O que é a cefaleia em salvas?
A cefaleia em salvas é um tipo de dor de cabeça raro e muito intenso. A dor surge de um lado da cabeça, na têmpora ou à volta do olho, e dura pouco tempo, mas repete-se: as crises acontecem regularmente durante um período, o chamado período de salvas, seguido de um intervalo sem dor. O NHS sublinha que não é causada por outra doença.
O Manual MSD refere que afeta cerca de quatro pessoas em cada mil nos Estados Unidos. É mais frequente nos homens e começa geralmente entre os 20 e os 40 anos. Pode confundir-se com outras dores de cabeça, como a enxaqueca.
Cefaleia em salvas: sintomas
A crise começa quase sempre de repente, por vezes com o nariz entupido ou a pingar de um lado. Surge então uma dor intensa do mesmo lado da cabeça, que se estende à volta do olho:
- dor aguda, em queimadura, penetrante ou em facada, geralmente de um só lado;
- a dor atinge o máximo em poucos minutos e dura em geral de 15 minutos a 3 horas;
- muitas vezes acorda a pessoa durante o sono; segundo a MedlinePlus, é comum 2 a 3 horas depois de adormecer;
- as crises repetem-se várias vezes por dia ou quase todos os dias, muitas vezes à mesma hora do dia ou da noite.
Ao contrário do que acontece na enxaqueca, a pessoa não consegue ficar deitada: fica inquieta, anda de um lado para o outro e quer mexer-se.
Do mesmo lado da dor podem surgir:
- olho vermelho e com muitas lágrimas;
- pálpebra descaída e inchada e pupila mais pequena (síndrome de Horner);
- inchaço abaixo ou à volta do olho;
- nariz entupido ou a pingar;
- face vermelha e transpiração na face;
- náuseas.
A MedlinePlus explica que a pálpebra descaída e a pupila pequena só aparecem durante a crise e não estão presentes noutras alturas.
Períodos de salvas e forma crónica
As crises surgem regularmente durante um período de um a três meses, ou por vezes mais, e depois param durante meses ou mesmo anos antes de voltarem. O NHS refere que podem surgir na mesma altura do ano. A MedlinePlus define que os intervalos sem dor duram pelo menos 1 mês.
Algumas pessoas não têm intervalos sem dor, ou têm crises durante um ano ou mais sem parar: é a cefaleia em salvas crónica. A MedlinePlus acrescenta que não põe a vida em risco nem costuma causar alterações permanentes no cérebro, mas é muitas vezes tão dolorosa que interfere com o trabalho e a vida; com a idade, as crises podem tornar-se menos frequentes.
Causas e desencadeantes
Não se sabe ao certo o que causa a cefaleia em salvas. A MedlinePlus refere que parece relacionar-se com a libertação súbita de histamina ou serotonina junto ao nervo trigémeo, na face, e que pode envolver o hipotálamo, uma pequena zona na base do cérebro. É mais comum quando um familiar próximo também a tem.
Durante um período de salvas, alguns fatores podem desencadear crises:
- álcool, que segundo o Manual MSD desencadeia crises durante o período de salvas mas não nos intervalos;
- fumar;
- cheiros fortes, como perfume, tinta, verniz das unhas ou gasolina;
- exercício físico, calor, luz forte e altitude elevada, incluindo viagens de avião;
- alimentos ricos em nitritos, como bacon e carnes conservadas, alguns medicamentos e a cocaína.
Quando procurar ajuda?
O NHS aconselha consultar o médico de família se pensa que pode ter cefaleia em salvas, se as dores de cabeça voltam, se os analgésicos não ajudam, se a dor é tão forte que causa agitação, ou se já tem o diagnóstico e as crises pioram, duram mais ou o tratamento habitual deixou de resultar.
Uma dor de cabeça forte com dor no maxilar ao comer, visão turva ou dupla, couro cabeludo dorido, dormência ou fraqueza nos braços ou pernas pede uma consulta urgente, porque pode ser arterite temporal. Ligue para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se:
- tem pela primeira vez uma pálpebra descaída ou uma pupila mais pequena do que a outra;
- tem «a pior dor de cabeça da sua vida» ou uma dor que começa de repente;
- tem problemas na fala, na visão, nos movimentos ou no equilíbrio, vómitos repetidos, febre alta ou pescoço rígido.
Como se diagnostica?
Não há um exame específico. O diagnóstico baseia-se na descrição da dor, da sua localização e frequência e dos sintomas que a acompanham, e no exame físico. Se os sintomas não forem típicos, é preciso excluir outras causas de dor de cabeça; para isso, o médico pode pedir uma ressonância magnética ou outro exame de imagem do cérebro.
