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Anemia ferropriva: sintomas, causas e tratamento

A anemia ferropriva surge quando as reservas de ferro do corpo, necessárias para produzir glóbulos vermelhos, estão baixas ou esgotadas. É o tipo de anemia mais comum. Desenvolve-se devagar e causa cansaço, fraqueza, falta de ar e palidez. A causa mais frequente nos adultos é a perda de sangue. Trata-se encontrando a causa e tomando suplementos de ferro durante vários meses. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a anemia ferropriva?

O ferro é necessário para a medula óssea produzir glóbulos vermelhos. Quando as reservas diminuem, a medula produz cada vez menos glóbulos vermelhos; quando se esgotam, os glóbulos vermelhos ficam não só em menor número, mas também pequenos e pálidos.

Segundo o Manual MSD, desenvolve-se em geral devagar, porque podem passar vários meses até as reservas de ferro se esgotarem. O NHS indica que é o tipo de anemia mais comum.

Sintomas de anemia por falta de ferro

Os sintomas surgem aos poucos e parecem-se com os de outros tipos de anemia:

  • cansaço, falta de energia e fraqueza;
  • falta de ar;
  • perceção dos batimentos do coração (palpitações);
  • pele mais pálida do que o habitual;
  • dores de cabeça.

Sintomas menos comuns são zumbidos nos ouvidos, comichão, língua dorida, queda de cabelo, dificuldade em engolir, feridas nos cantos da boca, unhas em forma de colher, pernas inquietas e alterações do sabor da comida. Muitas pessoas com anemia grave têm pica: vontade de comer gelo ou coisas que não são alimentos, como terra ou giz.

Causas da anemia ferropriva

  • Perdas de sangue: a causa mais comum nos adultos. Em quem menstrua, as menstruações abundantes são a causa mais frequente.
  • Hemorragias no estômago e no intestino: causadas, por exemplo, por anti-inflamatórios não esteroides, úlceras, inflamação do intestino ou do esófago, hemorroidas ou, menos vezes, cancro (câncer) do intestino ou do estômago.
  • Pouco ferro na alimentação em fases de maior necessidade: em bebés, crianças pequenas, adolescentes e na gravidez.
  • Má absorção: doenças que reduzem a absorção do ferro no intestino, sobretudo a doença celíaca.

O Manual MSD acrescenta que a falta de ferro em quem já não menstrua costuma indicar uma hemorragia no tubo digestivo. O NHS refere que a gravidez é uma causa muito comum, em geral por falta de ferro na alimentação.

O que acontece se não for tratada

Segundo o NHS, a anemia ferropriva não tratada:

  • aumenta o risco de doenças e infeções, porque a falta de ferro afeta o sistema imunitário;
  • pode aumentar o risco de complicações do coração ou dos pulmões, como batimentos anormalmente rápidos ou insuficiência cardíaca;
  • na gravidez, aumenta o risco de complicações antes e depois do parto.

Como a causa mais comum é uma perda de sangue, procurar a origem também é importante para não deixar passar uma doença do aparelho digestivo.

Quando consultar o médico?

O NHS aconselha consultar o médico de família se pensar que pode ter anemia ferropriva. O médico pergunta pelo estilo de vida e pela história clínica e pede uma análise ao sangue.

A análise também verifica outros tipos de anemia, como a anemia por falta de vitamina B12 ou de folato. Consulte o seu médico se tiver cansaço persistente, palidez ou falta de ar.

Como se diagnostica?

Primeiro, um hemograma mostra se há anemia; na falta de ferro, os glóbulos vermelhos tendem a ser pequenos e pálidos. Depois medem-se o ferro, a transferrina, que transporta o ferro, e a ferritina.

Segundo o Manual MSD, a ferritina, a proteína que armazena o ferro, é o exame mais preciso: um nível baixo indica falta de ferro. Mas pode estar falsamente normal com lesões do fígado, inflamação, infeção ou cancro. Saiba mais no guia sobre ferritina baixa. Se a causa não for clara, o médico pode pedir um teste de sangue oculto nas fezes ou encaminhar para um especialista.

