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Angioedema: inchaço, causas e quando é urgente

O angioedema é um inchaço súbito das camadas mais profundas da pele, que afeta muitas vezes os lábios, a língua, as pálpebras, as mãos, os pés ou os genitais. Muitas vezes é causado por uma reação alérgica e acompanha-se de urticária. Pode ser muito grave se a garganta inchar e a respiração for afetada: nesse caso é uma emergência. Também pode dever-se a certos medicamentos, a uma doença hereditária ou não ter causa conhecida. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Otorrino
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é o angioedema?

O angioedema é o inchaço de zonas do tecido debaixo da pele que, por vezes, afeta a face e a garganta. Costuma acompanhar-se de urticária: pequenas zonas de pele inchada e um pouco elevada, que dão comichão.

Tanto a urticária como o angioedema envolvem inchaço, mas no angioedema o inchaço é mais profundo, debaixo da pele, e pode não dar comichão. Pode ser agudo, quando surge de repente depois de um desencadeante, ou crónico, quando volta durante semanas ou meses.

Angioedema: sintomas

Uma parte do corpo incha de repente. O inchaço pode não ser igual dos dois lados e pode ser ligeiramente doloroso. As zonas mais afetadas são:

  • a face, sobretudo os lábios, a língua e as pálpebras;
  • as costas das mãos ou os pés;
  • os genitais;
  • por vezes o intestino, com náuseas, vómitos, cólicas na barriga ou diarreia;
  • por vezes a boca, a garganta e as vias respiratórias, o que dificulta engolir e respirar.

Se a causa for uma reação alérgica, há geralmente também urticária, que começa muitas vezes com ardor. As placas aparecem e desaparecem, podem durar algumas horas num sítio e voltar noutro, e depois a pele fica com aspeto normal.

Causas do angioedema agudo

O angioedema agudo surge de repente depois de contacto com um desencadeante. Os mais comuns são:

  • Medicamentos, como o ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides, os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), usados na tensão alta e na insuficiência cardíaca, e certos opioides;
  • Picadas ou mordeduras de insetos;
  • Injeções contra a alergia (imunoterapia com alergénios);
  • Alimentos, sobretudo ovos, peixe, marisco, frutos secos e fruta; alguns causam reação mesmo em quantidades mínimas, outros, como os morangos, só em grande quantidade;
  • Contraste radiológico usado em alguns exames de imagem.

Quando a causa são os IECA, o angioedema surge muitas vezes sem urticária e afeta sobretudo a face e as vias respiratórias superiores, embora também possa atingir o intestino.

Tipos de angioedema e forma crónica

O NHS descreve 5 tipos, conforme a causa:

  • Alérgico agudo: por uma reação alérgica a alimentos, medicamentos ou outras substâncias.
  • Não alérgico: por uma reação não alérgica a um medicamento, sobretudo os IECA.
  • Idiopático: angioedema de longa duração sem causa conhecida.
  • Hereditário: raro e potencialmente grave, muitas vezes herdado dos pais.
  • Adquirido: muito raro, em pessoas com linfoma ou doenças do tecido conjuntivo, como o lúpus.

As formas hereditária e adquirida devem-se à falta ou ao mau funcionamento de uma substância do sistema imunitário, o inibidor de C1. Parecem-se com o angioedema alérgico, mas não têm urticária e a causa é diferente.

O angioedema crónico volta durante semanas ou meses. Geralmente a causa não se conhece, mas pode ser o consumo repetido e sem querer de uma substância, como vestígios de antibióticos no leite ou um conservante ou corante nos alimentos. O ácido acetilsalicílico, outros anti-inflamatórios não esteroides e os opioides também o podem causar.

Quando o angioedema volta sem urticária, pode ser hereditário ou adquirido, mas muitas vezes não se encontra nenhuma causa: é o angioedema idiopático.

Quando é urgente

O angioedema pode fazer parte de uma reação alérgica grave e generalizada (anafilaxia), com a tensão a descer perigosamente (choque). Ligue de imediato para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se:

  • os lábios, a boca, a garganta ou a língua incharem de repente;
  • a respiração for muito rápida ou difícil, com pieira, sensação de sufoco ou falta de ar;
  • sentir a garganta apertada ou tiver dificuldade em engolir;
  • a pele, a língua ou os lábios ficarem azulados, acinzentados ou pálidos;
  • surgir de repente muita confusão, sonolência ou tonturas, ou alguém desmaiar e não acordar;
  • uma criança ficar mole, sem reagir como habitualmente.

Não vá a conduzir para as urgências. Se uma parte do corpo, como as mãos, os pés ou os genitais, inchar de repente sem estes sinais, o NHS aconselha uma consulta urgente; o Manual MSD diz que perante um angioedema se deve consultar um médico de imediato.

