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Pênfigo vulgar: sintomas, causas e tratamento

O pênfigo vulgar é uma doença autoimune rara e grave em que o sistema imunitário ataca a pele por engano. Formam-se bolhas que rebentam com facilidade, primeiro sobretudo na boca e na garganta e depois na pele, deixando feridas muito dolorosas. Não é contagioso nem passa na família. Não tem cura, mas o tratamento controla a doença e melhora muito a sobrevida. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é o pênfigo vulgar?

O pênfigo vulgar é uma doença autoimune rara e de longa duração em que surgem bolhas de vários tamanhos na pele, no revestimento da boca e noutras mucosas. Pode ser muito grave, mas o tratamento ajuda a controlá-lo.

Surge sobretudo em pessoas de meia-idade ou mais velhas, afeta por igual homens e mulheres e raramente atinge crianças.

Porque surge o pênfigo vulgar?

O sistema imunitário fabrica anticorpos para combater bactérias e vírus. Numa doença autoimune, ataca por engano tecidos do próprio corpo. No pênfigo vulgar, os anticorpos atacam as proteínas que unem as células da camada superior da pele; essas células separam-se das camadas de baixo e formam-se bolhas.

Não se sabe porque isto acontece. O NHS sublinha que o pênfigo vulgar não passa de pais para filhos e não é causado por uma infeção, por isso não se transmite a outras pessoas. Há uma doença com bolhas parecidas, o penfigoide bolhoso, que é menos perigosa.

Pênfigo vulgar: sintomas

O sintoma principal são bolhas claras, moles e dolorosas, de vários tamanhos, que rebentam com facilidade e deixam zonas em carne viva muito doridas (erosões).

  • Na boca e na garganta: é a zona mais afetada e costuma ser a primeira. As bolhas rebentam e formam úlceras dolorosas que podem cobrir toda a boca e tornar doloroso engolir, comer e beber.
  • Na pele: as bolhas surgem geralmente alguns meses depois da boca e deixam feridas com crosta, dolorosas e em carne viva.
  • Noutras zonas: por vezes nos olhos, nos órgãos genitais ou no ânus.

A camada superior da pele pode soltar-se com uma leve pressão ou fricção. A pessoa sente-se geralmente indisposta. O pênfigo grave é tão prejudicial como uma queimadura séria: a pele lesionada perde muito líquido e pode infetar.

Complicações possíveis

O pênfigo vulgar pode levar a outros problemas:

  • infeção das bolhas e feridas, que pode causar problemas com risco de vida, como a sepse;
  • perda de peso e desnutrição, pela dor ao comer e beber;
  • cáries e doença das gengivas, porque cuidar dos dentes pode ser doloroso;
  • dor nas relações sexuais e ao urinar ou evacuar, se os genitais ou o ânus forem afetados.

Há consultas regulares para vigiar estes problemas, e pode haver encaminhamento para outros especialistas, como um nutricionista. Sobre a dificuldade em engolir, veja o guia disfagia.

Quando procurar ajuda?

O pênfigo vulgar pode parecer-se com doenças mais comuns, como o impetigo ou a doença mão-pé-boca. O NHS aconselha não tentar fazer o diagnóstico por conta própria e consultar o médico se tiver bolhas ou feridas na boca ou na pele que não passam ou que voltam.

É preciso uma consulta urgente se:

  • as bolhas ou feridas estão muito dolorosas ou quentes;
  • sai pus amarelo ou verde das bolhas ou feridas.

São sinais de infeção, que precisa de tratamento rápido.

Como se diagnostica?

O médico de família pode encaminhar para dermatologia. Os médicos suspeitam muitas vezes de pênfigo pelas bolhas características, mas o diagnóstico faz-se com mais certeza com uma biópsia da pele, uma pequena amostra examinada ao microscópio.

Por vezes usam-se corantes especiais que mostram os depósitos de anticorpos ao microscópio (imunofluorescência). As camadas da pele envolvidas e o aspeto desses depósitos permitem distinguir o pênfigo vulgar do penfigoide bolhoso.

