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Dor pélvica na mulher: causas e quando procurar ajuda

A dor pélvica é a dor sentida na parte de baixo da barriga e é um sintoma comum nas mulheres. Pode surgir de repente e ser intensa ou durar meses. Costuma estar relacionada com o ciclo menstrual ou com problemas ginecológicos comuns, mas também pode vir do intestino, da bexiga, dos músculos ou dos nervos. A maioria das causas não é uma emergência, mas algumas exigem ajuda urgente. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a dor pélvica?

A região pélvica é a parte de baixo do abdómen. Contém o intestino, a parte final dos ureteres, a bexiga e, nas mulheres, os ovários, as trompas, o útero e o colo do útero. A dor pode resultar de um problema em qualquer destes órgãos, ou de um problema dos músculos, dos nervos ou de saúde mental.

A dor pode começar de repente ou aos poucos, ser constante ou ir e vir, e ser aguda, surda ou em cólica, como as cólicas menstruais. O NHS descreve também dor em facada ou ardor, sensação de peso ou pressão, de nó ou torção, ou dor só ao fazer exercício, ter relações ou urinar. Considera-se crónica se durar mais de seis meses.

Causas ginecológicas

Alguns problemas ginecológicos causam dor cíclica, que volta na mesma fase de cada ciclo; noutros, a dor não segue o ciclo ou é constante. As causas ginecológicas mais comuns são:

  • cólicas menstruais (dismenorreia);
  • endometriose ou adenomiose, quando o tecido que reveste o útero aparece noutros locais da pélvis ou no músculo do útero;
  • quistos no ovário;
  • doença inflamatória pélvica;
  • tecido cicatricial na pélvis ou no abdómen, em geral por uma infeção ou cirurgia anterior;
  • uma trompa inchada (hidrossalpinge).

Os miomas, massas benignas de músculo, em geral não causam dor, mas podem doer se pressionarem outros órgãos ou causarem menstruações abundantes com cólicas. A maioria das causas de dor pélvica não é cancerosa, mas podem existir causas cancerosas.

Causas não ginecológicas

  • Intestino: gastroenterite, prisão de ventre, doença celíaca, diverticulite, síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal, hérnias e cancro (câncer) colorretal.
  • Aparelho urinário: infeções urinárias, pedras nos rins e inflamação da bexiga sem infeção.
  • Músculos: fibromialgia ou dor miofascial crónica, por pontos de tensão nos músculos.
  • Nervos e vasos: dor neuropática, aneurisma da aorta e congestão pélvica.
  • Saúde mental: depressão, ansiedade e outros problemas; o stress e a depressão podem contribuir para a dor, mas raramente são a única causa.

O NHS refere também as infeções sexualmente transmissíveis. Às vezes é difícil para o médico identificar a causa.

Causas que exigem cirurgia urgente

Uma dor intensa no fundo da barriga, nova e de início súbito, ou que aumenta até ficar forte, exige ajuda médica o mais depressa possível. Algumas causas precisam de cirurgia de emergência:

  • apendicite ou torção do intestino;
  • gravidez ectópica (fora do útero) que rompeu;
  • torção de um ovário;
  • rotura de um quisto do ovário com hemorragia abundante, ou de um abcesso;
  • perfuração do intestino, hérnia estrangulada ou aneurisma da aorta abdominal.

O NHS acrescenta a peritonite entre as causas graves que exigem cirurgia.

Sinais de alerta

O Manual MSD considera preocupantes, com dor pélvica:

  • tontura ou desmaio súbito;
  • tensão arterial (pressão arterial) muito baixa com batimentos acelerados, que pode ser sinal de choque;
  • dor súbita e intensa, sobretudo com náuseas, vómitos, suores ou agitação;
  • febre ou calafrios;
  • hemorragia vaginal depois da menopausa.

Com a maioria destes sinais, deve consultar um médico imediatamente.

Quando procurar ajuda?

