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Síndrome da boca ardente: causas e tratamento

A síndrome da boca ardente é uma dor em ardor, queimadura ou formigueiro na boca, sobretudo na língua, em pessoas que não têm feridas nem alterações visíveis na boca. Pode durar meses ou anos e é mais frequente nas mulheres depois da menopausa. Pensa-se que envolve uma alteração dos nervos que controlam a dor e o paladar. Tratar as causas encontradas e manter a boca húmida ajudam a aliviar. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do Instituto Nacional de Investigação Dentária e Craniofacial dos Estados Unidos (NIDCR), dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH).

Tema
Otorrino
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a síndrome da boca ardente?

A síndrome da boca ardente, também chamada síndrome do ardor bucal ou ardor da língua, é uma dor na boca, geralmente na língua, em pessoas sem feridas nem alterações visíveis. O NIDCR descreve-a como uma sensação de ardor, queimadura ou formigueiro que surge com frequência, muitas vezes todos os dias, durante meses ou mais tempo.

O Manual MSD considera que provavelmente reúne vários problemas diferentes, com causas distintas, mas com o mesmo sintoma. Não é o mesmo que o desconforto passageiro que muitas pessoas sentem depois de comer alimentos irritantes ou ácidos.

Quem tem a síndrome da boca ardente?

A síndrome raramente surge antes dos 30 anos. É mais frequente nas mulheres, sobretudo depois da menopausa.

Pode ter consequências na vida diária: o Manual MSD refere mudanças nos hábitos alimentares, irritabilidade, depressão e tendência para evitar outras pessoas.

Porque surge o ardor na boca?

Os especialistas pensam que a síndrome envolve uma alteração, ainda mal compreendida, dos nervos da boca que controlam a dor e o paladar. Muitas vezes procura-se uma doença que esteja a causar o ardor. As fontes referem como causas possíveis:

  • falta de vitamina B12, de folato, de ferro ou de zinco, e anemia;
  • diabetes e problemas da tiroide;
  • infeção por fungos na boca (candidíase);
  • alergia a alimentos, a produtos dentários ou a materiais dentários, geralmente metais;
  • boca seca, por medicamentos, doenças ou tratamentos, e problemas das glândulas salivares;
  • alterações hormonais da menopausa;
  • refluxo ácido, ansiedade, depressão e stress, segundo o NIDCR.

Hábitos da boca e medicamentos

Alguns hábitos da boca, muitas vezes inconscientes, podem contribuir para o ardor:

  • empurrar a língua contra os dentes ou movimentos excessivos da língua;
  • cerrar ou ranger os dentes (bruxismo).

Também certos medicamentos podem estar envolvidos, sobretudo os que reduzem a saliva e, segundo o NIDCR, alguns medicamentos para a tensão arterial (pressão arterial). O dentista pode ajudar a controlar os hábitos da boca. Sobre o ranger de dentes, veja o guia bruxismo.

Síndrome da boca ardente: sintomas

O sintoma principal é uma dor na boca em ardor, queimadura ou formigueiro, ou uma dormência dolorosa que vai e vem. Pode afetar toda a boca ou apenas a língua, sobretudo a ponta, os lados e a parte de cima, e também os lábios e o céu da boca.

  • pode ser constante ou intermitente;
  • em muitas pessoas é ligeira ao acordar e aumenta ao longo do dia;
  • alivia muitas vezes ao comer ou beber;
  • pode vir com boca seca e mais sede;
  • pode vir com o paladar alterado, como um gosto metálico.

A dor pode durar meses ou anos.

Como se diagnostica?

O diagnóstico pode demorar, porque muitas vezes a boca parece saudável e as análises são normais. O dentista ou o médico revê a história clínica e os hábitos alimentares e examina a boca para excluir outras causas de dor, como problemas dos dentes e das gengivas, infeções ou irritações.

Segundo o Manual MSD, para o diagnóstico a dor deve surgir todos os dias, durante cerca de duas horas ou mais por dia, há mais de três meses. Podem ser precisos outros exames:

  • análises ao sangue (exames de sangue);
  • zaragatoas da boca;
  • testes de alergia;
  • medição da quantidade de saliva;
  • exames de imagem.

