O que é a vaginose bacteriana?
Na vagina vivem normalmente muitos tipos de bactérias. Um deles, os lactobacilos, mantém a acidez normal da vagina, ajuda a manter o seu revestimento saudável e impede o crescimento de certas bactérias que causam infeções.
A vaginose bacteriana surge quando os lactobacilos protetores diminuem e aumentam outras bactérias que também estão normalmente presentes. O Manual MSD descreve-a como uma alteração do equilíbrio das bactérias da vagina (microbioma vaginal).
Não é considerada uma infeção sexualmente transmissível e pode surgir em pessoas que nunca tiveram ou não tiveram recentemente atividade sexual. Ainda assim, está associada a alguns aspetos da atividade sexual.
Vaginose bacteriana: sintomas
- corrimento vaginal fora do habitual, com um cheiro forte a peixe, sobretudo depois das relações sexuais;
- mudança da cor e da consistência do corrimento, que pode ficar branco-acinzentado ou verde-amarelado, fino e aquoso, por vezes abundante;
- cheiro que pode ficar mais intenso durante a menstruação.
Comichão, vermelhidão, inchaço ou ardor não são comuns. O NHS refere que metade das mulheres com vaginose bacteriana não tem quaisquer sintomas.
Causas e fatores de risco
Não se sabe bem o que provoca a alteração do equilíbrio das bactérias, mas, segundo o NHS, a vaginose bacteriana é mais provável:
- com atividade sexual, embora também possa surgir em quem nunca teve relações;
- depois de uma mudança de parceiro;
- com um dispositivo intrauterino (DIU);
- com o uso de produtos perfumados dentro ou à volta da vagina.
Pode passar durante o sexo para uma parceira ou qualquer pessoa com vagina. Ter uma infeção sexualmente transmissível é um fator de risco para a vaginose bacteriana.
Relação com as infeções sexualmente transmissíveis
A relação funciona nos dois sentidos. Segundo o Manual MSD, ter uma infeção sexualmente transmissível aumenta o risco de vaginose bacteriana, e quem tem vaginose bacteriana tem mais risco de apanhar uma infeção sexualmente transmissível.
O NHS explica que isto pode acontecer porque a vaginose torna a vagina menos ácida e reduz as defesas naturais contra as infeções. Por isso, na consulta, o médico procura também excluir uma infeção sexualmente transmissível.
Complicações possíveis
A vaginose bacteriana em geral não é grave, mas o Manual MSD associa-a a possíveis complicações sérias, como a doença inflamatória pélvica.
Na gravidez, o Manual MSD refere infeção das membranas que envolvem o feto, trabalho de parto e parto prematuros e infeções do útero depois do parto ou de um aborto induzido. O NHS indica que há uma pequena probabilidade de complicações, como parto prematuro ou aborto espontâneo, mas que a vaginose não causa problemas na maioria das gravidezes.
Quando procurar o médico?
- se tiver um corrimento vaginal fora do habitual ou que dure mais de alguns dias;
- se achar que tem vaginose bacteriana, porque pode precisar de antibióticos;
- se estiver grávida e o corrimento mudar;
- se a vaginose voltar com frequência.
O NHS refere que se pode recorrer ao médico de família ou a uma consulta de saúde sexual. Consulte o seu médico.
Como se faz o diagnóstico
O médico pergunta pelos sintomas e pelo corrimento, e por outras doenças possíveis, como as infeções sexualmente transmissíveis. Depois faz um exame ginecológico e recolhe com uma zaragatoa uma amostra do corrimento, que se observa ao microscópio. Com esta informação, em geral consegue identificar a causa.
Muitas vezes recolhe também uma amostra do colo do útero para procurar infeções sexualmente transmissíveis. Se, ao examinar o útero e os ovários, houver dor significativa ou febre, podem existir outras infeções.
Tratamento e prevenção de recaídas
A vaginose bacteriana trata-se com antibióticos, em comprimidos ou em gel ou creme vaginal, receitados pelo médico. Com tratamento, costuma resolver-se em poucos dias. Alguns cremes antibióticos vaginais enfraquecem os preservativos e os diafragmas de látex. Na gravidez, o Manual MSD indica que os médicos preferem antibióticos aplicados na vagina.
É comum voltar, em geral em poucos meses; se voltar muitas vezes, pode ser preciso usar antibióticos durante semanas ou meses. Para aliviar e prevenir, o NHS aconselha:
- lavar a zona genital com água e sabão simples e preferir o duche ao banho de imersão;
- não usar sabonetes perfumados, espuma de banho nem desodorizantes, lavagens ou duches vaginais;
- não pôr antisséticos no banho, não lavar a roupa interior com detergentes fortes e não fumar.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Tratar o parceiro. O Manual MSD diz que tratar os parceiros sexuais não é recomendado, embora possa ser útil em alguns casos em que o tratamento falha. O NHS diz que, se a parceira tiver vagina, pode também precisar de tratamento.
- Cor do corrimento. O Manual MSD descreve-o como verde-amarelado ou acinzentado. O NHS fala de corrimento branco-acinzentado, fino e aquoso.
- Prevenção. O NHS dá conselhos de higiene para evitar recaídas. O Manual MSD não fala destes cuidados e detalha o exame ginecológico.
Pontos-chave sobre a vaginose bacteriana
- Resulta de um desequilíbrio das bactérias normais da vagina.
- O sintoma típico é um corrimento com cheiro forte a peixe.
- Metade das mulheres com vaginose não tem sintomas.
- Não é uma infeção sexualmente transmissível, mas o sexo pode desencadeá-la.
- Trata-se com antibióticos, mas volta com frequência.
- Evitar produtos perfumados e duches vaginais ajuda a prevenir.
Perguntas frequentes sobre a vaginose bacteriana
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que causa a vaginose bacteriana?
Uma alteração do equilíbrio natural das bactérias da vagina, com menos lactobacilos e mais outras bactérias.
A vaginose bacteriana é uma infeção sexualmente transmissível?
Não, mas a atividade sexual pode desencadeá-la e pode passar para uma parceira com vagina.
Quais são os sintomas da vaginose bacteriana?
Corrimento fino, acinzentado ou esbranquiçado, com cheiro forte a peixe, sobretudo depois do sexo. Muitas vezes não há sintomas.
Como se trata a vaginose bacteriana?
Com antibióticos em comprimidos ou em gel ou creme vaginal, receitados pelo médico.
A vaginose bacteriana pode voltar?
Sim, é comum voltar, em geral em poucos meses. Se voltar muitas vezes, o tratamento pode ser mais longo.
Como posso evitar a vaginose bacteriana?
Lavando a zona genital só com água e sabão simples e evitando produtos perfumados, duches vaginais e o tabaco.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
