O que é a neuralgia do trigêmeo?
O nervo trigêmeo é o quinto nervo craniano. Transporta a informação sensitiva desde o rosto até o cérebro e controla os músculos envolvidos na mastigação. O NHS acrescenta que transmite as sensações de dor e de tato do rosto, dos dentes e da boca.
Na neuralgia do trigêmeo, uma disfunção deste nervo provoca uma dor facial súbita e intensa. O Manual MSD regista também o nome de tique doloroso: como a dor é tão forte, as pessoas tendem a retrair-se, e daí vem o termo tique.
Quem tem neuralgia do trigêmeo?
Segundo o Manual MSD, afeta principalmente adultos, sobretudo os mais velhos, e é mais frequente nas mulheres.
O NHS indica que não se sabe ao certo quantas pessoas são afetadas, mas que se considera uma doença rara. Costuma começar entre os 50 e os 60 anos e é rara em adultos com menos de 40.
Nervo trigêmeo inflamado? As causas da dor
As fontes descrevem como causa uma compressão ou uma lesão do nervo:
- Compressão por uma artéria. É a causa mais comum: uma artéria mal posicionada comprime o nervo trigêmeo perto do local onde ele sai do cérebro. O NHS fala de um vaso sanguíneo próximo que pressiona parte do nervo dentro do crânio.
- Esclerose múltipla. Por vezes, nas pessoas mais jovens, a neuralgia resulta de uma lesão dos nervos causada pela esclerose múltipla.
- Causas raras. Em casos raros, deve-se à compressão por um tumor, a uma conexão anormal entre artérias e veias (malformação arteriovenosa) ou a uma dilatação de uma artéria que irriga o cérebro (aneurisma).
Sintomas da neuralgia do trigêmeo
O sintoma principal é uma dor intensa e repentina no rosto:
- ataques curtos e repetidos de dor aguda, como um relâmpago ou um choque elétrico, na mandíbula, nos dentes ou nas gengivas;
- dor na parte inferior do rosto, em geral na bochecha junto do nariz ou no queixo;
- normalmente só um lado do rosto é afetado; muito raramente os dois, mas não ao mesmo tempo;
- cada ataque dura apenas alguns segundos e pode chegar a cerca de 2 minutos, e termina tão de repente como começa.
Quando a dor se repete até 100 vezes por dia, chega a ser incapacitante. O NHS diz que, nos casos graves, os ataques podem acontecer centenas de vezes por dia, durante dias, semanas ou meses. A dor pode desaparecer durante meses ou anos (remissão), mas esses períodos tendem a encurtar com o tempo. Algumas pessoas passam depois a ter uma dor mais contínua, latejante ou em ardor, por vezes acompanhada dos ataques.
O que desencadeia os ataques?
A dor pode surgir espontaneamente, mas muitas vezes é provocada quando se toca num ponto concreto do rosto, dos lábios ou da língua, chamado ponto-gatilho. Os desencadeantes mais citados são:
- escovar os dentes;
- mastigar ou comer;
- lavar o rosto ou tocá-lo levemente;
- o vento, mesmo uma brisa ligeira ou o ar condicionado;
- movimentos do rosto ou da cabeça.
O NHS sublinha que viver com esta dor pode ser muito difícil e afetar bastante a qualidade de vida, com problemas como perda de peso, isolamento e depressão.
Quando consultar um médico?
O NHS aconselha a consultar um médico de família se tiver dor facial frequente ou persistente, sobretudo se os analgésicos comuns não ajudarem e um dentista tiver excluído causas dentárias.
O médico tentará identificar o problema perguntando pelos sintomas e excluindo outras doenças que possam causar a dor. Consulte o seu médico se a dor no rosto se repetir ou o impedir de comer, falar ou lavar-se normalmente.
Como se diagnostica?
Não existem exames específicos para identificar a neuralgia do trigêmeo. É a dor característica que ajuda o médico a estabelecer o diagnóstico.
Faz-se uma ressonância magnética (RM) do cérebro para ver se existe uma artéria a atravessar o nervo, informação que pode orientar o tratamento, e se algum tumor está a comprimi-lo. O médico também tem de distinguir esta neuralgia de outras causas de dor facial, como problemas do maxilar, dos dentes ou dos seios paranasais. O NHS avisa que o diagnóstico pode ser difícil e levar alguns anos a ser confirmado.

