O que é a vitamina K e para que serve
A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel, como as vitaminas A, D e E: dissolve-se na gordura e é mais bem absorvida quando se come com alguma gordura. O corpo guarda-a no fígado e noutros tecidos, como o cérebro, o coração, o pâncreas e os ossos. Existem duas formas:
- Filoquinona, que existe nas plantas e se obtém pela alimentação; não é tóxica.
- Menaquinona, produzida em pequenas quantidades pelas bactérias do intestino; em alguns países usa-se em suplementos.
Sobre outra vitamina lipossolúvel, veja o guia vitamina D.
A vitamina K é conhecida como a vitamina da coagulação. O fígado precisa dela para fabricar certas proteínas, os fatores de coagulação, que fazem o sangue coagular e controlam as hemorragias. Sem vitamina K, o fígado não conseguiria produzir os fatores II, VII, IX e X, e o sangue não coagularia.
A vitamina K é também necessária para a saúde dos ossos e de outros tecidos. A MedlinePlus refere que alguns estudos sugerem que ajuda a manter os ossos fortes nos adultos mais velhos.
Alimentos com vitamina K
A melhor forma de obter a vitamina K de que precisa é através dos alimentos:
- legumes de folha verde, como couve-galega, espinafres, grelos, acelga, folhas de mostarda, salsa e alface;
- outros legumes, como couves-de-bruxelas, brócolos, couve-flor e couve;
- óleos de soja e de canola;
- em menores quantidades, peixe, fígado, carne, ovos e cereais.
Como se absorve melhor com gordura, uma dieta com muito pouca gordura pode reduzir a sua absorção. Veja a secção de nutrição.
Quanta vitamina K é preciso?
A MedlinePlus apresenta as ingestões adequadas de referência dos Estados Unidos, em microgramas (mcg) por dia:
- bebés até aos 6 meses: 2,0 mcg; dos 7 aos 12 meses: 2,5 mcg;
- crianças de 1 a 3 anos: 30 mcg; de 4 a 8 anos: 55 mcg; de 9 a 13 anos: 60 mcg;
- adolescentes de 14 a 18 anos: 75 mcg, incluindo na gravidez e na amamentação;
- homens a partir dos 19 anos: 120 mcg;
- mulheres a partir dos 19 anos: 90 mcg, incluindo na gravidez e na amamentação.
Estes valores servem para planear a alimentação de pessoas saudáveis e variam com a idade e o sexo.
Causas da deficiência de vitamina K
Nos adultos saudáveis a deficiência não é comum. A MedlinePlus descreve-a como muito rara. Pode surgir por:
- falta de vitamina K na alimentação;
- uma dieta com muito pouca gordura;
- doenças que dificultam a absorção da gordura e, portanto, da vitamina K, como a obstrução dos canais biliares ou a fibrose quística;
- certos medicamentos, como alguns antiepiléticos e alguns antibióticos, sobretudo em tratamentos longos;
- consumo de grandes quantidades de óleo mineral, que reduz a absorção.
Vitamina K nos recém-nascidos
A deficiência é mais comum nos bebés, sobretudo nos amamentados. Os recém-nascidos têm risco porque:
- só passa uma pequena quantidade de vitamina K da mãe para o feto durante a gravidez;
- nos primeiros dias de vida, o intestino ainda não tem as bactérias que produzem vitamina K;
- o leite materno contém apenas pequenas quantidades de vitamina K; as fórmulas infantis contêm vitamina K.
A falta de vitamina K pode causar a doença hemorrágica do recém-nascido, com tendência a hemorragias, que podem ser fatais se forem no cérebro. O risco é maior em bebés com doenças do fígado ou que dificultam a absorção da gordura, e se a mãe tomou certos antiepiléticos, anticoagulantes ou antibióticos. Por isso, recomenda-se uma injeção intramuscular de vitamina K a todos os recém-nascidos.
Deficiência de vitamina K: sintomas
O sintoma principal são as hemorragias:
- debaixo da pele, com nódoas negras;
- pelo nariz ou por uma ferida;
- no estômago ou no intestino, por vezes com vómitos com sangue;
- sangue na urina ou nas fezes, ou fezes negras.