  • Urgência (SAMU 192 no Brasil; 112 em Portugal): segundo o NHS, se a dor for intensa, piorar ou doer ao mexer ou tocar; se se sentir a desmaiar, com tonturas ou desmaiar; com dor na ponta do ombro, dificuldade em respirar, hemorragia vaginal abundante ou confusão súbita. Não conduza até ao hospital.
  • Ajuda urgente: dor com dificuldade em urinar ou evacuar, sangue na urina ou nas fezes, corrimento ou hemorragia vaginal fora do habitual, dor ao urinar, febre muito alta, vómitos e diarreia, ou se houver ou puder haver gravidez.
  • Consulta normal: dor ou inchaço que vai e vem ou não passa, perda de peso sem razão, sensação de enfartamento rápido ou falta de apetite, prisão de ventre ou diarreia persistentes.

O Manual MSD refere que a dor que não é intensa nem tem sinais de alerta justifica uma consulta assim que possível, mas esperar alguns dias em geral não é prejudicial. Consulte o seu médico.

O que o médico faz

O médico pergunta quando começou a dor, a intensidade e o tipo, se é constante ou intermitente, e se se relaciona com a menstruação, a alimentação, o sono, as relações sexuais, a atividade física, urinar ou evacuar. Pergunta também por hemorragia, corrimento ou tonturas, pelas menstruações e gravidezes anteriores e por cirurgias. Pode perguntar pelo stress, pela depressão e por violência doméstica, sobretudo se a dor for crónica.

Alguns sintomas orientam: febre, calafrios ou corrimento sugerem uma infeção; dor junto ao umbigo, alterações do intestino ou sangue nas fezes sugerem um problema digestivo. Segue-se o exame do abdómen e um exame ginecológico.

Exames e tratamento

Em quem está em idade fértil faz-se sempre um teste de gravidez. Conforme a suspeita, podem pedir-se análises de sangue (exames de sangue), análise de urina, exames a amostras da vagina ou do colo do útero, ecografia (ultrassom) pélvica, muitas vezes transvaginal, TAC (tomografia computadorizada) ou ressonância, e às vezes uma laparoscopia.

O tratamento depende da causa. O NHS refere antibióticos, analgésicos, fisioterapia, como exercícios para os músculos do pavimento pélvico, e tratamentos hormonais. O Manual MSD indica que a dor ligada ao ciclo, como as cólicas ou a endometriose, pode tratar-se com contracetivos hormonais e que, na dor crónica, podem usar-se medicamentos para a dor neuropática. Raramente é precisa uma cirurgia.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Âmbito. O NHS diz que a dor pélvica pode afetar qualquer pessoa e inclui causas próprias dos homens. O Manual MSD centra-se nas mulheres e dedica uma parte às mais velhas.
  • Urgência. O NHS lista sinais como dor na ponta do ombro e dificuldade em respirar. O Manual MSD refere sinais de choque, febre e hemorragia depois da menopausa.
  • Tratamento. O Manual MSD detalha medicamentos e terapias para a dor crónica, incluindo a terapia cognitivo-comportamental. O NHS dá uma lista curta de opções.

Pontos-chave sobre a dor pélvica na mulher

  • A dor pélvica é a dor no fundo da barriga e é comum nas mulheres.
  • Costuma relacionar-se com o ciclo menstrual ou com problemas ginecológicos.
  • O intestino, a bexiga, os músculos e os nervos também podem causá-la.
  • Dor súbita e intensa com desmaio ou hemorragia exige urgência.
  • Em idade fértil faz-se sempre um teste de gravidez.
  • O tratamento depende da causa encontrada.

Perguntas frequentes sobre a dor pélvica na mulher

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que pode causar dor pélvica na mulher?

Sobretudo cólicas menstruais, endometriose, quistos no ovário e infeções, mas também problemas do intestino, da bexiga ou dos músculos.

Quando é que a dor pélvica é urgente?

Se for intensa ou piorar, ou vier com desmaio, tonturas, dor no ombro, falta de ar ou hemorragia abundante.

Quando é que a dor pélvica é crónica?

Quando dura mais de seis meses.

Que exames se fazem por dor pélvica?

Um teste de gravidez em idade fértil e, conforme o caso, análises, ecografia, TAC ou ressonância.

As cólicas menstruais precisam de avaliação?

Segundo o Manual MSD, só se causarem dor intensa.

Como se trata a dor pélvica?

Depende da causa: antibióticos, analgésicos, tratamentos hormonais, fisioterapia ou, raramente, cirurgia.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Dor pélvica em mulheres
  2. NHS · Pelvic pain

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.