Tratamento da neuralgia do trigêmeo
Como os episódios são breves e recorrentes, os analgésicos comuns não costumam ser úteis. O tratamento baseia-se noutros medicamentos e, se necessário, em procedimentos:
- Medicamentos anticonvulsivantes. São o primeiro tratamento. Estabilizam as membranas das células nervosas e abrandam os impulsos elétricos que transmitem a dor. A dose aumenta-se aos poucos e o tratamento pode manter-se durante anos; o NHS avisa que, numa remissão, só se deve suspender devagar, salvo indicação médica.
- Outros medicamentos. Se o primeiro não resultar ou tiver efeitos intoleráveis, o médico pode tentar outros anticonvulsivantes, um medicamento que reduz os espasmos musculares ou certos antidepressivos.
- Injeções. Em quem não responde bem à medicação, uma injeção que paralisa músculos, aplicada perto da zona da dor, pode ajudar como alternativa à cirurgia. Um bloqueio nervoso com anestésico pode aliviar temporariamente a dor até que o medicamento faça efeito.
- Cirurgia. Se a dor continuar intensa, o cirurgião pode separar a artéria do nervo e colocar uma pequena esponja entre eles (descompressão vascular), o que costuma aliviar a dor durante muitos anos. Se a causa for um tumor, pode ser retirado.
- Procedimentos que danificam o nervo. Se a cirurgia for muito arriscada, o nervo pode ser cortado, tratado com calor ou raios gama, comprimido com um balão ou destruído com uma injeção.
Estes procedimentos causam muitas vezes dormência facial e a dor pode voltar, o que leva algumas pessoas a precisar de vários. Na descompressão vascular, a dor volta em cerca de 15% dos doentes. Consulte o seu médico para escolher o tratamento.

Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Idade. O Manual MSD diz apenas que afeta sobretudo adultos mais velhos. O NHS precisa que começa em geral entre os 50 e os 60 anos e é rara antes dos 40.
- Procedimentos menores. O NHS diz que os procedimentos que danificam o nervo só costumam ser eficazes durante alguns anos. O Manual MSD diz que podem aliviar a dor, às vezes, de modo permanente.
- Riscos da cirurgia. O NHS cita perda de audição, dormência facial e, muito raramente, acidente vascular cerebral. O Manual MSD considera baixo o risco e enumera perda de sensibilidade e fraqueza faciais, visão dupla, infeções, hemorragias, alterações da audição e do equilíbrio e paralisia.
Pontos-chave sobre a neuralgia do trigêmeo
- É uma dor facial intensa causada por uma disfunção do nervo trigêmeo.
- Os ataques são curtos, como choques elétricos, quase sempre num só lado.
- A causa mais comum é um vaso sanguíneo que comprime o nervo.
- Tocar no rosto, mastigar ou escovar os dentes desencadeiam a dor.
- Os anticonvulsivantes são o primeiro tratamento.
- A cirurgia é uma opção quando os medicamentos não chegam.
Perguntas frequentes sobre neuralgia do trigêmeo
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Quais são os sintomas do nervo trigêmeo inflamado?
Ataques súbitos de dor aguda, como choques elétricos, na parte inferior de um lado do rosto, com segundos a 2 minutos de duração.
O que causa a neuralgia do trigêmeo?
Em geral, uma artéria ou outro vaso sanguíneo que comprime o nervo; por vezes, esclerose múltipla ou, raramente, um tumor.
O que desencadeia a dor?
Tocar no rosto, escovar os dentes, mastigar, lavar a cara, o vento ou movimentos do rosto. Às vezes surge sem motivo.
Os analgésicos comuns ajudam?
Normalmente não. Usam-se medicamentos anticonvulsivantes e, se não resultarem, outros medicamentos ou cirurgia.
A neuralgia do trigêmeo tem cura?
Costuma ser uma doença de longa duração, mas os tratamentos ajudam a maioria das pessoas. A cirurgia pode aliviar a dor durante muitos anos.
Como se diagnostica a neuralgia do trigêmeo?
Pela dor característica. A ressonância magnética procura um vaso ou tumor que comprima o nervo e ajuda a excluir outras causas.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

