O que é a diverticulose?
Os divertículos são pequenas bolsas em forma de balão que se formam quando há um ponto fraco na camada muscular do intestino grosso: as camadas internas, mais finas, empurram através dele e criam a bolsa. A maioria mede entre 3 e mais de 10 milímetros; os divertículos gigantes, com mais de 4 cm, são raros.
Podem surgir em qualquer parte do intestino grosso, mas são mais frequentes no cólon sigmoide, a parte final antes do reto. São raros antes dos 40 anos, mas tornam-se rapidamente mais frequentes depois dessa idade, e a maioria das pessoas com mais de 70 anos tem divertículos.
Diverticulose, doença diverticular e diverticulite
O NHS distingue três situações:
- Diverticulose: há divertículos no intestino, mas não causam sintomas.
- Doença diverticular: os divertículos causam dor e outros sintomas.
- Diverticulite: um divertículo fica inflamado ou infetado.
A maioria das pessoas vai ter alguns divertículos com a idade, mas a maioria nunca terá sintomas. Sobre a alimentação na fase de inflamação, veja o guia diverticulite: alimentação.
Causas e fatores de risco
A causa não é conhecida. Pensa-se que os espasmos da camada muscular do intestino aumentam a pressão e empurram a parede num ponto fraco, muitas vezes onde entra uma artéria. O Manual MSD relaciona a diverticulose com:
- uma alimentação pobre em fibra ou rica em carne vermelha;
- vida sedentária;
- obesidade;
- tabaco;
- o uso de anti-inflamatórios não esteroides, ácido acetilsalicílico, corticosteroides ou opioides;
- história familiar e alterações na estrutura do intestino e na forma como as fezes avançam.
Diverticulose: sintomas
Os divertículos não são perigosos por si só, e a maioria das pessoas com diverticulose não tem sintomas. Por vezes há cólicas ou problemas para evacuar, como prisão de ventre, sem motivo aparente.
Quando há doença diverticular, o NHS refere:
- dor no lado esquerdo, em baixo, da barriga; algumas pessoas têm dor do lado direito;
- dor que piora depois de comer e melhora depois de evacuar ou expulsar gases;
- prisão de ventre ou diarreia;
- sangue nas fezes;
- barriga inchada.
Estes sintomas são parecidos com os de outras doenças, como a síndrome do intestino irritável. Sobre a prisão de ventre, veja o guia intestino preso.
Diverticulite e hemorragia
As complicações mais comuns são a diverticulite e a hemorragia. São mais frequentes em quem fuma, tem obesidade, tem infeção por VIH (HIV), toma anti-inflamatórios não esteroides ou faz quimioterapia.
- Diverticulite: inflamação de um divertículo, com ou sem infeção. Causa dor na barriga, que o NHS descreve como forte e constante, febre e, por vezes, sangue ou muco pelo ânus. Pode formar-se pus (abcesso) e, se o divertículo perfurar, há risco de peritonite, uma infeção muito grave. O NHS refere ainda raramente obstrução do intestino e fístulas.
- Hemorragia: não causa dor, mas pode ser abundante, com saída de sangue pelo reto. A maioria dos episódios para sozinha; algumas pessoas precisam de colonoscopia, cirurgia ou transfusão.
Quando procurar ajuda?
O NHS aconselha uma consulta urgente se:
- houver sangue ou muco nas fezes;
- a dor na barriga piorar ou não passar;
- houver febre, calafrios ou sensação de calor ou frio;
- os vómitos não deixarem reter líquidos;
- a diarreia durar mais de 7 dias ou os vómitos mais de 2 dias.
É uma emergência a dor forte na barriga com vómitos, barriga inchada ou incapacidade de evacuar ou expulsar gases, a hemorragia abundante pelo ânus, e confusão, pele pálida ou manchada, febre muito alta ou temperatura muito baixa, ou respiração rápida, que podem ser sinais de sepse.
Como se diagnostica?
Suspeita-se de diverticulose quando há cólicas, problemas para evacuar ou hemorragia retal sem dor e sem razão aparente, sobretudo em adultos mais velhos. Os divertículos sem sintomas são muitas vezes encontrados por acaso num exame feito por outro motivo.
