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Sarcoidose: sintomas, diagnóstico e tratamento

A sarcoidose é uma doença rara em que se formam pequenos aglomerados de células inflamatórias, chamados granulomas, em vários órgãos do corpo, sobretudo nos pulmões e nos gânglios linfáticos. Os sintomas dependem dos órgãos afetados. Na maioria das pessoas, melhoram sem tratamento em meses ou anos; quando é preciso tratar, usam-se sobretudo corticosteroides. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a sarcoidose?

Na sarcoidose formam-se granulomas, pequenas zonas de tecido inflamado, sobretudo nos gânglios linfáticos e nos pulmões. Mas podem surgir em qualquer órgão: fígado, olhos, pele e, menos vezes, baço, ossos, articulações, seios nasais, músculos, rins, coração, glândulas salivares e sistema nervoso.

Costuma surgir entre os 20 e os 40 anos, segundo o Manual MSD; o NHS indica sobretudo entre os 30 e os 40. É rara em crianças. É mais comum em pessoas de ascendência do norte da Europa, sobretudo escandinava, e em afro-americanos. O NHS refere que é mais comum em mulheres e que não é contagiosa.

Causas da sarcoidose

A causa é desconhecida. Pode resultar de uma resposta anormal do sistema imunitário a uma substância do ambiente, como bolor, ou a certas bactérias, e fatores genéticos também parecem ter um papel.

O NHS refere como causas possíveis a exposição a substâncias do ambiente, como bolor, salamandras a lenha, terra, pólen de árvores, inseticidas ou sílica, infeções por vírus ou bactérias, a genética e o sistema imunitário a atacar os próprios tecidos. Pode, ocasionalmente, afetar mais de uma pessoa da mesma família, mas não há provas de que seja hereditária.

Sarcoidose: sintomas gerais e pulmonares

Muitas pessoas não têm sintomas e a doença é descoberta numa radiografia ao tórax feita por outro motivo. A maioria tem sintomas ligeiros que não progridem.

  • Gerais: em cerca de um terço das pessoas, febre, cansaço, dor vaga no peito, mal-estar, perda de apetite e de peso, e dores nas articulações; suores noturnos podem voltar.
  • Pulmões: são os órgãos mais afetados, em cerca de 9 em cada 10 pessoas segundo o NHS. Os sintomas principais são falta de ar e tosse seca persistente; a dor no peito é pouco comum.
  • Gânglios: gânglios aumentados são comuns e muitas vezes não dão sintomas; podem ficar inchados e dolorosos na face, no pescoço, nas axilas ou nas virilhas.

Em algumas pessoas, a inflamação dos pulmões leva a cicatrizes, mas esta evolução é pouco frequente.

Sintomas noutros órgãos

  • Pele: nódulos vermelhos e dolorosos, sobretudo nas canelas (eritema nodoso), muitas vezes com febre e dores articulares; tendem a desaparecer em três a seis meses. Também pequenas borbulhas, nódulos ou placas.
  • Olhos: inflamação (uveíte) com olhos vermelhos e dolorosos e alterações da visão; sem controlo pode causar glaucoma.
  • Coração: palpitações, tonturas, ritmo irregular ou insuficiência cardíaca.
  • Articulações, músculos e ossos: dores nos pulsos, cotovelos, joelhos e tornozelos, quistos nos ossos e, por vezes, fraqueza muscular.
  • Sistema nervoso: visão dupla, perda de audição ou paralisia de um lado da face.
  • Cálcio alto: perda de apetite, náuseas, vómitos, sede e muita urina; o NHS refere também pedras nos rins.

Sobre a paralisia facial, veja o guia sobre paralisia de Bell.

Quando procurar o médico?

O NHS explica que é impossível prever como a sarcoidose vai afetar cada pessoa. A maioria tem sintomas que surgem de repente e passam em meses ou anos, sem voltar (sarcoidose aguda). Poucas pessoas têm sintomas que pioram aos poucos, com muitos granulomas que impedem um órgão de funcionar bem (sarcoidose crónica).

O atingimento do coração, do sistema nervoso ou dos olhos, ou o agravamento da doença pulmonar, é um dos motivos para tratar, segundo o Manual MSD. Consulte o seu médico.

Como se faz o diagnóstico

Na maioria das vezes, o médico suspeita de sarcoidose ao ver gânglios aumentados e alterações numa radiografia ou TAC (tomografia computadorizada) do tórax. Para confirmar, em geral é preciso uma biópsia, ou seja, examinar ao microscópio uma amostra do órgão afetado.

