O que é a bronquiectasia?
As vias aéreas defendem-se com uma camada de muco e com pequenos pelos (cílios) que a movem até à garganta, levando partículas e bactérias para serem expelidas pela tosse ou engolidas. Na bronquiectasia, partes da parede dos brônquios ficam lesionadas e inflamadas de forma crónica.
A parede inflamada perde elasticidade, as vias aéreas alargam e formam pequenas bolsas, e a produção de muco aumenta. Como os cílios ficam danificados, o muco acumula-se e favorece as infeções, que por sua vez lesionam mais as vias aéreas. A doença pode afetar muitas zonas do pulmão ou só uma ou duas.
Causas da bronquiectasia
A causa mais comum são infeções respiratórias graves ou repetidas, como pneumonia, tuberculose, sarampo, tosse convulsa (coqueluche) ou COVID-19. São mais prováveis em pessoas com:
- fibrose quística ou outras doenças hereditárias que dificultam a limpeza das vias aéreas;
- problemas do sistema imunitário;
- certas doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, a colite ulcerosa ou a síndrome de Sjögren;
- bloqueio das vias aéreas por um objeto inalado, gânglios aumentados, um tumor ou após cirurgia ao pulmão;
- inalação de substâncias tóxicas, como vapores, fumos, incluindo o fumo do tabaco, gases ou poeiras como a sílica.
Pode acompanhar a asma ou a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), ou resultar da inalação repetida de ácido do estômago ou de comida. Em muitas pessoas não se encontra a causa.
Bronquiectasia: sintomas
A bronquiectasia pode surgir em qualquer idade. Na maioria das pessoas, os sintomas começam aos poucos, muitas vezes após uma infeção respiratória, e pioram com os anos. Os principais são:
- tosse que não passa;
- muita expetoração, que pode ser transparente, branca, amarela ou verde;
- infeções respiratórias frequentes, em que os sintomas pioram durante dias ou semanas.
Pode haver também pieira, falta de ar, ruídos ao respirar, muito cansaço, tosse com sangue e dor no peito. A tosse com sangue é comum, porque as paredes danificadas são frágeis, e pode ser o primeiro ou único sintoma. Nos casos graves e crónicos há perda de peso.
Surtos e complicações
As pessoas podem ter surtos (exacerbações), às vezes com pneumonia, por uma infeção nova ou que piorou. Nestes surtos, a tosse fica mais forte, a expetoração aumenta ou a respiração piora.
A inflamação e a infeção podem chegar aos alvéolos e causar pneumonia, cicatrizes e perda de tecido pulmonar. A perda grave de tecido obriga o lado direito do coração a esforçar-se mais e pode levar a insuficiência cardíaca. Uma bronquiectasia muito grave pode causar oxigénio baixo ou dióxido de carbono alto no sangue (insuficiência respiratória).
Quando procurar ajuda?
- Urgência (SAMU 192 no Brasil; 112 em Portugal): se tossir mais do que pequenas manchas ou estrias de sangue, o que pode indicar uma hemorragia grave nos pulmões, ou se tiver grande dificuldade em respirar, a arfar, a sufocar ou sem conseguir falar. Não conduza até ao hospital.
- Consulta urgente: tosse muito forte ou a piorar depressa, pequenas manchas ou estrias de sangue na expetoração, mais falta de ar do que o habitual, ou sinais de infeção respiratória, como febre ou dor no peito ao respirar ou tossir, em quem já tem o diagnóstico.
- Consulta normal: se achar que pode ter bronquiectasia ou tiver tosse há mais de 3 semanas.
O NHS refere estes três níveis. Consulte o seu médico.
Como se faz o diagnóstico
O médico ausculta o peito e pode pedir uma análise da expetoração, radiografia do tórax, espirometria e análises de sangue (exames de sangue). A TAC (tomografia computadorizada) do tórax é o exame mais preciso para confirmar o diagnóstico e ver a extensão e a gravidade. As provas de função respiratória não fazem o diagnóstico, mas mostram a gravidade e ajudam a seguir a evolução.
