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Apendicite: sintomas, diagnóstico e cirurgia

A apendicite é a inflamação e infeção do apêndice, um pequeno prolongamento do intestino grosso. Causa geralmente uma dor que começa à volta do umbigo e, ao fim de algumas horas, passa para a parte de baixo e à direita da barriga e piora. Precisa de tratamento urgente no hospital, porque o apêndice pode romper. O tratamento habitual é retirá-lo com cirurgia, e a recuperação costuma ser rápida. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a apendicite?

O apêndice é um pequeno segmento em forma de dedo que sai do intestino grosso, perto do sítio onde este se une ao intestino delgado. Pode ter alguma função imunitária, mas não é um órgão essencial: o NHS sublinha que não precisamos dele, por isso retirá-lo não faz mal.

Na apendicite, o apêndice inflama e infeta. Segundo o Manual MSD, é a causa mais frequente de dor de barriga forte e súbita e de cirurgia abdominal nos Estados Unidos; mais de 5% da população tem apendicite em algum momento. É mais comum na adolescência e aos 20 e poucos anos, mas pode surgir em qualquer idade.

Porque surge a apendicite?

A causa não é totalmente conhecida. Na maioria dos casos, o processo começa provavelmente com um bloqueio dentro do apêndice, que pode ser causado por:

  • um pequeno pedaço de fezes duro;
  • um corpo estranho;
  • um tumor;
  • raramente, vermes.

Com o bloqueio, o apêndice inflama e infeta. Se a inflamação não for tratada, o apêndice pode romper.

Apendicite: sintomas

A dor começa geralmente no meio da barriga, à volta do umbigo, ou na parte de cima. Depois de algumas horas passa para a parte de baixo e à direita e piora. Pode piorar ao mexer-se, tossir ou carregar na zona, e aliviar um pouco ao puxar os joelhos para o peito. Outros sintomas:

  • náuseas, vómitos ou falta de apetite;
  • febre, que segundo o Manual MSD é comum entre 37,7 e 38,3 °C;
  • prisão de ventre ou diarreia;
  • urinar mais do que o habitual;
  • confusão súbita, nas pessoas mais velhas.

O Manual MSD nota que menos de metade das pessoas tem este padrão típico.

Algumas pessoas não têm a dor habitual: pode ser menos forte, surgir mais devagar ou noutro sítio. Isso é mais provável:

  • em bebés e crianças pequenas, em quem a dor pode ser espalhada por toda a barriga em vez de localizada à direita;
  • em pessoas mais velhas, em quem a dor costuma ser menos forte e a zona menos sensível;
  • na gravidez, pelas mesmas razões.

Muitas outras doenças causam dor de barriga, como infeções urinárias, pedras nos rins ou na vesícula, doenças do intestino, problemas do útero ou dos ovários e a gravidez ectópica. O NHS aconselha a não tentar fazer o diagnóstico por conta própria e a procurar ajuda se estiver preocupado.

Se o apêndice romper

Se a apendicite não for tratada depressa, o apêndice pode romper. Nesse caso, a dor pode melhorar de repente durante algumas horas, mas depois surge geralmente uma dor forte que se espalha por toda a barriga e torna muito doloroso mexer-se. A rotura pode causar:

  • um abcesso, uma bolsa de pus infetado;
  • peritonite, a inflamação e infeção da cavidade abdominal, com risco de vida;
  • nas mulheres, infeção dos ovários e das trompas, cujas cicatrizes podem bloquear as trompas e causar infertilidade;
  • sépsis, quando as bactérias passam para o sangue, também com risco de vida, e choque.

Quando é urgente

O NHS aconselha pedir uma consulta urgente no próprio dia se tiver uma dor de barriga que piora aos poucos, não passa ou passa para o lado direito em baixo. É preciso ir já às urgências (pronto-socorro) ou ligar para o número de emergência (no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112) se houver:

  • dor de barriga intensa;
  • confusão, pele manchada ou mais pálida do que o habitual, ou dificuldade em respirar, que podem ser sinais de sépsis.

Não vá a conduzir para as urgências: peça boleia a alguém ou chame uma ambulância, e leve os medicamentos que toma.

Como se diagnostica?

O médico apalpa a barriga para procurar dor e inchaço. Quando carrega na parte de baixo à direita a pessoa sente dor, e ao largar a dor pode aumentar de repente (sinal de Blumberg). No hospital podem fazer-se:

  • análises ao sangue (exames de sangue), que mostram muitas vezes um aumento moderado dos glóbulos brancos, e à urina;
  • ecografia (ultrassom) ou TC para ver se o apêndice está inchado; a ecografia é especialmente útil nas crianças, para limitar a radiação;
  • um teste de gravidez, se houver essa possibilidade;
  • por vezes, uma laparoscopia para explorar a barriga e confirmar o diagnóstico.