Como se diagnostica?

Muitas vezes a causa é evidente e não são precisos exames, porque as reações costumam resolver-se e não voltam. Se o angioedema voltar e a causa não for conhecida:

  • o médico pergunta pelos medicamentos que a pessoa toma e pelo que come e bebe;
  • se continuar sem causa, sobretudo sem urticária ou se houver familiares com angioedema, pode pedir análises para saber se é hereditário ou adquirido;
  • podem marcar-se consultas regulares para ver se o tratamento está a resultar.

Tratamento do angioedema

Se o inchaço for ligeiro e numa zona pequena, pode não ser preciso tratamento. Se for intenso, espalhado ou afetar os lábios, a língua ou a garganta, é geralmente preciso tratamento de emergência no hospital. Os tratamentos são:

  • identificar e evitar a causa; se for um medicamento, o médico pode trocá-lo por outro, e suspendem-se os medicamentos não essenciais até os sintomas passarem;
  • anti-histamínicos, que aliviam a comichão e reduzem o inchaço;
  • corticosteroides em comprimidos, nos sintomas graves, durante o menor tempo possível; os cremes com corticosteroides não ajudam;
  • nas formas sem urticária, como a dos IECA ou a hereditária, estes medicamentos podem não ajudar; quando a causa são os IECA, os sintomas costumam passar 24 a 48 horas depois de parar o medicamento, e nos casos graves há tratamentos específicos no hospital.

No angioedema hereditário, pode ser preciso um medicamento para evitar que volte.

Tratamento de emergência

Se um angioedema grave dificultar engolir ou respirar ou causar um colapso, os médicos têm de abrir as vias respiratórias:

  • com uma injeção de um medicamento de emergência que reduz o inchaço;
  • com um tubo para respirar introduzido pela boca ou pelo nariz até à traqueia;
  • se as vias respiratórias fecharem muito depressa, com uma pequena abertura na pele sobre a traqueia para colocar o tubo.

As pessoas que já tiveram reações graves devem andar sempre com o autoinjetor de emergência receitado pelo médico e usá-lo de imediato numa nova reação, antes de tomar anti-histamínicos; depois devem ir às urgências (pronto-socorro). Sobre o inchaço em geral, veja a secção de otorrino.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Classificação. O NHS descreve 5 tipos. O Manual MSD divide em agudo e crónico e explica as formas hereditária e adquirida.
  • Quando consultar. O NHS separa os sinais de emergência do inchaço que pede consulta urgente. O Manual MSD diz que perante um angioedema se deve consultar um médico de imediato.
  • Tratamento. O Manual MSD detalha o tratamento de emergência e os casos em que os anti-histamínicos não ajudam. O NHS refere que o inchaço ligeiro pode não precisar de tratamento.

Pontos-chave sobre o angioedema

  • O angioedema é um inchaço súbito e profundo da pele, muitas vezes nos lábios, língua, pálpebras, mãos ou pés.
  • Muitas vezes é alérgico e acompanha-se de urticária.
  • Medicamentos, picadas de insetos e alimentos são desencadeantes comuns.
  • Se a garganta inchar ou houver dificuldade em respirar, é uma emergência: ligue para o 112 (Portugal) ou o 192 (Brasil).
  • Trata-se evitando a causa e com anti-histamínicos ou corticosteroides.
  • Há formas hereditárias e sem causa conhecida, que podem não responder aos anti-histamínicos.

Perguntas frequentes sobre o angioedema

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é o angioedema?

É um inchaço súbito das camadas profundas da pele, que afeta muitas vezes os lábios, a língua, as pálpebras, as mãos, os pés ou os genitais.

Qual é a diferença entre angioedema e urticária?

Ambos envolvem inchaço, mas no angioedema é mais profundo, debaixo da pele, e pode não dar comichão. Muitas vezes surgem juntos.

O que causa o angioedema?

Sobretudo reações alérgicas a alimentos, medicamentos ou picadas de insetos, certos medicamentos para a tensão e, mais raramente, doenças hereditárias.

Quando é que o angioedema é urgente?

Quando incham os lábios, a língua ou a garganta, ou há dificuldade em respirar ou engolir. Ligue já para o 112 (Portugal) ou o 192 (Brasil).

Como se trata o angioedema?

Evitando a causa e com anti-histamínicos ou, nos casos graves, corticosteroides; numa emergência, no hospital.

O angioedema pode ser hereditário?

Sim. O angioedema hereditário é raro e potencialmente grave, surge sem urticária e pode precisar de medicamentos para evitar que volte.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Angioedema
  2. NHS · Angioedema

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.