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Colite ulcerosa: sintomas, causas e tratamento

A colite ulcerosa, também chamada colite ulcerativa, é uma doença inflamatória crónica do intestino em que o intestino grosso (cólon) e o reto ficam inflamados e com pequenas úlceras. Causa crises de diarreia, muitas vezes com sangue, dor em cólica na barriga e urgência para evacuar, que alternam com períodos sem sintomas. A causa é desconhecida, mas o tratamento ajuda a controlar a inflamação e a reduzir as crises. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a colite ulcerosa?

A colite ulcerosa começa geralmente no reto (proctite ulcerosa). Pode ficar limitada ao reto ou estender-se, com o tempo, a todo o cólon; em algumas pessoas, a maior parte do intestino grosso é afetada de uma vez. As zonas afetadas têm úlceras pouco profundas.

Ao contrário da doença de Crohn, a colite ulcerosa não atinge toda a espessura da parede do intestino, raramente afeta o intestino delgado e não causa fístulas nem abcessos. A longo prazo, o risco de cancro (câncer) do cólon é maior do que nas pessoas sem a doença.

Causas e desencadeantes

A causa é desconhecida, mas fatores hereditários e uma resposta imunitária exagerada no intestino parecem contribuir. O tabaco parece reduzir o risco de colite ulcerosa, mas fumar com esse objetivo é desaconselhado, por todos os problemas de saúde que causa.

Segundo o NHS, as crises podem ser desencadeadas por:

  • stress e infeções;
  • mudanças nos medicamentos;
  • anti-inflamatórios não esteroides, como o ácido acetilsalicílico;
  • certos alimentos.

Por vezes, não há um desencadeante evidente.

Colite ulcerosa: sintomas

  • diarreia, que pode ter sangue, muco ou pus;
  • dor na barriga, sobretudo do lado esquerdo em baixo, que pode melhorar depois de evacuar;
  • necessidade de evacuar com frequência, com urgência ou durante a noite;
  • sensação de precisar de evacuar com o intestino vazio;
  • sangramento pelo ânus, gases e inchaço;
  • cansaço, menos apetite e perda de peso.

Quando a doença está limitada ao reto, as fezes podem ser normais ou até duras, com muco e sangue. Se se estender mais acima, as fezes ficam muito moles e pode haver mais de 10 evacuações por dia, com cólicas fortes, sem melhoria durante a noite, e às vezes febre. Por vezes, a crise é súbita e grave, com diarreia violenta, febre alta e dor.

Sintomas fora do intestino

Durante as crises, podem surgir sintomas noutras partes do corpo:

  • articulações inchadas ou dolorosas (artrite);
  • olhos vermelhos, com comichão ou dor;
  • manchas inchadas e vermelhas ou mais escuras na pele (eritema nodoso);
  • aftas na boca e febre.

Independentemente das crises, podem aparecer feridas na pele com pus, inflamação da coluna ou das articulações da bacia e inflamação no interior dos olhos. Cerca de 1% a 3% das pessoas têm sintomas de doença do fígado.

Complicações da colite ulcerosa

  • Sangramento: a complicação mais frequente, que causa muitas vezes anemia por falta de ferro.
  • Colite fulminante: uma crise muito grave, com sangramento intenso, perfuração do intestino ou infeção; o intestino pode dilatar em dias ou horas (megacólon tóxico), com febre alta e dor.
  • Cancro do cólon: mais frequente a partir de cerca de 7 anos de doença extensa; o risco é maior quando todo o intestino grosso está afetado.

Por isso, recomenda-se uma colonoscopia a cada 1 ou 2 anos a quem tem colite ulcerosa há mais de 8 a 10 anos, com biópsias para detetar sinais precoces de cancro.

Quando procurar ajuda

O NHS aconselha falar com o médico se pensar que tem sintomas de colite ulcerosa. Deve pedir consulta urgente se tiver sintomas e:

  • diarreia muito forte ou com sangue;
  • febre, calafrios ou tremores;
  • coração acelerado;
  • não conseguir expulsar gases nem evacuar.

