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Cólicas menstruais: causas e o que ajuda

As cólicas menstruais, ou dismenorreia, são dores na parte baixa da barriga que surgem alguns dias antes, durante ou depois da menstruação. São muito comuns e muitas vezes fazem parte do ciclo normal, mas por vezes devem-se a outra doença. Há medidas simples que ajudam, e o médico pode recomendar tratamento quando a dor é forte. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

Como são as cólicas menstruais

A dor costuma ser em cólica ou surda e constante, mas também pode ser em pontada ou latejante. Por vezes estende-se às costas e às coxas. Tende a ser mais forte cerca de 24 horas depois de começar a menstruação e diminui ao fim de 2 a 3 dias; o NHS refere que dura geralmente até 3 dias.

Muitas pessoas têm também dor de cabeça, náuseas, por vezes com vómitos, prisão de ventre ou diarreia, ou vontade frequente de urinar. Algumas têm sintomas de tensão pré-menstrual, como irritabilidade, cansaço e barriga inchada. Em 30% ou mais dos casos, a dor interfere nas atividades diárias e pode levar a faltar à escola ou ao trabalho.

Dismenorreia primária e secundária

  • Primária: sem uma causa identificável; é a mais comum, começa geralmente na adolescência e pode diminuir com a idade e depois de uma gravidez.
  • Secundária: causada por outra doença do aparelho reprodutor; começa geralmente na idade adulta.

Na dismenorreia primária, pensa-se que a causa sejam substâncias chamadas prostaglandinas, libertadas durante a menstruação. Fazem o útero contrair, reduzem o fluxo de sangue e tornam os nervos do útero mais sensíveis à dor. O NHS explica que a dor surge quando o útero se contrai durante a menstruação. A ansiedade também pode contribuir.

O que torna as cólicas mais fortes

Segundo o Manual MSD, os fatores de risco para sintomas graves incluem:

  • primeira menstruação precoce;
  • menstruações longas ou abundantes;
  • nunca ter tido uma gravidez;
  • depressão, ansiedade ou muito stress;
  • tabaco ou excesso de álcool;
  • história familiar de dismenorreia.

Os sintomas tendem a diminuir com a idade e depois da primeira gravidez.

Doenças que podem causar cólicas

  • Endometriose: tecido semelhante ao que reveste o útero cresce fora dele; é a causa mais comum de dismenorreia secundária.
  • Adenomiose: esse tecido cresce dentro da parede do útero.
  • Miomas: tumores não cancerosos de músculo e tecido fibroso no útero.
  • Estreitamento do colo do útero: a passagem fica estreita ou fechada.
  • Doença inflamatória pélvica: uma infeção do útero, das trompas e dos ovários.

Os dispositivos intrauterinos (DIU) também podem causar cólicas; o NHS refere sobretudo nos primeiros 3 a 6 meses e o Manual MSD sobretudo nos de cobre. Menos vezes, as causas são quistos ou tumores dos ovários, cicatrizes no útero ou malformações congénitas.

O que ajuda a aliviar as cólicas

  • tomar um banho ou duche quente;
  • pôr na barriga uma almofada térmica ou um saco de água quente envolto num pano;
  • massajar a barriga e as costas;
  • fazer exercício suave, como ioga, natação, caminhada ou bicicleta;
  • dormir e descansar bem e fazer exercício regularmente;
  • tomar analgésicos de venda livre.

O NHS acrescenta que reduzir o álcool e não fumar pode ajudar. O Manual MSD refere que se sugerem uma dieta pobre em gordura e alguns suplementos, mas que há pouca evidência de que sejam úteis; antes de os tomar, deve falar-se com o médico. Sobre alimentação, veja a secção de nutrição.

Sinais de alerta

Segundo o Manual MSD, estes sintomas exigem consulta o mais cedo possível, geralmente no próprio dia:

  • dor intensa que surgiu de repente ou é nova;
  • dor contínua;
  • febre;
  • corrimento vaginal com pus;
  • dor aguda que piora ao tocar levemente na barriga ou com o mínimo movimento.

