O que é a esclerose sistémica?
Na esclerose sistémica, o corpo produz colagénio e outras proteínas em excesso em vários tecidos, o que causa cicatrização e espessamento. A causa é desconhecida, mas pensa-se que seja uma doença autoimune: o sistema imunitário ataca os próprios tecidos do corpo. O NHS acrescenta que certos genes poderão estar envolvidos e que ter um familiar próximo com a doença pode aumentar o risco.
A doença é mais comum em mulheres e entre os 20 e os 50 anos, segundo o Manual MSD; o NHS indica sobretudo entre os 30 e os 50 anos. É rara em crianças.
O NHS explica que o nome esclerodermia abrange também a esclerodermia localizada (morfeia), que afeta sobretudo a pele e, às vezes, os músculos e os ossos por baixo dela, sem atingir os órgãos internos.
Tipos de esclerose sistémica
- Cutânea limitada (síndrome CREST): engrossa a pele da face, das mãos, dos antebraços, das pernas e dos pés. Progride lentamente, mas pode complicar-se com hipertensão pulmonar.
- Cutânea difusa: causa lesões da pele por todo o corpo, com síndrome de Raynaud e problemas digestivos. Pode progredir depressa e atingir os pulmões e os rins.
- Sem esclerodermia: não engrossa a pele, mas há anticorpos típicos no sangue e os mesmos problemas internos.
O nome CREST vem dos seus sinais: depósitos de cálcio, Raynaud, alteração do esófago, espessamento da pele dos dedos (esclerodactilia) e pequenos vasos dilatados (telangiectasias).
Primeiros sintomas
Os primeiros sintomas mais comuns são dedos inchados e, depois, pele mais grossa e rígida nas pontas dos dedos, e a síndrome de Raynaud: com o frio ou o stress emocional, os dedos ficam muito pálidos, dormentes ou com formigueiro, ou doridos, e podem ficar azulados ou brancos.
Às vezes, os primeiros sintomas são azia, dificuldade em engolir ou falta de ar. Muitas vezes há dores em várias articulações e, por vezes, inflamação dos músculos, com dor e fraqueza. O NHS refere ainda, na forma difusa, perda de peso, cansaço e rigidez das articulações.
Alterações da pele e das articulações
- pele tensa, brilhante e mais clara ou mais escura do que o habitual;
- pele da face rígida, com nariz pequeno e boca estreita, e menos expressão facial;
- pequenos vasos dilatados nos dedos, no peito, na face, nos lábios e na língua, e nódulos de cálcio sob a pele;
- feridas nas pontas dos dedos, problemas das gengivas e queda de cabelo;
- dedos, pulsos e cotovelos presos em posição dobrada (contraturas).
Em algumas pessoas, a pele pode amolecer passados alguns anos. Sobre dores articulares de outras causas, veja o guia sobre artrite reumatoide.
Efeitos nos órgãos internos
- Esófago e intestino: muitas pessoas acabam por ter dificuldade em engolir e azia. Lesões do intestino podem causar má absorção, perda de peso, dor e inchaço abdominal.
- Pulmões: a cicatrização dos pulmões causa falta de ar anormal no esforço; os vasos dos pulmões podem engrossar e causar hipertensão pulmonar.
- Coração: podem surgir alterações graves, como insuficiência cardíaca e ritmos anormais.
- Rins: pode haver doença renal grave; o primeiro sinal pode ser uma subida súbita e progressiva da tensão arterial (crise renal esclerodérmica).
Quando procurar o médico?
O Manual MSD explica que o médico suspeita da doença quando há síndrome de Raynaud, alterações típicas da pele e das articulações, ou problemas digestivos, pulmonares ou cardíacos sem outra explicação.
Na crise renal, a tensão arterial alta é um sinal ameaçador, mas o tratamento precoce costuma controlá-la e pode prevenir ou reverter o dano dos rins. O NHS indica que quem tem a doença precisa de medir a tensão arterial com regularidade e de outros exames aos órgãos. Consulte o seu médico.