Dor forte na barriga, sangramento contínuo pelo ânus, muito sangue ou coágulos grandes nas fezes, ou vómitos com sangue ou com aspeto de borras de café exigem ajuda imediata: no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112. Consulte o seu médico.

Como se faz o diagnóstico

O médico suspeita de colite ulcerosa em quem tem diarreia com sangue repetida, com cólicas e urgência para evacuar. Fazem-se análises às fezes, para excluir infeções e parasitas e avaliar a inflamação, e análises ao sangue (exames de sangue), que podem mostrar anemia ou sinais de inflamação.

A colonoscopia, com um tubo fino e flexível com câmara introduzido pelo ânus, confirma o diagnóstico e permite recolher pequenas amostras do intestino (biópsia). A sigmoidoscopia, um exame mais limitado, é uma alternativa em quem tem mais risco de perfuração. Podem fazer-se também radiografias, TAC (tomografia computadorizada) ou ecografia (ultrassom).

Tratamento da colite ulcerosa

O tratamento procura controlar a inflamação, aliviar os sintomas, repor os líquidos e nutrientes perdidos e reduzir as crises. Depende da gravidade e da parte do intestino afetada.

  • Aminossalicilatos: reduzem a inflamação e previnem crises; usam-se muitas vezes em enema ou supositório.
  • Corticoides: por pouco tempo, para tratar uma crise; a dose é reduzida aos poucos.
  • Imunomoduladores, biológicos e outros medicamentos: nas formas moderadas a graves, para controlar o sistema imunitário.
  • Alimentação: durante as crises, uma dieta pobre em fibra, evitando por exemplo frutos secos e fruta e legumes crus; depois, voltar à fibra. Suplementos de cálcio e vitamina D e, se houver anemia, de ferro.
  • Cirurgia: entre 20% e 40% das pessoas com doença extensa precisam; retirar o intestino grosso, o reto e o ânus cura a doença, com uma bolsa interna ou uma ileostomia.

As crises graves tratam-se no hospital. Sobre alimentação, veja a secção de nutrição.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Desencadeantes. O NHS lista o stress, as infeções, os anti-inflamatórios e certos alimentos como desencadeantes de crises. O Manual MSD refere sobretudo fatores hereditários e imunitários.
  • Alimentação. O Manual MSD aconselha dieta pobre em fibra nas crises, sugere experimentar uma dieta sem lacticínios e suplementos de cálcio e vitamina D. O NHS refere suplementos como o cálcio ou a vitamina B12.
  • Detalhe. O Manual MSD descreve em pormenor as complicações e a vigilância do cancro. O NHS dá sinais de urgência muito concretos.

Pontos-chave sobre a colite ulcerosa

  • A colite ulcerosa é uma inflamação crónica do intestino grosso e do reto.
  • Causa crises de diarreia com sangue, dor e urgência para evacuar.
  • A causa é desconhecida; hereditariedade e sistema imunitário parecem contribuir.
  • O sangramento e o cancro do cólon estão entre as complicações.
  • A colonoscopia com biópsia confirma o diagnóstico.
  • Medicamentos, alimentação adequada e, por vezes, cirurgia controlam a doença.

Perguntas frequentes sobre a colite ulcerosa

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a colite ulcerosa?

É uma doença inflamatória crónica em que o intestino grosso e o reto ficam inflamados e com úlceras.

Quais são os sintomas da colite ulcerosa?

Diarreia com sangue ou muco, dor na barriga, urgência para evacuar, cansaço e perda de peso.

Qual é a diferença entre colite ulcerosa e doença de Crohn?

A colite ulcerosa afeta o intestino grosso e só a camada interna da parede; não causa fístulas nem abcessos.

O que pode desencadear uma crise?

Segundo o NHS, stress, infeções, mudanças de medicamentos, anti-inflamatórios ou certos alimentos.

A colite ulcerosa tem cura?

Os medicamentos controlam a doença; retirar todo o intestino grosso e o reto cura-a.

O que comer numa crise de colite ulcerosa?

O Manual MSD aconselha uma dieta pobre em fibra durante as crises e voltar à fibra quando passam.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Colite ulcerativa
  2. NHS · Ulcerative colitis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.