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Dor abdominal aguda: causas e sinais de alarme

A dor de barriga é comum e, na maioria das vezes, não é nada grave e passa em poucos dias. Mas uma dor abdominal forte que surge de repente quase sempre indica um problema importante e pode ser o único sinal de que é preciso uma cirurgia. Por isso, é essencial reconhecer os sinais de alarme e saber quando ir às urgências (pronto-socorro). Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

Tipos de dor abdominal

Segundo o Manual MSD, há tipos diferentes de dor conforme as estruturas envolvidas:

  • Dor visceral: vem dos órgãos dentro da barriga, quando aumentam de tamanho, por exemplo com gases, ou quando os músculos à volta se contraem. É vaga, surda, difícil de localizar e dá náuseas.
  • Dor somática: vem da membrana que reveste a cavidade abdominal (peritoneu), irritada por sangue, infeção ou inflamação. É aguda e relativamente fácil de localizar.
  • Dor referida: sente-se longe da origem; por exemplo, um problema da vesícula pode doer no ombro.

Nos adultos mais velhos e nas pessoas com defesas fracas, a dor pode ser menos intensa e surgir mais aos poucos, mesmo em situações graves.

Causas comuns da dor de barriga

O NHS indica que a maioria das dores de barriga não é grave. Algumas causas comuns são:

  • gases, com barriga inchada e muitos flatos;
  • indigestão, com sensação de enfartamento depois de comer, azia e náuseas;
  • prisão de ventre, quando não se consegue evacuar (leia o guia sobre intestino preso);
  • gastroenterite ou intoxicação alimentar, com fezes líquidas, náuseas e vómitos;
  • dores menstruais.

O farmacêutico pode aconselhar sobre a causa provável e os medicamentos para a prisão de ventre e a indigestão. O NHS desaconselha o autodiagnóstico.

Causas graves e urgentes

A dor pode dever-se a infeção, inflamação, úlceras, perfuração ou rutura de órgãos, obstrução ou falta de sangue nos órgãos. O Manual MSD destaca como situações de risco imediato, que exigem diagnóstico e cirurgia rápidos:

  • rutura de um aneurisma da aorta abdominal;
  • perfuração do estômago ou do intestino;
  • bloqueio do fluxo de sangue para o intestino (isquemia mesentérica);
  • rutura de uma gravidez ectópica.

Quase tão urgentes são a obstrução intestinal, a apendicite e a pancreatite aguda. Doenças fora da barriga, como um ataque cardíaco ou uma pneumonia, também podem causar dor abdominal.

Peritonite: um sinal de gravidade

A peritonite é a inflamação da cavidade abdominal. É muito dolorosa e quase sempre indica uma doença muito grave ou de risco de vida. Pode resultar de órgãos inflamados ou infetados, como na apendicite, na diverticulite ou na pancreatite, ou da passagem de sangue ou de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal.

Se durar várias horas, pode causar desidratação e choque e afetar os pulmões, os rins e o fígado. Sem tratamento eficaz, a pessoa pode morrer. Os sinais de peritonite são uma dor constante que obriga a pessoa a curvar-se, ou que piora com um toque leve, ao mexer-se ou ao encostar na cama.

Sinais de alarme

O Manual MSD considera preocupantes:

  • dor intensa;
  • sinais de choque, como coração acelerado, tensão baixa, suores e confusão;
  • sinais de peritonite;
  • barriga inchada.

O NHS acrescenta como motivo de urgência imediata: dor que surge muito de repente ou é forte, dor ao tocar na barriga, vómitos com sangue ou com aspeto de borra de café, fezes com sangue ou negras e pegajosas, não conseguir urinar, evacuar ou expelir gases, dor no peito, dificuldade em respirar, vómitos em quem tem diabetes ou uma pessoa que desmaia.

Quando ir ao médico ou às urgências?

