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Doença de Gaucher: sintomas e tratamento

A doença de Gaucher é uma doença hereditária rara em que falta uma enzima chamada glicocerebrosidase. Sem ela, uma substância gorda, o glicocerebrosídeo, acumula-se no fígado, no baço, nos ossos e na medula óssea e impede as células e os órgãos de funcionarem bem. Os sintomas variam muito de uma pessoa para outra: baço e fígado aumentados, hemorragias e nódoas negras fáceis, dor e fraturas nos ossos e, em algumas formas, problemas neurológicos. Não tem cura, mas o tratamento de substituição da enzima melhora muitos sintomas. Este guia baseia-se no Manual MSD e na enciclopédia médica MedlinePlus.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a doença de Gaucher?

Segundo o Manual MSD, a doença de Gaucher é um tipo de doença de depósito lisossómico chamado esfingolipidose. As esfingolipidoses surgem quando falta uma enzima necessária para decompor os esfingolípidos, compostos que protegem a superfície das células. A doença de Gaucher é a esfingolipidose mais comum.

A MedlinePlus Genetics explica que alterações (variantes) no gene GBA1 reduzem muito ou eliminam a atividade da enzima que decompõe o glicocerebrosídeo em açúcar (glicose) e numa gordura mais simples (ceramida). Sem enzima suficiente, o glicocerebrosídeo acumula-se dentro das células até níveis tóxicos e danifica os tecidos e os órgãos.

Como se herda e quem tem mais risco

A doença de Gaucher é autossómica recessiva. Segundo as fontes:

  • a criança só tem a doença se receber uma cópia alterada do gene de cada um dos pais;
  • quem tem uma única cópia alterada geralmente não tem sintomas e chama-se portador;
  • por isso, é comum que nenhum dos pais tenha a doença.

Segundo a MedlinePlus Genetics, a doença afeta 1 em cada 50 000 a 100 000 pessoas na população geral. O tipo 1 é mais frequente em pessoas de ascendência judaica asquenaze, da Europa Central e de Leste, em quem afeta 1 em cada 500 a 1000 pessoas. Os tipos 2 e 3 são pouco comuns e não são mais frequentes nesta população; podem ser mais comuns do que o tipo 1 em regiões como o Egito, a Índia, o Japão, a Polónia e a Suécia.

Tipo 1: a forma mais comum

O tipo 1 é a forma mais comum e pode começar em qualquer altura, da infância à idade adulta. Também se chama não neuronopático, porque o cérebro e a medula espinhal geralmente não são afetados. Os sinais vão de ligeiros a graves e, segundo as fontes, incluem:

  • fígado e baço aumentados;
  • anemia (poucos glóbulos vermelhos);
  • nódoas negras fáceis, por falta de plaquetas (trombocitopenia);
  • dor nos ossos, fraturas e problemas nas articulações, como artrite;
  • crescimento insuficiente e puberdade tardia.

O Manual MSD acrescenta que o tipo 1 pode causar doença grave do fígado, com mais risco de hemorragia no estômago e no esófago e de cancro (câncer) do fígado.

Tipos 2 e 3: formas com problemas neurológicos

Os tipos 2 e 3 chamam-se neuronopáticos, porque afetam o sistema nervoso central. Além dos sinais do tipo 1, podem causar movimentos anormais dos olhos, convulsões e lesões no cérebro.

  • Tipo 2: é a forma mais rara. Começa nos primeiros meses de vida, com baço aumentado e problemas neurológicos graves, como convulsões e rigidez dos membros.
  • Tipo 3 (forma juvenil): pode começar em qualquer altura da infância, com fígado e baço aumentados, alterações dos ossos e dos olhos e problemas neurológicos que pioram devagar, como demência e falta de coordenação (ataxia).

A MedlinePlus Genetics descreve ainda uma forma perinatal letal, muito rara, com inchaço grave antes do nascimento, pele seca e escamosa e problemas neurológicos sérios, e uma forma cardiovascular (tipo 3c), que endurece as válvulas do coração.

Doença de Gaucher: sintomas

Segundo a MedlinePlus, o sintoma mais comum é a hemorragia por falta de plaquetas. Outros sintomas podem ser:

  • dor nos ossos e fraturas;
  • nódoas negras fáceis;
  • baço e fígado aumentados;
  • cansaço;
  • diminuição da capacidade de pensar;
  • problemas nas válvulas do coração;
  • convulsões;
  • alterações da pele e, raramente, doença dos pulmões.

O Manual MSD refere também uma pigmentação acastanhada da pele e pontos amarelos nos olhos, chamados pinguéculas. A acumulação na medula óssea pode causar dor e destruir os ossos.