As hemorragias no cérebro ou à volta dele são potencialmente fatais nos recém-nascidos. Ter uma doença do fígado aumenta o risco de hemorragia, porque é o fígado que produz os fatores de coagulação. A deficiência de vitamina K também pode enfraquecer os ossos.
Diagnóstico e tratamento
O médico suspeita de deficiência de vitamina K quando há hemorragias anormais numa pessoa com fatores de risco. Análises ao sangue (exames de sangue) que medem a rapidez da coagulação confirmam o diagnóstico; saber quanta vitamina K a pessoa come ajuda a interpretá-las, e por vezes mede-se a vitamina K no sangue.
- nos recém-nascidos, a injeção de vitamina K ao nascer previne a hemorragia no cérebro;
- quando há deficiência, dá-se vitamina K por via oral ou por injeção debaixo da pele, receitada pelo médico;
- se a causa for um medicamento, ajusta-se a dose ou dá-se uma dose extra de vitamina K.
Vitamina K e anticoagulantes
Os anticoagulantes do tipo antivitamina K interferem com a produção dos fatores de coagulação. Usam-se em pessoas com risco de coágulos, por exemplo durante um repouso prolongado na cama, depois de uma cirurgia ou com fibrilhação (fibrilação) auricular, e exigem análises ao sangue periódicas para ver a rapidez da coagulação.
- numa pessoa com falta de vitamina K, estes medicamentos podem tornar as hemorragias mais prováveis ou mais graves;
- a vitamina K dos alimentos altera o efeito destes medicamentos;
- segundo a MedlinePlus, pode ser preciso comer menos alimentos com vitamina K e, sobretudo, comer a mesma quantidade todos os dias, para manter o nível estável.
Não mude a alimentação nem tome suplementos por conta própria: pergunte ao médico se precisa de vigiar os alimentos com vitamina K e quanto pode comer.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Frequência. A MedlinePlus diz que a deficiência é muito rara. O Manual MSD diz que é mais comum nos bebés amamentados e pouco comum nos adultos saudáveis.
- Alimentos. A MedlinePlus dá uma lista longa de legumes e refere peixe, carne e ovos. O Manual MSD refere os legumes de folha verde e os óleos de soja e de canola.
- Foco. O Manual MSD descreve os recém-nascidos, os sintomas e o tratamento. A MedlinePlus dá as ingestões recomendadas e os cuidados com os anticoagulantes.
Pontos-chave sobre a vitamina K
- A vitamina K é necessária para o sangue coagular e para a saúde dos ossos.
- Encontra-se sobretudo nos legumes de folha verde e é produzida pelas bactérias do intestino.
- Nos adultos saudáveis, a deficiência é rara.
- Os recém-nascidos têm risco e devem receber uma injeção de vitamina K ao nascer.
- O sintoma principal são as hemorragias, como nódoas negras ou sangue nas fezes.
- Quem toma anticoagulantes do tipo antivitamina K deve manter uma ingestão estável e falar com o médico.
Perguntas frequentes sobre a vitamina K
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Para que serve a vitamina K?
Para fabricar as proteínas que fazem o sangue coagular e para a saúde dos ossos.
Que alimentos têm vitamina K?
Sobretudo legumes de folha verde, como couve, espinafres e alface, e também brócolos, couves-de-bruxelas e óleos de soja e de canola.
Quais são os sintomas da falta de vitamina K?
Hemorragias: nódoas negras, sangue no nariz, na urina ou nas fezes, fezes negras ou vómitos com sangue.
Porque se dá vitamina K aos recém-nascidos?
Porque recebem pouca vitamina K antes de nascer e ainda não a produzem; a injeção previne hemorragias, incluindo no cérebro.
Quem toma anticoagulantes deve evitar a vitamina K?
Quem toma anticoagulantes do tipo antivitamina K deve comer uma quantidade estável todos os dias; a quantidade deve ser combinada com o médico.
Os adultos costumam ter falta de vitamina K?
Não. Nos adultos saudáveis é rara; surge sobretudo com problemas de absorção da gordura ou certos medicamentos.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Deficiência de vitamina K
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Vitamin K
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
