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Vaginose bacteriana: sintomas, causas e tratamento

A vaginose bacteriana é uma causa comum de corrimento vaginal fora do habitual. Acontece quando se altera o equilíbrio natural das bactérias da vagina. Não é considerada uma infeção sexualmente transmissível, mas a atividade sexual pode desencadeá-la. Em geral não é grave e trata-se com antibióticos, embora volte com frequência. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
5 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a vaginose bacteriana?

Na vagina vivem normalmente muitos tipos de bactérias. Um deles, os lactobacilos, mantém a acidez normal da vagina, ajuda a manter o seu revestimento saudável e impede o crescimento de certas bactérias que causam infeções.

A vaginose bacteriana surge quando os lactobacilos protetores diminuem e aumentam outras bactérias que também estão normalmente presentes. O Manual MSD descreve-a como uma alteração do equilíbrio das bactérias da vagina (microbioma vaginal).

Não é considerada uma infeção sexualmente transmissível e pode surgir em pessoas que nunca tiveram ou não tiveram recentemente atividade sexual. Ainda assim, está associada a alguns aspetos da atividade sexual.

Vaginose bacteriana: sintomas

  • corrimento vaginal fora do habitual, com um cheiro forte a peixe, sobretudo depois das relações sexuais;
  • mudança da cor e da consistência do corrimento, que pode ficar branco-acinzentado ou verde-amarelado, fino e aquoso, por vezes abundante;
  • cheiro que pode ficar mais intenso durante a menstruação.

Comichão, vermelhidão, inchaço ou ardor não são comuns. O NHS refere que metade das mulheres com vaginose bacteriana não tem quaisquer sintomas.

Causas e fatores de risco

Não se sabe bem o que provoca a alteração do equilíbrio das bactérias, mas, segundo o NHS, a vaginose bacteriana é mais provável:

  • com atividade sexual, embora também possa surgir em quem nunca teve relações;
  • depois de uma mudança de parceiro;
  • com um dispositivo intrauterino (DIU);
  • com o uso de produtos perfumados dentro ou à volta da vagina.

Pode passar durante o sexo para uma parceira ou qualquer pessoa com vagina. Ter uma infeção sexualmente transmissível é um fator de risco para a vaginose bacteriana.

Relação com as infeções sexualmente transmissíveis

A relação funciona nos dois sentidos. Segundo o Manual MSD, ter uma infeção sexualmente transmissível aumenta o risco de vaginose bacteriana, e quem tem vaginose bacteriana tem mais risco de apanhar uma infeção sexualmente transmissível.

O NHS explica que isto pode acontecer porque a vaginose torna a vagina menos ácida e reduz as defesas naturais contra as infeções. Por isso, na consulta, o médico procura também excluir uma infeção sexualmente transmissível.

Complicações possíveis

A vaginose bacteriana em geral não é grave, mas o Manual MSD associa-a a possíveis complicações sérias, como a doença inflamatória pélvica.

Na gravidez, o Manual MSD refere infeção das membranas que envolvem o feto, trabalho de parto e parto prematuros e infeções do útero depois do parto ou de um aborto induzido. O NHS indica que há uma pequena probabilidade de complicações, como parto prematuro ou aborto espontâneo, mas que a vaginose não causa problemas na maioria das gravidezes.

Quando procurar o médico?

  • se tiver um corrimento vaginal fora do habitual ou que dure mais de alguns dias;
  • se achar que tem vaginose bacteriana, porque pode precisar de antibióticos;
  • se estiver grávida e o corrimento mudar;
  • se a vaginose voltar com frequência.

O NHS refere que se pode recorrer ao médico de família ou a uma consulta de saúde sexual. Consulte o seu médico.

Como se faz o diagnóstico

O médico pergunta pelos sintomas e pelo corrimento, e por outras doenças possíveis, como as infeções sexualmente transmissíveis. Depois faz um exame ginecológico e recolhe com uma zaragatoa uma amostra do corrimento, que se observa ao microscópio. Com esta informação, em geral consegue identificar a causa.

Muitas vezes recolhe também uma amostra do colo do útero para procurar infeções sexualmente transmissíveis. Se, ao examinar o útero e os ovários, houver dor significativa ou febre, podem existir outras infeções.

Tratamento e prevenção de recaídas

A vaginose bacteriana trata-se com antibióticos, em comprimidos ou em gel ou creme vaginal, receitados pelo médico. Com tratamento, costuma resolver-se em poucos dias. Alguns cremes antibióticos vaginais enfraquecem os preservativos e os diafragmas de látex. Na gravidez, o Manual MSD indica que os médicos preferem antibióticos aplicados na vagina.

É comum voltar, em geral em poucos meses; se voltar muitas vezes, pode ser preciso usar antibióticos durante semanas ou meses. Para aliviar e prevenir, o NHS aconselha:

  • lavar a zona genital com água e sabão simples e preferir o duche ao banho de imersão;
  • não usar sabonetes perfumados, espuma de banho nem desodorizantes, lavagens ou duches vaginais;
  • não pôr antisséticos no banho, não lavar a roupa interior com detergentes fortes e não fumar.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Tratar o parceiro. O Manual MSD diz que tratar os parceiros sexuais não é recomendado, embora possa ser útil em alguns casos em que o tratamento falha. O NHS diz que, se a parceira tiver vagina, pode também precisar de tratamento.
  • Cor do corrimento. O Manual MSD descreve-o como verde-amarelado ou acinzentado. O NHS fala de corrimento branco-acinzentado, fino e aquoso.
  • Prevenção. O NHS dá conselhos de higiene para evitar recaídas. O Manual MSD não fala destes cuidados e detalha o exame ginecológico.

Pontos-chave sobre a vaginose bacteriana

  • Resulta de um desequilíbrio das bactérias normais da vagina.
  • O sintoma típico é um corrimento com cheiro forte a peixe.
  • Metade das mulheres com vaginose não tem sintomas.
  • Não é uma infeção sexualmente transmissível, mas o sexo pode desencadeá-la.
  • Trata-se com antibióticos, mas volta com frequência.
  • Evitar produtos perfumados e duches vaginais ajuda a prevenir.

Perguntas frequentes sobre a vaginose bacteriana

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que causa a vaginose bacteriana?

Uma alteração do equilíbrio natural das bactérias da vagina, com menos lactobacilos e mais outras bactérias.

A vaginose bacteriana é uma infeção sexualmente transmissível?

Não, mas a atividade sexual pode desencadeá-la e pode passar para uma parceira com vagina.

Quais são os sintomas da vaginose bacteriana?

Corrimento fino, acinzentado ou esbranquiçado, com cheiro forte a peixe, sobretudo depois do sexo. Muitas vezes não há sintomas.

Como se trata a vaginose bacteriana?

Com antibióticos em comprimidos ou em gel ou creme vaginal, receitados pelo médico.

A vaginose bacteriana pode voltar?

Sim, é comum voltar, em geral em poucos meses. Se voltar muitas vezes, o tratamento pode ser mais longo.

Como posso evitar a vaginose bacteriana?

Lavando a zona genital só com água e sabão simples e evitando produtos perfumados, duches vaginais e o tabaco.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Vaginose bacteriana (VB)
  2. NHS · Bacterial vaginosis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.