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Sépsis e choque séptico: sinais de alarme

A sépsis é uma reação grave a uma infeção, em que a resposta do organismo começa a lesar os seus próprios tecidos e órgãos. Desenvolve-se depressa, muitas vezes em poucas horas, e pode pôr a vida em risco. Quando a tensão arterial (pressão arterial) cai e não sobe com o tratamento, fala-se de choque séptico. A sépsis é uma emergência que se trata no hospital com antibióticos, oxigénio e soro, e quanto mais cedo começar o tratamento, melhor. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a sépsis?

Normalmente, a resposta do corpo a uma infeção fica limitada à zona infetada; por exemplo, uma infeção urinária fica muitas vezes limitada à bexiga. Na sépsis, a resposta espalha-se por todo o corpo. O Manual MSD explica que isso costuma incluir:

  • temperatura anormalmente alta (febre) ou baixa (hipotermia);
  • coração acelerado;
  • respiração acelerada;
  • um número anormalmente alto ou baixo de glóbulos brancos.

Na sépsis, os órgãos começam a funcionar mal e o sangue não chega bem a algumas partes do corpo. No choque séptico, a tensão arterial fica perigosamente baixa apesar do soro e dos medicamentos, e órgãos como os pulmões, os rins, o coração e o cérebro recebem pouco sangue.

Que infeções causam sépsis?

Qualquer infeção pode levar à sépsis, mas as bacterianas são as mais comuns. Raramente é causada por fungos ou vírus. Segundo as fontes, as infeções que mais vezes estão na origem são:

  • infeções do peito, como a pneumonia;
  • infeções urinárias;
  • infeções da barriga, como a apendicite;
  • infeções da pele, como a celulite, feridas infetadas ou abcessos.

A causa exata não é conhecida. Pensa-se que o sistema imunitário reage em excesso e liberta substâncias inflamatórias (citocinas) que dilatam os vasos, baixam a tensão e formam pequenos coágulos nos órgãos. Na maioria das pessoas, estas infeções não chegam a causar sépsis.

Quem tem mais risco de sépsis?

Qualquer pessoa pode ter sépsis, mas o risco é maior em:

  • bebés com menos de 12 meses e pessoas com mais de 75 anos, segundo o NHS;
  • quem está grávida ou teve um parto, aborto ou aborto espontâneo nas últimas 6 semanas;
  • quem tem defesas fracas, por VIH (HIV), cancro (câncer), anemia falciforme, quimioterapia ou medicamentos como corticosteroides ou imunossupressores;
  • quem tem doenças crónicas, como diabetes ou cirrose;
  • quem tem queimaduras, cortes ou feridas, ou uma infeção da pele;
  • quem tem uma sonda urinária, um cateter na veia ou outros tubos, ou uma válvula do coração ou articulação artificial;
  • quem injeta drogas, abusa do álcool ou esteve recentemente no hospital, sobretudo em cuidados intensivos.

Sinais de sépsis no adulto

Segundo o NHS, os sintomas mais comuns no adulto são:

  • confusão ou fala arrastada;
  • tremores que não se controlam;
  • dores musculares;
  • dificuldade em respirar ou respiração muito rápida;
  • pele, lábios ou língua azulados, pálidos, cinzentos ou manchados; em pele negra ou castanha pode ver-se melhor nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés;
  • temperatura alta ou baixa; a febre é menos comum nos adultos mais velhos;
  • não urinar durante todo o dia ou urinar muito pouco nas últimas 18 horas.

O Manual MSD descreve que, à medida que a sépsis piora, a pessoa fica confusa e menos alerta, o pulso acelera, a tensão desce e, mais tarde, a temperatura cai e a pele fica fria, pálida e manchada.

Sinais de sépsis em bebés e crianças

Nos bebés e nas crianças, o NHS refere:

  • dificuldade em respirar ou respiração muito rápida, por vezes com gemidos ou a barriga a afundar sob as costelas;
  • convulsões;
  • temperatura alta ou baixa: muito quente ou muito fria ao toque;
  • pele, lábios ou língua azulados, cinzentos, pálidos ou manchados;
  • manchas na pele que não desaparecem ao pressionar, raras na sépsis mas possível sinal de meningite;
  • mais sonolência do que o normal ou dificuldade em acordar;
  • choro fraco, agudo ou contínuo, falta de interesse em mamar ou comer, ou vómitos repetidos;
  • não urinar nas últimas 12 horas, nas crianças com menos de 5 anos.

Os sintomas podem ser mais difíceis de notar em bebés, em pessoas com demência ou deficiência intelectual e em quem tem dificuldade em comunicar.

