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Epiglotite: sintomas, urgência e tratamento

A epiglotite é uma inflamação, geralmente por uma infeção bacteriana, da epiglote, a pequena aba que tapa a traqueia quando engolimos. Ao inchar, pode bloquear as vias respiratórias e tornar muito difícil respirar, por isso é uma emergência médica que tem de ser tratada no hospital de imediato. Com tratamento, a maioria das pessoas recupera totalmente. A vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b (Hib) protege contra a causa mais comum. Este guia baseia-se no Manual MSD, nas informações do serviço de saúde britânico NHS e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Otorrino
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a epiglotite?

A epiglote é um pequeno retalho de tecido rígido mas flexível (cartilagem) na parte de trás da língua. Quando engolimos, fecha a entrada da laringe e da traqueia para que os alimentos não entrem nas vias respiratórias.

Na epiglotite, a epiglote e os tecidos à volta inflamam e incham. Isso pode bloquear a traqueia, mesmo quando a pessoa não está a engolir, e tornar a respiração difícil. A inflamação pode obstruir totalmente as vias respiratórias e causar a morte, por isso a epiglotite é sempre uma emergência. Também se chama supraglotite.

Causas da epiglotite

A causa mais comum é uma bactéria chamada Haemophilus influenzae tipo b (Hib), que se transmite pela tosse e pelos espirros ou ao tocar em objetos e superfícies contaminados. Antes era sobretudo uma doença de crianças, mais vista entre os 2 e os 6 anos, mas a vacinação de rotina praticamente eliminou esta infeção nas crianças; agora há mais casos em adultos.

  • nos adultos, segundo a MedlinePlus, deve-se muitas vezes a outras bactérias, como o pneumococo, ou a vírus, como o do herpes simples e o da varicela (catapora);
  • crianças e adultos não vacinados ainda podem ser infetados pelo Hib;
  • o NHS refere também lesões da garganta, como uma pancada ou beber líquidos muito quentes;
  • e fumar, sobretudo drogas ilegais, e ter o sistema imunitário enfraquecido.

Porque é mais perigosa nas crianças

Como as vias respiratórias das crianças são mais estreitas do que as dos adultos, a epiglotite é muito mais perigosa nelas, embora também possa ser fatal em adultos. O Manual MSD explica as diferenças:

  • Nas crianças, os sintomas surgem de repente e a laringe pode estreitar de forma fatal poucas horas depois do início. A infeção avança muito depressa. As crianças com epiglotite têm muitas vezes bactérias no sangue, que por vezes levam a infeção aos pulmões, às articulações, às meninges ou a outros tecidos.
  • Nos adultos, os sintomas são parecidos mas demoram mais de 24 horas a evoluir. O bloqueio das vias respiratórias é menos comum e menos súbito, mas pode acontecer, e um diagnóstico ou tratamento tardio pode ser fatal.

Epiglotite: sintomas

O sintoma principal é uma grande dificuldade em respirar, que costuma surgir depressa. A respiração pode ficar muito rápida ou lenta, mais fácil inclinando-se para a frente, e fazer um som agudo e áspero ao inspirar (estridor). Outros sintomas:

  • dor de garganta muito intensa;
  • febre alta;
  • dificuldade e dor ao engolir;
  • babar-se, porque custa engolir a saliva;
  • voz abafada ou rouca;
  • pele pálida, acinzentada ou azulada (cianose), mais fácil de ver nos lábios, nas gengivas ou nas palmas das mãos em peles escuras;
  • cansaço extremo ou grande agitação e irritabilidade.

Uma criança com epiglotite pode não querer deitar-se e ficar sentada inclinada para a frente, com o pescoço esticado.

Como a infeção está na epiglote, que fica mais abaixo, a parte de trás da garganta geralmente não parece infetada. Muitas vezes, em crianças e adultos, não há inflamação visível.

Por isso, quando uma pessoa tem uma dor de garganta muito intensa, mas a garganta parece normal, os médicos podem suspeitar de epiglotite. É também por isso que tentar ver a garganta em casa não ajuda e pode ser perigoso: a MedlinePlus avisa que baixar a língua para espreitar pode piorar a situação. A dificuldade em respirar é um sinal tardio mas importante; um espasmo pode fechar as vias respiratórias de repente.

O que fazer: emergência

Se pensa que alguém pode ter epiglotite:

  • ligue de imediato para o número de emergência: no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112;
  • mantenha a pessoa sentada e direita até chegar a ajuda, porque deitar-se pode piorar os sintomas;
  • não conduza até às urgências (pronto-socorro);
  • não tente ver a garganta nem baixar a língua com nada;
  • siga os conselhos de quem atender a chamada.

