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Acidente isquémico transitório (AIT): sintomas e o que fazer

O acidente isquémico transitório (AIT), também chamado ataque isquémico transitório ou «mini-AVC», é uma alteração súbita da função do cérebro causada por um bloqueio temporário da chegada de sangue. Os sintomas são iguais aos de um acidente vascular cerebral (AVC), mas desaparecem, em geral em menos de uma hora, sem deixar lesão permanente. Mesmo assim, é uma urgência, porque avisa de um possível AVC. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Neurofisiologia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é um acidente isquémico transitório?

Num AIT, um dos vasos que levam sangue rico em oxigénio ao cérebro fica bloqueado durante pouco tempo. A falta de oxigénio causa sintomas súbitos, iguais aos de um AVC isquémico.

A diferença é que os sintomas são transitórios. Segundo o Manual MSD, duram em geral alguns minutos, menos de uma hora, e desaparecem por completo, sem lesão cerebral permanente. O NHS indica que os efeitos duram de alguns minutos a algumas horas e desaparecem totalmente em 24 horas.

Os AIT são mais comuns na meia-idade e em idosos. Uma pessoa pode ter vários num dia, ou apenas dois ou três em vários anos.

Sintomas do AIT

Os sintomas surgem de repente e podem incluir:

  • fraqueza ou paralisia súbita de um lado do corpo, por exemplo metade da face, um braço ou uma perna;
  • perda súbita ou alteração da sensibilidade num lado do corpo;
  • dificuldade súbita em falar, como fala arrastada;
  • confusão súbita, com dificuldade em compreender e em falar;
  • visão escurecida, turva ou perda de visão súbita, sobretudo num olho;
  • tontura ou perda súbita de equilíbrio e de coordenação.

Como reconhecer: a regra FAST

O NHS resume os sintomas principais na palavra inglesa FAST:

  • Face: a face pode estar descaída de um lado, a pessoa pode não conseguir sorrir, ou a boca ou um olho podem estar descaídos.
  • Braços: a pessoa pode não conseguir levantar os dois braços e mantê-los erguidos, por fraqueza ou dormência num deles.
  • Fala: a fala pode estar arrastada ou confusa, ou a pessoa pode não conseguir falar nem compreender o que lhe dizem.
  • Tempo: perante qualquer destes sinais, é altura de pedir ajuda de imediato.

No início, não é possível saber se se trata de um AIT ou de um AVC.

O que fazer perante sintomas

Quem tem um sintoma súbito parecido com os de um AVC, mesmo que passe depressa, deve ser levado imediatamente às urgências (pronto-socorro). Ligue no Brasil para o SAMU 192 e em Portugal para o 112 e peça uma ambulância.

Mesmo que os sintomas desapareçam enquanto espera, a pessoa precisa de ser avaliada no hospital. O NHS indica que deve ser vista por um especialista nas 24 horas seguintes ao início dos sintomas.

Se acha que teve um AIT no passado, mas os sintomas passaram e não procurou ajuda, o NHS aconselha marcar uma consulta urgente com o médico de família. Consulte o seu médico.

Causas do AIT

As causas do AIT e do AVC isquémico são praticamente as mesmas. Em geral, um fragmento de um coágulo de sangue ou de material gordo (placa de aterosclerose) solta-se do coração ou da parede de uma artéria, viaja no sangue e fica preso numa das artérias que irrigam o cérebro. O NHS refere que, mais raramente, o bloqueio pode dever-se a bolhas de ar.

Se as artérias do cérebro já estiverem estreitadas, outros problemas podem às vezes causar sintomas semelhantes, como oxigénio muito baixo no sangue, anemia grave, intoxicação por monóxido de carbono, sangue espesso ou tensão arterial (pressão arterial) muito baixa.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco que se podem controlar são:

  • colesterol alto, tensão arterial alta e diabetes;
  • tabaco, consumo excessivo de álcool e falta de atividade física;
  • obesidade, sobretudo com excesso de peso à volta da barriga, e alimentação pouco saudável;
  • apneia obstrutiva do sono, depressão ou outros tipos de stress;
  • doenças do coração que favorecem coágulos, como a fibrilhação (fibrilação) auricular, e estreitamento da artéria carótida no pescoço;
  • consumo de cocaína ou anfetaminas e terapêutica com estrogénios, incluindo contracetivos orais.