Quando ligar para a emergência

Procure ajuda médica imediata se achar que a pessoa pode ter sépsis. Ligue para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) ou vá às urgências (pronto-socorro) se um adulto ou uma criança com mais de 5 anos:

  • respirar muito depressa;
  • tiver confusão, fala arrastada ou disser coisas sem sentido;
  • tiver a pele azulada, pálida ou manchada;
  • tiver temperatura muito alta ou muito baixa, ou tremores;
  • tiver manchas na pele que não desaparecem ao pressionar.

Num bebé com menos de 3 meses, uma temperatura de 38 °C ou mais é também motivo de urgência, segundo o NHS. Não vá a conduzir: peça boleia a alguém ou chame uma ambulância, e leve os medicamentos que toma.

Como se diagnostica?

O médico suspeita de sépsis quando uma pessoa com uma infeção tem de repente temperatura muito alta ou muito baixa, coração ou respiração acelerados, ou tensão baixa. Os exames incluem:

  • hemoculturas, para encontrar as bactérias no sangue, que podem demorar 1 a 3 dias;
  • análises e culturas de urina, expetoração, feridas ou líquido cefalorraquidiano;
  • radiografia do tórax, ecografia (ultrassom), TC ou ressonância, para encontrar a origem da infeção;
  • análises ao ácido láctico, às plaquetas e ao oxigénio, e eletrocardiograma, para ver como estão os órgãos.

Os médicos não esperam pelos resultados para começar o tratamento, porque o atraso nos antibióticos reduz muito as hipóteses de sobreviver.

Tratamento e recuperação

A sépsis trata-se no hospital e, nos casos graves, em cuidados intensivos. O tratamento inclui:

  • Antibióticos, por grupos, dados de imediato pela veia; muitas vezes dois ou três ao mesmo tempo, ajustados depois de conhecida a bactéria.
  • Soro pela veia, para subir a tensão arterial.
  • Oxigénio e, se preciso, ventilação mecânica.
  • Retirar a origem da infeção: drenar abcessos, trocar cateteres ou operar para retirar tecido infetado.
  • Medicamentos para subir a tensão, insulina e corticosteroides em alguns casos.

Em média, a sépsis é fatal em cerca de 25% das pessoas, e o choque séptico em até 60%. A recuperação pode levar semanas ou meses. O NHS refere a síndrome pós-sépsis, com cansaço intenso, perda de audição, dormência ou fraqueza nas mãos e pés, problemas de memória, ansiedade ou depressão, que dura muitas vezes 6 a 18 meses. Ajudam dormir o suficiente, comer de forma equilibrada, em refeições pequenas se houver pouco apetite, e voltar ao exercício aos poucos.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Sinais. O NHS dá listas práticas de sinais para adultos e crianças. O Manual MSD descreve a evolução da sépsis e as suas complicações nos órgãos.
  • Prognóstico. O Manual MSD dá números: cerca de 25% de mortalidade na sépsis e até 60% no choque séptico. O NHS fala da recuperação e da síndrome pós-sépsis.
  • Fatores de risco. O NHS inclui as 6 semanas depois de um parto ou aborto e as queimaduras. O Manual MSD destaca os cateteres, as próteses e as bactérias resistentes aos antibióticos.

Pontos-chave sobre a sépsis

  • A sépsis é uma reação grave a uma infeção que lesa os próprios órgãos.
  • Desenvolve-se em poucas horas e é uma emergência médica.
  • Confusão, respiração rápida, pele manchada e pouca urina são sinais de alarme.
  • Bebés, pessoas mais velhas e pessoas com defesas fracas têm mais risco.
  • Trata-se no hospital com antibióticos imediatos, soro e oxigénio.
  • A recuperação pode demorar meses e deixar sintomas físicos e emocionais.

Perguntas frequentes sobre a sépsis

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a sépsis?

É uma reação grave a uma infeção em que a resposta do corpo começa a lesar os seus próprios tecidos e órgãos.

Qual a diferença entre sépsis e choque séptico?

No choque séptico, a tensão arterial fica perigosamente baixa e não sobe apesar do soro e dos medicamentos.

Quais são os primeiros sinais de sépsis?

Febre ou temperatura baixa, tremores, respiração e coração acelerados, confusão e pele pálida ou manchada.

Que infeções podem causar sépsis?

Qualquer infeção, sobretudo bacteriana: do peito, como a pneumonia, urinárias, da barriga, como a apendicite, e da pele, como a celulite.

Como se trata a sépsis?

No hospital, com antibióticos dados de imediato, soro pela veia, oxigénio e, se preciso, retirando a origem da infeção.

Quanto tempo demora a recuperação?

Pode demorar semanas ou meses; a síndrome pós-sépsis dura muitas vezes 6 a 18 meses.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Sepse e choque séptico
  2. NHS · Sepsis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.