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Abcesso epidural na coluna: sintomas e urgência

Um abcesso epidural é uma acumulação de pus no espaço entre os ossos da coluna e a membrana exterior que reveste a medula espinal. Pode apertar a medula e causar fraqueza ou paralisia das pernas e perda do controlo da bexiga e do intestino. Começa geralmente com dor nas costas e febre. É uma doença rara e uma emergência médica: o diagnóstico e o tratamento rápidos melhoram muito o resultado. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é um abcesso epidural?

A medula espinal e o cérebro estão revestidos por membranas (meninges). O espaço entre a membrana exterior, a dura-máter, e os ossos da coluna ou do crânio chama-se espaço epidural. Um abcesso epidural é uma acumulação de pus e micróbios nesse espaço, que causa inchaço.

A MedlinePlus descreve-o como uma doença rara. Chama-se abcesso epidural espinal quando está na coluna, onde surge a maioria, e abcesso epidural intracraniano quando está dentro do crânio. Este guia fala sobretudo do abcesso na coluna.

Porque surge um abcesso epidural?

A infeção é geralmente causada por bactérias e, mais raramente, por fungos. Muitas vezes vem de outra infeção no corpo, sobretudo na pele ou nos tecidos perto da coluna, ou de micróbios que chegam pelo sangue. As fontes referem:

  • infeções da pele, como furúnculos, sobretudo nas costas ou no couro cabeludo;
  • infeções urinárias, segundo a MedlinePlus;
  • infeção dos ossos da coluna (osteomielite), infeção das válvulas do coração (endocardite), úlceras de pressão ou um abcesso num dente;
  • infeções no sangue;
  • cirurgia à coluna ou outro procedimento na coluna, como a colocação de um cateter no espaço epidural.

A bactéria mais frequente é o Staphylococcus aureus, responsável por cerca de 60% dos casos. Ocasionalmente, a causa é a tuberculose da coluna. Em cerca de um terço das pessoas não se encontra a origem da infeção.

Quem tem mais risco

Segundo as fontes, o risco é maior em pessoas que:

  • foram operadas à coluna ou fizeram outro procedimento invasivo na coluna;
  • têm uma infeção no sangue ou uma infeção dos ossos da coluna;
  • têm infeções da pele, como furúnculos;
  • injetam drogas ilícitas.

No caso do abcesso dentro do crânio, a MedlinePlus refere as infeções crónicas dos ouvidos ou dos seios nasais, a mastoidite, os traumatismos da cabeça e a neurocirurgia recente.

Abcesso epidural: sintomas

O abcesso na coluna começa com dor nas costas. A zona das costas sobre o abcesso fica sensível ao toque, e a dor pode tornar-se intensa e piorar ao deitar. A febre é comum.

Se o abcesso apertar a medula espinal ou os nervos, podem surgir:

  • fraqueza ou paralisia parcial das pernas e dificuldade em andar;
  • perda de sensibilidade ou alterações da sensibilidade em qualquer zona do corpo;
  • dificuldade em urinar (retenção urinária);
  • perda do controlo da bexiga ou do intestino (incontinência).

Estes sintomas podem evoluir em horas ou dias. Sobre a dor nas costas mais comum, que não tem esta gravidade, veja o guia dor lombar.

Compressão dos nervos na parte baixa das costas

Se o abcesso surgir na parte baixa das costas (região lombar), pode apertar a cauda equina, o feixe de nervos que sai do fim da medula espinal. É a chamada síndrome da cauda equina.

Segundo o Manual MSD, as pessoas com esta síndrome podem:

  • perder a sensibilidade nas nádegas, na zona genital, na bexiga e no reto;
  • ter as pernas fracas ou parcialmente paralisadas;
  • reter a urina ou perder o controlo da bexiga ou do intestino;
  • ter dificuldade em andar.

Quando ir às urgências?

A MedlinePlus diz que o abcesso epidural é uma emergência médica e aconselha ir às urgências ou ligar para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) perante sintomas de um abcesso na coluna.

