O que é a dor neuropática?
É uma dor causada por uma lesão ou por um mau funcionamento dos nervos, da medula espinal ou do cérebro.
Segundo o Manual MSD, as pessoas podem continuar a sentir dor depois de resolvida a causa, porque as estruturas do sistema nervoso foram alteradas e ficaram mais sensíveis à dor.
Causas da dor neuropática
O Manual MSD descreve como causas principais:
- Compressão de um nervo: por um tumor, por uma rutura de um disco da coluna, que causa dor lombar ou dor irradiada para a perna, ou por pressão sobre um nervo no pulso, como na síndrome do túnel do carpo.
- Lesão dos nervos: em doenças como a diabetes ou a zona (herpes-zóster).
- Outros exemplos: dor do membro fantasma, dor depois da zona (neuralgia pós-herpética) e síndrome da dor regional complexa.
- Depois de uma cirurgia: por exemplo, a remoção de uma mama ou uma cirurgia ao pulmão.
Uma causa frequente de lesão dos nervos é a neuropatia periférica; o NHS indica que, no Reino Unido, a diabetes é a sua causa mais comum.
Sintomas: como se sente a dor neuropática
- sensação de formigueiro ou de queimadura;
- hipersensibilidade ao toque ou ao frio, chamada alodinia: até um toque leve pode doer;
- dor em disparo ou choque, como nas radiculopatias, o chamado «nervo comprimido»;
- às vezes, dor profunda e intensa.
Uma radiculopatia é uma compressão, inflamação ou lesão da raiz de um nervo da coluna, que dá dor, fraqueza, dormência ou formigueiro ao longo do trajeto do nervo. Pode acontecer, por exemplo, numa hérnia de disco.
Como afeta o dia a dia
Se o movimento dói, as pessoas tendem a não mexer a parte dolorosa do corpo. Com o tempo, os músculos que a controlam podem atrofiar e o movimento pode ficar mais limitado.
O Manual MSD refere ainda que a dor neuropática pode contribuir para a ansiedade e a depressão, e que a ansiedade e a depressão também podem contribuir para a dor. Por isso, estes fatores tratam-se desde o início, se existirem.
Quando consultar um médico?
O NHS aconselha consultar o médico de família perante os primeiros sinais de lesão dos nervos periféricos:
- dor, formigueiro ou perda de sensibilidade nos pés;
- perda de equilíbrio ou fraqueza;
- um corte ou ferida no pé que não melhora.
Também recomenda consultas regulares às pessoas com maior risco, como as que têm diabetes. Quanto mais cedo se fizer o diagnóstico, maior a possibilidade de limitar a lesão. Consulte o seu médico se tiver uma dor com estas características.
Como se faz o diagnóstico?
O médico baseia o diagnóstico sobretudo nos sintomas, na probabilidade de ter havido uma lesão de um nervo e nos resultados dos exames.
Conforme os sintomas, pode pedir uma ressonância magnética, análises de sangue (exames de sangue), estudos de condução nervosa e eletromiografia (EMG). Estes dois últimos exames ajudam a saber se a dor vem de um problema do músculo ou do nervo e onde está a lesão. Pode ler mais sobre estes exames na área de neurofisiologia.
Medicamentos para a dor neuropática
Muitas vezes o tratamento começa com medicamentos. Podem reduzir a dor e torná-la menos incapacitante, mas raramente a eliminam por completo. Os grupos utilizados são:
- Analgésicos adjuvantes: alteram a forma como os nervos processam a dor. Incluem certos antidepressivos e certos anticonvulsivantes, também usados noutras doenças. O NHS explica que um antidepressivo pode tratar a dor mesmo sem depressão.
- Medicamentos aplicados na pele: cremes ou adesivos, alguns com anestésico local.
- Analgésicos opioides: aliviam parcialmente a dor em algumas pessoas, mas com mais risco de efeitos secundários; o NHS avisa que podem causar dependência e que se receitam por pouco tempo.
O NHS indica que se começa pela dose mínima e se aumenta aos poucos. Os efeitos secundários mais comuns são cansaço, tonturas ou sensação de embriaguez; quem tiver sonolência ou visão turva não deve conduzir nem usar máquinas. Os medicamentos ajudam muitas vezes só em parte e em menos de metade das pessoas.
Fisioterapia e outros tratamentos
O tratamento depende da origem do problema: na diabetes, por exemplo, um melhor controlo da glicose pode travar a lesão do nervo. Perceber o que é a dor neuropática ajuda as pessoas a sentirem-se mais no controlo. Outras opções são:
- Fisioterapia e terapia ocupacional: ajudam a continuar a mexer a zona dorida, evitar a atrofia muscular, manter a amplitude das articulações e diminuir a sensibilidade da zona.
- Estimulação elétrica: pela pele (TENS), de um nervo periférico ou da medula espinal, em certos tipos de dor crónica.
- Bloqueio nervoso: em dor intensa e persistente que não melhora com medicamentos, com injeções, frio ou calor sobre o nervo.
- Cirurgia: quando a dor resulta de uma lesão que pressiona um nervo.
Consulte o seu médico para saber que opção se adapta ao seu caso.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Enfoque. O Manual MSD trata a dor neuropática em geral, com todas as suas causas. O NHS fala dela dentro da neuropatia periférica.
- Opioides. O NHS reserva-os para a dor que não responde a outros tratamentos e alerta para a dependência. O Manual MSD diz que aliviam parcialmente a dor em algumas pessoas, com mais efeitos secundários.
- Procedimentos. O Manual MSD descreve a estimulação elétrica, os bloqueios nervosos e a cirurgia. O NHS fala sobretudo de medicamentos, fisioterapia e talas ou auxiliares de marcha.
Pontos-chave sobre a dor neuropática
- A dor neuropática vem de uma lesão ou disfunção dos nervos, da medula ou do cérebro.
- Sente-se como formigueiro, ardor, choques ou dor ao mínimo toque.
- Compressão de nervos, diabetes e zona estão entre as causas.
- Os analgésicos comuns costumam não resultar.
- Usam-se certos antidepressivos e anticonvulsivantes, em doses crescentes.
- A fisioterapia ajuda a manter o movimento e a reduzir a sensibilidade.
Perguntas frequentes sobre dor neuropática
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a dor neuropática?
É uma dor causada por uma lesão ou disfunção dos nervos, da medula espinal ou do cérebro.
Quais são os sintomas da dor neuropática?
Formigueiro, queimadura, choques, dor profunda e sensibilidade exagerada ao toque ou ao frio.
O que causa a dor neuropática?
Compressão de um nervo, doenças que lesam os nervos como a diabetes ou a zona, cirurgias e outras causas.
Porque é que os analgésicos comuns não resultam?
A dor neuropática não costuma melhorar com eles; usam-se outros medicamentos que mudam a forma como os nervos processam a dor.
A dor neuropática tem cura?
Depende da causa. Os tratamentos reduzem a dor, mas muitas vezes não a eliminam por completo.
A fisioterapia ajuda na dor neuropática?
Sim: ajuda a manter o movimento, evitar a atrofia muscular e diminuir a sensibilidade da zona.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Dor neuropática
- NHS · Peripheral neuropathy
- NHS · Peripheral neuropathy: treatment
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