Não há nenhum exame que mostre sempre a apendicite, e pode ser difícil de diagnosticar porque os sintomas se parecem com os de outras doenças. Por vezes os médicos esperam algumas horas no hospital para ver como evoluem; se a suspeita for forte, operam sem esperar por mais exames.

Tratamento: cirurgia e antibióticos

O tratamento principal é a cirurgia para retirar o apêndice (apendicectomia), feita o mais depressa possível. Dão-se também líquidos e antibióticos pela veia. A operação demora cerca de uma hora:

  • faz-se com anestesia geral, por isso a pessoa está a dormir e não sente dor;
  • geralmente faz-se por pequenos cortes, com um tubo fino com câmara (laparoscopia); por vezes é preciso um corte maior na parte de baixo e à direita da barriga;
  • o cirurgião retira o apêndice e, se tiver rompido, limpa a zona;
  • a barriga é fechada com pontos, agrafos ou cola.

Por vezes é possível tratar a apendicite só com antibióticos, se a infeção não se espalhou e a cirurgia tiver risco alto. O Manual MSD refere que muitas destas pessoas acabam por precisar de cirurgia e que retirar o apêndice continua a ser o tratamento mais eficaz. Se se formar uma massa à volta do apêndice, dão-se primeiro antibióticos e opera-se semanas depois, se os sintomas continuarem.

Recuperação depois da operação

A maioria das pessoas recupera em 1 a 2 semanas; pode demorar mais se houve complicações ou nas pessoas mais velhas. Depois da laparoscopia é possível ir para casa no dia seguinte; segundo o Manual MSD, o internamento é geralmente de 1 a 3 dias. Em casa:

  • retomar as atividades habituais quando se sentir capaz; pode ser preciso faltar 1 a 2 semanas ao trabalho ou à escola;
  • tomar analgésicos se precisar e cuidar das feridas como indicado;
  • se tiver prisão de ventre, comer bastante fibra e beber muitos líquidos; veja os guias intestino preso e alimentos ricos em fibras;
  • se lhe receitarem antibióticos, fazer o tratamento até ao fim;
  • evitar atividades intensas, como desporto, até recuperar totalmente, e não conduzir até conseguir fazer uma travagem de emergência em segurança.

Durante alguns dias pode haver dor na barriga e diarreia; veja o guia o que comer com diarreia.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Antibióticos sem cirurgia. O NHS diz que podem ser uma opção se a infeção não se espalhou e a cirurgia tiver risco alto. O Manual MSD sublinha que muitas pessoas acabam por ser operadas.
  • Apêndice normal. O Manual MSD diz que, se na operação não houver apendicite, o apêndice é geralmente retirado na mesma. O NHS fala da espera vigiada no hospital antes de decidir.
  • Sintomas. O NHS refere urinar mais, diarreia ou prisão de ventre e confusão nas pessoas mais velhas. O Manual MSD dá a febre habitual e o sinal de Blumberg.

Pontos-chave sobre a apendicite

  • A apendicite é a inflamação e infeção do apêndice, geralmente por um bloqueio.
  • A dor começa à volta do umbigo e passa para baixo e à direita, com náuseas e febre.
  • Em crianças, pessoas mais velhas e na gravidez, a dor pode ser diferente.
  • O apêndice pode romper em menos de 36 horas e causar peritonite ou sépsis.
  • Dor de barriga intensa ou sinais de sépsis pedem ajuda imediata (112 em Portugal, 192 no Brasil).
  • O tratamento habitual é a cirurgia, e a maioria das pessoas recupera em 1 a 2 semanas.

Perguntas frequentes sobre a apendicite

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Onde dói a apendicite?

Geralmente começa à volta do umbigo e, ao fim de algumas horas, passa para a parte de baixo e à direita da barriga.

A apendicite dá febre?

Sim, é comum. O Manual MSD refere febre entre 37,7 e 38,3 °C.

Quanto tempo demora o apêndice a romper?

Segundo o Manual MSD, um apêndice infetado pode romper em menos de 36 horas depois do início dos sintomas.

A apendicite pode tratar-se sem cirurgia?

Por vezes com antibióticos, se a infeção não se espalhou, mas muitas pessoas acabam por precisar de cirurgia, que continua a ser o tratamento mais eficaz.

Faz falta o apêndice?

Não. O apêndice não é um órgão essencial e retirá-lo não faz mal.

Quanto tempo demora a recuperação?

A maioria das pessoas recupera em 1 a 2 semanas; pode demorar mais se o apêndice rompeu.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Apendicite
  2. NHS · Appendicitis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.