O que é a falta de ar?
Durante o exercício e em altitudes elevadas, é normal respirar mais depressa e mais fundo, e isso raramente incomoda. Na dispneia, a respiração acelerada vem acompanhada da sensação de que falta o ar: a pessoa sente que não consegue respirar com a profundidade e a rapidez necessárias.
Pode sentir que expandir o peito exige mais esforço do que o normal, ou que precisa de inspirar antes de terminar de expirar. Muitas vezes descreve-se como um aperto no peito. Conforme a causa, podem surgir também náuseas, tosse ou dor no peito.
Causas mais comuns da falta de ar
A dispneia deve-se geralmente a doenças dos pulmões ou do coração. Segundo o Manual MSD, as causas mais comuns são:
- asma, pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC);
- ataque cardíaco ou angina, quando chega pouco sangue e oxigénio ao coração;
- insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar;
- falta de condição física, por inatividade, e aumento de peso;
- gravidez.
O NHS acrescenta as infeções do peito, o tabaco e os ataques de pânico. A embolia pulmonar, o bloqueio súbito de uma artéria do pulmão, geralmente por um coágulo, é menos comum, mas séria. Em quem já tem uma doença crónica dos pulmões ou do coração, a causa mais comum é o agravamento dessa doença.
Quando a causa está nos pulmões
Quem tem problemas pulmonares sente muitas vezes falta de ar durante o esforço, porque o corpo precisa de mais oxigénio e produz mais dióxido de carbono. Com a doença a piorar, a dispneia pode surgir mesmo em repouso, e muitas pessoas passam a evitar a atividade física.
- Doenças restritivas: os pulmões ficam rígidos e custa mais expandi-los, como na fibrose pulmonar idiopática ou numa curvatura grave da coluna (escoliose).
- Doenças obstrutivas: as vias aéreas estreitam-se e o ar sai mais devagar, com pieira, como na DPOC ou na asma.
Nas crises de asma surge falta de ar; os médicos costumam aconselhar ter sempre um inalador à mão.
Coração, anemia e outras causas
Quando o coração bombeia mal (insuficiência cardíaca), pode acumular-se líquido nos pulmões, o que causa falta de ar e sensação de peso no peito. Algumas pessoas sentem falta de ar ao deitar, que melhora ao sentar, ou acordam de noite sufocadas e precisam de se sentar ou levantar para respirar.
Na anemia, há menos glóbulos vermelhos para levar oxigénio: a maioria das pessoas sente-se bem sentada, mas fica sem fôlego com o esforço. A acumulação de ácido no sangue, por exemplo numa insuficiência renal grave ou num agravamento súbito da diabetes, também pode causar respiração rápida e ofegante.
Na síndrome de hiperventilação, mais vezes causada por ansiedade do que por um problema físico, a pessoa respira de forma rápida e pesada e pode sentir dor no peito, formigueiro nas mãos, nos pés e à volta da boca, e medo de estar a ter um ataque cardíaco.

Sinais de alerta
Segundo o Manual MSD, merecem atenção especial:
- falta de ar em repouso;
- agitação, confusão ou diminuição do nível de consciência;
- desconforto no peito ou palpitações, a sensação de que o coração dispara ou falha batidas;
- perda de peso;
- suores noturnos.
Quem tem falta de ar em repouso, dor no peito, palpitações, agitação, confusão ou dificuldade em fazer entrar ou sair o ar deve ir ao hospital imediatamente.
Falta de ar: quando é urgente
O NHS aconselha ajuda imediata se:
- tiver dificuldade grave em respirar: arqueja, sufoca ou não consegue falar;
- sentir o peito apertado ou pesado;
- tiver dor que se estende aos braços, costas, pescoço e mandíbula;
- os lábios ou a pele ficarem muito pálidos, azulados ou acinzentados; na pele escura, nota-se melhor nas palmas das mãos;
- sentir confusão súbita.
Numa criança, também são sinais de urgência fazer ruídos ao respirar ou encolher a barriga por baixo das costelas, ficar mole ou não reagir como habitualmente. Nestes casos, no Brasil, ligue para o SAMU 192; em Portugal, para o 112.
Quando falar com o médico
O NHS aconselha pedir conselho médico com urgência se tiver mais falta de ar do que o habitual, náuseas ou vómitos, tosse com sangue, dor ou inchaço numa perna, ou palpitações.
Deve marcar consulta se a falta de ar piorar nas atividades normais ou ao deitar, se tiver falta de ar com os tornozelos inchados, ou se tossir há 3 semanas ou mais. É importante confirmar que não é nada grave. Consulte o seu médico.
Como o médico procura a causa
O médico pergunta quando começou a falta de ar, se foi súbita ou gradual, quanto tempo dura e o que a provoca ou agrava, como o frio, o esforço, alergénios ou o deitar. Pergunta também por doenças dos pulmões ou do coração, pelo tabaco e por fatores de risco de embolia, como internamentos, cirurgias e viagens longas recentes.
No exame, ouve os pulmões e o coração. O inchaço das duas pernas sugere insuficiência cardíaca; o de uma só perna sugere um coágulo. Quase sempre se mede o oxigénio no sangue com um sensor no dedo (oximetria de pulso), e costuma fazer-se uma radiografia do tórax e, na maioria dos adultos, um eletrocardiograma. Conforme o caso, podem pedir-se provas de função pulmonar, análises ao sangue (exames de sangue) ou exames de imagem dos pulmões.

Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Causas. O NHS inclui o tabaco, o excesso de peso e os ataques de pânico entre as causas comuns e menciona o cancro (câncer) do pulmão. O Manual MSD destaca a gravidez, a falta de condição física e a embolia pulmonar.
- Tratamento. O Manual MSD descreve o oxigénio e a ventilação nos casos graves. O NHS diz apenas que o tratamento depende da causa.
- Crianças. O NHS lista sinais de urgência específicos para crianças. O Manual MSD refere sobretudo a tosse ou pieira súbita por um objeto inalado em bebés e crianças pequenas.
Pontos-chave sobre a falta de ar
- A falta de ar (dispneia) é a sensação de dificuldade em respirar.
- Deve-se geralmente a problemas dos pulmões ou do coração.
- Asma, DPOC, pneumonia e insuficiência cardíaca estão entre as causas comuns.
- Falta de ar em repouso, dor no peito ou confusão exigem ajuda imediata.
- O médico mede o oxigénio no sangue e procura a causa com exames.
- O tratamento depende da causa; quem tem pouco oxigénio recebe oxigénio.
Perguntas frequentes sobre a falta de ar
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que pode causar falta de ar?
Sobretudo doenças dos pulmões ou do coração, como asma, DPOC, pneumonia ou insuficiência cardíaca, mas também anemia, excesso de peso ou ansiedade.
Quando é que a falta de ar é urgente?
Quando é grave, surge em repouso ou vem com dor ou aperto no peito, lábios azulados ou confusão súbita.
A ansiedade pode causar falta de ar?
Sim. Na síndrome de hiperventilação, mais vezes ligada à ansiedade, a pessoa respira de forma rápida e pesada.
Porque tenho falta de ar ao deitar?
A falta de ar ao deitar, que melhora ao sentar, pode surgir na insuficiência cardíaca e deve ser avaliada pelo médico.
Que exames se fazem?
Geralmente oximetria de pulso, radiografia do tórax e eletrocardiograma; outros conforme a suspeita.
Como se trata a falta de ar?
Trata-se a causa. Quem tem pouco oxigénio no sangue recebe oxigénio por cânulas nasais ou máscara.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.

