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Hemofilia: sintomas, causas e tratamento

A hemofilia é uma doença rara, em geral hereditária, em que o sangue não coagula bem por falta de um de dois fatores de coagulação: o fator VIII ou o fator IX. Quem a tem sangra com mais facilidade e durante mais tempo do que as outras pessoas. Em geral não tem cura, mas o tratamento controla os sintomas e, com ele, a esperança de vida costuma ser normal. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Fisioterapia
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a hemofilia?

Os fatores de coagulação são proteínas do sangue que interagem para o fazer coagular e parar as hemorragias. Na hemofilia falta um destes fatores. Há duas formas principais:

  • Hemofilia A: falta do fator VIII; representa cerca de 80% dos casos.
  • Hemofilia B: falta do fator IX.

As duas formas têm hemorragias e consequências semelhantes, mas os medicamentos usados em cada uma são diferentes. Outras doenças, como a doença de von Willebrand, podem causar sintomas parecidos.

Como se herda a hemofilia

A maioria das pessoas com hemofilia nasce com ela. A causa são alterações genéticas ligadas ao sexo, herdadas da mãe, e por isso a maioria das pessoas afetadas é do sexo masculino. O NHS explica que as portadoras do gene alterado podem ter sintomas, mas isso é menos comum e os sintomas são mais ligeiros.

É possível desenvolver hemofilia mais tarde na vida (hemofilia adquirida), mas isso é muito raro. O Manual MSD aconselha a testar os familiares para saber se são portadores do gene alterado.

Hemofilia: sintomas

O principal sintoma é a hemorragia excessiva. Os sintomas costumam começar na primeira infância, mas às vezes só se notam mais tarde:

  • hemorragias prolongadas depois de uma lesão, de uma cirurgia ou de tirar um dente;
  • nódoas negras com facilidade, sobretudo nas crianças;
  • dor, rigidez e inchaço das articulações, por hemorragia nas articulações ou nos músculos;
  • hemorragias dentro do abdómen ou da cabeça.

Hemofilia ligeira, moderada e grave

  • Ligeira (atividade de coagulação entre 5% e 49% do normal): pode não ser diagnosticada, mas há hemorragias maiores do que o esperado após cirurgias, extrações dentárias ou lesões graves.
  • Moderada (1% a 5%): poucas hemorragias espontâneas, mas cirurgias ou lesões podem causar hemorragias descontroladas; o primeiro episódio surge em geral antes dos 18 meses.
  • Grave (menos de 1%): hemorragias graves repetidas com pequenas lesões ou sem razão aparente, muitas vezes logo a partir do parto.

Na forma grave, hemorragias repetidas nas articulações e nos músculos podem causar deformidades e incapacidade, e uma pequena pancada na cabeça pode causar uma hemorragia grande no cérebro. Quanto menos fator houver, mais tratamento é preciso.

Quando procurar ajuda?

  • Urgência (SAMU 192 no Brasil; 112 em Portugal): com hemofilia e pancada na cabeça, ferida grave ou profunda, sangue nas fezes ou fezes vermelho-escuras ou negras, vómitos ou tosse com sangue, ou dor de cabeça súbita e forte com confusão, sensibilidade à luz, náuseas ou vómitos. Se possível, trate logo a hemorragia com a medicação habitual e não conduza até ao hospital.
  • Contactar já a equipa de hemofilia: dor, inchaço, formigueiro ou dormência numa articulação ou músculo, sangue na urina, qualquer hemorragia que preocupe, ou hemorragia sem medicação para a tratar.
  • Consulta normal: se tiver sintomas de hemofilia ou uma criança a seu cargo os tiver, ou em caso de gravidez ou de planear uma gravidez e houver hemofilia na família.

Consulte o seu médico.

Como se faz o diagnóstico

O médico suspeita de hemofilia numa criança que sangra sem causa aparente ou mais do que o esperado após uma lesão. Uma análise de sangue mostra se a coagulação é anormalmente lenta, e a medição dos fatores VIII e IX confirma o diagnóstico, o tipo e a gravidade.

