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SIBO: supercrescimento bacteriano no intestino delgado

O SIBO (do inglês small intestinal bacterial overgrowth) é o supercrescimento bacteriano no intestino delgado. Segundo o Manual MSD, é um distúrbio em que o conteúdo do intestino se move mal e isso permite que certas bactérias normais do intestino cresçam em excesso, o que causa diarreia e má absorção dos nutrientes. Este guia explica por que acontece, que sintomas dá, como se diagnostica, como se trata e o que diz uma metanálise sobre os antibióticos.

Tema
Nutrição
Atualizado
Tempo de leitura
7 minutos
Revisado por
Dra. Itziar Gotxi Erezuma · Médica especialista em otorrinolaringologia · Colégio de Médicos de Bizkaia n.º 484809757
Mulher sorridente sentada à mesa diante de um prato de comida
O SIBO é um crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que é o SIBO

No intestino delgado vivem normalmente poucas bactérias. Segundo o Manual MSD, este equilíbrio mantém-se graças ao movimento normal e constante do conteúdo intestinal (os movimentos peristálticos), à acidez do estômago e a outras defesas do intestino.

Quando o conteúdo do intestino se move devagar ou fica acumulado num ponto, certas bactérias normais crescem em excesso. É isso o SIBO, que o Manual MSD chama supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SCBID) ou síndrome do hipercrescimento bacteriano do intestino delgado (HBID). É considerado um distúrbio de má absorção.

O SIBO é um dos motivos de inchaço abdominal, mas não o único. Sobre as outras causas, temos um guia sobre o inchaço abdominal e os gases.

Causas do SIBO

Segundo o Manual MSD, o SIBO aparece quando há situações que atrasam ou param o movimento do conteúdo pelo intestino:

  • Cirurgias: certos tipos de cirurgia do estômago, do intestino ou de ambos.
  • Alterações da anatomia: divertículos do intestino delgado, estreitamentos (estenoses) ou obstruções parciais.
  • Doenças que tornam o intestino mais lento: como a diabetes, a esclerose sistêmica (esclerodermia), a amiloidose ou o hipotireoidismo.
  • Idade: nas pessoas idosas, a falta de ácido no estômago e as mudanças do movimento intestinal podem favorecer o SIBO.

Por isso, o médico suspeita sobretudo de SIBO em pessoas com estas cirurgias ou doenças.

Por que o SIBO causa má absorção

Segundo o Manual MSD, as bactérias em excesso:

  • consomem nutrientes, como carboidratos e vitamina B12, o que reduz as calorias aproveitadas e pode causar falta de vitamina B12;
  • decompõem os sais biliares, que o fígado produz para ajudar a digerir as gorduras; sem eles, as gorduras absorvem-se mal, o que leva à diarreia e à desnutrição;
  • danificam a mucosa do intestino, quando o crescimento é muito acentuado.

O Manual MSD para profissionais acrescenta que, como as bactérias produzem folato, a falta desta vitamina é rara no SIBO.

Sintomas do SIBO

Segundo o Manual MSD, o sintoma mais comum é a distensão abdominal (barriga inchada). Outros sintomas são:

  • desconforto abdominal,
  • diarreia,
  • excesso de flatulência (gases),
  • perda de peso,
  • sintomas de falta de nutrientes.

Algumas pessoas têm diarreia grave ou esteatorreia, que são fezes claras, moles, volumosas, gordurosas e com cheiro forte. Estes sintomas podem confundir-se com os de outros problemas digestivos, por isso convém que um médico os avalie.

Teste respiratório para o SIBO

Segundo o Manual MSD, o médico faz o diagnóstico com base nos sintomas típicos, sobretudo em pessoas com certas cirurgias ou doenças, e pode pedir um teste respiratório. Funciona assim:

  • quando as bactérias do intestino decompõem certos açúcares, produzem hidrogênio e metano, que saem com a respiração;
  • a pessoa bebe um líquido com um açúcar (glicose ou lactulose) misturado com água;
  • depois, sopra para um saco coletor de hora em hora, durante quatro horas, e analisa-se a quantidade de hidrogênio ou metano.

O Manual MSD para profissionais indica que, antes do teste, se recomenda não tomar antibióticos durante 4 semanas nem medicamentos que aceleram o intestino ou laxantes durante pelo menos uma semana. Siga sempre as instruções do seu médico.

Mulher conversa com um médico sentado à secretária do consultório
O teste respiratório mede o hidrogênio e o metano da respiração. Imagem ilustrativa gerada com IA.

Outros exames que o médico pode pedir

Segundo o Manual MSD, além do teste respiratório, o médico pode pedir:

  • Cultura do líquido intestinal: recolhe-se uma amostra do líquido do intestino delgado com um tubo flexível, durante uma endoscopia, e conta-se o tipo e a quantidade de bactérias. O Manual MSD para profissionais considera-a o padrão para o diagnóstico, mas precisa de endoscopia.
  • Radiografias com contraste: depois de beber um líquido que aparece na radiografia, para procurar alterações da anatomia que favoreçam o SIBO.

Alguns médicos usam a resposta aos antibióticos como prova diagnóstica. O Manual MSD para profissionais prefere confirmar a causa, porque o SIBO pode imitar outras doenças de má absorção e os antibióticos podem piorar a diarreia.

