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Colecistite: sintomas, causas e tratamento

A colecistite é uma inflamação da vesícula biliar, quase sempre causada por um cálculo (pedra) que bloqueia o canal de saída da vesícula, o canal cístico. O sintoma principal é uma dor forte e persistente na parte superior direita da barriga, muitas vezes com febre e náuseas. É uma doença potencialmente grave pelo risco de complicações, por isso trata-se no hospital e muitas vezes acaba com a remoção da vesícula. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que é a colecistite?

A vesícula biliar é um órgão pequeno, em forma de pera, situado por baixo do fígado. Armazena a bile, um líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão. Quando comemos, a vesícula contrai-se e envia a bile pelos canais biliares até ao intestino delgado.

A colecistite é a inflamação da vesícula biliar. Segundo o Manual MSD, é o problema mais comum provocado pelos cálculos biliares. Classifica-se como aguda ou crónica.

Causas da colecistite

Na maioria dos casos, um cálculo ou lama biliar (uma mistura de bile com pequenos cristais) bloqueia o canal cístico. A bile acumula-se, a pressão dentro da vesícula aumenta e ela inflama. A inflamação começa quase sempre sem infeção, mas esta pode surgir depois.

O NHS refere que os cálculos biliares afetam mais de 1 em cada 10 adultos no Reino Unido. Em geral não dão sintomas, mas às vezes causam crises de dor (cólica biliar) ou colecistite aguda.

Tipos de colecistite

  • Colecistite aguda com cálculos. É a mais comum e, em geral, a menos grave. Pelo menos 90% das pessoas com colecistite aguda têm cálculos biliares; o NHS fala de cerca de 95% dos casos.
  • Colecistite sem cálculos (alitiásica). É rara, mas mais grave. Costuma surgir após uma cirurgia de grande porte, lesões ou queimaduras graves, infeção no sangue (sépsis), alimentação pela veia ou jejum prolongados, defesas fracas, diabetes ou aterosclerose. Pode aparecer em crianças pequenas depois de uma doença infeciosa com febre.
  • Colecistite crónica. É uma inflamação de longa duração, quase sempre resultado de cálculos e de crises agudas anteriores. A vesícula pode ficar pequena, com cicatrizes e paredes grossas.

Sintomas da colecistite aguda

Uma crise começa sempre com dor. Na colecistite aguda:

  • a dor surge de repente na parte superior direita da barriga e estende-se para o ombro direito ou para as costas;
  • atinge o máximo em 15 a 60 minutos e mantém-se constante durante 6 horas ou mais;
  • a zona fica muito sensível ao toque e respirar fundo agrava a dor;
  • são frequentes as náuseas, os vómitos e a febre, por vezes com calafrios;
  • o NHS acrescenta suores, falta de apetite e um inchaço na barriga.

Nos adultos mais velhos, os primeiros ou únicos sintomas podem ser vagos, como falta de apetite, cansaço, fraqueza ou vómitos, e pode não haver febre. Normalmente a crise diminui em dois a três dias e desaparece numa semana.

Sintomas da colecistite crónica e sem cálculos

Na colecistite crónica há crises repetidas de dor, quando os cálculos bloqueiam temporariamente o canal cístico. A parte superior da barriga fica sensível ao toque. A dor é menos intensa e mais curta do que na aguda, e a febre é rara.

A colecistite sem cálculos provoca dor súbita e intensa na parte superior da barriga em pessoas que costumam estar já muito doentes, por exemplo em cuidados intensivos. Por isso pode não ser diagnosticada logo; às vezes os únicos sinais são a barriga inchada e sensível ou febre sem causa conhecida.

Sinais de alarme e complicações

Se a crise aguda persistir, pode indicar uma complicação grave. O Manual MSD descreve:

  • Dor intensa crescente, febre alta e calafrios: sugerem bolsas de pus (abcessos) ou rutura (perfuração) da vesícula.
  • Pele ou olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes claras: o canal biliar principal está provavelmente bloqueado por um cálculo.
  • Dor e distensão da barriga: um cálculo grande pode romper a parede da vesícula e bloquear o intestino.
  • Pancreatite: um cálculo pode bloquear o ponto onde se unem o canal biliar e o do pâncreas.

