O que é a síndrome da boca ardente?
A síndrome da boca ardente, também chamada síndrome do ardor bucal ou ardor da língua, é uma dor na boca, geralmente na língua, em pessoas sem feridas nem alterações visíveis. O NIDCR descreve-a como uma sensação de ardor, queimadura ou formigueiro que surge com frequência, muitas vezes todos os dias, durante meses ou mais tempo.
O Manual MSD considera que provavelmente reúne vários problemas diferentes, com causas distintas, mas com o mesmo sintoma. Não é o mesmo que o desconforto passageiro que muitas pessoas sentem depois de comer alimentos irritantes ou ácidos.
Quem tem a síndrome da boca ardente?
A síndrome raramente surge antes dos 30 anos. É mais frequente nas mulheres, sobretudo depois da menopausa.
Pode ter consequências na vida diária: o Manual MSD refere mudanças nos hábitos alimentares, irritabilidade, depressão e tendência para evitar outras pessoas.
Porque surge o ardor na boca?
Os especialistas pensam que a síndrome envolve uma alteração, ainda mal compreendida, dos nervos da boca que controlam a dor e o paladar. Muitas vezes procura-se uma doença que esteja a causar o ardor. As fontes referem como causas possíveis:
- falta de vitamina B12, de folato, de ferro ou de zinco, e anemia;
- diabetes e problemas da tiroide;
- infeção por fungos na boca (candidíase);
- alergia a alimentos, a produtos dentários ou a materiais dentários, geralmente metais;
- boca seca, por medicamentos, doenças ou tratamentos, e problemas das glândulas salivares;
- alterações hormonais da menopausa;
- refluxo ácido, ansiedade, depressão e stress, segundo o NIDCR.
Hábitos da boca e medicamentos
Alguns hábitos da boca, muitas vezes inconscientes, podem contribuir para o ardor:
- empurrar a língua contra os dentes ou movimentos excessivos da língua;
- cerrar ou ranger os dentes (bruxismo).
Também certos medicamentos podem estar envolvidos, sobretudo os que reduzem a saliva e, segundo o NIDCR, alguns medicamentos para a tensão arterial (pressão arterial). O dentista pode ajudar a controlar os hábitos da boca. Sobre o ranger de dentes, veja o guia bruxismo.
Síndrome da boca ardente: sintomas
O sintoma principal é uma dor na boca em ardor, queimadura ou formigueiro, ou uma dormência dolorosa que vai e vem. Pode afetar toda a boca ou apenas a língua, sobretudo a ponta, os lados e a parte de cima, e também os lábios e o céu da boca.
- pode ser constante ou intermitente;
- em muitas pessoas é ligeira ao acordar e aumenta ao longo do dia;
- alivia muitas vezes ao comer ou beber;
- pode vir com boca seca e mais sede;
- pode vir com o paladar alterado, como um gosto metálico.
A dor pode durar meses ou anos.
Como se diagnostica?
O diagnóstico pode demorar, porque muitas vezes a boca parece saudável e as análises são normais. O dentista ou o médico revê a história clínica e os hábitos alimentares e examina a boca para excluir outras causas de dor, como problemas dos dentes e das gengivas, infeções ou irritações.
Segundo o Manual MSD, para o diagnóstico a dor deve surgir todos os dias, durante cerca de duas horas ou mais por dia, há mais de três meses. Podem ser precisos outros exames:
- análises ao sangue (exames de sangue);
- zaragatoas da boca;
- testes de alergia;
- medição da quantidade de saliva;
- exames de imagem.
O NIDCR refere que o dentista pode encaminhar para um especialista em cirurgia ou medicina oral ou para um otorrinolaringologista.
Tratamento da síndrome da boca ardente
Se for encontrada uma causa, trata-se, e isso pode fazer desaparecer os sintomas. Se um medicamento estiver na origem, o médico pode trocá-lo. Como a síndrome é complexa, o que resulta numa pessoa pode não resultar noutra, e pode ser preciso experimentar vários tratamentos.
- Manter a boca húmida: substitutos da saliva, pedaços de gelo, beber água com frequência ou mascar pastilha sem açúcar.
- Medicamentos receitados, por grupos: alguns medicamentos usados para a ansiedade, a depressão e outras doenças dos nervos, que acalmam os nervos hiperativos; podem, no entanto, piorar a boca seca. Também cremes aplicados na boca.
- Terapia cognitivo-comportamental, que por vezes ajuda quando outros tratamentos falham.
Por vezes os sintomas desaparecem sem tratamento, mas podem voltar.
O que evitar e dicas para o dia a dia
O NIDCR aconselha evitar o que pode irritar a boca:
- tabaco;
- alimentos quentes e picantes;
- bebidas alcoólicas;
- elixires bucais com álcool;
- produtos muito ácidos, como citrinos e sumos.
Beber aos golinhos uma bebida fria, chupar gelo ou mascar pastilha sem açúcar pode aliviar a dor. Trabalhar com um dentista ou médico de confiança e partilhar as preocupações ajuda durante o processo de diagnóstico.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Critério de diagnóstico. O Manual MSD diz que a dor deve surgir todos os dias, cerca de duas horas por dia, há mais de três meses. O NIDCR fala de dor frequente durante meses ou mais tempo.
- Causas. O NIDCR inclui o refluxo, a ansiedade, o stress e alguns medicamentos para a tensão. O Manual MSD detalha as faltas de vitaminas e minerais e a anemia.
- Dicas. O NIDCR dá uma lista do que evitar, como o álcool e os ácidos. O Manual MSD refere a terapia cognitivo-comportamental.
Pontos-chave sobre a síndrome da boca ardente
- A síndrome da boca ardente é uma dor em ardor na boca sem lesões visíveis.
- Afeta sobretudo a língua e é mais frequente nas mulheres depois da menopausa.
- Pensa-se que envolve uma alteração dos nervos da dor e do paladar.
- Diagnostica-se excluindo outras causas, como infeções ou falta de vitaminas.
- Manter a boca húmida e evitar irritantes ajuda a aliviar.
- Tratam-se as causas encontradas e, por vezes, usam-se medicamentos ou terapia.
Perguntas frequentes sobre a síndrome da boca ardente
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a síndrome da boca ardente?
É uma dor em ardor, queimadura ou formigueiro na boca, sobretudo na língua, sem feridas nem alterações visíveis.
Quem tem mais a síndrome da boca ardente?
Sobretudo as mulheres depois da menopausa; raramente surge antes dos 30 anos.
O que causa o ardor na língua?
Pensa-se que é uma alteração dos nervos da dor e do paladar; podem contribuir a falta de vitaminas, a boca seca, infeções por fungos, alergias e alterações hormonais.
Quanto tempo dura a dor?
Pode durar meses ou anos; em muitas pessoas é ligeira ao acordar e aumenta ao longo do dia, aliviando ao comer ou beber.
O que devo evitar?
Tabaco, álcool, elixires com álcool, alimentos quentes e picantes e produtos ácidos como citrinos.
A síndrome da boca ardente tem cura?
Se houver uma causa tratável, os sintomas podem desaparecer; noutros casos, os tratamentos aliviam e por vezes passa sozinha, mas pode voltar.
Fontes
- Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Síndrome de ardor bucal
- NIDCR (National Institutes of Health) · Burning Mouth Syndrome
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