Um diário das dores de cabeça ajuda o médico e a pessoa a perceber o padrão das crises e os desencadeantes. A MedlinePlus sugere anotar o dia e a hora em que a dor começou, o que comeu e bebeu nas 24 horas anteriores, quanto dormiu, o que estava a fazer e onde estava, quanto tempo durou e o que a fez parar.
Tratamento durante uma crise
Não há cura, mas há tratamentos para parar a crise quando começa ou impedir que avance:
- Oxigénio puro, respirado por uma máscara facial;
- Triptanos, medicamentos dados por injeção ou spray nasal;
- Estimulação do nervo vago: um aparelho portátil, colocado no pescoço onde se sente o pulso, envia uma corrente elétrica ligeira através da pele que ajuda a controlar a dor.
Pode ser preciso mais do que um tratamento, e o médico pode experimentar vários até encontrar o que funciona melhor. Raramente, quando nada mais resulta, propõe-se uma cirurgia para implantar um pequeno aparelho que estimula certos nervos.
Tratamento para prevenir as crises
Como a cefaleia em salvas é muito grave, frequente e incapacitante, a maioria das pessoas precisa de medicamentos para prevenir novas crises. Por grupos, incluem:
- corticosteroides em comprimidos, ou uma injeção de anestésico local com corticosteroide na parte de trás da cabeça (bloqueio do nervo), que atuam mais depressa e se usam muitas vezes primeiro;
- medicamentos usados para prevenir a enxaqueca, como certos medicamentos para a tensão arterial (pressão arterial) e para a epilepsia;
- anticorpos monoclonais que bloqueiam uma proteína associada às dores de cabeça (CGRP);
- outros medicamentos preventivos receitados pelo especialista.
O bloqueio do nervo faz-se no consultório; os outros tratamentos podem fazer-se em casa. Evitar o tabaco, o álcool e os outros desencadeantes também ajuda. Veja o guia deixar de fumar e a secção de neurofisiologia.
Onde as fontes divergem
As fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Duração da crise. O Manual MSD diz que dura normalmente de 30 minutos a 1 hora, entre 15 e 180 minutos. O NHS e a MedlinePlus falam de 15 minutos a 3 horas.
- Idade. O Manual MSD diz que começa entre os 20 e os 40 anos. O NHS refere sobretudo os homens nos 30 e 40 anos; a MedlinePlus, dos 20 anos até à meia-idade.
- Desencadeantes. O NHS refere cheiros fortes e exercício. A MedlinePlus acrescenta altitude, luz forte, calor e alimentos com nitritos. O Manual MSD menciona sobretudo o álcool.
Pontos-chave sobre a cefaleia em salvas
- A cefaleia em salvas é uma dor muito intensa de um lado da cabeça, à volta do olho.
- As crises são curtas, repetem-se muitas vezes à mesma hora e surgem durante semanas ou meses.
- Acompanha-se de olho vermelho e lacrimejante e nariz entupido do mesmo lado.
- É mais comum nos homens e pode ser desencadeada pelo álcool e pelo tabaco.
- Os analgésicos comuns não ajudam; as crises tratam-se com oxigénio ou medicamentos específicos.
- A maioria das pessoas precisa de tratamento preventivo durante os períodos de salvas.
Perguntas frequentes sobre a cefaleia em salvas
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a cefaleia em salvas?
É uma dor de cabeça muito intensa, de um lado, à volta do olho, que surge em crises curtas repetidas durante semanas ou meses.
Quanto tempo dura uma crise?
Em geral entre 15 minutos e 3 horas; o Manual MSD refere que o mais habitual é de 30 minutos a 1 hora.
O que desencadeia as crises?
Durante um período de salvas, o álcool, o tabaco, cheiros fortes, o exercício, o calor e a altitude, entre outros.
Os analgésicos comuns ajudam?
Não. O NHS diz que não funcionam; usam-se oxigénio por máscara ou medicamentos específicos receitados pelo médico.
A cefaleia em salvas é perigosa?
Segundo a MedlinePlus, não põe a vida em risco nem costuma causar lesões permanentes no cérebro, mas é muito dolorosa e incapacitante.
É possível prevenir as crises?
Sim. Há medicamentos preventivos, e evitar o álcool, o tabaco e outros desencadeantes também ajuda.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Cefaleias em salvas
- NHS · Cluster headaches
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Cluster headache
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