Sobre outras causas de dificuldade em engolir, veja o guia disfagia e a secção de otorrino.

Como se diagnostica?

Quando os médicos suspeitam de epiglotite, a pessoa é internada. O diagnóstico faz-se observando a epiglote com um tubo fino e flexível com câmara (laringoscópio), de preferência no bloco operatório ou num local onde se possa resolver de imediato um problema súbito de respiração.

  • radiografias do pescoço ou TC, por vezes quando os sintomas são ligeiros e a epiglotite parece menos provável;
  • zaragatoa da garganta e culturas de sangue ou dos tecidos, para identificar a bactéria;
  • análises ao sangue (exames de sangue), como o hemograma.

Tratamento no hospital

O tratamento faz-se no hospital, muitas vezes nos cuidados intensivos. A prioridade é manter as vias respiratórias abertas:

  • Oxigénio humidificado, por um tubo no nariz ou máscara;
  • Tubo para respirar pela boca até à traqueia (intubação), para impedir que o inchaço feche as vias respiratórias; nas crianças coloca-se no bloco operatório e é geralmente preciso durante 60 horas ou menos;
  • Traqueostomia, uma abertura temporária na traqueia, se não for possível colocar o tubo;
  • Antibióticos pela veia, ajustados ao resultado das culturas, corticosteroides para reduzir o inchaço e soro pela veia.

Os adultos sem dificuldade em respirar podem não precisar do tubo e ficar sob vigilância apertada nos cuidados intensivos. Com tratamento, a maioria das pessoas recupera totalmente, embora possa ficar internada alguns dias.

Prevenção: vacina Hib

A epiglotite causada pelo Haemophilus influenzae tipo b pode ser prevenida eficazmente com a vacina contra o Hib, que protege a maioria das crianças. No Reino Unido, faz parte da vacina 6 em 1 do calendário infantil, dada em 4 doses às 8, 12 e 16 semanas e aos 18 meses.

  • quem não foi vacinado em criança pode perguntar ao médico como se vacinar;
  • como a bactéria se transmite facilmente, se alguém da família estiver doente com ela, os outros familiares devem ser avaliados e tratados;
  • não fumar também reduz o risco; veja o guia deixar de fumar.

Onde as fontes divergem

As fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Causas. O NHS refere lesões da garganta, líquidos muito quentes e fumar. A MedlinePlus refere outras bactérias e vírus nos adultos. O Manual MSD centra-se no Hib e noutras bactérias.
  • Quem é mais afetado. O Manual MSD diz que agora há mais casos em adultos. A MedlinePlus diz que nos adultos é rara e que antes se via sobretudo dos 2 aos 6 anos.
  • Tratamento. A MedlinePlus inclui corticosteroides e soro pela veia. O Manual MSD descreve em detalhe a intubação, a traqueostomia e a vigilância dos adultos nos cuidados intensivos.

Pontos-chave sobre a epiglotite

  • A epiglotite é a inflamação da epiglote, quase sempre por uma infeção bacteriana.
  • Pode bloquear as vias respiratórias e é uma emergência médica.
  • Causa grande dificuldade em respirar, dor de garganta intensa, febre, babar e voz abafada.
  • É mais perigosa nas crianças, em quem avança em poucas horas.
  • Ligue logo para o 112 (Portugal) ou o 192 (Brasil), mantenha a pessoa direita e não espreite a garganta.
  • A vacina contra o Hib previne a causa mais comum.

Perguntas frequentes sobre a epiglotite

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a epiglotite?

É a inflamação da epiglote, a aba que tapa a traqueia ao engolir, que pode bloquear a respiração. É uma emergência médica.

Quais são os sintomas da epiglotite?

Grande dificuldade em respirar, respiração ruidosa, dor de garganta muito intensa, febre alta, dificuldade em engolir, babar e voz abafada.

O que devo fazer se suspeitar de epiglotite?

Ligar já para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112), manter a pessoa direita e não tentar ver a garganta.

A epiglotite é contagiosa?

A bactéria Hib, a causa mais comum, transmite-se pela tosse, pelos espirros e por superfícies contaminadas; os familiares de quem está doente devem ser avaliados.

Como se trata a epiglotite?

No hospital, com oxigénio, por vezes um tubo para respirar, e antibióticos pela veia. Com tratamento, a maioria das pessoas recupera totalmente.

Como se previne a epiglotite?

Com a vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b (Hib), dada às crianças no calendário de vacinação, e não fumando.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Epiglotite
  2. NHS · Epiglottitis
  3. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Epiglottitis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.