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Clostridium difficile: diarreia, causas e tratamento

A infeção por Clostridioides difficile (antes chamado Clostridium difficile, ou C. diff) é uma inflamação do intestino grosso causada pelas toxinas desta bactéria. Surge geralmente depois de tomar antibióticos, que alteram o equilíbrio das bactérias do intestino e deixam o C. difficile crescer. É a causa mais comum de diarreia depois de antibióticos. Trata-se com outro antibiótico e passa facilmente a outras pessoas, por isso a higiene é essencial. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é o Clostridium difficile?

O Clostridioides difficile é uma bactéria que vive sem oxigénio. Em muitas pessoas saudáveis vive no intestino sem causar problemas, juntamente com muitas outras bactérias.

Quando cresce demais, liberta toxinas que inflamam o intestino grosso (colite) e causam diarreia. Por vezes formam-se no intestino umas membranas anormais, e a doença chama-se então colite pseudomembranosa. Há uma estirpe mais agressiva, responsável por alguns surtos nos hospitais, que produz mais toxina, causa doença mais grave, volta mais vezes e se transmite com mais facilidade.

Porque surge: o papel dos antibióticos

A infeção surge geralmente depois de tomar antibióticos para outra infeção. Muitos antibióticos alteram o equilíbrio das bactérias que vivem no intestino; o C. difficile pode então crescer demais e substituir as bactérias inofensivas.

  • praticamente qualquer antibiótico pode causá-la, mas alguns grupos têm mais risco;
  • pode surgir com antibióticos tomados por via oral, em injeção no músculo ou pela veia;
  • pode acontecer mesmo depois de um tratamento muito curto;
  • alguns medicamentos de quimioterapia também a podem causar.

Por vezes a bactéria vem do próprio intestino da pessoa; outras vezes de outras pessoas, de animais de estimação ou do ambiente.

Quem tem mais risco

Segundo as fontes, o risco é maior em quem:

  • está a tomar ou tomou recentemente antibióticos;
  • tem mais de 65 anos ou idade avançada;
  • fica muito tempo no hospital ou vive num lar;
  • tem outras doenças graves ou defesas baixas, por exemplo por diabetes, insuficiência renal ou quimioterapia;
  • toma medicamentos que reduzem a acidez do estômago, como os inibidores da bomba de protões;
  • fez cirurgia ao abdómen, ao estômago ou ao intestino;
  • já teve uma infeção por C. difficile.

Como se transmite

O C. difficile passa a outras pessoas com muita facilidade quando as bactérias das fezes de uma pessoa infetada chegam a objetos e superfícies. Mesmo pessoas sem sintomas que têm a bactéria no intestino, por exemplo internadas num hospital ou a viver num lar, podem transmiti-la a pessoas em risco.

O Manual MSD sublinha que o contágio de pessoa para pessoa pode ser prevenido com uma lavagem das mãos muito cuidadosa.

Clostridium difficile: sintomas

Os sintomas surgem geralmente 5 a 10 dias depois de começar o antibiótico, mas podem aparecer logo no primeiro dia ou até dois meses depois. Os mais comuns são:

  • diarreia, desde fezes ligeiramente moles até diarreia com sangue;
  • dor e cólicas de barriga;
  • febre;
  • perda de apetite;
  • enjoo; os vómitos são raros.

Na forma mais grave, a colite fulminante, a dor é intensa e a pessoa fica muito doente, com risco de desidratação grave, coração acelerado, tensão baixa e perfuração do intestino. O NHS refere que pode levar a problemas sérios como a sépsis.

Quando procurar o médico

O NHS aconselha pedir uma consulta urgente se:

  • tiver diarreia e estiver a tomar ou tiver tomado recentemente antibióticos;
  • tiver diarreia com sangue ou sangramento pelo ânus;
  • tiver diarreia há mais de 7 dias.

