O que é o abscesso periamigdaliano
Segundo o Manual MSD, às vezes as bactérias que infectam a garganta, normalmente estreptococos e estafilococos, espalham-se profundamente para os tecidos ao redor das amígdalas. Isto chama-se celulite amigdaliana.
Se as bactérias crescerem sem controle, pode formar-se uma coleção de pus, um abscesso. Quando se forma perto das amígdalas chama-se abscesso periamigdaliano. Temos um guia sobre a amigdalite.
Abscesso periamigdaliano e parafaríngeo
Segundo o Manual MSD, os abscessos podem formar-se em dois lugares:
- Perto das amígdalas (periamigdaliano): normalmente forma-se dentro da garganta;
- Junto à garganta (parafaríngeo): pode projetar-se para o pescoço e é mais extenso e mais perigoso.
As celulites e os abscessos das amígdalas são mais comuns em adolescentes e adultos jovens.
Sintomas típicos
Segundo o Manual MSD, com celulite ou abscesso amigdaliano:
- engolir causa uma dor intensa, que geralmente irradia para o ouvido;
- há uma dor de garganta intensa, mal-estar e febre;
- a pessoa pode inclinar a cabeça para o lado do abscesso para aliviar a dor;
- os espasmos dos músculos da mastigação dificultam abrir a boca, o que se chama trismo;
- a celulite provoca vermelhidão e inflamação acima da amígdala e no palato mole.
Sinais que apontam para um abscesso
Segundo o Manual MSD, os abscessos periamigdalianos empurram a amígdala para fora, e a úvula, a pequena projeção que pende no fundo da garganta, fica inflamada e pode ser empurrada para o lado oposto. Outros sintomas comuns são:
- voz de "ovo quente na boca", como se a pessoa falasse com algo quente na boca;
- babar;
- amígdalas vermelhas com manchas brancas;
- gânglios inchados no pescoço;
- mau hálito intenso.
Como se diagnostica
Segundo o Manual MSD, o abscesso periamigdaliano e, muitas vezes, a celulite diagnosticam-se em pessoas com dor de garganta grave e algum destes sinais:
- dificuldade para abrir a boca (trismo);
- falar como se tivesse um ovo na boca;
- úvula empurrada para um lado, sobretudo quando há abscesso.
Se houver suspeita de abscesso, pode fazer-se uma ultrassonografia para o identificar. O médico pode introduzir uma agulha na zona para tentar retirar o pus, que se envia ao laboratório para identificar as bactérias. Se não tiver certeza de haver um abscesso parafaríngeo, pode pedir uma tomografia computadorizada ou uma ultrassonografia.
Antibióticos e drenagem do pus
Segundo o Manual MSD:
- Líquidos e antibióticos: pela veia ou pela boca, que podem mudar conforme o resultado da cultura e se mantêm durante dez dias; se não houver abscesso, o antibiótico costuma começar a resolver a infecção em 48 horas;
- Drenagem: se houver um abscesso periamigdaliano, o médico introduz uma agulha ou faz um pequeno corte para drenar o pus, depois de anestesiar a zona com spray ou injeção; a ultrassonografia pode ajudar a localizar onde puncionar;
- Abscesso parafaríngeo: geralmente drena-se com cirurgia.
A maioria das pessoas pode tratar-se sem ficar internada, mas algumas ficam pouco tempo no hospital para receber antibióticos pela veia e vigiar a respiração. Se tiver uma dor de garganta forte que não melhora, consulte o seu médico.
Quando se tiram as amígdalas
Segundo o Manual MSD, os abscessos periamigdalianos tendem a voltar. As recorrências podem prevenir-se tirando as amígdalas (amigdalectomia):
- geralmente faz-se quatro a seis semanas depois de a infecção desaparecer;
- faz-se antes se a infecção não se controlar com antibióticos;
- raramente faz-se de imediato, por exemplo numa pessoa jovem com amigdalites frequentes ou com apneia obstrutiva do sono.
O que diz a pesquisa sobre agulha ou corte
Uma revisão Cochrane de 2016 (Chang e colaboradores) reuniu 11 estudos, com 674 participantes, que compararam a drenagem com agulha (aspiração) com a incisão e drenagem:
- o abscesso voltou mais vezes depois da aspiração com agulha do que depois da incisão, mas com evidência de qualidade muito baixa;
- há alguma evidência, também de qualidade muito baixa, de que a agulha é menos dolorosa;
- não se viu diferença clara no tempo até voltar a comer normalmente.
Os autores concluem que não há evidência de alta qualidade para saber qual dos métodos é mais eficaz, e que a resposta continua incerta.
Onde as fontes divergem
As fontes coincidem em que o pus deve ser drenado, com matizes:
- O método: o Manual MSD aceita a agulha ou um pequeno corte; a revisão sugere, com evidência muito fraca, menos recorrências com o corte e menos dor com a agulha.
- As recorrências: o Manual MSD propõe a amigdalectomia para as prevenir; a revisão não estudou a cirurgia das amígdalas.
- A certeza: a revisão sublinha que a evidência é de qualidade muito baixa; o Manual MSD não discute a evidência.
Pontos-chave sobre o abscesso periamigdaliano
- É uma coleção de pus junto à amígdala, a partir de uma infecção de garganta.
- É mais comum em adolescentes e adultos jovens.
- Dá dor intensa ao engolir que irradia para o ouvido, febre e dificuldade para abrir a boca.
- A voz de "ovo quente na boca", a baba e a úvula desviada sugerem um abscesso.
- Trata-se com antibióticos e drenagem do pus com agulha ou um pequeno corte.
- Se voltar, pode ser preciso tirar as amígdalas.
Perguntas frequentes sobre o abscesso periamigdaliano
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é um abscesso periamigdaliano?
Segundo o Manual MSD, é uma coleção de pus junto às amígdalas, que aparece quando as bactérias de uma infecção de garganta se espalham para os tecidos ao redor.
Quais são os sintomas de um abcesso na garganta?
Segundo o Manual MSD, dor intensa ao engolir que irradia para o ouvido, febre, dificuldade para abrir a boca, voz abafada, baba e mau hálito intenso.
O abscesso periamigdaliano é grave?
Exige tratamento. Segundo o Manual MSD, trata-se com antibióticos e drenagem; o abscesso parafaríngeo, que pode projetar-se no pescoço, é mais perigoso.
Como se trata o abscesso periamigdaliano?
Segundo o Manual MSD, com líquidos e antibióticos durante dez dias e drenagem do pus com uma agulha ou um pequeno corte, com anestesia local.
É preciso operar as amígdalas?
Às vezes. Segundo o Manual MSD, como os abscessos tendem a voltar, a amigdalectomia pode preveni-los e faz-se geralmente quatro a seis semanas depois.
É melhor drenar com agulha ou com corte?
Uma revisão Cochrane de 2016 encontrou, com evidência muito fraca, menos recorrências com o corte e menos dor com a agulha; a resposta continua incerta.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Celulite amigdaliana e abscesso amigdaliano
- Chang BA, Thamboo A, Burton MJ, Diamond C, Nunez DA. Needle aspiration versus incision and drainage for the treatment of peritonsillar abscess. Cochrane Database Syst Rev. 2016
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
