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Dispareunia: dor na relação sexual, causas e ajuda

Segundo o Manual MSD, a dor durante a relação sexual ou outra atividade com penetração faz parte do chamado transtorno da dor gênito-pélvica/penetração, que inclui também a contração involuntária dos músculos ao redor da entrada da vagina. Pode tornar a relação dolorosa ou impossível. Este guia explica onde pode aparecer a dor, as causas mais comuns, como se diagnostica, as medidas que ajudam e o que diz uma revisão Cochrane.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a dispareunia

Segundo o Manual MSD, a dor durante a relação sexual pode aparecer em lugares diferentes:

  • Na vulva, os órgãos genitais externos: chama-se vestibulodinia provocada e surge ao tocar a vulva, mesmo com pressão leve;
  • Na vagina: chama-se dispareunia e surge quando algo é inserido na vagina;
  • No abdômen: chama-se dispareunia profunda e sente-se no ventre durante a penetração.

A dor pode ser em ardência, aguda ou tipo cólica. Os músculos pélvicos costumam ficar tensos, o que aumenta a dor, seja superficial ou profunda. Muitas mulheres com este problema também têm dificuldade para ficar excitadas ou chegar ao orgasmo.

Causas da dor superficial

Segundo o Manual MSD, a dor na vulva pode dever-se a:

  • maior sensibilidade à dor na região genital, como na vestibulodinia provocada;
  • secura da vagina por estrogênio baixo, por exemplo durante a amamentação ou na menopausa;
  • lubrificação insuficiente por preliminares curtas;
  • inflamação ou infecção da região genital, como herpes genital ou candidíase, ou do trato urinário;
  • alergia a espumas ou geleias anticoncepcionais ou a preservativos de látex;
  • lesões na região genital, história de trauma sexual, uso de anti-histamínicos ou radioterapia na região.

A vestibulodinia provocada pode aparecer em síndromes de dor crônica, como a fibromialgia, a cistite intersticial e a síndrome do intestino irritável.

Causas da dor profunda

Segundo o Manual MSD, a dor vaginal profunda ou a dor abdominal durante ou depois da relação pode dever-se a:

  • vaginite, como a vaginose bacteriana, a candidíase ou a tricomoníase;
  • infecção do colo do útero, do útero ou das trompas (doença inflamatória pélvica);
  • endometriose, miomas, tumores ou cistos dos ovários;
  • aderências entre os órgãos pélvicos depois de uma infecção, cirurgia ou radioterapia;
  • cirurgias que estreitam a vagina e, raramente, defeitos de nascimento;
  • dor miofascial, por tensão em pontos-gatilho dos músculos.

Quando possível, trata-se a causa, por exemplo com antibióticos para uma infecção pélvica ou cirurgia para a endometriose ou os miomas.

Vaginismo ou síndrome do levantador do ânus

Segundo o Manual MSD, o termo síndrome do levantador do ânus tem substituído o termo vaginismo, porque os sintomas costumam dever-se a uma disfunção desse músculo, o principal do assoalho pélvico. É uma contração involuntária que pode ser causada pelo medo de que a relação seja dolorosa.

Costuma começar na primeira tentativa de relação, mas pode surgir mais tarde, depois de períodos de estresse, relações dolorosas ou trauma. Se a mulher teme que o sexo doa, os músculos pélvicos podem contrair-se automaticamente sempre que há uma tentativa ou expectativa de relação, o que torna as tentativas ainda mais dolorosas.

Sintomas e impacto

Segundo o Manual MSD:

  • a dor pode surgir na primeira vez que algo é inserido na vagina, como um absorvente interno, um espéculo ou o pênis, ou aparecer em quem antes não tinha dor;
  • costuma descrever-se como queimação ou pontadas;
  • pode haver medo e ansiedade intensos antes ou durante a penetração;
  • a maioria das mulheres com este problema fica ansiosa e não tolera a inserção de nenhum objeto na vagina, incluindo um exame pélvico.

A incapacidade de ter relações é estressante e pode causar tensão na relação com o parceiro.

Como se diagnostica

Segundo o Manual MSD, o diagnóstico baseia-se na descrição do problema, incluindo quando e onde dói, e num exame pélvico, que pode detectar ou descartar alterações físicas. O médico pode tocar com uma haste com algodão em várias zonas para localizar a dor e avaliar a tensão dos músculos pélvicos.

Para tornar o exame mais tolerável, pode combinar-se antes como comunicar durante o exame, usar um espelho para ver o que o médico vê ou pôr a mão sobre a mão do médico para ter mais controle.