Tratamento: suplementos de ferro

O primeiro passo é encontrar e travar a perda de sangue. Depois, como a alimentação normal não compensa as perdas, o ferro tem de ser reposto com suplementos:

  • em geral tomam-se por via oral, durante cerca de 6 meses, e continuam depois de as análises normalizarem para encher as reservas;
  • a correção da anemia demora em geral três a seis semanas;
  • o Manual MSD diz que se absorvem melhor em dias alternados e sem alimentos, e que a vitamina C, como o sumo de laranja, ajuda a absorver;
  • os lacticínios e os suplementos de cálcio bloqueiam a absorção e devem tomar-se separados;
  • podem causar fezes escuras, prisão de ventre ou diarreia, dor de barriga, azia e náuseas.

Às vezes o ferro dá-se pela veia, se forem precisas grandes quantidades ou se a pessoa não tolerar os comprimidos. Fazem-se análises periódicas para confirmar a melhoria.

Alimentação e ferro

Se a alimentação contribui para a anemia, o NHS aconselha comer mais:

  • vegetais de folha verde-escura, como o agrião e a couve;
  • cereais e pão enriquecidos com ferro;
  • carne;
  • frutos secos, como alperces, ameixas e passas;
  • leguminosas, como feijão, ervilhas e lentilhas.

E reduzir o chá, o café, o leite e os lacticínios e os alimentos ricos em ácido fítico, como os cereais integrais, em grandes quantidades, porque dificultam a absorção do ferro. Veja a lista completa no guia sobre alimentos ricos em ferro e mais informação na área de nutrição.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Como tomar o ferro. O Manual MSD diz que o ferro não deve tomar-se com alimentos e que se absorve melhor em dias alternados. O NHS sugere tomá-lo com ou logo após a comida para reduzir os efeitos secundários.
  • Alimentação. O NHS dá uma lista de alimentos ricos em ferro. O Manual MSD diz que a alimentação normal não compensa as perdas por hemorragia crónica.
  • Causas. O NHS destaca a gravidez e as menstruações abundantes. O Manual MSD sublinha que, em quem já não menstrua, a falta de ferro costuma indicar uma hemorragia digestiva.

Pontos-chave sobre a anemia ferropriva

  • A anemia ferropriva deve-se à falta de reservas de ferro.
  • É o tipo de anemia mais comum e desenvolve-se devagar.
  • Cansaço, falta de ar e palidez são os sintomas típicos.
  • A perda de sangue é a causa mais frequente nos adultos.
  • A ferritina é o exame mais preciso para a falta de ferro.
  • Os suplementos de ferro tomam-se em geral durante cerca de 6 meses.

Perguntas frequentes sobre anemia ferropriva

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Quais são os sintomas de anemia?

Cansaço, fraqueza, falta de ar, palpitações, palidez e dores de cabeça.

O que causa a anemia ferropriva?

Sobretudo perdas de sangue, como menstruações abundantes ou hemorragias digestivas, e também pouco ferro na alimentação ou má absorção.

Como se diagnostica a falta de ferro?

Com análises ao sangue (exames de sangue); a ferritina baixa é o sinal mais preciso de falta de ferro.

Quanto tempo se tomam os suplementos de ferro?

Em geral cerca de 6 meses, mesmo depois de as análises voltarem ao normal.

A alimentação basta para tratar a anemia ferropriva?

Ajuda, mas segundo o Manual MSD não compensa as perdas por hemorragia crónica; costumam ser precisos suplementos.

Os suplementos de ferro têm efeitos secundários?

Podem causar fezes escuras, prisão de ventre, diarreia, dor de barriga, azia e náuseas.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Anemia ferropriva
  2. NHS · Iron deficiency anaemia

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.