Os médicos suspeitam desta infeção perante diarreia persistente e recente que surge até dois meses depois de antibióticos ou nas 72 horas seguintes a um internamento. Durante o tratamento, volte ao médico se os sintomas piorarem, se se sentir muito mal ou se os sintomas voltarem.

Como se diagnostica?

O diagnóstico confirma-se com uma análise às fezes, que procura as toxinas do C. difficile, uma enzima libertada pela bactéria e o seu material genético (por PCR).

Por vezes o médico examina o intestino grosso com um tubo flexível com câmara (sigmoidoscopia ou colonoscopia); se vir colite pseudomembranosa, o diagnóstico é provável. Se suspeitar de uma complicação grave, como perfuração do intestino, pode pedir radiografias ou TC do abdómen.

Tratamento e recaídas

O tratamento tem dois passos principais:

  • parar, se possível, o antibiótico que causou a diarreia;
  • tomar outro antibiótico, eficaz contra o C. difficile, geralmente durante 10 dias, até ao fim mesmo que se sinta melhor.

Os sintomas costumam melhorar poucos dias depois, mas a infeção pode levar 1 a 2 semanas a desaparecer. É importante beber muita água para evitar a desidratação. Não se devem tomar medicamentos para parar a diarreia, porque mantêm a toxina em contacto com o intestino e podem prolongá-la ou piorá-la. Nos casos graves pode ser preciso internamento, soro pela veia e, raramente, cirurgia.

A diarreia volta em 15% a 20% das pessoas, geralmente poucas semanas depois. Repete-se o tratamento e, se a infeção voltar várias vezes, pode propor-se um transplante de microbiota fecal: bactérias das fezes de um dador saudável, previamente testadas, são colocadas no intestino para repor o equilíbrio normal. Veja o guia o que comer com diarreia.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Prevenção do contágio. O NHS dá conselhos práticos: ficar em casa até 48 horas depois de a diarreia parar e não usar gel desinfetante. O Manual MSD sublinha a lavagem cuidadosa das mãos.
  • Gravidade. O Manual MSD descreve a colite fulminante e a perfuração do intestino. O NHS refere a sépsis.
  • Transplante fecal. O Manual MSD explica como se faz e as diferentes formas. O NHS diz que pode ser proposto se a infeção voltar duas ou mais vezes.

Pontos-chave sobre o Clostridium difficile

  • O C. difficile é uma bactéria que causa diarreia, sobretudo depois de antibióticos.
  • As suas toxinas inflamam o intestino grosso.
  • Têm mais risco as pessoas mais velhas, internadas ou que tomam medicamentos para a acidez.
  • Diagnostica-se com uma análise às fezes.
  • Trata-se parando o antibiótico causador e tomando outro durante cerca de 10 dias.
  • Lavar as mãos com água e sabão e desinfetar a sanita evitam o contágio.

Perguntas frequentes sobre o Clostridium difficile

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é o C. difficile?

É uma bactéria que pode viver no intestino sem causar problemas, mas que, ao crescer demais, liberta toxinas que causam diarreia e inflamação do intestino grosso.

Porque é que os antibióticos causam esta infeção?

Porque alteram o equilíbrio das bactérias do intestino, o que deixa o C. difficile crescer e substituir as bactérias inofensivas.

O C. difficile é contagioso?

Sim, passa com muita facilidade através das fezes que chegam a objetos e superfícies.

Posso tomar um medicamento para parar a diarreia?

Não. As fontes desaconselham, porque mantém a toxina no intestino e pode piorar ou prolongar a diarreia.

O gel desinfetante protege do C. difficile?

Não. O NHS diz que não mata nem remove a bactéria; é preciso lavar as mãos com água e sabão.

A infeção pode voltar?

Sim, em 15% a 20% das pessoas. Repete-se o tratamento e, se voltar várias vezes, pode fazer-se um transplante de microbiota fecal.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Infecção por Clostridioides difficile
  2. NHS · Clostridioides difficile (C. diff) infection

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.