Segundo os critérios usados, os sintomas devem durar pelo menos seis meses, causar angústia significativa e não se dever a outra doença, trauma ou substância.

Medidas gerais e fisioterapia pélvica

Segundo o Manual MSD, o melhor tratamento ainda não foi determinado e varia com os sintomas, mas recomendam-se algumas medidas:

  • Lubrificantes: os à base de água ou de silicone podem usar-se com preservativos; os à base de óleo podem danificar o látex e não devem usar-se com preservativos;
  • Mais tempo de preliminares aumenta a lubrificação; na dor profunda, mudar de posição pode limitar a profundidade da penetração;
  • Atividade sexual sem penetração: a equipe pode incentivar formas satisfatórias de intimidade que não envolvam penetração;
  • Fisioterapia do assoalho pélvico: beneficia com frequência e inclui treinamento dos músculos, às vezes com biofeedback, para aprender a relaxá-los; é fundamental na dor superficial;
  • Dessensibilização progressiva: no vaginismo, com a mão ou com dilatadores de tamanho crescente, avançando só quando a etapa anterior é confortável;
  • Psicoterapia: a terapia cognitivo-comportamental e a terapia baseada na atenção plena podem ajudar a controlar o medo e a ansiedade.

Conforme a causa, o médico pode indicar tratamento hormonal vaginal na secura após a menopausa, antibióticos ou antifúngicos nas infecções, alguns medicamentos para a dor de origem nervosa na vestibulodinia ou, raramente, cirurgia.

O que diz a pesquisa sobre o vaginismo

Uma revisão Cochrane de 2012 (Melnik e colaboradores) analisou cinco estudos sobre tratamentos do vaginismo, quatro deles com dados de 282 participantes:

  • não se encontrou diferença entre a dessensibilização sistemática e os grupos de comparação, como a lista de espera;
  • as desistências foram maiores nos grupos em lista de espera;
  • não foi possível juntar os resultados, e todos os estudos tinham risco de viés moderado ou alto.

Os autores concluíram que não se pode descartar um efeito clinicamente relevante e que as conclusões devem tirar-se com cautela.

Onde as fontes divergem

As fontes não coincidem por completo sobre a dessensibilização:

  • A dessensibilização: o Manual MSD descreve-a como forma de tratar o vaginismo; a revisão não encontrou diferença clara frente aos grupos de comparação, com estudos pequenos.
  • Outras terapias: o Manual MSD menciona a terapia cognitivo-comportamental e a terapia sexual; a revisão não encontrou ensaios que as comparassem com medicamentos.
  • O tratamento ideal: as duas fontes reconhecem que o melhor tratamento ainda não está determinado.

Pontos-chave sobre a dispareunia

  • A dor na relação pode ser na vulva, na vagina ou profunda, no abdômen.
  • As causas vão da secura e das infecções à endometriose e à tensão muscular.
  • O medo da dor pode provocar contração involuntária dos músculos e piorar a dor.
  • O diagnóstico baseia-se na história e num exame pélvico adaptado.
  • Lubrificantes, fisioterapia do assoalho pélvico e psicoterapia podem ajudar.
  • Trata-se também a causa, quando é possível identificá-la.

Perguntas frequentes sobre a dispareunia

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é dispareunia?

Segundo o Manual MSD, é a dor na vagina quando algo é inserido; quando a dor é sentida no abdômen durante a penetração chama-se dispareunia profunda.

Por que sinto dor na relação sexual?

Segundo o Manual MSD, pode dever-se a secura vaginal, lubrificação insuficiente, infecções, alergias, endometriose, miomas, tensão dos músculos pélvicos ou medo da dor, entre outras causas.

Vaginismo e dispareunia são a mesma coisa?

Não exatamente. Segundo o Manual MSD, o vaginismo, hoje chamado síndrome do levantador do ânus, é a contração involuntária dos músculos pélvicos, que pode causar dor na relação.

A fisioterapia pélvica ajuda na dor na relação?

Segundo o Manual MSD, a fisioterapia do assoalho pélvico beneficia com frequência e é fundamental na dor superficial.

Que lubrificante usar?

Segundo o Manual MSD, os à base de água ou de silicone podem usar-se com preservativos; os à base de óleo não devem usar-se com preservativos.

A dor na relação tem cura?

O Manual MSD indica que o tratamento depende da causa e dos sintomas e que várias medidas podem ajudar, embora o melhor tratamento ainda não esteja determinado.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Transtorno da dor gênito-pélvica/penetração
  2. Melnik T, Hawton K, McGuire H. Interventions for vaginismus. Cochrane Database Syst Rev. 2012

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.