Como se faz o diagnóstico?
O diagnóstico baseia-se em toda a informação reunida: os sintomas, o exame físico e os exames. As análises sozinhas não bastam, mas os anticorpos antinucleares estão presentes em mais de 90% das pessoas com a doença, e outros anticorpos ajudam a distinguir os tipos.
O médico pode recorrer a critérios estabelecidos, como pele endurecida nas duas mãos, feridas ou cicatrizes nas pontas dos dedos, vasos dilatados, capilares anormais junto às unhas, problemas pulmonares e síndrome de Raynaud. Provas de função respiratória, TAC (tomografia computadorizada) do tórax e ecocardiograma, às vezes repetidos, ajudam a detetar problemas do coração e dos pulmões.
Tratamento e vida diária
- Pele e articulações: alguns imunossupressores trazem um benefício ligeiro; hidratar a pele mantém-na flexível e alivia a comichão.
- Azia: refeições pequenas, antiácidos e inibidores da bomba de protões, cabeceira elevada e não se deitar até três horas depois de comer.
- Raynaud: agasalhar-se, usar luvas e meias grossas e manter a cabeça quente; um bloqueador dos canais de cálcio pode aliviar.
- Pulmões, coração e rins: imunossupressores, medicamentos para a hipertensão pulmonar e, nos rins, medicamentos para a tensão alta; às vezes transplante.
A fisioterapia e os exercícios de alongamento ajudam a manter a força e a flexibilidade, mas não evitam totalmente as contraturas. O NHS aconselha também comer de forma saudável, fazer exercício e deixar de fumar. O curso é imprevisível: 92% das pessoas com a forma limitada e 65% com a forma difusa vivem pelo menos 10 anos após o diagnóstico.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Corticosteroides. O Manual MSD diz que devem ser evitados porque podem causar uma crise renal. O NHS inclui os esteroides entre os tratamentos para os problemas das articulações e dos músculos.
- Idade. O Manual MSD situa a doença sobretudo entre os 20 e os 50 anos. O NHS indica que costuma surgir entre os 30 e os 50 anos.
- Âmbito. O NHS trata também a esclerodermia localizada (morfeia) e o apoio de um terapeuta ocupacional. O Manual MSD centra-se na forma sistémica e detalha o prognóstico.
Pontos-chave sobre a esclerose sistémica
- É uma doença autoimune rara que endurece a pele e pode atingir órgãos internos.
- Os primeiros sintomas costumam ser dedos inchados e síndrome de Raynaud.
- Pode afetar o esófago, o intestino, os pulmões, o coração e os rins.
- O diagnóstico junta sintomas, exame físico, anticorpos e outros exames.
- Não tem cura, mas o tratamento alivia sintomas e protege os órgãos.
- A fisioterapia e manter as mãos quentes ajudam no dia a dia.
Perguntas frequentes sobre a esclerose sistémica
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a esclerodermia?
É um conjunto de doenças autoimunes que endurecem a pele; a forma sistémica pode atingir também os órgãos internos.
Quais são os primeiros sintomas da esclerose sistémica?
Dedos inchados, pele mais grossa nas pontas dos dedos e síndrome de Raynaud; às vezes azia ou falta de ar.
A esclerose sistémica tem cura?
Não, mas os medicamentos aliviam sintomas e reduzem a lesão dos órgãos.
Que órgãos pode afetar?
Sobretudo o esófago, o intestino, os pulmões, o coração e os rins.
Como se diagnostica a esclerose sistémica?
Pelos sintomas, pelo exame da pele, por análises de anticorpos e por exames aos pulmões e ao coração.
A fisioterapia ajuda?
Sim. A fisioterapia e os alongamentos ajudam a manter a força e a pele mais solta, mas não evitam totalmente as contraturas.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