O NIDCR refere que o dentista pode encaminhar para um especialista em cirurgia ou medicina oral ou para um otorrinolaringologista.

Tratamento da síndrome da boca ardente

Se for encontrada uma causa, trata-se, e isso pode fazer desaparecer os sintomas. Se um medicamento estiver na origem, o médico pode trocá-lo. Como a síndrome é complexa, o que resulta numa pessoa pode não resultar noutra, e pode ser preciso experimentar vários tratamentos.

  • Manter a boca húmida: substitutos da saliva, pedaços de gelo, beber água com frequência ou mascar pastilha sem açúcar.
  • Medicamentos receitados, por grupos: alguns medicamentos usados para a ansiedade, a depressão e outras doenças dos nervos, que acalmam os nervos hiperativos; podem, no entanto, piorar a boca seca. Também cremes aplicados na boca.
  • Terapia cognitivo-comportamental, que por vezes ajuda quando outros tratamentos falham.

Por vezes os sintomas desaparecem sem tratamento, mas podem voltar.

O que evitar e dicas para o dia a dia

O NIDCR aconselha evitar o que pode irritar a boca:

  • tabaco;
  • alimentos quentes e picantes;
  • bebidas alcoólicas;
  • elixires bucais com álcool;
  • produtos muito ácidos, como citrinos e sumos.

Beber aos golinhos uma bebida fria, chupar gelo ou mascar pastilha sem açúcar pode aliviar a dor. Trabalhar com um dentista ou médico de confiança e partilhar as preocupações ajuda durante o processo de diagnóstico.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Critério de diagnóstico. O Manual MSD diz que a dor deve surgir todos os dias, cerca de duas horas por dia, há mais de três meses. O NIDCR fala de dor frequente durante meses ou mais tempo.
  • Causas. O NIDCR inclui o refluxo, a ansiedade, o stress e alguns medicamentos para a tensão. O Manual MSD detalha as faltas de vitaminas e minerais e a anemia.
  • Dicas. O NIDCR dá uma lista do que evitar, como o álcool e os ácidos. O Manual MSD refere a terapia cognitivo-comportamental.

Pontos-chave sobre a síndrome da boca ardente

  • A síndrome da boca ardente é uma dor em ardor na boca sem lesões visíveis.
  • Afeta sobretudo a língua e é mais frequente nas mulheres depois da menopausa.
  • Pensa-se que envolve uma alteração dos nervos da dor e do paladar.
  • Diagnostica-se excluindo outras causas, como infeções ou falta de vitaminas.
  • Manter a boca húmida e evitar irritantes ajuda a aliviar.
  • Tratam-se as causas encontradas e, por vezes, usam-se medicamentos ou terapia.

Perguntas frequentes sobre a síndrome da boca ardente

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que é a síndrome da boca ardente?

É uma dor em ardor, queimadura ou formigueiro na boca, sobretudo na língua, sem feridas nem alterações visíveis.

Quem tem mais a síndrome da boca ardente?

Sobretudo as mulheres depois da menopausa; raramente surge antes dos 30 anos.

O que causa o ardor na língua?

Pensa-se que é uma alteração dos nervos da dor e do paladar; podem contribuir a falta de vitaminas, a boca seca, infeções por fungos, alergias e alterações hormonais.

Quanto tempo dura a dor?

Pode durar meses ou anos; em muitas pessoas é ligeira ao acordar e aumenta ao longo do dia, aliviando ao comer ou beber.

O que devo evitar?

Tabaco, álcool, elixires com álcool, alimentos quentes e picantes e produtos ácidos como citrinos.

A síndrome da boca ardente tem cura?

Se houver uma causa tratável, os sintomas podem desaparecer; noutros casos, os tratamentos aliviam e por vezes passa sozinha, mas pode voltar.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Síndrome de ardor bucal
  2. NIDCR (National Institutes of Health) · Burning Mouth Syndrome

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.