Tratamento do SIBO

Segundo o Manual MSD, o tratamento inclui:

  • Antibióticos: a maioria das pessoas melhora com antibióticos orais tomados durante 10 a 14 dias. Se os sintomas voltarem, o tratamento pode repetir-se em ciclos, sempre com indicação médica.
  • Dieta: como as bactérias crescem mais depressa com os carboidratos, o Manual MSD indica uma dieta mais rica em gordura e com menos carboidratos e fibras.
  • Suplementos: o médico receita suplementos para corrigir as deficiências nutricionais, como a de vitamina B12.
  • Tratar a causa: devem corrigir-se as doenças de base que favorecem o SIBO.

A dieta deve ser orientada pelo médico ou por um profissional de nutrição, conforme a causa e as deficiências de cada pessoa. Para ler mais sobre a nossa área de alimentação, veja a página de nutrição.

Mulher conversa com uma profissional de saúde numa mesa com comida
A dieta no SIBO deve ser orientada por um profissional. Imagem ilustrativa gerada com IA.

O que diz a pesquisa sobre os antibióticos

Uma revisão sistemática com metanálise (Takakura e colaboradores, Journal of Neurogastroenterology and Motility, 2024), citada pelo Manual MSD para profissionais, reuniu 6 estudos com 196 pessoas com SIBO. Os resultados principais foram:

  • os sintomas melhoraram em mais pessoas com antibióticos do que com placebo ou sem antibióticos, com um risco relativo de 2,46,
  • em 266 pessoas com síndrome do intestino irritável, as que tinham SIBO responderam mais aos antibióticos (51,2 %) do que as que não tinham (23,4 %).

Segundo os autores, os antibióticos parecem eficazes no SIBO, mas o pequeno número de participantes e a baixa qualidade dos dados limitam esta conclusão. São precisos estudos grandes em vários centros.

Onde as fontes divergem

As fontes coincidem em que os antibióticos são o tratamento principal, mas há matizes:

  • A dieta: a versão para o público e o texto principal da versão para profissionais do Manual MSD indicam uma dieta rica em gordura e pobre em carboidratos e fibras. O resumo final («Pontos-chave») da versão para profissionais diz o contrário, uma dieta pobre em gordura e rica em carboidratos. Seguimos o texto principal, que explica o motivo, mas convém confirmar a dieta com o médico.
  • O diagnóstico: alguns médicos usam a resposta aos antibióticos como prova; o Manual MSD para profissionais prefere confirmar o SIBO antes, com teste respiratório ou cultura.
  • A força da evidência: o Manual MSD diz que a maioria das pessoas melhora com antibióticos; a metanálise confirma o benefício, mas com estudos pequenos e dados de baixa qualidade.

Pontos-chave sobre o SIBO

  • O SIBO é um crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado.
  • Aparece quando o conteúdo do intestino se move mal, por exemplo depois de certas cirurgias ou em doenças como a diabetes.
  • O sintoma mais comum é a barriga inchada; também pode dar diarreia, gases e perda de peso.
  • Diagnostica-se com os sintomas e um teste respiratório ou uma cultura do líquido intestinal.
  • Trata-se com antibióticos durante 10 a 14 dias, dieta e suplementos para as deficiências.
  • A evidência sobre os antibióticos é favorável, mas vem de estudos pequenos.

Perguntas frequentes sobre o SIBO

Estas respostas são informações gerais e não substituem uma consulta nem uma avaliação médica individual.

O que significa SIBO?

SIBO é a sigla inglesa de supercrescimento bacteriano no intestino delgado: um crescimento excessivo de bactérias normais do intestino porque o conteúdo intestinal se move mal.

Quais são os sintomas do SIBO?

Segundo o Manual MSD, o mais comum é a distensão abdominal. Também pode haver desconforto abdominal, diarreia, excesso de gases, perda de peso e sinais de falta de nutrientes.

Como se faz o teste respiratório do SIBO?

A pessoa bebe um líquido com glicose ou lactulose e depois sopra para um saco de hora em hora, durante quatro horas, para medir o hidrogênio e o metano da respiração.

O SIBO tem cura?

Segundo o Manual MSD, a maioria das pessoas melhora com antibióticos durante 10 a 14 dias. Se os sintomas voltarem, o tratamento pode repetir-se e é importante tratar a causa de base.

Que dieta se recomenda no SIBO?

O Manual MSD indica uma dieta mais rica em gordura e com menos carboidratos e fibras, embora o resumo da versão para profissionais diga o contrário. A dieta deve ser orientada pelo médico.

O SIBO causa falta de vitaminas?

Pode causar. Segundo o Manual MSD, as bactérias consomem vitamina B12 e dificultam a absorção das gorduras; o médico receita suplementos para corrigir as deficiências.

Fontes

  1. Manual MSD (Versão Saúde para a Família) · Supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SCBID)
  2. Manual MSD (Versão para Profissionais de Saúde) · Síndrome do hipercrescimento bacteriano do intestino delgado (HBID)
  3. Takakura W, et al. Symptomatic response to antibiotics in patients with small intestinal bacterial overgrowth: a systematic review and meta-analysis. J Neurogastroenterol Motil. 2024

Este guia tem finalidade informativa e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico e o tratamento dependem da sua consulta e do seu histórico clínico. Em caso de emergência, ligue para o 112.