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Corrimento e comichão vaginal: causas e o que fazer

O corrimento vaginal é normal: é um líquido ou muco que mantém a vagina limpa e húmida e a protege de infeções. Quando muda de cor, cheiro ou textura, ou vem com comichão vaginal, ardor ou dor, pode ser sinal de uma infeção ou de uma irritação. A causa mais comum é a vaginite. Este guia explica o que é normal, as causas, quando consultar e o que ajuda. Baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

Que corrimento vaginal é normal?

A maioria das mulheres e raparigas tem corrimento, em qualquer idade. O corrimento normal não tem cheiro forte nem desagradável e é transparente ou branco; pode ser espesso e pegajoso ou escorregadio e húmido.

A quantidade varia. O Manual MSD explica que o estrogénio estimula o colo do útero a produzir muco, e por isso há mais corrimento:

  • alguns dias antes da ovulação, a meio do ciclo, quando costuma ser mais transparente e húmido;
  • durante a gravidez;
  • com medicamentos que contêm estrogénio ou que aumentam a sua produção, e com a pílula;
  • com a excitação sexual e, segundo o NHS, numa vida sexual ativa.

Depois da menopausa, o estrogénio desce e a quantidade de corrimento normal costuma diminuir.

Quando o corrimento é anormal

Muitas mulheres têm, de vez em quando, episódios breves de comichão vaginal ou na vulva que passam sem tratamento. A comichão torna-se um problema quando é persistente, intensa, repetida ou vem acompanhada de corrimento. Segundo o Manual MSD, o corrimento é anormal quando é:

  • mais abundante ou mais espesso do que o habitual;
  • branco e grumoso, com aspeto de requeijão;
  • acinzentado, esverdeado, amarelado ou com sangue;
  • com mau cheiro;
  • acompanhado de comichão, ardor, vermelhidão ou dor.

Pode haver também irritação da pele, sensação de ardor e dor nas relações sexuais. Sobre a dor durante as relações, veja o guia sobre a dispareunia.

Infeções que causam corrimento

A causa habitual de corrimento anormal é a vaginite, uma inflamação da vagina por infeção ou irritação. A vagina tem muitas bactérias normais, sobretudo lactobacilos, que mantêm a acidez; quando o equilíbrio muda, crescem bactérias nocivas. As causas infeciosas mais comuns são:

  • Vaginose bacteriana: corrimento fino, acinzentado ou amarelo-esverdeado, com cheiro a peixe.
  • Candidíase, uma infeção por fungos: corrimento espesso, branco, como requeijão, com comichão, vermelhidão e inchaço da vulva.
  • Tricomoníase: corrimento espumoso, verde ou amarelo, muitas vezes abundante e com mau cheiro; costuma transmitir-se por via sexual.
  • Clamídia ou gonorreia: corrimento com dor pélvica ou hemorragia, segundo o NHS.
  • Herpes genital: comichão, formigueiro ou ardor, com bolhas ou feridas.

Favorecem as bactérias nocivas: antibióticos, sangue menstrual ou sémen na vagina, duches vaginais frequentes, gravidez, diabetes e um objeto esquecido, como um tampão.

Comichão vaginal sem infeção

A comichão e o corrimento também podem ter outras causas:

  • Irritação química ou alergia a detergentes, amaciadores, espuma de banho, sabonetes, sprays íntimos, duches, cremes vaginais, pensos (absorventes), roupa interior sintética, corantes, papel higiénico, preservativos, diafragmas e espermicidas.
  • Doenças da pele, como psoríase, líquen simples crónico, líquen plano e líquen escleroso; este último pode deixar zonas brancas na vulva e, sem tratamento, causar cicatrizes e aumentar o risco de cancro (câncer) da vulva.
  • Urina ou fezes na pele, em pessoas acamadas ou com incontinência urinária ou fecal.
  • Fístulas, ligações anormais entre a vagina e a bexiga ou o reto, que podem fazer sair fezes ou urina no corrimento.

Corrimento depois da menopausa

Depois da menopausa, a descida do estrogénio torna a mucosa da vagina mais fina, seca e frágil e altera o pH. Isso pode causar inflamação, comichão e um corrimento escasso, branco ou amarelo-claro. A secura vaginal, a dor nas relações sexuais, a urgência para urinar e as infeções urinárias fazem parte da síndrome geniturinária da menopausa.

A mucosa fina também facilita certas infeções, como a vaginose bacteriana ou a candidíase. O Manual MSD sublinha que todo o corrimento após a menopausa deve ser avaliado sem demora, sobretudo se tiver sangue ou cor castanha ou rosada: qualquer hemorragia vaginal depois da menopausa pode ser sinal de uma lesão pré-cancerosa ou de cancro e não deve ser ignorada.

Quando procurar ajuda?