O NHS aconselha consultar um médico o mais depressa possível perante dor de barriga súbita e forte, sobretudo se durar mais de algumas horas ou vier com icterícia e febre alta.

Como se diagnostica?

O diagnóstico baseia-se sobretudo nos sintomas e nos exames de imagem. O NHS descreve o sinal de Murphy: o médico pressiona abaixo das costelas e pede para inspirar fundo; quem tem colecistite sente dor súbita quando a vesícula desce até à mão.

  • Ecografia (ultrassom): é a melhor forma de detetar cálculos e mostra líquido à volta da vesícula ou parede espessada.
  • Análises de sangue (exames de sangue): procuram sinais de inflamação e avaliam o fígado; muitos glóbulos brancos sugerem inflamação, abcesso ou perfuração.
  • Colecintigrafia, TC ou ressonância: quando o diagnóstico é difícil ou para ver complicações.

Tratamento da colecistite

As pessoas com colecistite precisam, em geral, de ser internadas. O tratamento inicial consiste em:

  • não comer nem beber, para deixar a vesícula descansar;
  • soro e eletrólitos pela veia;
  • medicamentos para a dor;
  • antibióticos pela veia, pela possibilidade de infeção.

Depois, recomenda-se muitas vezes retirar a vesícula (colecistectomia), em geral por laparoscopia, com pequenos cortes. O Manual MSD indica que costuma fazer-se 24 a 48 horas após o início dos sintomas em certos casos, mas pode adiar-se seis semanas ou mais; se a cirurgia não for possível, a vesícula pode ser drenada com um tubo. É possível ter uma vida normal sem vesícula. Para a alimentação, consulte a área de nutrição.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Momento da cirurgia. O NHS diz que a laparoscopia se recomenda muitas vezes na semana seguinte ao diagnóstico. O Manual MSD fala de 24 a 48 horas em certos casos e de adiamento de seis semanas ou mais quando necessário.
  • Depois da cirurgia. O NHS refere que algumas pessoas têm inchaço e diarreia depois de certos alimentos. O Manual MSD descreve a síndrome pós-colecistectomia, com dor parecida às crises e diarreia.
  • Colecistite crónica. O Manual MSD descreve a forma crónica. A página do NHS trata só a colecistite aguda.

Pontos-chave sobre a colecistite

  • A colecistite é a inflamação da vesícula biliar.
  • Quase sempre se deve a um cálculo que bloqueia o canal cístico.
  • A dor surge no lado superior direito da barriga e não passa em poucas horas.
  • Febre alta, calafrios ou icterícia são sinais de alarme.
  • A ecografia é o principal exame de diagnóstico.
  • Trata-se no hospital e muitas vezes retira-se a vesícula.

Perguntas frequentes sobre colecistite

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Quais são os sintomas da colecistite?

Dor forte e constante na parte superior direita da barriga, que vai ao ombro direito, com náuseas, vómitos e febre.

O que causa a colecistite?

Na maioria dos casos, um cálculo biliar que bloqueia o canal cístico; raramente surge sem cálculos.

A colecistite é grave?

Pode ser, pelo risco de complicações como abcesso, perfuração ou pancreatite. Por isso trata-se no hospital.

Como se diagnostica a colecistite?

Pelos sintomas, pelo exame da barriga e por uma ecografia, com análises de sangue.

É preciso operar a colecistite?

Muitas vezes recomenda-se retirar a vesícula para evitar novas crises; se não for possível, pode ser drenada.

Pode viver-se sem vesícula?

Sim. O fígado continua a produzir bile; algumas pessoas notam inchaço ou diarreia com certos alimentos.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Colecistite
  2. NHS · Acute cholecystitis

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.