O que é o prolapso da válvula mitral?
A válvula mitral fica entre a aurícula esquerda e o ventrículo esquerdo. Abre-se para deixar o sangue encher o ventrículo e fecha-se quando o ventrículo se contrai para bombear o sangue para a aorta, impedindo que volte para trás.
Prolapso significa que as abas da válvula se curvam para dentro da aurícula quando o ventrículo se contrai. Às vezes, parte do sangue reflui para a aurícula: chama-se regurgitação mitral. O prolapso só causa problemas cardíacos sérios se a regurgitação ficar grave, se a válvula infetar (endocardite) ou se o tecido enfraquecido se romper.
Causas do prolapso da válvula mitral
A causa é geralmente um alongamento excessivo do tecido da válvula por fraqueza (degeneração mixomatosa), que é genética. Algumas formas parecem passar de pais para filhos. Outras doenças que parecem aumentar o risco são a doença cardíaca reumática e doenças do tecido conjuntivo, como a síndrome de Marfan e a síndrome de Ehlers-Danlos.
A MedlinePlus refere que afeta muitas vezes mulheres magras, que podem ter pequenas deformações da parede do tórax, escoliose ou outras alterações, e que também surge isoladamente em pessoas sem outros problemas. Segundo o Manual MSD, os homens têm menos probabilidade de ter prolapso, mas mais de evoluir para regurgitação grave.
Prolapso da válvula mitral: sintomas
A maioria das pessoas não tem sintomas. Outras têm sintomas difíceis de explicar só pelo problema da válvula:
- dor no peito que não se deve a doença das artérias do coração;
- pulso rápido e palpitações, a sensação de sentir o coração bater;
- cansaço e tonturas;
- enxaqueca, segundo o Manual MSD;
- ataques de pânico e falta de ar com o esforço ou ao deitar, segundo a MedlinePlus.
Em algumas pessoas, a pressão arterial baixa ao pôr-se de pé (hipotensão ortostática). A MedlinePlus sublinha que a relação exata entre estes sintomas e a válvula não é clara. Sobre a enxaqueca, veja o guia sobre enxaqueca.
Como se faz o diagnóstico
O médico costuma suspeitar ao ouvir com o estetoscópio um som característico de clique a meio da contração do coração, ou um sopro que sugere regurgitação. Segundo a MedlinePlus, o sopro costuma ficar mais longo e mais forte quando a pessoa se põe de pé. A pressão arterial é quase sempre normal.
O ecocardiograma, uma ecografia (ultrassom) do coração, é o exame mais usado: mostra o prolapso e a gravidade da regurgitação, se existir. Para avaliar a regurgitação ou complicações podem fazer-se também um eletrocardiograma, que pode mostrar arritmias como a fibrilhação (fibrilação) auricular, uma radiografia do tórax, uma TAC (tomografia computadorizada) ou ressonância do coração ou um cateterismo.
Tratamento do prolapso da válvula mitral
A maioria das pessoas não precisa de tratamento. Se o coração bater demasiado depressa, o médico pode receitar um betabloqueador, um grupo de medicamentos que reduz a frequência cardíaca e diminui as palpitações e outros sintomas.
Pode ser preciso reparar ou substituir a válvula se a regurgitação ficar muito grande e causar sintomas. A MedlinePlus indica que isso se considera quando os sintomas pioram, quando o ventrículo esquerdo aumenta de tamanho ou quando a função do coração piora. Quem tem doença das válvulas sem sintomas costuma fazer consultas regulares para ver se o problema evolui.

Quando surge regurgitação mitral
Quando a válvula deixa refluir muito sangue, chega menos sangue ao resto do corpo e o coração tem de trabalhar mais. Segundo a MedlinePlus, a regurgitação muitas vezes não dá sintomas; quando dá, surgem geralmente aos poucos:
- tosse, cansaço e sensação de cabeça leve;
- respiração rápida e palpitações;
- falta de ar que aumenta com o esforço ou ao deitar;
- acordar cerca de uma hora depois de adormecer com dificuldade em respirar;
- urinar muito durante a noite.
Possíveis complicações
O prolapso é geralmente benigno. Quando a regurgitação fica grave, aumenta o risco de:
- aumento da aurícula ou do ventrículo esquerdo;
- ritmos anormais do coração, como a fibrilhação auricular; alguns podem pôr a vida em risco;
- infeção da válvula (endocardite);
- acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.
A MedlinePlus refere que, antigamente, se davam antibióticos antes de tratamentos dentários a quase todas as pessoas com problemas de válvulas, mas que hoje isso se faz muito menos; deve perguntar ao médico se precisa.
Quando procurar ajuda
A MedlinePlus aconselha contactar o médico se o desconforto no peito, as palpitações ou os desmaios piorarem, ou se tiver uma doença prolongada com febre. O NHS aconselha consulta se tiver falta de ar com frequência, cansaço, fraqueza ou tonturas nas atividades normais, palpitações que voltam, duram mais de alguns minutos ou pioram, tornozelos inchados ou dor no peito que vai e vem.
Dificuldade grave em respirar, dor súbita no peito que se estende aos braços, costas, pescoço ou mandíbula ou dura mais de 15 minutos, ou dor no peito com falta de ar ou palpitações exigem ajuda imediata: no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112. Consulte o seu médico.
Onde as fontes divergem
As fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Sintomas. A MedlinePlus inclui ataques de pânico e falta de ar entre os sintomas e diz que a relação com a válvula não é clara. O Manual MSD inclui enxaqueca e hipotensão ao pôr-se de pé.
- Quem é afetado. A MedlinePlus diz que afeta muitas vezes mulheres magras. O Manual MSD acrescenta que os homens têm menos prolapso, mas evoluem mais para regurgitação grave.
- Detalhe. O NHS fala das doenças das válvulas em geral e dos sinais de urgência. O Manual MSD e a MedlinePlus descrevem o prolapso em concreto.
Pontos-chave sobre o prolapso da válvula mitral
- No prolapso, as abas da válvula mitral curvam-se para trás e a válvula não fecha bem.
- Afeta cerca de 2% a 3% das pessoas e é geralmente inofensivo.
- A maioria das pessoas não tem sintomas.
- Descobre-se muitas vezes por um clique ou sopro e confirma-se com ecocardiograma.
- A maioria não precisa de tratamento; por vezes usa-se um betabloqueador.
- Se a regurgitação ficar grave, pode ser preciso reparar ou substituir a válvula.

Perguntas frequentes sobre o prolapso da válvula mitral
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O prolapso da válvula mitral é grave?
Na maioria dos casos não. É geralmente benigno e só causa problemas sérios se surgirem complicações, como regurgitação grave.
Quais são os sintomas?
Muitas pessoas não têm sintomas. Outras têm dor no peito, palpitações, cansaço ou tonturas.
Como se descobre?
O médico ouve um clique ou um sopro com o estetoscópio e confirma com um ecocardiograma.
O prolapso da válvula mitral precisa de tratamento?
Geralmente não. Se o coração bater muito depressa, o médico pode receitar um betabloqueador.
É hereditário?
A fraqueza do tecido da válvula é genética e algumas formas parecem passar de pais para filhos.
Quando é preciso cirurgia?
Quando a regurgitação fica grave e causa sintomas, o ventrículo aumenta ou a função do coração piora.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Prolapso da válvula mitral (PVM)
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Mitral valve prolapse
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Mitral valve regurgitation
- NHS · Heart valve disease
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