Complicações possíveis

Segundo a MedlinePlus, as complicações da doença de Gaucher podem incluir:

  • convulsões;
  • anemia;
  • falta de plaquetas (trombocitopenia), com tendência para hemorragias;
  • problemas nos ossos.

No tipo 1, o Manual MSD refere ainda a doença grave do fígado, com risco de hemorragia no estômago e no esófago e de cancro do fígado. Por isso, quem tem a doença precisa de acompanhamento regular com exames de sangue, de imagem e dos ossos.

Como se diagnostica?

O médico faz um exame físico e pergunta pelos sintomas. Segundo as fontes, o diagnóstico pode incluir:

  • Análise ao sangue: mede a atividade da enzima nos glóbulos brancos; permite definir o tipo e identificar portadores.
  • Testes genéticos: a análise do ADN é cada vez mais usada.
  • Exames de imagem: ressonância magnética, TC ou radiografias do esqueleto.
  • Aspiração ou biópsia da medula óssea e, por vezes, do fígado, do baço ou dos gânglios, para procurar as células de Gaucher.

Antes do nascimento, a doença pode ser diagnosticada por biópsia das vilosidades coriónicas ou amniocentese. Em alguns locais, faz parte do rastreio (rastreamento) de rotina dos recém-nascidos.

Tratamento e prognóstico

A MedlinePlus explica que a doença de Gaucher não tem cura, mas os tratamentos podem controlar e melhorar os sintomas. Segundo as fontes:

  • Terapia de substituição enzimática: repõe a enzima em falta, por via intravenosa; reduz o tamanho do baço e a dor nos ossos e melhora as plaquetas. É mais eficaz nos tipos 1 e 3 sem complicações do sistema nervoso.
  • Medicamentos que reduzem a produção de glicocerebrosídeo, por grupos, para quem não pode fazer a terapia enzimática.
  • Outros tratamentos: analgésicos, transfusões de sangue, cirurgia aos ossos e articulações ou para retirar o baço.
  • Transplante de medula óssea ou de células estaminais: último recurso, porque pode causar morte ou incapacidade.

Não existe tratamento para o tipo 2. O prognóstico depende do tipo: os adultos com tipo 1 podem ter uma esperança de vida normal com a terapia enzimática, e no tipo 3 quem chega à adolescência pode viver muitos anos. Às famílias com história da doença recomenda-se aconselhamento genético antes de uma gravidez.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Cura. A MedlinePlus diz que a doença não tem cura. O Manual MSD refere que o transplante de medula óssea ou de células estaminais cura os tipos 1 e 3, mas é o último recurso.
  • Tipo 2. O Manual MSD diz que causa geralmente a morte até aos 2 anos. A MedlinePlus diz que a maioria das crianças afetadas morre antes dos 5 anos.
  • Sintoma principal. A MedlinePlus destaca a hemorragia por falta de plaquetas. O Manual MSD destaca o fígado, o baço e os ossos.

Pontos-chave sobre a doença de Gaucher

  • É uma doença hereditária rara em que falta uma enzima que decompõe uma gordura.
  • A gordura acumula-se no fígado, no baço, nos ossos e na medula óssea.
  • O tipo 1 é o mais comum e geralmente não afeta o cérebro.
  • Os tipos 2 e 3 causam problemas neurológicos; o tipo 2 é o mais grave.
  • O diagnóstico faz-se com uma análise que mede a enzima no sangue.
  • A terapia de substituição enzimática melhora os sintomas dos tipos 1 e 3.

Perguntas frequentes sobre a doença de Gaucher

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a doença de Gaucher?

É uma doença hereditária rara em que falta a enzima glicocerebrosidase, e uma substância gorda acumula-se nos órgãos.

Como se transmite?

É autossómica recessiva: a criança tem de receber uma cópia alterada do gene de cada um dos pais, que geralmente não têm sintomas.

Quais são os primeiros sintomas?

Variam com o tipo; os mais comuns são hemorragias e nódoas negras fáceis, cansaço, baço e fígado aumentados e dor nos ossos.

A doença de Gaucher tem cura?

Segundo a MedlinePlus, não; o Manual MSD refere o transplante de medula como cura possível, mas apenas como último recurso.

Qual é a esperança de vida?

Depende do tipo: no tipo 1, pode ser normal com a terapia enzimática; o tipo 2 causa morte precoce na infância.

Pode ser detetada antes do nascimento?

Sim, com biópsia das vilosidades coriónicas ou amniocentese; as famílias com história da doença devem procurar aconselhamento genético.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Doença de Gaucher
  2. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Gaucher disease
  3. MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine) · Gaucher disease (Genetics)

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.