Não se podem mudar a idade, o sexo masculino, um AVC ou AIT anterior e casos de AVC na família. O NHS acrescenta as pessoas com mais de 55 anos e as de ascendência asiática, africana ou caribenha. Sobre alguns destes fatores, veja os guias sobre colesterol, obesidade e apneia do sono.

Como se faz o diagnóstico

Os médicos suspeitam de AIT quando surgem sintomas de AVC, sobretudo se desaparecem em menos de uma hora. Outros problemas, como convulsões, tumores cerebrais, enxaqueca ou açúcar muito baixo no sangue, podem causar sintomas parecidos, por isso são precisos exames. Faz-se uma TAC (tomografia computadorizada) e, quando possível, uma ressonância magnética.

Quem teve um AIT costuma ficar internado pelo menos pouco tempo, para fazer exames e ser tratado depressa se surgir um AVC. Para procurar a causa, podem fazer-se um eletrocardiograma, um registo contínuo do ritmo cardíaco durante 24 horas ou mais, um ecocardiograma e análises de sangue (exames de sangue).

Tratamento e prevenção do AVC

O tratamento do AIT centra-se em prevenir um AVC. O primeiro passo é controlar, tanto quanto possível, a tensão arterial alta, o colesterol alto, o tabaco e a diabetes. O NHS aconselha manter um peso saudável, ter uma alimentação equilibrada, fazer exercício regular, limitar o álcool e não fumar.

  • Medicamentos: antiplaquetários ou anticoagulantes, que diminuem a tendência do sangue para coagular; os anticoagulantes usam-se se o coágulo veio do coração.
  • Cirurgia: se a artéria carótida estiver muito estreitada, por exemplo pelo menos 70%, pode fazer-se uma cirurgia para a desobstruir (endarterectomia carotídea).
  • Angioplastia com stent: para quem não pode ser operado, alarga-se a artéria com um balão e coloca-se um tubo de rede metálica (stent).

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Duração. O Manual MSD diz que os sintomas duram em geral menos de uma hora. O NHS diz que duram de alguns minutos a algumas horas e desaparecem em 24 horas.
  • Fatores de risco. O Manual MSD dá uma lista longa, com o stress, a apneia do sono e os estrogénios. O NHS refere uma lista mais curta e acrescenta a idade acima de 55 anos e a ascendência.
  • Detalhe. O Manual MSD descreve os exames e os tipos de medicamentos. O NHS centra-se na regra FAST e em ser visto por um especialista em 24 horas.

Pontos-chave sobre o AIT

  • O AIT é um bloqueio temporário do sangue no cérebro.
  • Os sintomas são iguais aos de um AVC, mas desaparecem.
  • Face descaída, fraqueza num braço ou fala arrastada exigem ligar de imediato.
  • Mesmo que os sintomas passem, é preciso ir ao hospital.
  • O risco de AVC é maior nas primeiras 24 a 48 horas.
  • Controlar tensão, colesterol, diabetes e tabaco ajuda a prevenir o AVC.

Perguntas frequentes sobre o acidente isquémico transitório

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é um AIT?

É um bloqueio temporário da chegada de sangue a uma parte do cérebro, com sintomas de AVC que desaparecem.

Quais são os sintomas de um AIT?

Fraqueza ou dormência súbita de um lado do corpo, dificuldade em falar, perda de visão, tontura ou perda de equilíbrio.

Quanto tempo dura um AIT?

Em geral alguns minutos, menos de uma hora; segundo o NHS, desaparece por completo em 24 horas.

Se os sintomas passaram, preciso de ir ao hospital?

Sim. Mesmo que passem, a pessoa tem de ser avaliada de imediato, porque o risco de AVC é alto.

Um AIT deixa sequelas?

Não causa lesão cerebral permanente, mas avisa de que pode surgir um AVC.

Como se previne um novo AIT ou AVC?

Controlando tensão, colesterol e diabetes, não fumando, limitando o álcool e com os medicamentos receitados.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Ataques isquêmicos transitórios
  2. NHS · Transient ischaemic attack (TIA)

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.