Depois do diagnóstico, a pessoa é encaminhada para um centro de hemofilia. Em centros especializados há testes genéticos para quem pode ser portador e testes antes do nascimento. O NHS refere que quem tem risco de ter um filho com hemofilia pode falar com um conselheiro genético, e que há testes antes, durante e depois da gravidez.

Tratamento da hemofilia

O tratamento principal é repor o fator de coagulação que falta, com injeções. Os fatores podem ser obtidos do plasma de dadores, tratado para inativar vírus, ou produzidos em laboratório (fatores recombinantes), sem risco de infeção. O NHS sublinha que os fatores usados hoje são muito seguros.

  • Tratamento preventivo: na hemofilia grave, em geral injeções até 3 vezes por semana, que muitas vezes a própria pessoa faz em casa.
  • Tratamento quando há hemorragia: na hemofilia ligeira ou moderada, para parar a hemorragia e antes de cirurgias ou tratamentos dentários.
  • Outros medicamentos e terapia genética: há outros tipos de medicamentos para a hemofilia e uma terapia genética para as hemofilias A e B.

Algumas pessoas desenvolvem anticorpos contra o fator (inibidores), que tornam o tratamento menos eficaz; nesse caso, a equipa procura um tratamento mais adequado.

Viver com hemofilia

  • usar logo a medicação habitual e pedir ajuda médica perante qualquer hemorragia;
  • fazer exercício regular para manter as articulações saudáveis; um fisioterapeuta pode ajudar a escolher o tipo de exercício;
  • cuidar dos dentes e das gengivas e ir ao dentista com regularidade, para evitar extrações;
  • falar com a equipa de hemofilia antes de tomar novos medicamentos ou de planear uma cirurgia ou tratamento dentário;
  • não tomar ácido acetilsalicílico nem outros anti-inflamatórios não esteroides, que interferem com as plaquetas;
  • evitar desportos de contacto, como o râguebi ou o boxe, salvo indicação da equipa, e usar uma pulseira de alerta médico.

Com tratamento, o impacto no dia a dia é muito menor. As complicações possíveis incluem lesões das articulações, por vezes com necessidade de prótese, e hemorragias graves após cirurgias ou lesões. Veja também a secção de fisioterapia.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Origem. O Manual MSD descreve a hemofilia como hereditária. O NHS refere também uma forma adquirida mais tarde na vida, muito rara.
  • Transfusões antigas. O NHS avisa que quem recebeu transfusões antes de 1996 pode ter sido infetado com hepatite C e deve pedir testes. O Manual MSD refere que os fatores do plasma são tratados para inativar vírus.
  • Detalhe. O Manual MSD dá as percentagens de cada grau de gravidade. O NHS detalha os níveis de urgência e os cuidados do dia a dia.

Pontos-chave sobre a hemofilia

  • A hemofilia é uma doença hereditária da coagulação do sangue.
  • Deve-se à falta do fator VIII (hemofilia A) ou do fator IX (hemofilia B).
  • Causa hemorragias prolongadas, nódoas negras e hemorragias nas articulações.
  • Diagnostica-se com análises que medem os fatores de coagulação.
  • Trata-se repondo o fator em falta, de forma preventiva ou quando há hemorragia.
  • Pancada na cabeça ou hemorragia grave exigem urgência.

Perguntas frequentes sobre a hemofilia

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a hemofilia?

É uma doença em que o sangue não coagula bem por falta do fator de coagulação VIII ou IX.

A hemofilia é hereditária?

Em geral sim. As alterações genéticas são herdadas da mãe e afetam sobretudo pessoas do sexo masculino.

Quais são os sintomas da hemofilia?

Hemorragias prolongadas após lesões, cirurgias ou extrações dentárias, nódoas negras fáceis e dor e inchaço nas articulações.

A hemofilia tem cura?

Em geral não, mas o tratamento controla os sintomas e a esperança de vida costuma ser normal.

Como se trata a hemofilia?

Com injeções do fator de coagulação em falta, de forma preventiva ou quando há hemorragia, e outros medicamentos.

Que medicamentos se devem evitar?

O ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides; consulte a equipa antes de qualquer medicamento novo.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Hemofilia
  2. NHS · Haemophilia

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.