Depois, procuram-se causas: análises ao sistema imunitário, teste do suor para a fibrose quística, exames à expetoração e aos cílios, e outros. Se a doença estiver limitada a uma zona, pode fazer-se uma broncoscopia para procurar um objeto inalado ou um tumor.
Tratamento da bronquiectasia
O tratamento procura reduzir as infeções, diminuir o muco e a inflamação e aliviar o bloqueio das vias aéreas. O tratamento precoce pode reduzir complicações. Segundo as duas fontes, inclui:
- Limpeza das vias aéreas: técnicas respiratórias ensinadas por um fisioterapeuta especializado, drenagem postural, exercício regular e, às vezes, inalação de uma solução salina para soltar o muco.
- Antibióticos: para as infeções e surtos, conforme a análise da expetoração; por vezes de forma prolongada, se houver infeções frequentes.
- Medicamentos inalados: broncodilatadores e, raramente, corticosteroides inalados, para a pieira e a falta de ar.
- Casos graves: oxigénio, cirurgia para retirar parte do pulmão ou transplante pulmonar.
Quem tem falta de ar pode fazer um programa de reabilitação respiratória, com exercício e conselhos. Veja também a secção de fisioterapia.
O que ajuda e como prevenir
- fazer as vacinas recomendadas: gripe todos os anos, pneumococo, COVID-19 e, em algumas pessoas, vírus sincicial respiratório;
- não fumar e evitar vapores, gases, fumos e poeiras nocivas;
- fazer exercício regular e ter uma alimentação equilibrada com peso saudável;
- lavar as mãos com frequência e afastar-se de pessoas com constipações ou gripe;
- vigiar o que as crianças levam à boca, para evitar que inalem objetos.
O Manual MSD refere que as vacinas infantis contra o sarampo e a tosse convulsa, melhores condições de vida e melhor nutrição reduziram muito o número de casos.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Limpeza do muco. O NHS dá destaque às técnicas respiratórias diárias ensinadas por um fisioterapeuta e a aparelhos que vibram. O Manual MSD fala de fisioterapia torácica, drenagem postural e percussão sobretudo nos surtos.
- Antibióticos em casa. O NHS refere um kit de antibióticos para ter em casa e antibióticos prolongados com mais de 3 infeções por ano. O Manual MSD fala de antibióticos prolongados em quem tem crises frequentes ou fibrose quística.
- Detalhe. O Manual MSD descreve muitas causas e exames. O NHS centra-se nos sinais de alerta e no dia a dia.
Pontos-chave sobre a bronquiectasia
- Na bronquiectasia, as vias aéreas ficam alargadas e acumulam muco.
- A causa mais comum são infeções respiratórias graves ou repetidas.
- Tosse persistente com muita expetoração é o sintoma principal.
- Tossir muito sangue ou grande falta de ar exigem urgência.
- A TAC do tórax confirma o diagnóstico.
- Limpeza diária do muco, antibióticos e vacinas ajudam a controlá-la.
Perguntas frequentes sobre a bronquiectasia
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
O que é a bronquiectasia?
É um alargamento permanente de partes das vias aéreas, que produzem muito muco e infetam com facilidade.
Quais são os sintomas da bronquiectasia?
Tosse que não passa, muita expetoração e infeções respiratórias frequentes; às vezes falta de ar ou tosse com sangue.
A bronquiectasia tem cura?
Em geral não, mas o tratamento ajuda a controlar os sintomas e a evitar que piorem.
O que causa a bronquiectasia?
Sobretudo infeções respiratórias graves ou repetidas; também fibrose quística, problemas imunitários e outras doenças.
Como se diagnostica?
Com uma TAC do tórax, que confirma o diagnóstico e mostra a gravidade.
Quando é urgente?
Se tossir mais do que pequenas estrias de sangue ou tiver grande dificuldade em respirar.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
