O que é a pancreatite crónica?
O pâncreas é um órgão na parte de cima da barriga. Produz a insulina e um suco com enzimas digestivas, que passa por um canal (o canal pancreático) para a primeira parte do intestino delgado (duodeno) e ajuda a digerir os alimentos.
Na pancreatite aguda, a inflamação surge de repente e resolve-se em dias ou semanas. Na pancreatite crónica, a inflamação é progressiva e de longa duração: causa lesões permanentes e tecido cicatricial (fibrose) no pâncreas, o sinal característico da doença. Com o tempo, as células que produzem as enzimas digestivas vão sendo destruídas. O NHS refere que afeta sobretudo adultos.
Causas da pancreatite crónica
Segundo o NHS, a causa mais comum é o álcool: beber demasiado pode inflamar o pâncreas por pouco tempo (pancreatite aguda) e, se a pessoa continuar a beber e as crises se repetirem, o pâncreas pode ficar com cicatrizes permanentes. Nos Estados Unidos, cerca de 50% dos casos devem-se ao consumo pesado de álcool, segundo o Manual MSD. Outras causas são:
- fumar;
- doenças genéticas, como a fibrose quística, que é a causa mais comum nas crianças, ou a pancreatite hereditária;
- o sistema imunitário atacar o pâncreas (pancreatite autoimune);
- o canal pancreático bloqueado por cálculos ou por um tumor;
- raramente, uma crise grave de pancreatite aguda;
- um pâncreas que não se desenvolveu bem antes do nascimento, e alguns medicamentos, incluindo alguns antibióticos e medicamentos para a diabetes.
Por vezes não se encontra causa. Em países tropicais, como a Índia, a Indonésia e a Nigéria, há uma forma de causa desconhecida em crianças e adultos jovens (pancreatite tropical).
A dor da pancreatite crónica
A dor abdominal é o principal sintoma. Pode ser:
- na parte de cima da barriga, logo abaixo das costelas, num dos lados ou em toda a barriga;
- contínua ou ir e vir, com crises que duram muitas horas ou vários dias;
- forte ou uma dor surda;
- pior depois de comer;
- melhor em posição sentada, com o tronco direito ou inclinado para a frente.
Nas fases avançadas, a dor tende a ser constante. Com o tempo, à medida que as células que produzem enzimas são destruídas, a dor pode parar.
Fezes gordurosas e outros sintomas
Quando o pâncreas produz menos enzimas (insuficiência pancreática), os alimentos não são bem digeridos nem absorvidos. Isso causa:
- fezes volumosas, gordurosas, de cor clara e com mau cheiro, que flutuam e custam a desaparecer com o autoclismo, por vezes com gotas de gordura (esteatorreia);
- diarreia, inchaço da barriga e muitos gases;
- náuseas e vómitos;
- perda de peso sem querer, desnutrição e falta de vitaminas;
- sede e vontade de urinar com frequência, sinais de diabetes.
O NHS avisa que estes sintomas podem ser parecidos com os de outras doenças, como a síndrome do intestino irritável ou os cálculos biliares.
Que complicações pode causar?
- Diabetes: as células que produzem insulina podem ser destruídas aos poucos; o NHS chama-lhe diabetes tipo 3c.
- Pseudoquistos: acumulações de líquido junto ao pâncreas, que podem sangrar, romper, infetar ou comprimir o duodeno e os canais biliares.
- Bloqueios do canal pancreático ou dos canais biliares, que podem causar dor ou inflamação da vesícula (colecistite).
- Ossos frágeis (osteoporose), por má absorção dos nutrientes.
- Cancro (câncer) do pâncreas: o risco é maior em quem tem pancreatite crónica.
Quando procurar o médico?
O NHS aconselha consultar o médico de família se achar que pode ter pancreatite crónica.
Peça uma consulta urgente se tiver uma dor de barriga súbita e forte: pode ser um sinal de pancreatite aguda ou de outro problema que precisa de tratamento no hospital o mais depressa possível.
Quem já tem o diagnóstico precisa de consultas, análises e exames regulares, para vigiar problemas como a diabetes ou a fragilidade dos ossos. Segundo o Manual MSD, qualquer agravamento dos sintomas leva o médico a procurar um cancro do pâncreas.