Tratamento do pênfigo vulgar

Não há cura, mas o tratamento ajuda. As bolhas costumam ir e vir ao longo do tempo. Os tratamentos são, por grupos:

  • Corticosteroides em comprimidos e em cremes; nos casos mais graves, em doses altas pela veia no hospital, reduzidas aos poucos quando a doença fica controlada.
  • Imunossupressores, medicamentos que travam o sistema imunitário e reduzem a necessidade de corticosteroides.
  • Imunoglobulina pela veia e troca de plasma, que filtra os anticorpos do sangue, nos casos graves.
  • Antibióticos e pensos (curativos) protetores para as bolhas rebentadas e infetadas.

As pessoas com doença moderada ou grave são internadas, e a pele em carne viva é tratada com cuidados semelhantes aos das queimaduras graves. As bolhas levam geralmente algumas semanas a sarar; depois, os corticosteroides costumam ser precisos durante vários meses e os outros tratamentos durante anos. Algumas pessoas podem parar o tratamento se a doença não voltar (remissão); se houver uma crise, recomeça-se.

Cuidados no dia a dia e prognóstico

  • escovar os dentes com escova macia e pasta sem mentol;
  • usar elixires antissépticos ou anestésicos, de preferência sem álcool;
  • manter as feridas limpas para reduzir o risco de infeção;
  • ir regularmente ao dentista;
  • evitar alimentos picantes, ácidos ou duros quando há bolhas na boca;
  • evitar atividades que possam ferir a pele, como desportos de contacto, quando há bolhas na pele.

Sem tratamento, o pênfigo vulgar é muitas vezes fatal, geralmente em 5 anos. O tratamento melhora muito a sobrevida e a maioria das pessoas sobrevive, mas o risco de morte continua a ser cerca do dobro do da população geral, sobretudo com doença extensa ou outras doenças graves. Viver com pênfigo pode ser muito difícil, e o apoio da equipa de cuidados e de grupos de doentes pode ajudar.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Internamento. O Manual MSD diz que as pessoas com doença moderada ou grave são internadas e tratadas como queimados. O NHS fala sobretudo do tratamento com dermatologia e dos cuidados em casa.
  • Prognóstico. O Manual MSD dá números de sobrevida com e sem tratamento. O NHS diz que pode ser muito grave, mas que o tratamento ajuda a controlá-lo.
  • Cuidados. O NHS dá conselhos práticos para a boca, a pele e os dentes. O Manual MSD centra-se nos medicamentos e no hospital.

Pontos-chave sobre o pênfigo vulgar

  • O pênfigo vulgar é uma doença autoimune rara em que o sistema imunitário ataca a pele.
  • Causa bolhas que rebentam com facilidade, primeiro na boca e na garganta e depois na pele.
  • Não é contagioso nem passa na família.
  • Diagnostica-se com uma biópsia da pele.
  • Trata-se com corticosteroides e outros medicamentos que travam o sistema imunitário.
  • Dor forte, calor ou pus nas feridas são sinais de infeção e pedem consulta urgente.

Perguntas frequentes sobre o pênfigo vulgar

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O pênfigo vulgar é contagioso?

Não. É causado por um problema do sistema imunitário, não por uma infeção, e não passa a outras pessoas.

O pênfigo vulgar é hereditário?

Não. O NHS diz que não passa de pais para filhos.

Onde aparecem as primeiras bolhas?

Geralmente na boca e na garganta; as bolhas na pele surgem habitualmente alguns meses depois.

O pênfigo vulgar tem cura?

Não tem cura, mas o tratamento controla a doença e algumas pessoas entram em remissão e podem parar o tratamento.

O que devo evitar comer com bolhas na boca?

Alimentos picantes, ácidos ou duros.

Como se diagnostica o pênfigo vulgar?

Com uma biópsia da pele examinada ao microscópio, por vezes com corantes que mostram os depósitos de anticorpos.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Pênfigo vulgar
  2. NHS · Pemphigus vulgaris

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.