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Insuficiência respiratória: sintomas e causas

A insuficiência respiratória é uma situação em que o nível de oxigénio no sangue fica perigosamente baixo ou o de dióxido de carbono fica perigosamente alto, ou as duas coisas. Pode ser causada por quase todas as doenças que afetam a respiração ou os pulmões, mas também por problemas dos músculos, dos nervos ou da caixa torácica e por intoxicações. A forma aguda é uma emergência médica, tratada no hospital com oxigénio e, muitas vezes, com ventilação; a forma crónica pode muitas vezes ser tratada em casa. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a insuficiência respiratória?

Quando respiramos, os pulmões captam oxigénio, que passa para o sangue e chega aos órgãos, como o coração e o cérebro, que precisam dele para funcionar bem. Outra parte da respiração é retirar o dióxido de carbono do sangue e expirá-lo. Segundo a MedlinePlus, demasiado dióxido de carbono no sangue pode prejudicar os órgãos.

O Manual MSD distingue dois tipos:

  • Aguda: uma emergência médica, que surge quando uma doença pulmonar prolongada piora de repente ou quando uma doença pulmonar grave aparece subitamente numa pessoa saudável, como a síndrome de dificuldade respiratória aguda.
  • Crónica: um problema respiratório contínuo, que pode resultar de uma doença pulmonar prolongada como a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

Insuficiência hipoxémica: pouco oxigénio

Segundo o Manual MSD, uma causa comum é uma doença do tecido pulmonar, que reduz a capacidade de absorver oxigénio do ar:

  • síndrome de dificuldade respiratória aguda;
  • pneumonia grave;
  • excesso de líquido nos pulmões, por exemplo por insuficiência cardíaca ou renal;
  • fibrose pulmonar.

Também pode acontecer quando o sangue deixa de circular bem nos pulmões, como quando um coágulo bloqueia uma artéria pulmonar (embolia pulmonar). Nesse caso, o tecido pulmonar continua capaz de absorver oxigénio, mas sem sangue numa parte dos pulmões o oxigénio não é bem aproveitado.

Insuficiência hipercápnica: dióxido de carbono a mais

Aqui, algo impede a pessoa de respirar normalmente, e o dióxido de carbono acumula-se. Segundo o Manual MSD, exemplos comuns são:

  • tiroide pouco ativa (hipotiroidismo) e apneia do sono;
  • sedação por overdose de opioides ou de álcool;
  • bloqueio ou estreitamento das vias respiratórias, como na asma, na DPOC ou por um objeto inalado;
  • lesões dos pulmões, dos ossos e dos tecidos à volta dos pulmões;
  • fraqueza dos músculos que enchem os pulmões, como na miastenia grave, na síndrome de Guillain-Barré ou na esclerose lateral amiotrófica (ELA).

O hipotiroidismo, a apneia do sono e a overdose de opioides ou álcool diminuem o reflexo inconsciente que leva a respirar. O excesso de dióxido de carbono torna o sangue mais ácido e altera a química do corpo. Sobre a apneia, veja o guia apneia do sono.

Outras causas

Segundo as duas fontes, a insuficiência respiratória também pode resultar de:

  • problemas da caixa torácica: uma ferida no tórax, deformações após cirurgia, obesidade grave ou escoliose;
  • doenças dos nervos e dos músculos: distrofia muscular, poliomielite, polimiosite, lesões da medula espinhal ou alguns AVC;
  • outras doenças pulmonares: bronquiectasias, bronquiolite, fibrose quística, sarcoidose, tumores disseminados, radiação, COVID-19;
  • reação a um medicamento ou a drogas;
  • lesões por inalação de fumo de incêndios ou de fumos nocivos.

O Manual MSD lembra que a redução da função pulmonar com a idade põe as pessoas mais velhas em alto risco de sintomas graves depois de uma pneumonia.

Insuficiência respiratória: sintomas

Os sintomas dependem da causa e dos níveis de oxigénio e dióxido de carbono no sangue. Segundo as fontes:

  • muita falta de ar e a sensação de não conseguir inspirar ar suficiente;
  • cor azulada da pele, dos lábios e das unhas (cianose) em peles claras; nas peles escuras, cor acinzentada ou esbranquiçada na boca, à volta dos olhos e debaixo das unhas;
  • respiração rápida;
  • confusão e sonolência;
  • perda de consciência e batimento irregular do coração (arritmia).

Por fim, o cérebro e o coração deixam de funcionar bem, e estas alterações podem levar à morte. Depois de uma overdose de álcool ou de sedativos, a pessoa pode ficar muito sonolenta, respirar muito devagar e entrar em coma sem dar sinais. Uma criança que inalou um objeto, como uma moeda ou um brinquedo, pode ficar de repente ofegante e com dificuldade em respirar.