Quando os pulmões estão envolvidos, prefere-se a broncoscopia, com um tubo fino e flexível com câmara passado pela garganta. Também se podem usar amostras da pele, de gânglios ou da conjuntiva. Conforme os sintomas, fazem-se ressonância do coração ou do cérebro, cintigrafia óssea ou eletromiografia.

Como a tuberculose causa alterações parecidas, o médico também a investiga. Provas de função respiratória, uma prova de marcha de 6 minutos e análises de sangue (exames de sangue) e de urina, incluindo o cálcio, ajudam a avaliar a gravidade.

Tratamento da sarcoidose

A maioria das pessoas não precisa de tratamento. Os médicos vigiam a evolução com radiografias, provas respiratórias e análises. Para a dor dos surtos, o NHS refere analgésicos de venda livre e mudanças simples no estilo de vida.

Os corticosteroides usam-se quando há sintomas como falta de ar, dor articular ou no peito e febre, cálcio alto, atingimento do coração, do fígado ou do sistema nervoso, lesões da pele desfigurantes, doença dos olhos que não melhora com colírios, ou agravamento dos pulmões. Controlam bem os sintomas, mas não impedem as cicatrizes nos pulmões ao longo dos anos.

Se os corticosteroides não chegam ou causam efeitos secundários, usam-se outros imunossupressores. Quem tem cálcio alto pode precisar de uma alimentação pobre em cálcio, beber bastante líquido e evitar o sol. Com atingimento do coração, pode ser preciso um desfibrilhador implantável e um pacemaker.

Viver com sarcoidose e evolução

O NHS aconselha deixar de fumar, ter uma alimentação equilibrada, manter um peso saudável, reduzir o stress, fazer exercício regular e dormir o suficiente. O Manual MSD recomenda vivamente as vacinas contra a gripe, o vírus sincicial respiratório, a COVID-19 e o pneumococo a quem tem sarcoidose.

Os gânglios aumentados e a inflamação dos pulmões podem desaparecer em meses ou anos, mas o curso pode ser crónico ou progressivo em até 30% das pessoas. Cerca de 10 a 20% ficam com uma incapacidade grave por lesões dos olhos, dos pulmões ou de outros órgãos. Sobre o exercício e a reabilitação, veja a secção de fisioterapia.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Idade. O Manual MSD diz que a sarcoidose surge em geral entre os 20 e os 40 anos. O NHS indica sobretudo entre os 30 e os 40.
  • Corticosteroides. O NHS detalha os efeitos secundários, como aumento de peso, alterações de humor e enfraquecimento dos ossos, e por isso só se usam quando necessário. O Manual MSD detalha sobretudo quando se devem usar.
  • Síndromes. O Manual MSD descreve formas especiais, como a síndrome de Löfgren, que tem o melhor prognóstico. O NHS distingue a sarcoidose aguda, que passa, e a crónica, que piora.

Pontos-chave sobre a sarcoidose

  • A sarcoidose forma granulomas em vários órgãos, sobretudo nos pulmões.
  • A causa é desconhecida e a doença não é contagiosa.
  • Falta de ar, tosse seca e nódulos na pele são sintomas frequentes.
  • O diagnóstico costuma exigir imagem do tórax e biópsia.
  • A maioria não precisa de tratamento e melhora sozinha.
  • Quando é preciso tratar, usam-se sobretudo corticosteroides.

Perguntas frequentes sobre a sarcoidose

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a sarcoidose?

É uma doença rara em que se formam pequenos aglomerados de células inflamatórias (granulomas) em vários órgãos.

Quais são os sintomas da sarcoidose?

Sobretudo falta de ar, tosse seca persistente, nódulos dolorosos na pele, cansaço e gânglios inchados.

A sarcoidose é contagiosa?

Não. Não passa de pessoa para pessoa.

A sarcoidose tem cura?

Não há cura, mas em muitas pessoas desaparece sozinha e os sintomas controlam-se com medicamentos.

Como se diagnostica a sarcoidose?

Com radiografia ou TAC do tórax e, em geral, uma biópsia do órgão afetado.

A sarcoidose precisa sempre de tratamento?

Não. A maioria das pessoas não precisa; trata-se se houver sintomas importantes ou atingimento de órgãos.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Sarcoidose
  2. NHS · Sarcoidosis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.