Diverticulose e diverticulite
Os divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, sobretudo com a idade. Ter divertículos chama-se diverticulose e, na maioria das pessoas, não dá sintomas. Quando um ou mais divertículos inflamam ou infectam, fala-se de diverticulite.
O Manual MSD explica que a diverticulite afeta sobretudo o cólon sigmoide, o último segmento do intestino grosso, e que os sintomas habituais são dor na parte inferior esquerda do abdômen, sensibilidade ao toque e febre, por vezes com náuseas e vômitos. O diagnóstico confirma-se em geral com uma tomografia.
O que aumenta o risco
- Consumo frequente de carne vermelha.
- Tabaco.
- Obesidade.
- Anti-inflamatórios não esteroides, incluindo a aspirina, corticoides e opioides.
- Idade, com maior frequência a partir dos 40 anos.
O Manual MSD reúne esses fatores. A atualização da Associação Americana de Gastroenterologia (AGA) de 2021, de Peery e colaboradores, acrescenta que uma dieta rica em fibra e a atividade física se associam a menor risco.
O que comer durante a crise
Na diverticulite leve tratada em casa, o objetivo é deixar o intestino descansar. O Manual MSD indica que as pessoas sem complicações podem tomar líquidos claros durante 2 a 3 dias: água, chás, caldos coados, sucos sem polpa, gelatina e soluções de reidratação.
Quando a dor diminui, passa-se a alimentos com pouca fibra, de fácil digestão. Nas formas graves, no hospital, a pessoa fica em jejum, com soro e antibióticos pela veia, até os sintomas melhorarem. Siga sempre as indicações do médico, que adapta a dieta à gravidade.

Alimentos com pouca fibra para a recuperação
- Arroz branco, macarrão (massa) e pão branco.
- Batata cozida sem casca.
- Ovos.
- Frango e peixe cozidos ou grelhados.
- Iogurte e queijo fresco, se tolerados.
- Fruta cozida ou em compota, banana madura.
- Legumes bem cozidos, sem casca nem sementes, como cenoura ou abobrinha (curgete).
Essa fase é transitória: dura apenas os dias necessários para o intestino se recompor. Prolongar uma dieta pobre em fibra sem necessidade não ajuda a prevenir novas crises.
Depois da crise: voltar à fibra
Quando o episódio termina, o Manual MSD indica que a pessoa pode comer alimentos ricos em fibra. A atualização da AGA recomenda uma dieta rica em fibra, ou um suplemento de fibra, para as pessoas com antecedentes de diverticulite.
A fibra deve aumentar aos poucos, ao longo de algumas semanas, para evitar gases e inchaço, e acompanhada de água suficiente. Uma consulta de nutrição ajuda a fazer a transição e a montar um plano que se mantenha a longo prazo.
Boas fontes de fibra
- Cereais integrais: aveia, pão integral, arroz integral.
- Leguminosas: lentilhas, feijão, grão-de-bico, ervilhas.
- Frutas inteiras, com casca quando possível.
- Vegetais e legumes (hortícolas) variados.
- Oleaginosas e sementes, como nozes, amêndoas, linhaça ou chia.
Distribuir a fibra pelas várias refeições do dia é melhor do que concentrá-la numa só.

Sementes, nozes e pipoca: o fim de um mito
Durante muito tempo recomendou-se às pessoas com divertículos que evitassem sementes, nozes, milho e pipoca, com o receio de que ficassem presos nos divertículos. O Manual MSD é claro: a diverticulite não é causada pelo consumo de nozes, sementes, milho ou pipoca.
O estudo de Strate e colaboradores, publicado em 2008 no JAMA, acompanhou mais de 47 mil homens durante 18 anos e não encontrou um aumento do risco de diverticulite com esses alimentos; o consumo de nozes e de pipoca associou-se até a menor risco. Não há motivo para os cortar.
Hábitos que ajudam a prevenir novas crises
- Seguir uma dieta rica em fibra.
- Reduzir a carne vermelha e as carnes processadas.
- Manter-se ativo, com exercício regular.
- Não fumar.
- Manter um peso saudável.
- Evitar o uso regular de anti-inflamatórios sem indicação médica.
A atualização da AGA reúne essas recomendações para quem já teve um episódio. O Manual MSD também recomenda uma colonoscopia um a três meses depois da crise, para avaliar o cólon.
Sinais de alarme
- Dor abdominal intensa ou que piora.
- Febre alta ou calafrios.
- Vômitos que impedem beber.
- Sangue nas fezes.
- Barriga dura ou inchada.
- Ar ou fezes na urina, que pode indicar uma fístula.
O Manual MSD descreve complicações como abscessos, perfuração, peritonite, estreitamento do intestino e fístulas, que exigem tratamento hospitalar e, por vezes, cirurgia.
Pontos-chave
- Na crise leve: líquidos claros 2 a 3 dias e depois alimentos com pouca fibra.
- Quando o episódio termina: voltar a uma dieta rica em fibra, aos poucos.
- Sementes, nozes, milho e pipoca não causam diverticulite.
- Menos carne vermelha, mais exercício e não fumar ajudam a prevenir novas crises.
- Dor forte, febre alta ou sangue nas fezes exigem atendimento.
Perguntas frequentes sobre alimentação na diverticulite
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Quem tem divertículos pode comer sementes?
Sim. A diverticulite não é causada por sementes, nozes, milho ou pipoca.
Quanto tempo dura a dieta líquida?
Na diverticulite leve, em geral 2 a 3 dias, segundo o Manual MSD. Depois introduzem-se alimentos com pouca fibra.
Posso comer fruta durante a crise?
Na fase inicial, só sucos sem polpa. Quando a dor diminui, fruta cozida ou banana madura.
Devo tomar suplemento de fibra?
Pode ajudar se não conseguir fibra suficiente com a alimentação. Fale com o médico ou o nutricionista.
Diverticulite sempre precisa de antibiótico?
Nem sempre. Algumas formas leves tratam-se só com repouso e dieta; o médico decide.
Leite faz mal na diverticulite?
Não há uma proibição geral. Na recuperação, prefira laticínios que tolere bem.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Diverticulite
- Peery AF, Shaukat A, Strate LL. AGA clinical practice update on medical management of colonic diverticulitis: expert review. Gastroenterology. 2021
- Strate LL, et al. Nut, corn, and popcorn consumption and the incidence of diverticular disease. JAMA. 2008
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