Como se diagnostica?
Não há um único exame para a pancreatite crónica. O médico baseia-se nos sintomas, nas crises anteriores de pancreatite aguda e no consumo de álcool. Pode apalpar a barriga, ver se a pele e os olhos estão amarelos, pesar a pessoa e perguntar se há familiares com pancreatite. Os exames incluem:
- Análises ao sangue e às fezes; uma elastase baixa nas fezes indica insuficiência pancreática.
- Radiografia do abdómen, para procurar depósitos de cálcio no pâncreas.
- TC ou ecografia (ultrassom), para ver as alterações e complicações como os pseudoquistos.
- Colangiopancreatografia por ressonância magnética, que mostra bem os canais biliar e pancreático.
- Ecoendoscopia, com uma sonda de ecografia num tubo flexível pela boca.
Alimentação e tratamento
Não há cura, mas o tratamento ajuda a controlar os sintomas e os problemas associados, com o apoio do médico de família, de especialistas, de enfermeiros e de nutricionistas. Os passos principais são:
- Não beber álcool e não fumar: ajuda a abrandar a lesão do pâncreas.
- Alimentação: o NHS aconselha uma alimentação saudável e equilibrada; o Manual MSD refere 4 a 5 refeições por dia com pouca gordura, que podem reduzir a dor, e menos gordura ainda se os outros passos não chegarem.
- Enzimas pancreáticas em comprimidos ou cápsulas, tomadas com as refeições: tornam as fezes menos gordurosas e melhoram a absorção; pode ser preciso juntar vitaminas A, D, E e K.
- Analgésicos, por grupos, que muitas vezes aliviam pouco; os opioides trazem risco de dependência.
- Diabetes: geralmente é preciso insulina, com cuidado porque há risco de açúcar muito baixo no sangue.
- Endoscopia ou cirurgia para desbloquear canais, partir cálculos, drenar pseudoquistos ou retirar parte do pâncreas; os corticosteroides tratam a forma autoimune.
Sobre o tabaco, veja o guia deixar de fumar.
Onde as fontes divergem
As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:
- Alimentação. O Manual MSD fala de 4 a 5 refeições por dia com pouca gordura para reduzir a dor. O NHS aconselha apenas uma alimentação saudável e equilibrada.
- Causas. O NHS inclui alguns medicamentos e o pâncreas mal desenvolvido à nascença. O Manual MSD refere a pancreatite tropical e o canal bloqueado por cálculos ou tumores.
- Vida com a doença. O NHS fala do impacto na vida, da esperança de vida e do apoio emocional. O Manual MSD detalha os exames e as opções de cirurgia.
Pontos-chave sobre a pancreatite crónica
- A pancreatite crónica é uma inflamação duradoura que deixa cicatrizes no pâncreas.
- O álcool e o tabaco são as causas principais.
- A dor na parte de cima da barriga é o sintoma principal e piora depois de comer.
- A falta de enzimas causa fezes gordurosas e perda de peso; pode surgir diabetes.
- Não há cura; deixar o álcool e o tabaco abranda a doença.
- Refeições com pouca gordura, enzimas com as refeições e controlo da diabetes ajudam.
Perguntas frequentes sobre a pancreatite crónica
Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.
Qual a diferença entre pancreatite aguda e crónica?
A aguda surge de repente e resolve-se em dias ou semanas; a crónica é progressiva e deixa lesões permanentes no pâncreas.
O álcool causa pancreatite crónica?
É a causa mais comum. Nos Estados Unidos, cerca de metade dos casos deve-se ao consumo pesado de álcool.
Posso beber álcool com pancreatite crónica?
Não. O álcool pode lesar ainda mais o pâncreas, mesmo quando não foi a causa da doença.
O que comer na pancreatite crónica?
Uma alimentação saudável e equilibrada; o Manual MSD refere 4 a 5 refeições por dia com pouca gordura, que podem reduzir a dor.
Porque é que as fezes ficam gordurosas?
Porque o pâncreas produz menos enzimas e a gordura não é bem digerida; as enzimas tomadas com as refeições ajudam.
A pancreatite crónica tem cura?
Não, mas o tratamento controla a dor, a digestão e a diabetes, e deixar o álcool e o tabaco abranda a lesão.
Fontes
Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.