O Manual MSD explica que os médicos suspeitam de abcesso epidural quando há dor nas costas forte e sem explicação, sobretudo se:

  • a coluna está sensível ao toque;
  • há febre;
  • houve uma infeção ou um tratamento dentário recente.

Como se diagnostica?

O médico faz um exame físico para procurar perda de funções, como do movimento ou da sensibilidade. O exame principal é:

  • Ressonância magnética (RM) da coluna ou da cabeça, que mostra o abcesso; se não estiver disponível, faz-se uma mielografia seguida de tomografia computorizada (ou computadorizada) (TC).
  • Análises ao sangue (exames de sangue), que costumam mostrar sinais de infeção, como glóbulos brancos aumentados, e hemoculturas para procurar bactérias no sangue.
  • Análise e cultura da urina, segundo a MedlinePlus.
  • Amostras do pus ou das zonas infetadas, enviadas para o laboratório para identificar a bactéria.

Tratamento: antibióticos e drenagem

O tratamento tem de ser rápido para prevenir ou reduzir as lesões. O objetivo é curar a infeção e diminuir o risco de danos permanentes.

  • Antibióticos: começam logo, contra as bactérias mais habituais, sem esperar pelos resultados, e ajustam-se depois. A MedlinePlus refere que se dão geralmente pela veia durante pelo menos 4 a 6 semanas.
  • Drenagem cirúrgica: se o abcesso apertar a medula e causar fraqueza, paralisia, incontinência ou outros problemas graves, é drenado de imediato.
  • Só antibióticos: podem bastar se o abcesso for pequeno e não houver fraqueza nem paralisia.

O diagnóstico e o tratamento precoces melhoram muito a probabilidade de um bom resultado. Pode haver lesões permanentes do sistema nervoso ou morte. As complicações incluem dor crónica nas costas, lesão dos nervos, meningite, infeção dos ossos e regresso da infeção. A MedlinePlus refere que tratar infeções como as dos ouvidos, a sinusite e as infeções do sangue pode reduzir o risco.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Localização. O Manual MSD fala só do abcesso na coluna. A MedlinePlus inclui também o abcesso dentro do crânio, com dor de cabeça, sonolência e vómitos.
  • Causas. A MedlinePlus destaca a infeção urinária. O Manual MSD dá a percentagem das bactérias e refere a tuberculose e os abcessos dentários.
  • Duração dos antibióticos. A MedlinePlus indica pelo menos 4 a 6 semanas pela veia. O Manual MSD não refere a duração.

Pontos-chave sobre o abcesso epidural

  • Um abcesso epidural é pus acumulado junto à membrana que reveste a medula espinal.
  • Vem muitas vezes de outra infeção, da pele, do sangue ou dos ossos, ou de uma cirurgia à coluna.
  • Começa com dor nas costas, sensível ao toque, e febre.
  • Fraqueza nas pernas, dormência ou perda do controlo da bexiga ou do intestino são sinais de alarme.
  • Diagnostica-se com ressonância magnética e análises.
  • Trata-se com antibióticos e, se apertar a medula, drenagem cirúrgica imediata.

Perguntas frequentes sobre o abcesso epidural

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é um abcesso epidural?

É uma acumulação de pus entre os ossos da coluna ou do crânio e a membrana que reveste a medula espinal ou o cérebro.

Qual é o primeiro sintoma?

Geralmente dor nas costas, que fica sensível ao toque e pode piorar ao deitar, muitas vezes com febre.

O abcesso epidural é grave?

Sim. É uma emergência médica, porque pode apertar a medula e causar paralisia; o tratamento rápido melhora muito o resultado.

O que causa um abcesso epidural?

Sobretudo bactérias vindas de outra infeção, da pele, do sangue, dos ossos da coluna ou da urina, ou de uma cirurgia à coluna.

Que exame confirma o diagnóstico?

A ressonância magnética; se não estiver disponível, uma mielografia com tomografia computorizada.

Como se trata?

Com antibióticos, geralmente pela veia durante semanas, e drenagem cirúrgica imediata se o abcesso apertar a medula.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Abscesso epidural na coluna
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Epidural abscess

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.