O que é um mioma uterino?
Os miomas, também chamados fibromas ou leiomiomas, são os tumores benignos mais comuns do aparelho reprodutor feminino. O NHS refere que afetam sobretudo quem ainda não chegou à menopausa e que qualquer pessoa com útero os pode ter.
São muito frequentes: nos Estados Unidos, por volta dos 50 anos, surgem em cerca de 70% das mulheres brancas e 80% das mulheres negras, segundo o Manual MSD. Podem ser microscópicos ou do tamanho de uma bola de basquetebol, e a maioria das pessoas tem mais do que um. Com base na investigação atual, não se pensa que o mioma habitual se transforme em cancro (câncer).
Tipos de miomas
Os miomas crescem geralmente na parede do útero, que tem três camadas. Conforme o sítio, chamam-se:
- Subserosos: por baixo da superfície exterior do útero.
- Intramurais: dentro da parede do útero.
- Submucosos: por baixo do revestimento interior do útero (endométrio).
- Pediculados: presos por um pé, que podem projetar-se para a barriga ou para o interior do útero.
Por vezes crescem noutros sítios, como o colo do útero. Os que se projetam para dentro da cavidade do útero (intracavitários) costumam causar as hemorragias mais fortes.
Causas e fatores de risco
A causa exata dos miomas não é conhecida. Segundo o NHS, são mais prováveis em quem:
- ainda não chegou à menopausa;
- nunca teve uma gravidez de termo;
- tem excesso de peso ou obesidade;
- tem tensão arterial (pressão arterial) alta ou diabetes;
- é de origem negra ou asiática;
- tem um familiar próximo com miomas.
O Manual MSD explica que níveis altos de estrogénios, e talvez de progesterona, parecem estimular o seu crescimento.
Mioma uterino: sintomas
A maioria dos miomas não causa sintomas, e muitas pessoas não sabem que os têm. Quanto maior o mioma, mais provável é que cause sintomas. Os sintomas dependem do sítio, do tamanho e do número de miomas, e podem incluir:
- menstruações abundantes, dolorosas ou que duram mais de oito dias, e hemorragias entre menstruações;
- dor, pressão ou sensação de peso na pélvis e dor de barriga;
- dor na parte baixa das costas;
- urinar com mais frequência, vontade súbita de urinar ou perdas de urina;
- prisão de ventre, inchaço ou dor ao evacuar;
- dor ou desconforto nas relações sexuais;
- dificuldade em engravidar.
Segundo o Manual MSD, 15% a 30% das pessoas com miomas têm sintomas graves.
Que complicações podem causar?
- Anemia por falta de ferro, causada pelas hemorragias abundantes.
- Problemas urinários: infeções urinárias, dificuldade em urinar ou incontinência, quando um mioma grande pressiona a bexiga.
- Dor intensa quando um mioma preso por um pé torce, ou quando um mioma grande deixa de receber sangue suficiente e começa a degenerar.
- Fertilidade: alguns miomas podem dificultar a gravidez ou aumentar o risco de aborto espontâneo, embora o NHS diga que isso é raro.
O Manual MSD refere que, na gravidez, os miomas podem associar-se a aborto espontâneo, parto prematuro, posição anormal do bebé e hemorragia depois do parto. Alguns cancros raros do útero, em menos de 1% dos casos, parecem miomas nos exames; se houver suspeita, o médico faz outros exames.
Quando procurar o médico?
O NHS aconselha consultar o médico de família se:
- tiver sintomas de miomas;
- os sintomas afetarem o dia a dia, o trabalho ou as relações;
- os analgésicos não ajudarem.
Uma menstruação muito abundante ou prolongada, ou hemorragias entre menstruações, devem ser avaliadas, também para excluir outras causas. Depois da menopausa, qualquer hemorragia do útero leva o médico a procurar cancro do útero, segundo o Manual MSD.
Como se diagnostica?
O médico pergunta pelos sintomas e faz um exame da barriga e da pélvis, por vezes com toque vaginal. Os exames de imagem confirmam o diagnóstico:
- Ecografia (ultrassom), muitas vezes transvaginal, que mostra quantos miomas há, onde estão e o seu tamanho;
- Histerossonografia, uma ecografia depois de pôr um pouco de líquido no útero, se houver suspeita de miomas submucosos;
- Ressonância magnética, quando a ecografia não é clara.
Se houver hemorragias anormais, o médico pode fazer uma biópsia do endométrio ou uma histeroscopia, com um tubo fino pela vagina até ao útero. Os miomas também se descobrem por vezes noutros exames, como uma ecografia de gravidez.
Tratamento dos miomas
Sem sintomas, geralmente não é preciso tratamento, apenas vigilância; o Manual MSD refere uma reavaliação a cada 12 meses. Quando os miomas causam problemas, as opções são:
- Medicamentos, por grupos: analgésicos para a dor, medicamentos que ajudam o sangue a coagular e medicamentos hormonais, como a pílula combinada, para as hemorragias. Outros medicamentos hormonais podem encolher os miomas antes da cirurgia, mas o efeito é temporário.
- Embolização das artérias uterinas: bloqueia o sangue que chega aos miomas, que encolhem.
- Ablação por calor ou ultrassons, que destrói os miomas ou o revestimento do útero.
- Miomectomia: cirurgia para retirar só os miomas; novos miomas podem crescer depois.
- Histerectomia: retirar o útero, a única solução permanente.
O tipo de cirurgia depende do tamanho, do número e do sítio dos miomas. O NHS avisa que alguns tratamentos podem impedir ter filhos ou aumentar o risco de problemas na gravidez: quem pensa ter filhos deve falar com o médico sobre as opções.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Fertilidade. O NHS diz que a infertilidade e os abortos causados por miomas são raros. O Manual MSD detalha como os miomas podem dificultar a gravidez e causar problemas durante ela.
- Fatores de risco. O NHS lista o excesso de peso, a tensão alta, a diabetes e a história familiar. O Manual MSD centra-se no papel das hormonas.
- Tratamento. O Manual MSD descreve em detalhe os medicamentos, os procedimentos e os tipos de cirurgia. O NHS dá uma visão geral mais curta.
Pontos-chave sobre o mioma uterino
- O mioma é um tumor benigno do útero, muito comum.
- Muitos miomas não dão sintomas e não precisam de tratamento.
- Os sintomas mais comuns são menstruações abundantes e dor ou pressão na pélvis.
- As hemorragias abundantes podem causar anemia por falta de ferro.
- A ecografia é o exame principal.
- Há medicamentos, procedimentos e cirurgia; a escolha depende dos sintomas e do desejo de ter filhos.
Perguntas frequentes sobre o mioma uterino
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O mioma é cancro?
Não. É um tumor benigno, e com base na investigação atual não se pensa que o mioma habitual se transforme em cancro.
Os miomas são frequentes?
Sim, muito. Nos Estados Unidos, por volta dos 50 anos, surgem em cerca de 70% a 80% das mulheres, segundo o Manual MSD.
Todos os miomas precisam de tratamento?
Não. Os que não causam sintomas são apenas vigiados pelo médico.
Os miomas causam menstruações abundantes?
Podem causar, sobretudo os que estão dentro da parede do útero ou por baixo do revestimento interior.
Os miomas desaparecem na menopausa?
Tendem a encolher depois da menopausa, quando as hormonas baixam, e os sintomas geralmente melhoram.
Os miomas impedem a gravidez?
Alguns podem dificultá-la, mas o NHS diz que isso é raro; quem pensa ter filhos deve falar com o médico antes de escolher o tratamento.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
