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Deficiência de vitamina K: causas e sintomas

A vitamina K é a vitamina da coagulação: o corpo precisa dela para fabricar as proteínas que fazem o sangue coagular. A sua falta pode causar hemorragias. Nos adultos saudáveis a deficiência é rara, porque muitos legumes verdes a contêm e as bactérias do intestino também a produzem. É mais comum nos recém-nascidos, e por isso todos devem receber uma injeção de vitamina K ao nascer. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a vitamina K e para que serve

A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel, como as vitaminas A, D e E: dissolve-se na gordura e é mais bem absorvida quando se come com alguma gordura. O corpo guarda-a no fígado e noutros tecidos, como o cérebro, o coração, o pâncreas e os ossos. Existem duas formas:

  • Filoquinona, que existe nas plantas e se obtém pela alimentação; não é tóxica.
  • Menaquinona, produzida em pequenas quantidades pelas bactérias do intestino; em alguns países usa-se em suplementos.

Sobre outra vitamina lipossolúvel, veja o guia vitamina D.

A vitamina K é conhecida como a vitamina da coagulação. O fígado precisa dela para fabricar certas proteínas, os fatores de coagulação, que fazem o sangue coagular e controlam as hemorragias. Sem vitamina K, o fígado não conseguiria produzir os fatores II, VII, IX e X, e o sangue não coagularia.

A vitamina K é também necessária para a saúde dos ossos e de outros tecidos. A MedlinePlus refere que alguns estudos sugerem que ajuda a manter os ossos fortes nos adultos mais velhos.

Alimentos com vitamina K

A melhor forma de obter a vitamina K de que precisa é através dos alimentos:

  • legumes de folha verde, como couve-galega, espinafres, grelos, acelga, folhas de mostarda, salsa e alface;
  • outros legumes, como couves-de-bruxelas, brócolos, couve-flor e couve;
  • óleos de soja e de canola;
  • em menores quantidades, peixe, fígado, carne, ovos e cereais.

Como se absorve melhor com gordura, uma dieta com muito pouca gordura pode reduzir a sua absorção. Veja a secção de nutrição.

Quanta vitamina K é preciso?

A MedlinePlus apresenta as ingestões adequadas de referência dos Estados Unidos, em microgramas (mcg) por dia:

  • bebés até aos 6 meses: 2,0 mcg; dos 7 aos 12 meses: 2,5 mcg;
  • crianças de 1 a 3 anos: 30 mcg; de 4 a 8 anos: 55 mcg; de 9 a 13 anos: 60 mcg;
  • adolescentes de 14 a 18 anos: 75 mcg, incluindo na gravidez e na amamentação;
  • homens a partir dos 19 anos: 120 mcg;
  • mulheres a partir dos 19 anos: 90 mcg, incluindo na gravidez e na amamentação.

Estes valores servem para planear a alimentação de pessoas saudáveis e variam com a idade e o sexo.

Causas da deficiência de vitamina K

Nos adultos saudáveis a deficiência não é comum. A MedlinePlus descreve-a como muito rara. Pode surgir por:

  • falta de vitamina K na alimentação;
  • uma dieta com muito pouca gordura;
  • doenças que dificultam a absorção da gordura e, portanto, da vitamina K, como a obstrução dos canais biliares ou a fibrose quística;
  • certos medicamentos, como alguns antiepiléticos e alguns antibióticos, sobretudo em tratamentos longos;
  • consumo de grandes quantidades de óleo mineral, que reduz a absorção.

Vitamina K nos recém-nascidos

A deficiência é mais comum nos bebés, sobretudo nos amamentados. Os recém-nascidos têm risco porque:

  • só passa uma pequena quantidade de vitamina K da mãe para o feto durante a gravidez;
  • nos primeiros dias de vida, o intestino ainda não tem as bactérias que produzem vitamina K;
  • o leite materno contém apenas pequenas quantidades de vitamina K; as fórmulas infantis contêm vitamina K.

A falta de vitamina K pode causar a doença hemorrágica do recém-nascido, com tendência a hemorragias, que podem ser fatais se forem no cérebro. O risco é maior em bebés com doenças do fígado ou que dificultam a absorção da gordura, e se a mãe tomou certos antiepiléticos, anticoagulantes ou antibióticos. Por isso, recomenda-se uma injeção intramuscular de vitamina K a todos os recém-nascidos.