Quando procurar ajuda urgente

A insuficiência respiratória aguda pode ser uma emergência médica. Ligue para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se houver:

  • falta de ar intensa ou dificuldade em recuperar o fôlego ou em falar;
  • lábios, pele ou unhas azulados;
  • confusão, sonolência extrema ou perda de consciência;
  • uma criança que de repente não consegue respirar depois de engolir ou inalar um objeto.

Quem tem insuficiência respiratória crónica deve saber quando e onde pedir ajuda. Segundo a MedlinePlus, deve contactar o médico se os sintomas piorarem ou surgirem sinais novos.

Como se diagnostica?

O médico pode suspeitar da insuficiência respiratória pelos sintomas e pelo exame físico, ouvindo os pulmões e o coração e procurando a cor azulada da pele. Segundo as fontes:

  • Oximetria de pulso: um pequeno sensor no dedo ou no lóbulo da orelha mede o oxigénio no sangue sem picadas.
  • Gasometria arterial: uma análise ao sangue de uma artéria, geralmente do pulso, mede o oxigénio e o dióxido de carbono e confirma o diagnóstico.
  • Radiografia do tórax e outros exames para encontrar a causa.
  • Eletrocardiograma, se houver suspeita de arritmia.

Tratamento: oxigénio e ventilação

As pessoas com insuficiência respiratória aguda são tratadas numa unidade de cuidados intensivos. A forma crónica pode muitas vezes ser tratada em casa. Segundo as fontes, o tratamento inclui:

  • Oxigénio: por pequenos tubos de plástico no nariz (cânulas nasais) ou por uma máscara; geralmente começa-se com mais oxigénio do que o necessário e reduz-se depois.
  • Ventilação mecânica: uma máquina ajuda o ar a entrar e sair dos pulmões, através de uma máscara (ventilação não invasiva) ou de um tubo na traqueia; os médicos costumam tentar primeiro os métodos não invasivos.
  • Traqueostomia: uma abertura feita na frente do pescoço até à traqueia, onde se coloca um tubo para ajudar a respirar.
  • Tratar a causa: por grupos, antibióticos para pneumonias bacterianas, broncodilatadores na asma e medicamentos para a inflamação ou para os coágulos.

A MedlinePlus refere ainda líquidos pela veia e reabilitação pulmonar. Viver com insuficiência respiratória pode causar medo, ansiedade, depressão e stress; a terapia pela fala, os medicamentos e os grupos de apoio podem ajudar.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Classificação. O Manual MSD separa a insuficiência hipoxémica e a hipercápnica e explica as causas de cada uma. A MedlinePlus agrupa as causas por órgão.
  • Tratamento. A MedlinePlus inclui a traqueostomia, os líquidos e a reabilitação pulmonar. O Manual MSD centra-se no oxigénio, na ventilação e no tratamento da causa.
  • Vida diária. A MedlinePlus fala do tratamento em casa e do impacto emocional. O Manual MSD descreve sobretudo a forma aguda nos cuidados intensivos.

Pontos-chave sobre a insuficiência respiratória

  • Há pouco oxigénio ou demasiado dióxido de carbono no sangue.
  • Quase todas as doenças dos pulmões e da respiração a podem causar.
  • Causa falta de ar, cor azulada, confusão e sonolência.
  • A forma aguda é uma emergência tratada nos cuidados intensivos.
  • A oximetria e a gasometria arterial confirmam o diagnóstico.
  • O tratamento inclui oxigénio, ventilação e tratar a causa.

Perguntas frequentes sobre a insuficiência respiratória

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a insuficiência respiratória?

É uma situação em que o sangue tem pouco oxigénio, demasiado dióxido de carbono ou ambos.

Qual a diferença entre aguda e crónica?

A aguda surge de repente e é uma emergência; a crónica é um problema contínuo, muitas vezes por uma doença como a DPOC, que pode ser tratada em casa.

Quais são os sintomas?

Falta de ar, sensação de não conseguir respirar ar suficiente, cor azulada da pele, lábios ou unhas, respiração rápida, confusão e sonolência.

O que causa a insuficiência respiratória?

Doenças pulmonares como a DPOC ou a pneumonia, doenças dos músculos e nervos, problemas da coluna ou do tórax, overdoses e inalação de fumo.

Como se mede o oxigénio no sangue?

Com um oxímetro no dedo ou na orelha; a gasometria arterial mede também o dióxido de carbono.

Como se trata?

Com oxigénio, ventilação com máscara ou com tubo na traqueia e tratamento da doença que a causou.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Insuficiência respiratória
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Respiratory failure

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.