O NHS aconselha consulta urgente se a dor pélvica ou menstrual for forte ou pior do que o habitual e os analgésicos não ajudarem. Consulte o seu médico.

Quando marcar consulta

Segundo o NHS, deve falar com o médico se:

  • as menstruações ficarem mais dolorosas, mais abundantes ou irregulares;
  • a dor impedir as atividades habituais;
  • tiver dor nas relações sexuais, ao urinar ou ao evacuar;
  • tiver sangramento entre menstruações;
  • notar mudanças na forma como urina ou evacua, barriga inchada, perda de apetite ou perda de peso sem querer.

O Manual MSD aconselha também consultar em poucos dias quem tem cólicas mais fortes ou mais longas do que o habitual.

Diagnóstico e tratamento

O médico pergunta pela dor e pelas menstruações e faz um exame pélvico. Os exames mais comuns são um teste de gravidez e uma ecografia (ultrassom) pélvica, para procurar miomas, pólipos, endometriose, adenomiose ou quistos; se as dúvidas persistirem, podem fazer-se outros exames de imagem, uma histeroscopia ou uma laparoscopia.

  • Anti-inflamatórios não esteroides: podem ajudar se a dor incomodar; o Manual MSD indica tomá-los 24 a 48 horas antes da menstruação até 1 ou 2 dias depois de começar.
  • Contracetivos hormonais: como a pílula, o implante ou a injeção, que tornam a menstruação mais leve.
  • TENS: um pequeno aparelho com impulsos elétricos suaves, referido pelo NHS.
  • Tratar a causa: quando há outra doença, como miomas ou endometriose, com medicamentos ou cirurgia; as infeções tratam-se com antibióticos.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • DIU. O NHS refere cólicas com o DIU sobretudo nos primeiros 3 a 6 meses. O Manual MSD liga-as sobretudo aos DIU de cobre e diz que os que libertam progestagénio geralmente não as causam.
  • Tratamentos. O NHS menciona o aparelho de TENS. O Manual MSD descreve outros tratamentos hormonais e cirúrgicos para quando o resto não resulta.
  • Sinais de alerta. O Manual MSD lista febre, corrimento com pus e dor contínua. O NHS destaca a dor forte que não melhora com analgésicos.

Pontos-chave sobre as cólicas menstruais

  • As cólicas menstruais são dores na parte baixa da barriga à volta da menstruação.
  • Na maioria dos casos não têm uma causa identificável (dismenorreia primária).
  • A endometriose é a causa mais comum de dismenorreia secundária.
  • Calor, massagem, exercício e analgésicos ajudam muitas vezes.
  • Dor nova, intensa ou com febre exige consulta no próprio dia.
  • Anti-inflamatórios e contracetivos hormonais podem aliviar a dor forte.

Perguntas frequentes sobre as cólicas menstruais

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que causa as cólicas menstruais?

Na maioria dos casos, as contrações do útero durante a menstruação; por vezes, outra doença como endometriose ou miomas.

Quanto tempo duram as cólicas menstruais?

Geralmente até 2 a 3 dias, com a dor mais forte cerca de 24 horas depois de começar a menstruação.

O que alivia as cólicas?

Calor na barriga, banho quente, massagem, exercício suave e analgésicos de venda livre.

As cólicas menstruais são normais?

São comuns e muitas vezes fazem parte do ciclo normal, mas se mudarem ou forem fortes deve consultar.

Quando é que as cólicas são motivo de preocupação?

Se a dor for nova, súbita, intensa ou contínua, se houver febre ou corrimento com pus, ou se os analgésicos não ajudarem.

As cólicas diminuem com a idade?

Na dismenorreia primária, os sintomas tendem a diminuir com a idade e depois de uma gravidez.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Cólicas menstruais
  2. NHS · Period pain

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.