Deficiência de vitamina K: sintomas

O sintoma principal são as hemorragias:

  • debaixo da pele, com nódoas negras;
  • pelo nariz ou por uma ferida;
  • no estômago ou no intestino, por vezes com vómitos com sangue;
  • sangue na urina ou nas fezes, ou fezes negras.

As hemorragias no cérebro ou à volta dele são potencialmente fatais nos recém-nascidos. Ter uma doença do fígado aumenta o risco de hemorragia, porque é o fígado que produz os fatores de coagulação. A deficiência de vitamina K também pode enfraquecer os ossos.

Diagnóstico e tratamento

O médico suspeita de deficiência de vitamina K quando há hemorragias anormais numa pessoa com fatores de risco. Análises ao sangue (exames de sangue) que medem a rapidez da coagulação confirmam o diagnóstico; saber quanta vitamina K a pessoa come ajuda a interpretá-las, e por vezes mede-se a vitamina K no sangue.

  • nos recém-nascidos, a injeção de vitamina K ao nascer previne a hemorragia no cérebro;
  • quando há deficiência, dá-se vitamina K por via oral ou por injeção debaixo da pele, receitada pelo médico;
  • se a causa for um medicamento, ajusta-se a dose ou dá-se uma dose extra de vitamina K.

Vitamina K e anticoagulantes

Os anticoagulantes do tipo antivitamina K interferem com a produção dos fatores de coagulação. Usam-se em pessoas com risco de coágulos, por exemplo durante um repouso prolongado na cama, depois de uma cirurgia ou com fibrilhação (fibrilação) auricular, e exigem análises ao sangue periódicas para ver a rapidez da coagulação.

  • numa pessoa com falta de vitamina K, estes medicamentos podem tornar as hemorragias mais prováveis ou mais graves;
  • a vitamina K dos alimentos altera o efeito destes medicamentos;
  • segundo a MedlinePlus, pode ser preciso comer menos alimentos com vitamina K e, sobretudo, comer a mesma quantidade todos os dias, para manter o nível estável.

Não mude a alimentação nem tome suplementos por conta própria: pergunte ao médico se precisa de vigiar os alimentos com vitamina K e quanto pode comer.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Frequência. A MedlinePlus diz que a deficiência é muito rara. O Manual MSD diz que é mais comum nos bebés amamentados e pouco comum nos adultos saudáveis.
  • Alimentos. A MedlinePlus dá uma lista longa de legumes e refere peixe, carne e ovos. O Manual MSD refere os legumes de folha verde e os óleos de soja e de canola.
  • Foco. O Manual MSD descreve os recém-nascidos, os sintomas e o tratamento. A MedlinePlus dá as ingestões recomendadas e os cuidados com os anticoagulantes.

Pontos-chave sobre a vitamina K

  • A vitamina K é necessária para o sangue coagular e para a saúde dos ossos.
  • Encontra-se sobretudo nos legumes de folha verde e é produzida pelas bactérias do intestino.
  • Nos adultos saudáveis, a deficiência é rara.
  • Os recém-nascidos têm risco e devem receber uma injeção de vitamina K ao nascer.
  • O sintoma principal são as hemorragias, como nódoas negras ou sangue nas fezes.
  • Quem toma anticoagulantes do tipo antivitamina K deve manter uma ingestão estável e falar com o médico.

Perguntas frequentes sobre a vitamina K

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Para que serve a vitamina K?

Para fabricar as proteínas que fazem o sangue coagular e para a saúde dos ossos.

Que alimentos têm vitamina K?

Sobretudo legumes de folha verde, como couve, espinafres e alface, e também brócolos, couves-de-bruxelas e óleos de soja e de canola.

Quais são os sintomas da falta de vitamina K?

Hemorragias: nódoas negras, sangue no nariz, na urina ou nas fezes, fezes negras ou vómitos com sangue.

Porque se dá vitamina K aos recém-nascidos?

Porque recebem pouca vitamina K antes de nascer e ainda não a produzem; a injeção previne hemorragias, incluindo no cérebro.

Quem toma anticoagulantes deve evitar a vitamina K?

Quem toma anticoagulantes do tipo antivitamina K deve comer uma quantidade estável todos os dias; a quantidade deve ser combinada com o médico.

Os adultos costumam ter falta de vitamina K?

Não. Nos adultos saudáveis é rara; surge sobretudo com problemas de absorção da gordura ou certos medicamentos.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Deficiência de vitamina K
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Vitamin K

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.