem ao cérebro, causam um AVC.
A fibrilhação auricular tem cura?
Atualmente não, segundo o NHS, mas o tratamento controla os sintomas e reduz o risco de complicações; a ablação resulta em cerca de 90% dos casos de flutter.
Posso fazer exercício?
Sim, a maioria das pessoas pode, mas deve evitar exercício intenso e não treinar durante os sintomas; em caso de dúvida, fale com o médico.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Fibrilação atrial e flutter atrial
- NHS · Atrial fibrillation
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

