O que é a doença de Gaucher?
Segundo o Manual MSD, a doença de Gaucher é um tipo de doença de depósito lisossómico chamado esfingolipidose. As esfingolipidoses surgem quando falta uma enzima necessária para decompor os esfingolípidos, compostos que protegem a superfície das células. A doença de Gaucher é a esfingolipidose mais comum.
A MedlinePlus Genetics explica que alterações (variantes) no gene GBA1 reduzem muito ou eliminam a atividade da enzima que decompõe o glicocerebrosídeo em açúcar (glicose) e numa gordura mais simples (ceramida). Sem enzima suficiente, o glicocerebrosídeo acumula-se dentro das células até níveis tóxicos e danifica os tecidos e os órgãos.
Como se herda e quem tem mais risco
A doença de Gaucher é autossómica recessiva. Segundo as fontes:
- a criança só tem a doença se receber uma cópia alterada do gene de cada um dos pais;
- quem tem uma única cópia alterada geralmente não tem sintomas e chama-se portador;
- por isso, é comum que nenhum dos pais tenha a doença.
Segundo a MedlinePlus Genetics, a doença afeta 1 em cada 50 000 a 100 000 pessoas na população geral. O tipo 1 é mais frequente em pessoas de ascendência judaica asquenaze, da Europa Central e de Leste, em quem afeta 1 em cada 500 a 1000 pessoas. Os tipos 2 e 3 são pouco comuns e não são mais frequentes nesta população; podem ser mais comuns do que o tipo 1 em regiões como o Egito, a Índia, o Japão, a Polónia e a Suécia.
Tipo 1: a forma mais comum
O tipo 1 é a forma mais comum e pode começar em qualquer altura, da infância à idade adulta. Também se chama não neuronopático, porque o cérebro e a medula espinhal geralmente não são afetados. Os sinais vão de ligeiros a graves e, segundo as fontes, incluem:
- fígado e baço aumentados;
- anemia (poucos glóbulos vermelhos);
- nódoas negras fáceis, por falta de plaquetas (trombocitopenia);
- dor nos ossos, fraturas e problemas nas articulações, como artrite;
- crescimento insuficiente e puberdade tardia.
O Manual MSD acrescenta que o tipo 1 pode causar doença grave do fígado, com mais risco de hemorragia no estômago e no esófago e de cancro (câncer) do fígado.
Tipos 2 e 3: formas com problemas neurológicos
Os tipos 2 e 3 chamam-se neuronopáticos, porque afetam o sistema nervoso central. Além dos sinais do tipo 1, podem causar movimentos anormais dos olhos, convulsões e lesões no cérebro.
- Tipo 2: é a forma mais rara. Começa nos primeiros meses de vida, com baço aumentado e problemas neurológicos graves, como convulsões e rigidez dos membros.
- Tipo 3 (forma juvenil): pode começar em qualquer altura da infância, com fígado e baço aumentados, alterações dos ossos e dos olhos e problemas neurológicos que pioram devagar, como demência e falta de coordenação (ataxia).
A MedlinePlus Genetics descreve ainda uma forma perinatal letal, muito rara, com inchaço grave antes do nascimento, pele seca e escamosa e problemas neurológicos sérios, e uma forma cardiovascular (tipo 3c), que endurece as válvulas do coração.
Doença de Gaucher: sintomas
Segundo a MedlinePlus, o sintoma mais comum é a hemorragia por falta de plaquetas. Outros sintomas podem ser:
- dor nos ossos e fraturas;
- nódoas negras fáceis;
- baço e fígado aumentados;
- cansaço;
- diminuição da capacidade de pensar;
- problemas nas válvulas do coração;
- convulsões;
- alterações da pele e, raramente, doença dos pulmões.
O Manual MSD refere também uma pigmentação acastanhada da pele e pontos amarelos nos olhos, chamados pinguéculas. A acumulação na medula óssea pode causar dor e destruir os ossos.
Complicações possíveis
Segundo a MedlinePlus, as complicações da doença de Gaucher podem incluir:
- convulsões;
- anemia;
- falta de plaquetas (trombocitopenia), com tendência para hemorragias;
- problemas nos ossos.
