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Pedra na vesícula (cálculos biliares): sintomas e tratamento

As pedras na vesícula, ou cálculos biliares, são depósitos de material sólido, sobretudo cristais de colesterol, que se formam na vesícula biliar. São comuns e, na maioria das pessoas, não dão sintomas durante anos ou nunca. Quando uma pedra bloqueia um canal biliar, provoca uma dor intensa na parte superior da barriga, a cólica biliar. Se as crises se repetem, o tratamento habitual é retirar a vesícula. Este guia baseia-se no Manual MSD e nas informações do serviço de saúde britânico NHS.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
6 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757

O que são as pedras na vesícula?

A vesícula biliar é um órgão pequeno, em forma de pera, por baixo do fígado, que armazena a bile, um líquido que ajuda na digestão. Quando o fígado liberta colesterol em excesso, a bile fica saturada e formam-se cristais que se juntam na vesícula e dão origem aos cálculos biliares (colelitíase).

Há também cálculos de cálcio ou de bilirrubina, o pigmento da bile, chamados pigmentados. Às vezes acumulam-se partículas sem chegar a formar pedras, a chamada lama biliar, que pode aparecer quando a bile fica muito tempo na vesícula, como na gravidez, e desaparece em geral quando a causa se resolve. Os cálculos podem ficar na vesícula ou passar para os canais biliares.

Quem tem mais risco de cálculos biliares

Os cálculos biliares são comuns: o Manual MSD estima que, nos Estados Unidos, 14% das pessoas com mais de 20 anos os têm. Os fatores de risco descritos pelas fontes são:

  • ser mulher e ter mais idade (o NHS fala de mais de 40 anos);
  • obesidade e vida sedentária;
  • diabetes ou pré-diabetes e colesterol alto;
  • doença cardíaca aterosclerótica;
  • familiares com cálculos biliares;
  • perder peso muito depressa, por exemplo após cirurgia para emagrecer, e, segundo o NHS, uma alimentação rica em gordura e pobre em fibra.

Sintomas: a cólica biliar

A dor surge quando uma pedra passa da vesícula para um canal e o bloqueia; a vesícula incha e provoca a cólica biliar:

  • dor na parte superior da barriga, em geral do lado direito, por baixo das costelas, ou no meio da barriga;
  • intensa e constante, aumenta durante 15 minutos a 1 hora e dura em geral menos de 6 horas;
  • pode vir com náuseas ou vómitos;
  • pode surgir depois de uma refeição pesada.

Os cálculos biliares não causam arrotos nem sensação de barriga inchada. A maioria das crises passa sozinha, mas a dor volta em 20% a 40% das pessoas a cada ano. Entre as crises, a pessoa sente-se bem.

Complicações dos cálculos biliares

As complicações são raras, mas podem ser graves quando a pedra bloqueia um canal de forma persistente:

  • Colecistite aguda: a vesícula inflama e pode infetar, em geral com febre.
  • Colangite aguda: o bloqueio do canal biliar principal causa febre, calafrios e icterícia, sinal de uma infeção grave.
  • Pancreatite: uma pedra pode bloquear também o canal do pâncreas.
  • Icterícia: pele ou olhos amarelados, comichão, urina mais escura e fezes mais claras.
  • Perfuração ou obstrução intestinal: raras, sobretudo em adultos mais velhos.

Quando procurar um médico?

O NHS aconselha pedir uma consulta urgente se tiver dor de barriga que dure mais de 30 minutos. E procurar urgência imediata se:

  • tiver uma dor de barriga súbita e forte;
  • a dor passar da barriga para as costas e estiver a vomitar;
  • tiver febre muito alta ou sensação de calor, frio ou calafrios;
  • a pele ou a parte branca dos olhos ficarem amarelas.

Nesses casos: no Brasil, SAMU 192; em Portugal, 112. O NHS aconselha não conduzir até ao hospital e levar os medicamentos que toma. Consulte o seu médico.

Como se diagnostica?

O médico suspeita de cálculos biliares pela dor característica. Muitas vezes, porém, as pedras são descobertas por acaso numa ecografia (ultrassom) ou radiografia feita por outro motivo.