O NHS aconselha não se autodiagnosticar e pedir ajuda se:

  • o corrimento muda de cor, cheiro ou textura, ou é mais abundante do que o habitual;
  • há comichão ou dor;
  • há hemorragia entre menstruações ou depois das relações sexuais;
  • dói ao urinar ou há dor na zona entre a barriga e as coxas (dor pélvica).

O Manual MSD aconselha consultar em 24 horas perante febre, dor pélvica, corrimento com sangue ou fezes no corrimento, e também quando a comichão ou o corrimento duram mais de alguns dias, são intensos ou surgem sinais de infeção. A comichão da vulva com nódulos ou lesões também é preocupante.

Segundo o Manual MSD, quem reconhece com certeza uma candidíase já antes confirmada por um médico, sem outros sintomas, pode usar um tratamento vaginal de venda livre; se o corrimento persistir ou voltar, deve consultar.

O que faz o médico

O médico pergunta pelo aspeto e cheiro do corrimento, pela relação com as menstruações e as relações sexuais, por outros sintomas, pelos produtos de higiene usados, por antibióticos ou diabetes e por possível exposição a infeções sexualmente transmissíveis. Depois faz um exame pélvico.

Salvo quando a causa é evidente, recolhe uma amostra do corrimento com uma zaragatoa para ver ao microscópio se há fungos, vaginose bacteriana ou tricomonas, e geralmente envia-a ao laboratório para pesquisar gonorreia e clamídia. Se se suspeitar de uma infeção mais extensa, como a doença inflamatória pélvica, podem pedir-se análises ao sangue (exames de sangue) e exames de imagem da pelve.

Tratamento e cuidados que ajudam

Trata-se a causa encontrada. As infeções vaginais precisam de antibióticos ou antifúngicos, por via oral ou aplicados na vagina. Na comichão intensa, um anti-histamínico oral pode ajudar temporariamente; no líquen escleroso, o médico pode receitar cremes ou pomadas de corticosteroides. O Manual MSD avisa que os anti-histamínicos que dão sono aumentam o risco de quedas em pessoas mais velhas.

Medidas gerais que ajudam a evitar a irritação:

  • usar roupa interior de algodão em vez de tecidos sintéticos;
  • secar bem a vulva e as virilhas depois do banho;
  • trocar logo a roupa, os tampões ou os pensos molhados;
  • usar sabonetes, detergentes e papel higiénico sem perfume;
  • não usar produtos de higiene íntima nem duches vaginais, que podem irritar e aumentar o risco de doença inflamatória pélvica;
  • aplicar compressas frias ou fazer banhos de assento mornos para aliviar a dor e a comichão, sem frio ou calor excessivos.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Autotratamento. O Manual MSD admite um tratamento de venda livre para quem reconhece uma candidíase já confirmada antes. O NHS pede para não se autodiagnosticar e consultar se houver preocupação.
  • Urgência. O Manual MSD dá sinais de alerta para consultar em 24 horas, como febre, dor pélvica ou fezes no corrimento. O NHS apresenta as mudanças do corrimento como motivo de consulta não urgente.
  • Detalhe. O Manual MSD descreve também causas sem infeção, a menopausa e os medicamentos. O NHS centra-se no corrimento normal, nos sinais de infeção e na higiene.

Pontos-chave sobre o corrimento vaginal

  • O corrimento transparente ou branco, sem cheiro forte, é normal e protege a vagina.
  • Mudanças de cor, cheiro ou textura, ou comichão vaginal, podem indicar uma infeção.
  • As causas mais comuns são a vaginose bacteriana, a candidíase e a tricomoníase.
  • Produtos perfumados, duches vaginais e doenças da pele também causam irritação.
  • Febre, dor pélvica, sangue ou fezes no corrimento pedem consulta rápida, e qualquer corrimento após a menopausa deve ser avaliado.
  • O tratamento depende da causa; roupa de algodão e higiene sem perfumes ajudam.

Perguntas frequentes sobre o corrimento vaginal

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

É normal ter corrimento vaginal todos os dias?

Sim. A maioria das mulheres tem corrimento, que mantém a vagina limpa e húmida. É normal se for transparente ou branco e sem cheiro forte.

O que significa corrimento branco como requeijão?

Corrimento espesso e branco, como requeijão, com comichão, é típico da candidíase, uma infeção por fungos.

O que causa corrimento com cheiro a peixe?

O NHS associa o cheiro a peixe à vaginose bacteriana.

O que causa comichão vaginal sem corrimento?

Pode ser irritação por produtos químicos ou perfumados, doenças da pele, como o líquen escleroso, ou secura depois da menopausa.

Os duches vaginais ajudam?

Não. Podem irritar a vulva e a vagina, reduzir a acidez normal e aumentar o risco de doença inflamatória pélvica.

Quando o corrimento vaginal é urgente?

Com febre, dor pélvica, sangue (sobretudo depois da menopausa) ou fezes no corrimento, deve consultar em 24 horas.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Prurido vaginal ou secreção vaginal
  2. NHS · Vaginal discharge

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.