No tipo 1, o Manual MSD refere ainda a doença grave do fígado, com risco de hemorragia no estômago e no esófago e de cancro do fígado. Por isso, quem tem a doença precisa de acompanhamento regular com exames de sangue, de imagem e dos ossos.
Como se diagnostica?
O médico faz um exame físico e pergunta pelos sintomas. Segundo as fontes, o diagnóstico pode incluir:
- Análise ao sangue: mede a atividade da enzima nos glóbulos brancos; permite definir o tipo e identificar portadores.
- Testes genéticos: a análise do ADN é cada vez mais usada.
- Exames de imagem: ressonância magnética, TC ou radiografias do esqueleto.
- Aspiração ou biópsia da medula óssea e, por vezes, do fígado, do baço ou dos gânglios, para procurar as células de Gaucher.
Antes do nascimento, a doença pode ser diagnosticada por biópsia das vilosidades coriónicas ou amniocentese. Em alguns locais, faz parte do rastreio (rastreamento) de rotina dos recém-nascidos.
Tratamento e prognóstico
A MedlinePlus explica que a doença de Gaucher não tem cura, mas os tratamentos podem controlar e melhorar os sintomas. Segundo as fontes:
- Terapia de substituição enzimática: repõe a enzima em falta, por via intravenosa; reduz o tamanho do baço e a dor nos ossos e melhora as plaquetas. É mais eficaz nos tipos 1 e 3 sem complicações do sistema nervoso.
- Medicamentos que reduzem a produção de glicocerebrosídeo, por grupos, para quem não pode fazer a terapia enzimática.
- Outros tratamentos: analgésicos, transfusões de sangue, cirurgia aos ossos e articulações ou para retirar o baço.
- Transplante de medula óssea ou de células estaminais: último recurso, porque pode causar morte ou incapacidade.
Não existe tratamento para o tipo 2. O prognóstico depende do tipo: os adultos com tipo 1 podem ter uma esperança de vida normal com a terapia enzimática, e no tipo 3 quem chega à adolescência pode viver muitos anos. Às famílias com história da doença recomenda-se aconselhamento genético antes de uma gravidez.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Cura. A MedlinePlus diz que a doença não tem cura. O Manual MSD refere que o transplante de medula óssea ou de células estaminais cura os tipos 1 e 3, mas é o último recurso.
- Tipo 2. O Manual MSD diz que causa geralmente a morte até aos 2 anos. A MedlinePlus diz que a maioria das crianças afetadas morre antes dos 5 anos.
- Sintoma principal. A MedlinePlus destaca a hemorragia por falta de plaquetas. O Manual MSD destaca o fígado, o baço e os ossos.
Pontos-chave sobre a doença de Gaucher
- É uma doença hereditária rara em que falta uma enzima que decompõe uma gordura.
- A gordura acumula-se no fígado, no baço, nos ossos e na medula óssea.
- O tipo 1 é o mais comum e geralmente não afeta o cérebro.
- Os tipos 2 e 3 causam problemas neurológicos; o tipo 2 é o mais grave.
- O diagnóstico faz-se com uma análise que mede a enzima no sangue.
- A terapia de substituição enzimática melhora os sintomas dos tipos 1 e 3.
Perguntas frequentes sobre a doença de Gaucher
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a doença de Gaucher?
É uma doença hereditária rara em que falta a enzima glicocerebrosidase, e uma substância gorda acumula-se nos órgãos.
Como se transmite?
É autossómica recessiva: a criança tem de receber uma cópia alterada do gene de cada um dos pais, que geralmente não têm sintomas.
Quais são os primeiros sintomas?
Variam com o tipo; os mais comuns são hemorragias e nódoas negras fáceis, cansaço, baço e fígado aumentados e dor nos ossos.
A doença de Gaucher tem cura?
Segundo a MedlinePlus, não; o Manual MSD refere o transplante de medula como cura possível, mas apenas como último recurso.
Qual é a esperança de vida?
Depende do tipo: no tipo 1, pode ser normal com a terapia enzimática; o tipo 2 causa morte precoce na infância.
Pode ser detetada antes do nascimento?
Sim, com biópsia das vilosidades coriónicas ou amniocentese; as famílias com história da doença devem procurar aconselhamento genético.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Doença de Gaucher
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Gaucher disease
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Gaucher disease (Genetics)
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