  • Ecografia: é o exame de escolha para os cálculos na vesícula, com 95% de precisão.
  • Análises de sangue (exames de sangue): avaliam o fígado; em geral são normais, salvo se as pedras bloquearem os canais.
  • Colangiorressonância, ecoendoscopia ou CPRE: para procurar pedras nos canais biliares.

Tratamento das pedras na vesícula

Os cálculos que não dão sintomas não precisam de tratamento; o NHS refere que pode ser preciso acompanhamento. Se causarem crises repetidas de dor ou complicações:

  • Retirar a vesícula (colecistectomia): é o tratamento principal; cerca de 90% fazem-se por laparoscopia, com pequenos cortes, o que reduz o desconforto e a recuperação.
  • CPRE: um tubo com câmara introduzido pela boca permite alargar a saída do canal biliar e retirar as pedras dos canais; é eficaz em 95% das pessoas.
  • Medicamentos para dissolver os cálculos: nem sempre resultam e cerca de metade das pessoas volta a ter pedras em cinco anos; usam-se sobretudo quando a cirurgia é muito arriscada.

Retirar a vesícula evita novas cólicas e, segundo o Manual MSD, não afeta a digestão nem exige restrições alimentares depois. Enquanto espera pela cirurgia, o médico pode receitar analgésicos.

Pedra na vesícula e alimentação

As fontes não coincidem neste ponto. O Manual MSD diz que, se os cálculos causarem dor, mudar a dieta, por exemplo para uma dieta pobre em gordura, não ajuda; e que os alimentos gordos desencadeiam a dor com mais probabilidade do que outros, embora uma refeição pesada possa desencadeá-la, seja gorda ou não.

O NHS indica que, enquanto espera pela cirurgia, pode querer evitar os alimentos que causam sintomas e que lhe podem aconselhar uma dieta pobre em gordura. Para orientação sobre alimentação, consulte a área de nutrição.

Onde as fontes divergem

As duas fontes concordam nos pontos principais, mas diferem em alguns detalhes:

  • Dieta. O Manual MSD diz que uma dieta pobre em gordura não ajuda se houver dor. O NHS refere que pode ser aconselhada enquanto se espera pela cirurgia.
  • Duração da dor. O NHS fala de dor que dura mais de 30 minutos e até várias horas. O Manual MSD diz que dura em geral menos de 6 horas e, às vezes, até 12.
  • Medicamentos para dissolver. O Manual MSD descreve esta alternativa à cirurgia. O NHS não a menciona.

Pontos-chave sobre a pedra na vesícula

  • Os cálculos biliares formam-se sobretudo com colesterol da bile.
  • Cerca de 80% não dão sintomas e não precisam de tratamento.
  • A cólica biliar é uma dor intensa na parte superior direita da barriga.
  • Febre, calafrios ou icterícia exigem urgência.
  • A ecografia é o principal exame de diagnóstico.
  • Se houver crises repetidas, retira-se a vesícula por laparoscopia.

Perguntas frequentes sobre pedra na vesícula

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

Quais são os sintomas da pedra na vesícula?

Muitas vezes nenhum. Quando há, é uma dor intensa na parte superior direita da barriga, por vezes com náuseas ou vómitos.

O que causa os cálculos biliares?

Em geral, o excesso de colesterol na bile, que forma cristais na vesícula.

É preciso operar a pedra na vesícula?

Só se causar sintomas ou complicações. Nesse caso, o tratamento principal é retirar a vesícula.

Pode viver-se sem vesícula?

Sim. Segundo o Manual MSD, retirar a vesícula não afeta a digestão nem exige restrições alimentares.

A dieta ajuda a tratar as pedras na vesícula?

O Manual MSD diz que mudar a dieta não ajuda; o NHS refere que pode ser aconselhada uma dieta pobre em gordura até à cirurgia.

Quando é uma urgência?

Se houver dor súbita e forte, febre alta com calafrios, vómitos com dor nas costas ou icterícia.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Cálculos biliares
  2. NHS · Gallstones

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.