  • Imediatamente ao hospital: perante qualquer sinal de alarme. No Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112. O NHS aconselha não conduzir e levar os medicamentos que toma.
  • No mesmo dia: segundo o Manual MSD, quem não tem sinais de alarme deve ser visto por um médico no próprio dia.
  • Consulta urgente: o NHS aconselha-a se a dor piorar muito, não passar ou voltar, se houver inchaço persistente, dificuldade em engolir, gravidez, perda de peso sem motivo, alterações súbitas ao urinar, sangue pelo ânus, perda de sangue vaginal anormal ou diarreia que não passa em alguns dias.

Consulte o seu médico se tiver dúvidas sobre a gravidade da dor.

O que o médico faz

O médico pergunta onde dói, como é a dor, se começou de repente, se já aconteceu antes e que outros sintomas há: azia, náuseas, vómitos, diarreia, prisão de ventre, icterícia, sangue nas fezes ou na urina e perda de peso. Pergunta também pelos medicamentos, doenças e cirurgias anteriores e, se aplicável, pela possibilidade de gravidez.

No exame, observa o aspeto geral: uma pessoa confortável raramente tem um problema grave, ao contrário de quem está ansioso, pálido, suado ou com dor evidente. Depois palpa toda a barriga à procura de zonas sensíveis, massas e sinais de peritonite, como a contração involuntária dos músculos quando lhes toca.

Exames e tratamento

Às vezes os achados mostram de imediato que é preciso operar, e o médico não atrasa a cirurgia com exames. Mais frequentemente, os exames ajudam a escolher entre as causas possíveis:

  • teste de gravidez na urina em quem possa estar grávida;
  • TC abdominal, que identifica muitas causas, e ecografia (ultrassom), útil se se suspeitar da vesícula ou de um problema ginecológico;
  • análises de urina para infeção urinária ou pedras nos rins;
  • análises de sangue (exames de sangue), que raramente identificam a causa, e, às vezes, endoscopia.

O tratamento é o da causa da dor. Hoje em dia, às vezes receitam-se analgésicos em doses baixas enquanto se fazem os exames.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Gravidade. O NHS sublinha que a maioria das dores de barriga não é grave e passa em poucos dias. O Manual MSD centra-se na dor forte e súbita, que quase sempre indica um problema importante.
  • Quando consultar. O Manual MSD aconselha ver um médico no mesmo dia mesmo sem sinais de alarme. O NHS dá uma lista de situações para consulta urgente.
  • Causas. O Manual MSD detalha as causas cirúrgicas e de risco de vida. O NHS destaca causas comuns como os gases, a indigestão e a prisão de ventre.

Pontos-chave sobre a dor abdominal aguda

  • A maioria das dores de barriga não é grave e passa em poucos dias.
  • Uma dor forte e súbita quase sempre indica um problema importante.
  • Dor que piora ao tocar ou ao mexer pode indicar peritonite.
  • Vómitos com sangue, fezes negras ou dor no peito exigem urgência.
  • Sem sinais de alarme, a dor aguda deve ser vista no mesmo dia.
  • O médico procura primeiro as causas que põem a vida em risco.

Perguntas frequentes sobre dor abdominal

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Quando é que uma dor de barriga é grave?

Quando é forte e súbita, piora ao tocar, ou vem com vómitos com sangue, fezes negras, febre, dor no peito ou dificuldade em respirar.

Quais são as causas mais comuns da dor de barriga?

Gases, indigestão, prisão de ventre, gastroenterite ou intoxicação alimentar e dores menstruais.

Quando devo ir às urgências por dor abdominal?

Perante sinais de alarme, como dor súbita e intensa, sinais de choque, barriga rígida ou inchada, ou não conseguir urinar ou evacuar.

O que é a peritonite?

A inflamação da cavidade abdominal; é muito dolorosa e quase sempre indica uma doença grave.

Posso tomar analgésicos para a dor de barriga?

Na dor aguda, o médico pode receitar analgésicos em doses baixas enquanto faz os exames; o farmacêutico pode aconselhar nas dores ligeiras.

Que exames se fazem na dor abdominal aguda?

Conforme a suspeita: teste de gravidez, TC ou ecografia, análises de urina e de sangue e, às vezes, endoscopia.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Dor abdominal aguda
  2. NHS · Stomach ache

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.