- Colonoscopia: exame do intestino grosso com um tubo flexível com câmara; é o melhor exame para encontrar a origem de sangue nas fezes. O NHS refere também a sigmoidoscopia flexível.
- TAC (tomografia computadorizada) da barriga: preferida quando há dor forte, para não arriscar romper um intestino inflamado.
- Análises ao sangue (exames de sangue) e às fezes, segundo o NHS, para perceber a causa dos sintomas.
Numa hemorragia abundante, podem ser precisos exames especiais para localizar o ponto que sangra.
Tratamento e cuidados
Quem tem divertículos sem sintomas não precisa de tratamento nem de mudar a alimentação. Quando há sintomas, o objetivo é reduzir os espasmos do intestino:
- uma alimentação rica em fibra, com legumes, fruta e cereais integrais, e muitos líquidos; o Manual MSD nota que não está claramente provado que a fibra ajude tanto assim;
- se a fibra da alimentação não bastar, um suplemento diário de farelo ou um produto que aumenta o volume das fezes;
- laxantes que aumentam o volume das fezes na prisão de ventre e, segundo o NHS, também na diarreia, e medicamentos para as cólicas;
- deixar de fumar e manter um peso saudável.
O NHS desaconselha os anti-inflamatórios não esteroides e os analgésicos opioides, porque podem causar problemas de estômago ou prisão de ventre e aumentar o risco de perfuração. A diverticulite infeciosa trata-se com antibióticos. Quando uma hemorragia não para, pode ser estancada por colonoscopia ou angiografia e, raramente, com cirurgia para retirar parte do intestino; um divertículo gigante pode precisar de cirurgia. Veja também os guias alimentos ricos em fibras e deixar de fumar.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Sintomas. O NHS reserva a palavra diverticulose para quem não tem sintomas e chama doença diverticular quando os há. O Manual MSD usa diverticulose também quando há cólicas ou problemas para evacuar.
- Fibra. O NHS aconselha aumentar a fibra devagar, com água. O Manual MSD recomenda a fibra, mas avisa que não está claramente provado que ajude tanto assim.
- Complicações. O Manual MSD dá destaque à hemorragia e ao seu tratamento. O NHS dá destaque à diverticulite, aos abcessos, às fístulas e à colostomia.
Pontos-chave sobre a diverticulose
- A diverticulose é a presença de pequenas bolsas na parede do intestino grosso.
- É muito frequente depois dos 40 anos, e a maioria das pessoas não tem sintomas.
- Fibra pobre, sedentarismo, obesidade, tabaco e certos medicamentos estão associados.
- As complicações principais são a diverticulite e a hemorragia.
- Diagnostica-se sobretudo por colonoscopia ou TAC.
- Sem sintomas não é preciso tratamento; com sintomas, fibra, líquidos e hábitos saudáveis.
Perguntas frequentes sobre a diverticulose
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Qual é a diferença entre diverticulose e diverticulite?
Na diverticulose há divertículos no intestino, geralmente sem sintomas. Na diverticulite, um divertículo fica inflamado ou infetado, com dor e às vezes febre.
A diverticulose é grave?
Os divertículos não são perigosos por si só e a maioria das pessoas não tem sintomas. As complicações, como a diverticulite ou a hemorragia, podem ser graves.
Quem tem diverticulose tem de fazer dieta?
Sem sintomas não é preciso mudar a alimentação. Com sintomas, recomenda-se mais fibra e líquidos; o NHS diz que não há alimentos específicos a evitar.
Onde dói a diverticulose?
Quando há sintomas, a dor costuma ser no lado esquerdo, em baixo, da barriga; algumas pessoas têm dor do lado direito.
A diverticulose pode sangrar?
Sim. A hemorragia não dói, mas pode ser abundante. A maioria para sozinha; sangue nas fezes pede consulta urgente.
Como se confirma a diverticulose?
Geralmente com uma colonoscopia ou, por vezes, com uma TAC da barriga.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Diverticulose do intestino grosso
- NHS · Diverticular disease and diverticulitis
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
